Reunião comigo mesmo na Sala Zero (a rua)

Terça-feira, 7 da manhã.

Agosto começou preocupado, com aquela estática no ar que emula a mais nítida tensão do cotidiano. Sem Copa, o mundo finalmente começa a voltar ao seu ritmo cotidiano, muito embora os quase dois meses perdidos tenham feito um belo grau de estrago.

O final de julho e o começo de agosto estão sendo devotados, quase que na íntegra, a arrumar a casa. Otimizar processos, equipe, planos, projetos e tudo mais que desenha o dia a dia de uma empresa. E o que isso tem a ver com corrida?

Tudo.

Pelo menos para mim, tomar decisões que gerem qualquer tipo de reorganização do presente tem uma dependência quase natural da corrida.

O despertador de ontem já foi setado com isso em mente – uma espécie de reunião comigo mesmo na sala de número zero (a rua).

Saí com os mesmos Merrell TrailGloves que detonaram meus pés há algumas semanas (mas que agora estão perfeitamente adaptados) e rumei para o Ibira. Garoa fina, frio, muitas buzinas e nuvens negras do lado de fora.

Do lado de dentro, na mente, silêncio. Estava isolado do mundo, pensando, enumerando os problemas e bolando soluções. Invocando calma e afastando preocupações vazias. Antes de morrer, Churchill disse que sua vida havia sido “marcada por gigantescos problemas – a maioria dos quais nunca chegou de fato a acontecer.”

Isso virou meu mantra. Assim como a experiência de correr Comrades, com 90 km de passos calmos, planejados, mantendo sempre o ritmo e com a confiança de que o final chegará mais cedo ou mais tarde.

Experiências assim são fundamentais em tempos de turbulência. Ainda bem que elas existem.

Aliás, correr ultras traz um tipo de benefício que vai muito além da saúde física: nos ensina a manter o curso firme, fixo, em um tipo de sintonia entre mente e corpo que dificilmente se encontra em esportes que não sejam de puro endurance. Nos ensina a respeitar subidas e descidas, usando a sempre inevitável gravidade a favor de cada decisão tomada. Nos ensina a respeitar o tempo ao invés de atacá-lo. É o melhor de todos os MBAs.

Ao final, depois da subida da Ministro, estava quase aliviado. Não consegui resolver todas as questões, mas algumas.

O suficiente para levar bem o dia e ainda ter no que trabalhar durante a corrida de amanhã.

O suficiente para enxergar melhor.

Agora, portanto, está na hora de colocar em prática os raciocínios desenhados nos últimos 12km.

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