Vídeo: Como foi o primeiro dia que me aguarda

O título do post pode parecer um paradoxo gramatical – mas ele está certo. Explico: há 3 levas de largadas no Cruce, todas fazendo o mesmo percurso: o primeiro dia, ontem, foiçara a elite/ avançados; o segundo, hoje, será para duplas; e o terceiro, sexta, será para amadores (me incluindo aí).

E, como eles estão filmando cada uma das etapas e disponibilizando praticamente em tempo real na web, deu para sentir como será o meu primeiro dia. E, aparentemente, apesar de ser o dia mais longo (com 40K), ele será relativamente tranquilo, sem trilhas técnicas e com um percurso tão “corrível” quanto maravilhoso. Será uma espécie de boas vindas, creio.

Veja abaixo:

 

 

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Chegando lá…

Com duas semanas e meia de low-carb, a adaptação já está a pleno vapor. 

Reduzi o consumo de carboidratos para 20-25g/ dia, algo que já está confortável a despeito de uma ou outra súbita (e, ainda bem, temporária) vontade de comer algo doce. 

O mais importante: a energia durante as corridas parece já estar constante, mais forte, com menos fadiga tomando conta das pernas.

Aliás, nesse aspecto, o único incômodo que tenho sentido é uma pequena dor nos tornozelos, algo muito mais relacionado ao rebote do período forçado de tapering que fiz para me recuperar do excesso de treino. Coisa que deve passar nos próximos dias, com mais treino como “remédio”.

Fora isso, hoje fiz 1h30 confortáveis, leves, simulando um pace próximo ao que farei na Ultra Estrada Real. E tudo saiu exatamente como eu queria, dentro da meta de “zerar” o corpo até o domingo para largar bem na próxima semana.

Aguardemos os próximos dias.

  

E eis que chega a fase de pico com todas as suas dores

Ao acordar na madrugada de hoje para pegar um vôo a trabalho, me dei conta de que estava entrando na fase de pico do meu treinamento.

Já na cama, nos instantes entre o primeiro toque do desperador e o snooze, parecia que todos os músculos inferiores – nas coxas, pernas e pés – estavam tensos, rijos, como que em estado permanente de dor. Dor, aliás, de uma simetria perfeita: os dois lados pareciam espelhos perfeitos um do outro.

Aí caiu a ficha: estava já entrando no pico do meu treinamento para as duas ultras que fecharão meu semestre: a Ultra Estrada Real, em 4 de abril, e a Comrades, em 31 de maio.

Faltam, portanto, cerca de 5 ou 6 semanas para a primeira das duas largadas de aproximadamente 90K – tempo que nem eu mesmo estava considerando. Some-se isso à recente descoberta de que eu estava ficando lento demais, interrompendo esse processo com doses de treinos de velocidade a rodo sem diminuição de volume, e tem-se a explicação perfeita para cada mínima pontada de dor.

E fase de pico, para mim, significa aplicar uma meta diferente nos treinos. A esta altura, ganhos efetivos de performance serão difíceis: o foco será manter os resultados obtidos até aqui, apenas ajustando-os, delicadamente, para os desafios por vir. E, apesar da semelhança nas distâncias, ambos são bem diferentes.

A UER será por terrenos variados, somando estradas de terra, trilhas e asfalto, contará com temperaturas mais fortes e carregará algo de ineditismo até mesmo no sentido navegacional uma vez que contarei apenas com os marcos oficiais da estrada para não me perder. E, claro, terá a emoção adicional de ter sido uma prova “inventada” por mim, nascida aqui mesmo no blog e tornada realidade pelo entusiasmo de toda uma comunidade de ultracorredores, muitos dos quais eu sequer conhecia.

A Comrades, por sua vez, é a Comrades: 100% em asfalto, veloz, com muita subida, um apoio ferrenho de um público absolutamente presente e coroando um sonho que começou desde a minha primeira ultra: a medalha back-to-back, concedida aos que concluem os dois sentidos do percurso em anos consecutivos.

Pouco mais de um mês me separa do primeiro desafio; pouco menos de 2 meses separam o primeiro do segundo.

Que os Deuses do endurance soprem bons ventos para esses próximos 3 meses!

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Finalmente de volta ao ritmo!

Ufa! Depois de uma “semi-depressão” doída por conta do overtraining e do estresse de um fim de ano no mínimo tenso, depois de uma corrida de segunda libertadora e de um longão feito hoje, domingo, incluindo um percurso diferente pelo centro de Sampa, estou finalmente me sentindo inteiro de novo!

E a maior prova talvez seja justamente o acúmulo de tempo, quilômetros e altimetria nas ruas. Nada que se assemelhe a um corredor de elite ou mesmo aos meus próprios marcos em tempos de picos de treino, obviamente – mas, na corrida, peculiaridades individuais se somam a momentos e contextos para desenhar o que é, de fato, um desafio.

O dessa semana foi fechar essa fase ruim pela qual estou passando com algo além dos 60km. Deu certo: cheguei aos 65km extremamente bem.

Meta cumprida com cérebro, motivação e inspiração devidamente oxigenados.

Aliás, eu arriscaria dizer que o “adeus” dado ao overtraining veio com um alívio tão grande que, até agora, a endorfina parece caminhar pelas veias soltando picos de bom humor por todo canto do corpo.

Perfeito.

Hora de aproveitar e de seguir adiante. Semana que vem, afinal, tem mais ruas e trilhas a serem corridas. Ainda bem!

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Polimento catalão

Qual a melhor maneira de fechar a fase de tapering, ou polimento, de um treino para uma ultra de 80K? 

Se perguntar para qualquer treinador, a resposta provavelmente será “alternando treinos intensos e curtos com longos períodos de descanso”. Pois é…

É o oposto do que devo fazer. 

Ontem à noite deixei Portugal e estiquei um pouco a viagem, cruzando a Espanha e aterrissando em Barcelona, minha nova casa pelos próximos três dias. E, depois de um sono de 4 horas, já acordei pronto para devorar – com os pés – a terra de Gaudí.

Estou próximo à Cidade Velha, então rumei para lá e, entre ruelas e obras de arte arquitetônicas, acabei de frente para o mar. 

Acelerei. Fiz uma tempo para curtir a brisa quente do Mediterrâneo reforçada pelo sol que já saía ardendo. Voltei. Circulei pela Rambla, tangenciei o Bairro Gótico, conferi o morro de Montjuic. 

Subi um outro morrinho na praia para ver mais o mar. 

Voltei, circulando sem rumo. E depois tomei o caminho de casa um pouco preocupado com o relógio que já brigava comigo pelo excesso de tempo nas ruas.

Está quente aqui: quando chegamos, já depois da uma da manhã, os termômetros marcavam 28 graus. 

Mas temperatura alguma consegue fazer frente para a inspiração que vem desse museu ao ar livre tão vivo quanto é Barcelona. Museu, diga-se de passagem, que ainda percorrerei em longas caminhadas para cima e para baixo pelos próximos dias, pondo os pés à prova antes mesmo da prova.

Talvez isso – mesmo considerando a total inversão lógica – é que faça valer a fase de polimento.

Nada de preparar o corpo depois de meses de treinamento intenso: esse tipo de estratégia funciona melhor, acredito, para provas mais curtas.

Em ultras, é a mente que precisa estar melhor preparada, focada, oxigenada, inspirada. E inspiração se consegue deixando-a voar mais livre por cenas e momentos novos, bebendo vistas, vozes e ecos de histórias milenares que sempre encantam os ouvidos. Provando novos sabores, sentindo novos ares e testemunhando outros hábitos. 

Dando um tratamento de choque para que ela – a mente – já comece a semana em um estado de êxtase forte o bastante para que consiga encarar bem as trilhas no Douro, um lugar igualmente magnífico (embora absolutamente diferente daqui).

A melhor estratégia de polimento, portanto, é se focar na mente e deixar o máximo possível de vida entrar para oxigená-la. A partir daí se estará pronto para encarar qualquer desafio.

Agora, 9 da manhã daqui – 4 no Brasil – é hora de aproveitar as horas antes das ligações e dos emails de trabalho e curtir a cidade. 

A pé, claro. 

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Um novo tipo de polimento

Já comentei aqui que a fase de tapering, ou polimento, nunca foi muito fácil para mim. Pelas tantas receitas espalhadas pela Web, considerando principalmente variações do período em que a fase deve começar, ela é composta basicamente de uma diminuição (mais ou menos abrupta) do volume de treino para que as pernas cheguem mais frescas na linha de largada. 

Em tese, pouca coisa pode fazer mais sentido. Mas seja em maratonas ou ultras, essa tática sempre me trouxe mais problemas do que benefícios. 

Primeiro, as gripes. Simples assim: com uma queda grande no volume, parece que a resistência do corpo despenca junto – e isso sempre me trouxe resfriados bem, bem inconvenientes. 

Depois vêm as dores fantasmas. Quando se treina muito, a musculatura fica em uma espécie de estado constante de tensão, pronta para a próxima “carga” que pode vir a qualquer momento. Quando a quantidade de horas nas ruas diminui, essa tensão vai diminuindo ao ponto de fazer o corpo perceber dores esquisitíssimas que, até então, estavam escondidas. Os efeitos disso podem ser péssimos: no polimento que fiz para a Comrades, por exemplo, uma dor bem chata apareceu no meu tornozelo direito. Ela persistiu até a hora da prova e, inconscientemente, acabei correndo de maneira a forçar mais a perna esquerda (“supercompensando”, digamos assim, o sintoma). Resultado: ao final de 70km, o líquido de uma das articulações do tornozelo esquerdo – o que estava bem – acabou vazando e fazendo uma bolha bem inconveniente. Foram 20km correndo sem conseguir mover direito o pé em um teste de resistência mental e física impressionante (ao menos para os meus parâmetros). 

Finalmente, há a angústia. Sim, porque ficar sem treinar às vésperas de uma ultra pode ter benefícios óbvios – mas nem sempre a mente acredita em obviedades. Às vezes ela simplesmente se desfaz em agonia pura, insistindo na teoria (absurda, diga-se de passagem) de que estamos perdendo o preparo construído ao longo de meses. Há como combatê-la? Sim, claro: mas o custo pode ser alto. 

Com todas essas armadilhas, acabei construindo uma fase de polimento diferente com o Ian, meu treinador. 

1) A semana de pico, espremida entre a Indomit Bombinhas (que não teve polimento algum) e a Douro Ultra Trail, foi na semana passada – portanto, deixando 14 dias para a prova alvo. 

2) Não há como não diminuir o volume – até mesmo porque estou bastante cansado. Mas há como trocar a carga muscular, alternando distância por intensidade. Hoje, por exemplo, fiz 2 horas de treino bem cedo, sendo 1h10 na casa dos 5min/km, 20 minutos abaixo disso e o restante apenas para recuperação. Um baita esforço considerando que no sábado anterior fiz 5h22 de longão e ontem corri por mais 1h20. Os demais dias também serão assim: porrada pura com distância menor. 

3) Logo na véspera da prova farei apenas 15 minutinhos de trote – só para soltar as pernas, de leve, sem muito comprometimento. E aí é partir para as montanhas. 

Se vai funcionar, não sei. Mas vale o teste. 

A meta em si é enganar tanto corpo quanto mente, fazendo ambos acreditarem estar trabalhando com a mesma carga de antes quando, na prática, estão preparando músculos mais ágeis e descansando um pouco os mais resistentes (e, portanto, mais importantes para uma ultra). 

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Checkpoint 9: Segunda meta cumprida

Não há muito o que falar além do que já comentei no post de ontem: a semana inteira girou em torno da segunda meta do meu plano rumo à Douro Ultra Trail: fazer a Indomit Bombinhas.

Neste ponto, o importante de comentar é que levei a semana como normal, sem fase de tapering ou nenhum tipo de diminuição. Ao contrário: fiz os três treinos em dias úteis, mesclando tanto volume quanto intensidade (via tempos e tiros) e cheguei em Bombinhas como se fosse um final de semana normal.

Só na largada da Indomit é que senti um pouco o cansaço ampliado pela areia fofa dos primeiros metros. Mas, ainda assim, sacudi o corpo e voltei ao normal, encarando a prova com sangue nos olhos.

Em resumo (e com alguma dose de orgulho): tudo saiu perfeito.

Segunda fase completa. A próxima agora é lá em Portugal.

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