Sobre comer antes de correr

Bem antes de ser “oficialmente” low-carb, eu raramente comia antes de correr. Apenas em longões de mais de três horas eu abria uma exceção – e mesmo assim para uma torrada pálida, apenas para enganar o estômago. 

Não tinha muita teoria em cima disso mas o fato é que eu sempre me sentia melhor quando ganhava as ruas de estômago vazio. 

Depois de algum tempo, acabei entendendo que meu corpo havia se habituado a queimar gordura mesmo bem antes de eu “ajudá-lo”, por assim dizer. Ainda assim, sempre fico curioso por entender a ciência por trás desse mecanismo que transform o jejum em aliado (ao invés de vilão). 

Na semana passada eu me deparei com um gráfico BEM interessante, publicado no MySportScience, que ilustra o efeito da ingestão de alimentos. A explicação é simples: comer antes de treinar gera um pico de glicose e, consequentemente, de insulina. A glicose alimenta a musculatura e acelera a performance mas, depois de algum tempo (cerca de 45 minutos), o seu efeito termina e o organismo entra em uma espécie de “vale”, pedindo mais alimentação para se manter no estado em que estava. 

Se for fazer uma prova rápida, de 5K ou 10K, esse tipo de mecanismo pode funcionar perfeitamente – mas esse não é o meu caso. Comer a cada 45 minutos ou 1 hora em uma ultra que pode levar até um dia inteiro é abolutamente inviável: não há gráfico, nesses casos, que faça o estômago aguentar isso. 

Conclusão: se curte distâncias mais longas, é sempre mais válido mesmo acostumar o corpo a queimar o combustível que ele já tem estocado, a partir de gorduras, do que desenvolver uma “rotina viciante de entrega de açúcar” para ele.

Recomendo a leitura do artigo do MySportScience, aqui: http://www.mysportscience.com/#!What-to-eat-the-hour-before-a-race/cjds/54d318730cf27bee9f050812

O gráfico está abaixo:

  

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3 comentários sobre “Sobre comer antes de correr

  1. Totalmente de acordo, mas atenção, no dia da prova, todos os atletas de ultras (que eu saiba) consomem bastante por hora. O jureck 200 a 300 calorias, mesmo para o Byron Powell que escreveu o livro de ultramaratonas e treino Forward Progress. Eu próprio consumo umas 200 por hora ou mais se contar com abastecmentos + perpetuem + geis. O truque é consumir um formato leve e ingerir de 20 em 20 minutos por exemplo, nunca muito de uma vez e testar amplamente o que resulta e nao resulta. Essas calorias só compensam em parte o gasto calórico que no meu caso (idade e peso) num ritmo normal podem rondar as 750 calorias. Logo, mais de 500 calorias têm de vir de gordura corporal numa ultra.

    • Isso depende do tipo de alimentação também. Quando se está mais habituado ao low-carb, a fome simplesmente não vem porque o corpo vai queimando a reserva de gordura (que é BEM maior que a de carboidrato).

      O próprio hábito de correr em jejum vai ajudando o corpo a se adaptar – mas há mais a se fazer para deixá-lo pronto mesmo.

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