Checkpoint 1: O treinador sumiu!

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Tem duas semanas que meu treinador evaporou.

Para ser justo, ele me avisou que estaria fora na semana retrasada por conta da Marathon de Sables e, como era logo na sequência da Ultra Estrada Real, que eu deveria correr seguindo a vontade. Até aí, tudo bem: fechei a semana em 40K leves e bem corridos.

Só que essa semana já estava pronto para ficar sério e ele continuou fora do ar, provavelmente no Marrocos ou Turquia, onde seguiu para a Iznik Ultra.

Bom… seja qual for o motivo, o fato é que passei a semana sem notícias, planilhas ou informações – algo péssimo considerando que estamos a pouco mais de um mês da Comrades! Resultado: segui o instinto.

Na terça, fiz duas sessões de tempo, treinando as marchas mais rápidas; na quarta, 2 horas em pace médio; na quinta, 1 hora em pace de meia; ontem, 30K em terreno montanhoso…

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Correndo para fora dos curcuitos habituais

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Eu (obviamente) gosto dos longões. Aliás, é praticamente impossível algum corredor de ultras não gostar de passar horas e mais horas nas ruas, correndo entre quilômetros de pensamentos.

Só que é também quase impossível achar um corredor de ultras que não curta mudar de paisagens, explorar novos horizontes e voar por trilhas desconhecidas. A questão é: como fazer isso do ponto de vista de rotina?

Sim: eu, pelo menos, faço quase todas as minhas corridas semanais na região do Ibirapuera; aos domingos, fujo para o centro e viro “carro” no Minhocão; e, aos sábados, fico perdido.

Perdido entre a ansiedade de sair para as ruas e o cansaço de repetir percursos idênticos. Fazer 30 ou 40km na USP, principal “hub” de corredores paulistanos aos sábados, significa dar tantas voltas no mesmo lugar que corre-se o risco de cair de tontura. Desenvolvi uma estratégia diferente: passei a correr por lugares diferentes…

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Começando com o coração

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Dizem que se deve prezar o descanso depois de esforços intensos. Que se deve elevar a volumetria de corrida aos poucos, entre 10% a 20% por semana, para preservar as articulações e evitar problemas. Dizem que planilhas devem ser construídas com aquele equilíbrio perfeito entre treinamento e exaustão.

Não discordo de nada disso, claro – quem sou eu para questionar anos e anos de “sabedoria esportiva”, se é que isso existe? Mas há momentos em que se deve mesmo ignorar mente e corpo e correr com o coração.

Meu treinador sumiu essa semana: foi cobrir a Marathon de Sables, lá no Saara, e não deixou nada programado para mim nos últimos 15 dias. Para a semana passada, tudo bem: estava mesmo me recuperando da Ultra Estrada Real e o combinado era seguir de acordo com a vontade, sem forçar a barra.

Mas já entrei nessa semana novo, inteiro e preparado…

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#IComrades e os motivos para se perseguir os 90km na África

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Se tem uma coisa que aprendi no mundo das ultras é que cada um dos corredores tem um motivo forte que os levou para as ruas e trilhas. Seja alguma doença grave que marcou o passado, a morte de algum ente querido ou a libertação de algum tipo de prisão mental em que viviam, todos foram empurrados para os seus tênis mais pelo coração do que pelo corpo.

Correr por correr, afinal, é algo que pode ser feito em uma voltinha simples pelo parque mais próximo. Correr por 10, 12, 15 horas a fio, mergulhando em si mesmo e sentindo a vida pulsar mais forte em cada passada, é para quem tem motivos que costumam ir além de uma mera busca por saúde (até porque, convenhamos, não dá para dizer que esse seja o mais saudável dos esportes).

E, embora a relação entre rua e pessoa seja algo totalmente individual…

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Eis que, depois de 30 dias de low-carb…

Os resultados finalmente saíram! Antes, algumas considerações importantes:

  1. Quando fiz os exames, havia completado exatos 30 dias em LCHF – o suficiente para dizer que a adaptação em si já era coisa do passado (embora recente).
  2. Menos de uma semana antes desses exames corri os 88km da Ultra Estrada Real em pouco mais de 13 horas. Isso é importante porque, claro, um esforço desse certamente mexe com o metabolismo e, embora esteja fisicamente recuperado, não sei o quanto o organismo em si está “novo”.

Ressalvas feitas, vão mais algumas observações:

No começo da dieta, procurei deixar a quantidade de carboidrato restrita a menos de 70g/ dia. Logo na segunda semana, fui mais radical e fiquei na casa dos 20g/ dia. Acabei perdendo peso demais e preferi afrouxar um pouco, ficando em algo na casa dos 30g a 50g/ dia.

A baixa de carboidratos tem sido compensada pelo natural aumento de gordura, o que realmente tem me deixado com uma sensação de saciedade muito forte. Vivo tranquilamente bem com duas refeições por dia – um café da manhã reforçado de ovos e bacon e o jantar, normalmente com carne, algum peixe gorduroso e legumes. Simples assim.

Nunca, em nenhum momento, me senti tão bem disposto e “inteiro” quanto hoje. Esse talvez seja o principal indicador além dos exames de sangue.

Falando nos exames, eles seguem abaixo:

 

As primeiras duas colunas (azul e laranja) são os valores de referência mínimos e máximos por marcador. A coluna cinza se refere a um exame que fiz em 20/01/2014 – portanto, há pouco mais de um ano. Nessa época a minha maior ultra havia sido a Two Oceans – ainda não tinha nem Comrades nem Douro no currículo e levava um estilo alimentar totalmente “convencional”, por assim dizer.

Deveria ter feito exames mais recentes já que o tempo entre o de agora e o anterior é grande – mas ainda assim serve de parâmetro.

De maneira geral, todos os indicadores estão dentro das médias. A maior parte deles cresceu um pouco (exceto pela glicose e insulina, que caíram). Para mim, que tenho problema no fígado, os mais importantes são Gama GT, TGO, TGP e Ferritina. Embora todos tenham aumentado, o fato de estarem dentro dos parâmetros normais dá um belo alívio.

Devo repetir esses exames no futuro próximo para fazer uma comparação mais efetiva, vendo os efeitos da low-carb já bem posterior ao processo de adaptação.

Por enquanto, é hora de seguir o barco.

Checkpoint Zero: (Re)largada

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Ultra Estrada Real feita, semana de recuperação vencida de maneira mais suave que o esperado. Hoje, domingo, encerra-se um ciclo e inicia-se outro: o foco total em Comrades.

Tenho menos de dois meses até a largada em Durban e, verdade seja dita, os gráficos de treino do ano mostram claramente uma quantidade de altos e baixos que mais se assemelham a um eletrocardiograma.

De toda forma, nesses últimos 4 meses acabei fazendo duas ultras de verdade (50K e 88K) e uma, em treino, de 45K. Caprichei na intensidade até quebrar, tive que refazer os planos incluindo uma espécie de “tapering inverso” para me preparar para a estrada real, mudei minha alimentação radicalmente e, de forma geral, posso dizer que experimentei mais do que a sanidade recomendaria.

Intensidade é pouco para descrever esses primeiros 120 dias do ano! Mas sabe de uma coisa?

Apesar de um pouco cansado nas pernas enquanto…

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Longão de largada para a Comrades

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Sabe aqueles dias que acordamos com vontade de realmente testar a recuperação? Nada de 10k em volta do parque, naquele plano leve: às vezes é necessário subir um pouco a barra para nos “sentirmos” de verdade.

E foi isso que fiz hoje, exatos sete dias depois da Ultra Estrada Real: me mandei cedo para 2 horas subindo e descendo as ladeiras de Perdizes.

Sem a mochila de hidratação – coisa, aliás, mais bacana de todo o foco em treino para Comrades uma vez que qualquer peso a menos é sempre bem vindo.

No começo, me surpreendi com a velocidade: estava me sentindo quase flutuando, voando baixo pelas ruas mais planas entre a minha casa e a Sumaré. Fui por lá até o Jardim das Perdizes, depois dei uma volta no Parque da Água Branca (onde o Strava me deu um trofeuzinho de CR) e, depois, me embrenhei pela região do…

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Dia de exames

Enfim, desisti dos exames que faria há 3 semanas para checar como o meu corpo estava reagindo à dieta low-carb. Por precaução e bom senso, diga-se de passagem: havia acabado de começar a fazer a dieta, ainda estava com alguns dos sintomas da transição e, claro, qualquer anomalia detectada poderia prejudicar o andamento de maneira desnecessária. 

Ainda assim, claro, confesso que fiquei um pouco apreensivo pelo meu próprio histórico: tenho problemas bem concretos no fígado, chegando a retirar metade dele em uma cirurgia para lá de complicada há anos (bem antes de eu começar a correr, diga-se de passagem). 

Bom… hoje, já faz mais de um mês que estou na low-carb. Nunca me senti melhor, mais disposto e mais preparado. Os efeitos dessa dieta na ultra da semana passada foram incríveis: a fome nunca veio, o combustível pareceu eterno e a recuperação foi de uma velocidade assustadora. 

Espero que os resultados saiam positivos, acendendo uma luz verde inquestionável para que eu continue na low-carb ainda por muito, muito tempo. 

Agora, no entanto, resta apenas encher os tubos de sangue e aguardar o veredito.

  

Mapa detalhado da up-run

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No ano passado, quando estava já aquecendo os motores para a Comrades no sentido Pietermaritzburg-Durban, recebi do Nato Amaral um mapa ultra mega detalhado do percurso. Devo dizer que ele foi BEM útil, principalmente por permitir que eu estudasse um pouco mais sobre os locais de cut-off e coisas do gênero.

Peguei um mapinha novo diretamente do Facebook da Comrades, desta vez do percurso de 2015, sentido Durban-Pietermaritzburg. Não é (nem de longe) quanto o que o Nato arrumou – mas ajuda.

Para quem quiser, segue o arquivo abaixo!

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A incrível capacidade de recuperação do corpo humano

Para mim, pelo menos, foi surpreendente. Não sou corredor de elite, não acumulo 200kms semanais e nem somo uma ultra por semana. 

Por outro lado, é bem verdade, estudo o meu próprio corpo com o zêlo de um vestibulando neurótico: leio tudo sobre qualquer minúsculo sintoma, faço autoexames cuidadosos a cada instante, instintivamente, e tomo um cuidado extremo com biomecânica e nutrição.

Tudo isso deve ter contribuído.

Mas o fato é que desde ontem, apenas um dia depois de correr quase 90K em pouco mais de 13 horas pelas montanhas mineiras, estou me sentindo novo. 

Nada de mancar, nada de dores musculares, nada de articulações pesadas. Nada de inchaços, nada de dores de cabeça, nada nem de uma febrinha leve que costumava me acompanhar após provas mais duras. 

Nada.

Quando terminei os 56km da Two Oceans, em 2013, passei dias me locomovendo como um babuíno bêbado. De lá para cá, no entanto, esse tempo de recuperação foi diminuindo progressivamente: Comrades, Douro Ultra Trail, 50K da Copa Paulista de Montanha. 

Mas nada se assemelhou a esta Ultra Estrada Real.

Com o perdão de parecer arrogante, estou impressionado com o meu próprio corpo. E feliz – muito feliz com isso.

Agora, afinal, começo a intensificar o treinamento para a Comrades 2015, no final de maio – e é sempre bom dar a largada com um moral elevado.

Dane-se a planilha vazia: acho que darei uma trotadinha leve no parque hoje à noite.