Transvulcania 2015 – relato da prova v1.1

Sensacional. 2016 q me aguarde!

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Nota: vou actualizando este relato com fotos e videos que vão saindo.

9 de Maio 2015, Transvulcania, 13h57’ – Lugar 618 em 1494 atletas (283 DNF e 119 desclassificados)
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“Vamos portuguesinho! Anda sigue!”
Era desta forma informal que o costa riquenho Warner me incentivava no último km feito a um estonteante ritmo de 7:00/km. Apanhei-o na última rampa e pensei que o passava. Ele parecia acabado, ali a mijar descansado virado para uma ravina. Tínhamos ambos passado pelo corredor a alucinar, deitado no chão, amparado por dois colegas. O alucinado esbracejava, falava sem emitir sons e quando me viu aproximar com uma garrafa de água ficou a olhar fixamente para mim com um ar verdadeiramente estranho que só vi num jovem a alucinar com ácido no sudoeste. A ajuda vinha a caminho, disseram-me e segui. Nesta prova vi vários casos de exaustão e desidratação extremos que nunca antes vi e…

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Checkpoint 4: Planos mudados, efeitos aguardados

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Dor, cansaço, preguiça: palavras que dificilmente queremos ver associadas à vésperas de uma prova tão esperada quanto a Comrades. Infelizmente, o corpo tem os seus próprios impulsos e é ele quem determina como quer se sentir.

Mas, claro, se não temos como forçá-lo a se sentir como queremos, temos como adaptar o contexto para melhorar todas as condições. As mudanças que coloquei em curso desde ontem foram com esse intuito.

De imediato, as 3 horas de ontem foram transformadas em menos de 2 e as 2 de hoje, canceladas. No total, passei pouco mais de 5 horas nas ruas essa semana e somei 52km. Pouco, mas pelo menos a um pace maior.

O plano, em essência, é começar a reconstruir o volume nas próximas semanas – algo MUITO diferente da consistência com que encarei a prova no ano passado:


Semana que vem devo rodar 75km; na próxima, 80km.

Durante a…

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Mudança de planos na reta final

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Até essa semana, o plano era diminuir volume gradualmente, substituindo-o por intensidade até a boca da Comrades.

Era.

Já na quarta passada, os efeitos de uma breve gripe me pregaram na cama de maneira impressionante. Troquei a corrida da manhã pela noite – mas não foi a mesma coisa. Estava cansado, dolorido.

No dia seguinte, não consegui sequer fechar a 1h30 programada. O peso nas pernas subiu pelo corpo e virou uma espécie de desmotivação.

Hoje, sábado, teria 3h para fazer seguidas de 2h no domingo.

Foi só não conseguir, novamente, acordar cedo, e mudei tudo. Hora de ouvir o corpo.

Por hoje, saí às 10:30 e fiz menos de 2h de treino em um ritmo confortavelmente ágil, na casa dos 5’40″/km. Para amanhã, descanso.

Ao invés de fechar a semana com 85K, o farei com pouco mais de 50K.

Forçarei um descanso breve, mais intenso, no corpo e na…

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O corpo depois de 2 meses em low-carb

Antes de começar, um rápido “disclaimer”: ainda tenho que fazer mais uma bateria de exames nos próximos dias para saber como o meu corpo está reagindo “por dentro” à dieta low-carb-high-fat.

Tendo dito ido, vamos às observações práticas:

  • A fome realmente sumiu. Passo tranquilamente 12 horas sem comer nada e sem sentir falta de nenhum alimento. Esse certamente deve ser um dos motivos que geram perda de peso apesar do elevado consumo de gorduras.
  • No começo, inclusive, deixe o limite de carboidratos em 20 a 25g por dia. A perda de peso foi tamanha que, hoje, relaxei mais o limite e procuro apenas mantê-lo abaixo dos 90g/ dia. 
  • O problema é que, quando se muda um hábito alimentar, qualquer coisa diferente parece forçação de barra. Tenho quase me cobrado diariamente a comer mais carbs para não emagrecer tanto. Ainda assim, veja os resultados no gráfico abaixo: ele mostra 3 meses (sendo o primeiro fora do low-carb e os últimos dois dentro). Em 60 dias, despenquei de 75 para 67kg.
  • Não estou me sentindo fraco e nem nada. Ao contrário: nunca me senti tão disposto, nunca dormi tão bem e nunca estive tão “atento”. Impressionante.
  • A recuperação também está extremamente ágil. Na semana passada, saí cedo para meu ultra longão pre-Comrades, de 53K. Cheguei em casa de volta às 13; às 20:00 já não sentia nem lembrança de dor. Só não corri no dia seguinte por precaução.

Enfim… até o momento, pelo menos os “efeitos visíveis” estão excelentes. Espero que os exames confirmem isso pois eu realmente não gostaria de abandonar o low-carb que, a essa altura, virou mesmo um estilo de vida!

  

Sobre treinar-se a si mesmo

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Logo que o meu treinador evaporou, minha primeira reação foi de frustração.

A segunda, de raiva. E a terceira, claro, de dúvida. O que faria a partir dali, com pouco mais de um mês para fechar o preparo para a Comrades? E as próxima provas, incluindo a Indomit 100K, que se caracteriza como um terreno absolutamente desconhecido?

Pois é… nada que um pouco de calma e autoconhecimento não resolvam.

Afinal, quase toda a minha vida de corredor foi feita sem nenhum tipo de apoio profissional. Tudo o que sei aprendi com amigos e com a Internet, essa fonte inesgotável de pesquisas, artigos técnicos, vídeos educativos e assim por diante. E quer saber? Em anos correndo nunca tive nenhuma lesão, nem mesmo leve, que me afastasse por mais que alguns poucos dias das trilhas.

Foi sozinho que aprendi postura, cadência, biomecânica e identificação de problemas que poderiam virar lesões. Claro: quando…

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As palavras mais relacionadas a Comrades nas redes sociais

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Uma das diferenças mais “mágicas” de Comrades para outras ultras é o tamanho do desafio que ela proporciona aos corredores.

Explicando: enquanto ultras de 100km ou milhas em montanhas continuam, obviamente, impondo desafios colossais a qualquer um, elas costumam ser corridas por atletas mais experientes. E, embora cada prova seja sempre única, essa experiência acaba tirando pelo menos parte do medo que precede travessias pelo desconhecido.

Pela sua história, a Comrades é gigante. Só esse ano serão mais de 20 mil pessoas correndo para celebrar vida, vitórias, realizações. E a maioria delas, pode apostar, está fazendo o seu debut no mundo das ultras.

Isso significa que, no dia 31 de maio, estaremos compartilhando a linha de largada e os 87km de percurso com uma infinidade de temores e ansiedades, de sonhos, de desejos, de esperanças e expectativas. Coisa mágica, coisa que faz dessa prova algo ímpar no mundo.

As redes…

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Sobre comer antes de correr

Bem antes de ser “oficialmente” low-carb, eu raramente comia antes de correr. Apenas em longões de mais de três horas eu abria uma exceção – e mesmo assim para uma torrada pálida, apenas para enganar o estômago. 

Não tinha muita teoria em cima disso mas o fato é que eu sempre me sentia melhor quando ganhava as ruas de estômago vazio. 

Depois de algum tempo, acabei entendendo que meu corpo havia se habituado a queimar gordura mesmo bem antes de eu “ajudá-lo”, por assim dizer. Ainda assim, sempre fico curioso por entender a ciência por trás desse mecanismo que transform o jejum em aliado (ao invés de vilão). 

Na semana passada eu me deparei com um gráfico BEM interessante, publicado no MySportScience, que ilustra o efeito da ingestão de alimentos. A explicação é simples: comer antes de treinar gera um pico de glicose e, consequentemente, de insulina. A glicose alimenta a musculatura e acelera a performance mas, depois de algum tempo (cerca de 45 minutos), o seu efeito termina e o organismo entra em uma espécie de “vale”, pedindo mais alimentação para se manter no estado em que estava. 

Se for fazer uma prova rápida, de 5K ou 10K, esse tipo de mecanismo pode funcionar perfeitamente – mas esse não é o meu caso. Comer a cada 45 minutos ou 1 hora em uma ultra que pode levar até um dia inteiro é abolutamente inviável: não há gráfico, nesses casos, que faça o estômago aguentar isso. 

Conclusão: se curte distâncias mais longas, é sempre mais válido mesmo acostumar o corpo a queimar o combustível que ele já tem estocado, a partir de gorduras, do que desenvolver uma “rotina viciante de entrega de açúcar” para ele.

Recomendo a leitura do artigo do MySportScience, aqui: http://www.mysportscience.com/#!What-to-eat-the-hour-before-a-race/cjds/54d318730cf27bee9f050812

O gráfico está abaixo:

  

Checkpoint 3: Semana de pico finalizada

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Na semana passada estava um pouco preocupado com esse estágio final de treino. Não sabia se deveria considerar a Estrada Real como o longão mais forte ou se deveria puxar mais neste final de semana, nem que fosse por uma questão puramente motivacional.

Detesto ficar no limbo da indecisão – sempre detestei. Assim, de um minuto para o outro, decidi aproveitar o feriado e inserir na sexta cedo alguma coisa na casa dos 50km. Decisão perfeita.

O treino inteiro foi em ritmo leve, fechando na média de 7m13s/ km, e incluindo uma série de subidas fortes o suficiente para simular o percurso africano. A rota em si não poderia ter sido melhor: foi uma espécie de volta por São Paulo, passando por pontos que amo correr da cidade e que funcionaram como uma espécie de viagem histórica por todos os séculos que sustentam a metrópole, desde a época da sua…

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Hoje é dia de ultra!

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Tem coisa melhor do que acordar cedo tendo à frente uma ultra para correr, mesmo sendo um treino?

Hoje é dia de passar horas desbravando a cidade.

É dia de fazer um círculo por São Paulo, passando por parques com trilhas pela Mata Atlântica, pelos casarões do Morumbi, pelo Palácio do Ipiranga, pelo marco zero e Praça da Sé, driblando galinhas e cavalos na Água Branca, subindo a Consolação e aterrisando em casa.

Hoje é dia de passar horas escondido nos pensamentos e deixando a luz do outono e o céu azul iluminarem a mente.

É dia de chegar com cansaço nas pernas e exaustão na mente mas, se tudo correr bem, com pensamentos organizados e decisões esclarecidamente tomadas.

E agora – ainda bem – é hora de sair.

Sampa, você será inteiramente minha pelas próximas 6 horas!

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Olha o Cracrá na Globo :-)

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No ano passado, corri quase toda a Comrades com um brasileiro que não conhecia ao meu lado: o Eduardo Neves, também conhecido como Cracrá. Acabamos nos falando já no Brasil, dias depois da prova.

Esse ano ele também estará indo para a África, assim como eu. O que nao imaginava era vê-lo na minha timeline aqui no Facebook falando justamente sobre esse nosso amado esporte :-)

Agora já posso até pedir autógrafo durante a Comrades. Quem quiser conferir o vídeo, clique aqui ou na imagem abaixo.

Mas deixo uma pergunta que ficou depois de ver a matéria: Cracrá… você faz 60km 3 vezes por semana???? Me senti uma criancinha perto disso!!


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