A volta

A primeira corrida depois de uma prova intensa é sempre um conjunto de interrogações. O corpo responderá bem? Como reagirão os joelhos? E a fisiologia como um todo?

Normalmente, procuro já encaixar um ritmo próximo do normal no terceiro dia depois da prova. Há algo na linha de “lavar” o corpo, de expurgar logo os demônios, que funciona bem. Como, desta vez, tenho a Indomit em poucas semanas, fui mais conservador.

Depois da Bertioga-Maresias no sábado, esperei até as dores musculares evaporarem por completo e apenas ontem, quarta, saí para a rua. Ainda assim, fiz apenas 6K em um ritmo bom, de 5’40”. 

Já saí também com o tênis que usarei na Indomit, um Salomon SenseLab com um grip excelente, mas que tem como defeito um drop desnecessário e um cabedal que briga bastante com os dedos e unhas. Mas, se é o que temos, é o que devemos nos acostumar. Daqui até novembro, o plano é ficar amigo íntimo dele.

Ainda haverá mais corridas na semana – incluindo hoje e o final de semana. A estratégia é simples: transformar essa semana de recuperação em uma espécie de tapering invertido, somando volume de rodagem de maneira gradativa até o pico na semana de prova. 

Fiz essa estratégia no ano passado, na Douro Ultra Trail, e ela fucionou perfeitamente bem. Que a mágica se repita!

  

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Último longão pré Bertioga-Maresias

31km depois… 

Joelhos, pés, pernas e outros membros permaneciam perfeitos. É curioso como tecnologia nem sempre é a salvação que costuma preconizar. 

O tênis que estava usando era perfeito: mesclava aspectos minimalistas com algum amortecimento, ideal para ultras em asfalto. Cheguei a usá-lo tanto na Ultra Estrada Real quanto na Comrades, ambas com pouco menos de 90km, sem nenhuma queixa. 

Até que, aparentemente, ele “travou”. Usá-lo agora, mesmo que por dois míseros quilômetros, faz meu joelho protestar veementemente. Mesmo ajustando postura e biomecânica, bastava calçá-lo para sentir os efeitos. Não sei dizer o que aconteceu: talvez algum vício de pisada tenha detonado o estilo do amortecimento, talvez tenha perdido o hábito, talvez ele simplesmente tenha chegado em seu prazo de validade. 

Mas o curioso mesmo é que a solução foi trocá-lo por outro Merrell, este sem absolutamente nenhum amortecimento e velho ao ponto de estar quase se desfazendo. Nem lembro a quantidade de provas que já corri com ele – certamente há quase 2 mil quilômetros abaixo de suas solas. 

O fato inegável é que funcionou. Sem nenhuma tecnologia exceto por um solado grosso, da Vibram, o Merrell TrailGloves me levou até a USP, fez duas voltas e me trouxe até em casa. 31km sem nada que sequer lembrasse a dor.

Esquisito. 

Continuo encafifado com essa repentina ineficiência do Merrell Ultra, tênis que rodou por tantas estradas comigo mas que, do nada, se mostrou perigoso. Ainda assim, encafifado ou não, pelo menos já deu para identificar o problema, solucioná-lo e seguir adiante. 

Próxima parada: Bertioga-Maresias!

  

Seria o excesso de amortecimento?

Liguei o sinal amarelo desde que senti o joelho direito há algumas semanas. Aparentemente não foi nada preocupante: de lá para cá já fiz longões consideráveis e me mantive ativo sem tirar quase nenhum quilômetro do planejado. Só fiz uma coisa: troquei o Merrell Ultra, tênis sem drop mas com um amortecimento de alguns milímetros, pelos Vibram Fivefingers ou Merrel TrailGloves – ambos minimalistas ao extremo.

Hoje saí com o Ultra. Resultado: nova fisgada no joelho em menos de 2km! Não forcei: dei meia volta.

Não costumo colocar a culpa em tênis ou acessórios quaisquer: a “culpa”, por assim dizer, é sempre da biomecânica. Mas talvez… talvez esteja tão habituado ao minimalismo que amortecimentos simplesmente atrapalham, machucam, enganam os pés e o corpo quanto à tactilidade do solo.

Enfim, é uma teoria que será testada no longão de sábado. Sem amortecimento, claro!

  

Travadas do Fenix 2

Ninguém gosta de gastar quase R$ 2 mil em um equipamento para, depois de poucas semanas, ter que lidar com uuma espécie de falência geral dele. Com a Garmin, essa é a minha segunda vez: o Forerunner 620 foi simplesmente incapaz de entender os treinos que eu inseria nele via Garmin Connect

Cheguei a mandar para o suporte técnico, que me fez esperar mais de um mês (!!!) para me devolver um relógio novo. Resultado: preferi manter os treinos via Adidas MiCoach, até hoje a melhor ferramenta com a qual trabalhei, ouvindo as instruções em tempo real e de acordo com o ritmo via iPhone. 

O tempo passou e, por necessidade de um relógio com maior bateria e mais funcionalidades específicas para trilha (como Trackback e cálculos mais apurados de altimetria), comprei o Fenix 2. No começo, tudo lindo: apesar de meio ‘grandão’, o relógio era prático, altamente funcional e perfeito para as minhas necessidades. 

Até a semana passada, pelo menos. 

Na última terça, logo depois que pausei o relógio por conta de um semáforo que cismava em não abrir, ele travou e reiniciou. Meio frustrado e preocupado, olhei, esperei que ele ligasse novamente e retomei a corrida. O lado positivo: ele manteve o histórico, calculando inclusive o tempo que corri durante o “apagão”, e permitiu um fechamento do treino em bom estado. Resolvi ignorar o problema. 

No sábado, dia de longão, ele resistiu bem até os primeiros 9km. Quando dei uma nova pausa, ele travou de vez. Naquele momento, no entanto, foi ‘de vez’ mesmo: a cada vez que eu tentava retomar a corrida ele travava e reiniciava novamente, gerando um loop infinito. Pior: quando desisti dele e esperie chegar em casa para ver o que estava acontecendo, percebi que nem o histórico havia sido mantido. 

Fui para fóruns técnicos e descobri que o erro não é assim tão incomum, infelizmente. Dentre as soluções que eles deram: atualizar o firmware (o meu já estava atualizado) e zerar o histórico. Zerei o histórico. 

No domingo, saí de novo. Adivinha o que aconteceu na minha primeira pausa? Travada nova, com reinício automático. Pelo menos deu para chegar até o final. 

OK, sendo prático: nao pretendo comprar mais nada da Garmin. Apenas o prospecto de entregar o relógio novamente ao interminável suporte deles já dá preguiça. 

Por hora, vou tentar passar mais tempo sem usar a função de pausa e reinício. Sim, é péssimo optar por ignorar a função de um relógio caro para poder utilizá-lo com menos dor de cabeça – é como escolher a opção ‘menos pior’ em uma situação em que nada além da perfeição deveria ser tolerado. 

Mas, enfim, agora é esperar para ver. Quem sabe uma nova atualização de firmware deles não resolva? 

  

Checkpoint: Mudanças tecnológicas

São poucas as ocasiões – ao menos para mim – em que uma mudança de equipamento acaba sendo o ponto alto de toda a semana. Equipamentos são coadjuvantes, quase imperceptíveis se comparados às memórias (físicas ou mentais) acumuladas nas trilhas e ruas. 

A não ser, claro, quando eles tem a capacidade de mudar o passado. 

É assim que eu estou encarando o Garmin Fenix 2, relógio que estou usando desde a quarta. O motivo: com uma qualidade muito superior para marcar altimetria acumulada por contar com um barômetro, ele pôs em dúvida tudo o que eu acreditava ter como média de “escaladas” feitas no cotidiano. Coisas simples, como os 150m de subida diários nos meus 11km de bate-volta ao Ibirapuera, subitamente se reduziram à metade. Por outro lado, treinos como o de ontem, que incluiu uma subida e descida no Pico do Jaraguá mais todo o percurso de volta, somaram quase 300m a mais que o Forerunner teria mostrado. 

Ou seja: o passado em si ficou uma espécie de bagunça. Nem imagino o que aparecerá nos gráficos daqui para a frente – se eles ficarão totalmente alterados ou se, na média de erros para cima e para baixo, ficarão como se nada tivesse acontecido. 

“Sem motivo para pânico”, fico me repetindo: bagunçado ou não, os treinos sempre funcionaram e sempre consegui cumprir os meus objetivos, seja em provas com 4,5 mil metros de subida como no caso da Douro Ultra Trail, seja nas Comrades, seja na Ultra Estrada Real ou em qualquer outra. 

Mas, para alguém obcecado por números e estatísticas como eu, um grau mais confiável de precisão é, ao mesmo tempo, desconcertante e bem vindo. É como se, agora, eu estivesse entrando em um novo capítulo dos treinos que mudasse um pouco a leitura de todos os capítulos anteriores. 

Bom… desconcertante ou não, que bom que é mais preciso. 

   
 

Brincando com Trackback

Tá: já fiz uma ou outra corrida com o Fenix 2. Não minto que me chateei um pouco com o tempo de detecção de satélite na primeira corrida – mas já tinha visto que isso aconteceria mesmo e que, nas próximas, melhoraria. 

Mas uma das coisas que mais me seduziram  foi o Trackback: uma funcionalidade que permite ao corredor “dizer” ao relógio que está perdido e receber, como retorno, um mapinha ao estilo “migalhas de João e Maria” apontando o rumo feito de volta até o ponto de partida. 

Para trilhas, fabuloso. Eu pessoalmente já me perdi inúmeras vezes e algo assim é uma mão na roda. 

E, como não estava nas trilhas essa semana, só pude testar na cidade mesmo. 

E aí fiquei rodando por horas, fazendo de conta que estava perdido e buscando entender o mapinha. No começo, demorei para me entender com a usabilidade do relógio e do zoom no mapa. 

Depois peguei a manha. Entendi. 

Usei. 

Amei. 

Minha expectativa agora, embora soe ingênua, é nunca mais me perder. 

Ponto para o Garmin Fenix 2.

 

Para que diabos serve o Garmin Basecamp??

Assim que cheguei em casa ontem, peguei o novo Garmin Fenix 2 e comecei a brincar. Fiz todas as devidas configurações, naveguei pela tenebrosa usabilidade típica da Garmin (que parece se esmerar para esconder funcionalidades e colocar botões nos lugares mais improváveis) e comecei a me ambientar com ele.

Deixo um relato mais detalhado para outro dia, depois que tiver efetivamente usado ele em algumas corridas. Mas o que me espantou mesmo foi o uso do Basecamp, software da Garmin feito para se armazenar e instalar mapas de trilhas de maneira que o relógio possa guiar os corredores.

Em tese, dado que o Fenix tem mapinhas no seu visor, mada parece mais lógico e óbvio. Certo?

Certo. Só que o Basecamp é um desastre do ponto de vista de usabilidade. Por mais que eu tenha revirado a Internet do avesso em foruns e vídeos, nada me fez conseguir a simples tarefa de transferir o percurso da Indomit Costa Esmeralda para o relógio. Nada.

Importar mapas? Opção desabilitada. Comprar um mapa detalhado do Brasil no próprio site da Garmin? Nenhum disponível. Criar um a partir do zero? Impossível a partir de uma nulidade de pontos de referência.

Suporte? Inexistente. Arrastar o arquivo KML ou KMZ? Nem em sonho. Entender o que o software chama de configurar “aventuras” ou “viagens”? Difícil.

Achar críticas e mais críticas de usuários? Isso sim foi fácil. Bem fácil.

Se não consegui transferir mapas do Basecamp para o relógio – o que me permitiria trilhar nos calcanhares de outros corredores de maneira segura em viagens – era hora de partir para o improviso.

Abri a pasta do Garmin em seu drive enquanto ele estava plugado no USB do computador. Lá dentro havia uma pasta chamada GPX.

Busquei no Google algum site que convertesse KMZ em GPX, trocando o formato do arquivo que baixei com o percurso da Indomit a partir do Google Maps. Achei.

Converti.

Criei, manualmente, uma pasta chamada Indomit dentro da pasta de arquivos GPX no drive do relógio. Arrastei o arquivo para lá.

Sincronizei.

Chequei no relógio.

Nadando por ele, dentro de User Data > Tracks, encontrei o mapa do percurso que acabara de inserir. E com uma opção simples: “go”.

Se clicasse nele e se estivesse pelo percurso conseguiria de imediato navegar até a chegada com direções precisas – exatamente o que eu queria.

Missão cumprida.

Mas… se consegui fazer isso apenas pela porta dos fundos, praticamente enfiando o arquivo dentro do relógio, para quê serve mesmo Basecamp – software cuja finalidade primária é justamente facilitar esse intercâmbio de mapas e rotas??

Ainda não entendi.

  

Adeus Forerunner, olá Fenix

Hora de atualizar o equipamento. 

Nada contra o Forerunner, mas estava na hora já de eu ter em mãos um relógio um pouco mais compatível com as minhas preferências de corrida – algo com uma bateria que dure mais que 5 horas, com um altímetro mais confiável e com possibilidades de gravar rotas em GPS para evitar que me perca como já ocorreu antes, lá na Argentina. 

Acabei de comprar o Fenix 2, que deve chegar amanhã em minhas mãos. 

Mal posso esperar para testá-lo nas trilhas (ou mesmo no quarteirão)! 

  

Tudo, tudo é biomecânica

Estava, já há alguns dias, com uma pequena dor no joelho direito e na região do soleus, na panturrilha esquerda. 

Não mudei praticamente nada da rotina de treinos: não descansei a mais na semana, mantive tiros, tempos e longuinhos do meio da semana. 

A única coisa que fiz foi cortar o audio dos fones e me concentrar totalmente na biomecânica. 

Passos certos, curtos e rápidos. 

Tênis: foco no Vibram FiveFingers, minimalista suficiente para praticamente impor uma pisada certa. 

Ritmo: mais ágil, diminuindo tempo porque, por algum motivo qualquer que ainda não entendi, velocidade também força postura correta (ao menos em mim). 

Resultado: todas as dores evaporaram. 

Estou novo.

Hora de virar a página e limpar a perspectiva das trilhas que estão por vir.

  

Vibram FiveFingers e postura

Postura. Biomecânica. Atenção.

Repeti essas palavras como um mantra ontem cedo quando saí para correr, ainda com uma preocupação leve quanto ao joelho direito.

Tinha um aliado: o Vibram FiveFingers. 

Não sou muito partidário dos que crêem em poderes mágicos de tênis ou qualquer outro acessório. Esse negócio de estrutura, pronagem, drops altos… nada disso nunca fez muito sentido para mim. Quer correr bem, fluindo pelas trilhas e asfaltos sem perigo de lesões sérias? Concentre-se na forma de correr, na biomecânica, na postura. Em tocar o chão com o peito do pé, bem abaixo do seu centro de gravidade, em usar os braços como equilíbrio e aceleradores naturais, em dar passadas pequenas em uma cadência em torno dos 180/ minuto. 

E tudo isso é muito, muito mais fácil do que queimar dinheiro e preocupação apostando em salvações que venham da indústria ao invés do corpo.

Ok… mas por que, então, o Vibram é um bom aliado? Justamente pela falta total de estrutura. O tênis é tão leve, tão sem amortecimento ou nada que mais parece uma meia endurecida apenas na sola. Resultado: ou se corre corretamente com ele ou a dor de cada pisada se torna insustentável. É um tênis que te força a correr como se estivesse descalço, por assim dizer.

Foi um excelente “remédio”. Fechei a hora em um tempo leve, dentro dos planos, e sem sinal algum de dor. 

Cautela ainda se faz necessária pela recência dessa “mini-lesão” – mas o caminho parece estar liberadíssimo para a volta à rotina.