Eis que, depois de 30 dias de low-carb…

Os resultados finalmente saíram! Antes, algumas considerações importantes:

  1. Quando fiz os exames, havia completado exatos 30 dias em LCHF – o suficiente para dizer que a adaptação em si já era coisa do passado (embora recente).
  2. Menos de uma semana antes desses exames corri os 88km da Ultra Estrada Real em pouco mais de 13 horas. Isso é importante porque, claro, um esforço desse certamente mexe com o metabolismo e, embora esteja fisicamente recuperado, não sei o quanto o organismo em si está “novo”.

Ressalvas feitas, vão mais algumas observações:

No começo da dieta, procurei deixar a quantidade de carboidrato restrita a menos de 70g/ dia. Logo na segunda semana, fui mais radical e fiquei na casa dos 20g/ dia. Acabei perdendo peso demais e preferi afrouxar um pouco, ficando em algo na casa dos 30g a 50g/ dia.

A baixa de carboidratos tem sido compensada pelo natural aumento de gordura, o que realmente tem me deixado com uma sensação de saciedade muito forte. Vivo tranquilamente bem com duas refeições por dia – um café da manhã reforçado de ovos e bacon e o jantar, normalmente com carne, algum peixe gorduroso e legumes. Simples assim.

Nunca, em nenhum momento, me senti tão bem disposto e “inteiro” quanto hoje. Esse talvez seja o principal indicador além dos exames de sangue.

Falando nos exames, eles seguem abaixo:

 

As primeiras duas colunas (azul e laranja) são os valores de referência mínimos e máximos por marcador. A coluna cinza se refere a um exame que fiz em 20/01/2014 – portanto, há pouco mais de um ano. Nessa época a minha maior ultra havia sido a Two Oceans – ainda não tinha nem Comrades nem Douro no currículo e levava um estilo alimentar totalmente “convencional”, por assim dizer.

Deveria ter feito exames mais recentes já que o tempo entre o de agora e o anterior é grande – mas ainda assim serve de parâmetro.

De maneira geral, todos os indicadores estão dentro das médias. A maior parte deles cresceu um pouco (exceto pela glicose e insulina, que caíram). Para mim, que tenho problema no fígado, os mais importantes são Gama GT, TGO, TGP e Ferritina. Embora todos tenham aumentado, o fato de estarem dentro dos parâmetros normais dá um belo alívio.

Devo repetir esses exames no futuro próximo para fazer uma comparação mais efetiva, vendo os efeitos da low-carb já bem posterior ao processo de adaptação.

Por enquanto, é hora de seguir o barco.

Checkpoint Zero: (Re)largada

Avatar de Ricardo AlmeidaRumo a Comrades 2022

Ultra Estrada Real feita, semana de recuperação vencida de maneira mais suave que o esperado. Hoje, domingo, encerra-se um ciclo e inicia-se outro: o foco total em Comrades.

Tenho menos de dois meses até a largada em Durban e, verdade seja dita, os gráficos de treino do ano mostram claramente uma quantidade de altos e baixos que mais se assemelham a um eletrocardiograma.

De toda forma, nesses últimos 4 meses acabei fazendo duas ultras de verdade (50K e 88K) e uma, em treino, de 45K. Caprichei na intensidade até quebrar, tive que refazer os planos incluindo uma espécie de “tapering inverso” para me preparar para a estrada real, mudei minha alimentação radicalmente e, de forma geral, posso dizer que experimentei mais do que a sanidade recomendaria.

Intensidade é pouco para descrever esses primeiros 120 dias do ano! Mas sabe de uma coisa?

Apesar de um pouco cansado nas pernas enquanto…

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Longão de largada para a Comrades

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Sabe aqueles dias que acordamos com vontade de realmente testar a recuperação? Nada de 10k em volta do parque, naquele plano leve: às vezes é necessário subir um pouco a barra para nos “sentirmos” de verdade.

E foi isso que fiz hoje, exatos sete dias depois da Ultra Estrada Real: me mandei cedo para 2 horas subindo e descendo as ladeiras de Perdizes.

Sem a mochila de hidratação – coisa, aliás, mais bacana de todo o foco em treino para Comrades uma vez que qualquer peso a menos é sempre bem vindo.

No começo, me surpreendi com a velocidade: estava me sentindo quase flutuando, voando baixo pelas ruas mais planas entre a minha casa e a Sumaré. Fui por lá até o Jardim das Perdizes, depois dei uma volta no Parque da Água Branca (onde o Strava me deu um trofeuzinho de CR) e, depois, me embrenhei pela região do…

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Dia de exames

Enfim, desisti dos exames que faria há 3 semanas para checar como o meu corpo estava reagindo à dieta low-carb. Por precaução e bom senso, diga-se de passagem: havia acabado de começar a fazer a dieta, ainda estava com alguns dos sintomas da transição e, claro, qualquer anomalia detectada poderia prejudicar o andamento de maneira desnecessária. 

Ainda assim, claro, confesso que fiquei um pouco apreensivo pelo meu próprio histórico: tenho problemas bem concretos no fígado, chegando a retirar metade dele em uma cirurgia para lá de complicada há anos (bem antes de eu começar a correr, diga-se de passagem). 

Bom… hoje, já faz mais de um mês que estou na low-carb. Nunca me senti melhor, mais disposto e mais preparado. Os efeitos dessa dieta na ultra da semana passada foram incríveis: a fome nunca veio, o combustível pareceu eterno e a recuperação foi de uma velocidade assustadora. 

Espero que os resultados saiam positivos, acendendo uma luz verde inquestionável para que eu continue na low-carb ainda por muito, muito tempo. 

Agora, no entanto, resta apenas encher os tubos de sangue e aguardar o veredito.

  

Mapa detalhado da up-run

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No ano passado, quando estava já aquecendo os motores para a Comrades no sentido Pietermaritzburg-Durban, recebi do Nato Amaral um mapa ultra mega detalhado do percurso. Devo dizer que ele foi BEM útil, principalmente por permitir que eu estudasse um pouco mais sobre os locais de cut-off e coisas do gênero.

Peguei um mapinha novo diretamente do Facebook da Comrades, desta vez do percurso de 2015, sentido Durban-Pietermaritzburg. Não é (nem de longe) quanto o que o Nato arrumou – mas ajuda.

Para quem quiser, segue o arquivo abaixo!

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Relatório da organização sobre a Ultra Estrada Real

Ontem à tarde, recebi do André Zumzum um relatório completíssimo sobre tudo o que ocorreu nos bastidores da ultra. Como a prova inteira foi tomada por um clima de colaboração sem igual, decidi postar aqui no blog para que todos pudessem compartilhar um pouco da visão de quem estava em um papel misto de testemunha e, claro, protagonista. 

Segue abaixo:

Nem sei por onde começar, não sei do começo, do meio ou do final, todos os começos são fenomenais, inesquecíveis e tinham em si um brilho único. Muitos dos que vão ler pouco me conhecem, então digo logo, não sigo muitos padrões, e até gosto de não segui-los, não que não siga as regras, afinal, nem sei de regras eu falo.

Começando do final, confesso que fiquei muito agradecido e feliz com a Ultra Estrada Real, foi fantástico, resumindo tudo, tínhamos um bando de loucos, uns com experiência, outros sem, afim de correr um trecho da estrada real de 88 km. Até momentos antes da largada não tínhamos nada pronto, e em minutos, nos organizamos de tal forma que o evento foi um sucesso. No apoio, em sua maioria, de pessoas que nunca antes haviam feito nada do tipo, mas que estavam dispostas a fazer o que foram fazer, serem voluntários, e assim como diz um velho ditado, nada é mais forte que um coração de voluntário.

A largada as 5h30m foi uma acertiva enorme, assim como a duração do evento, 16 horas, horário dos últimos concluintes, que foram demais, mesmo com uma enorme pressão para que desistissem, continuaram, e assim fui com eles ate o meu final, o trevo de Mariana, o ultimo local de apoio.

Tivemos alguns trechos com problemas, como a saída de Catas Altas, logo após a Lagoa, uma que tinha uma pontezinha de passagem única, algumas pessoas se perderam por ali, mas nada demais. Outro trecho, poucos quilômetros depois, na saída do asfalto, 5 pessoas se perderam, os de mais sorte, apenas 500 metros, mas alguns foram mais longe, 1,5 km, 5 km, 9 km e ate um com 15 km, esse ultimo me chamou muito a atenção, encantado pelo local, voltou a correr, era um dos primeiros,  e não desitiu.

Acho que nesses locais deveríamos ter dado um reforço na marcação do caminho, somente nesses trechos, de resto, o caminho estava muito bem marcado, e se guiar pelos marcos, é algo maravilhoso.

No final não gostei muito do trecho de Mariana a Ouro Preto, muito asfalto, transito intenso, e uma dificuldade imensa de dar apoio, justamente onde mais se precisava desse apoio, por bem , todos entenderam a dificuldade de dar apoio ali. E também no centro de Ouro Preto, que por conta do feriado, estava lotado, e a Policia Militar junto da Guarda Municipal dificultaram um pouco a nossa vida ali, não permitindo estacionar, mas depois de um chorinho, tudo resolvido. Não que fossem culpados, mas a cidade cheia, e associado de um pouco de descuido nosso, por não avisa-los com antecedência. 

Muitas pessoas sugeriram que o evento acabasse em Mariana, achei a ideia fantástica, e gostaria muito da opinião de vocês, mais tarde digo o porquê.

Voltando ao inicio, há um tempo atrás, recebi um convite da Zilma para ajuda-los em um evento, era como um treino, onde todos seriam auto-suficientes, algo como um Sallomon, mas a adesão de corredores foi aumentando, e chegamos a mais de 100 inscritos, nos empolgamos, e resolvemos que seria legal ter uma lembrança daquele momento, e pedimos  a um artesão que fizesse um marco, em pedra sabão, e quem desejasse ter bastava comprar, não era obrigatório. Depois foi a vez da van, muitas pessoas optaram por ficar em Ouro Preto, e assim necessitávamos de uma van que os levasse até a largada, e foi feito, fizemos uma lista de interessados, que logo chegou a 15 pessoas, uma van. Nessa hora, pedi a van que voltasse fechando o percurso, caso alguém passe mal, poderia ter na van, uma forma de ir embora. Outra assertiva, a van voltou com 3 pessoas. Não so por isso, tínhamos um motorista muito bacana e solidário com os atletas, uma paciência rara de se ver em motoristas profissionais, loucos com esse trânsito caótico.

Na semana do evento tinha uma folga e viajei, mas sabia, isso me deixaria louco, por mais que eu não era o responsável direto pelo evento havia me prontificado a ser a pessoa encarregada das cosias por aqui, e como sempre digo, não somos obrigados a falar nada, mas somos obrigados a cumprir com o que falamos. Mas não deu nada, apenas uma correria na hora de ir embora, mas normal, sempre é mais corrido a medida que a largada se aproxima.

Acho que agora chegamos ao meio dessa historia e na parte final dessa nota oficial carregada de opinões pessoais, afinal, a ultra foi bem isso mesmo, foi um evento que mais parecia uma confraternização, tudo conspirava a favor.

A parte do meio da historia, pode-se dizer que começa pela manhã do dia 4, foi terrível, era madrugada, eu dormia, quando o telefone tocou, era um atleta, havia perdido a van, e eu estava em Mariana, nada podia fazer, e claro, meu celular por alguma razão não carregou, quase morri, nada podia fazer, afinal, a prova começaria em instantes, não daria tempo de busca-los e votlar a tempo da largada. Mas graças a Deus deu tudo certo, eles tomaram a iniciativa de pegar um taxi e chegaram a tempo, e não era apenas uma pessoa, mas quatro. Mais tarde tudo foi resolvido. 

E foi chegada a hora da largada, pouco sabia sobre o caminho, mas era o suficiente, o pessoal que foi dar apoio ansioso para saber o que fazer os atletas querendo informações e eu no meio disso tudo, subi no carro, falei aos atletas, damos a largada, ora para o sentido errado, ora para o sentido certo, mas foi. Ao apoio pedi que esperassem e que fossem para Catas Altas, assim passaria parte da ansiedade, e com menos pessoas ficaria mais fácil ter um dialogo. Fiquei surpreso e feliz com a disposição deles em ajudar. Houve quem me perguntasse porque eu estava tão dedicado por aquele evento, se nem era o responsável por ele, a resposta foi na lata e bem simples, porque eu havia me comprometido com Ricardo e a Zilma, e faria o que fosse o certo a ser feito.

Eu também, não menos ansioso, não me aguentando, fui atrás deles, e logo descobri que faltavam alguns, foi ali que descobri que não tinha a menor ideia de quantas pessoas estavam participando, resolvi fazer então uma lista de chamada, que seria aferida toda vez que cruzasse pelo atleta, e foi assim, com essa lista que descobri rapidamente, que alguns atletas haviam se perdido no asfalto. Mas a lista me trouxe algo a mais, com ela aprendi o nome de todos os atletas, e me aproximei deles, criamos um laço, estreitamos relações, eles se sentiam queridos, protegidos e nos, mais calmos, afinal essa paz foi o sucesso da prova, todos se sentiam protegidos e amparados.

Enfim essa é o ultimo paragrafo, aquele momento de agradecimentos e de algumas palavras de esperança. Por isso gostaria de agradecer a todos que me ajudaram atletas e amigos, próximos e distantes. Aprendi muito com vocês podem ter certeza disso. No final restou uma pergunta no ar: Vai ter ano que vem? A resposta, sim.

Por favor, contribuam, digam o que pensam, opinem e nos ajude a melhorar sempre.

Lembrem-se o sucesso do evento se deve a vocês corredores, sem vocês não haveria nada, e se deu tudo certo, a maior parte do mérito foi de vocês que com muita paciência e carinho fizeram do caminho o que foi. 

Abraços

André Luis

diretor@caminhosderosa.com.br

  

A incrível capacidade de recuperação do corpo humano

Para mim, pelo menos, foi surpreendente. Não sou corredor de elite, não acumulo 200kms semanais e nem somo uma ultra por semana. 

Por outro lado, é bem verdade, estudo o meu próprio corpo com o zêlo de um vestibulando neurótico: leio tudo sobre qualquer minúsculo sintoma, faço autoexames cuidadosos a cada instante, instintivamente, e tomo um cuidado extremo com biomecânica e nutrição.

Tudo isso deve ter contribuído.

Mas o fato é que desde ontem, apenas um dia depois de correr quase 90K em pouco mais de 13 horas pelas montanhas mineiras, estou me sentindo novo. 

Nada de mancar, nada de dores musculares, nada de articulações pesadas. Nada de inchaços, nada de dores de cabeça, nada nem de uma febrinha leve que costumava me acompanhar após provas mais duras. 

Nada.

Quando terminei os 56km da Two Oceans, em 2013, passei dias me locomovendo como um babuíno bêbado. De lá para cá, no entanto, esse tempo de recuperação foi diminuindo progressivamente: Comrades, Douro Ultra Trail, 50K da Copa Paulista de Montanha. 

Mas nada se assemelhou a esta Ultra Estrada Real.

Com o perdão de parecer arrogante, estou impressionado com o meu próprio corpo. E feliz – muito feliz com isso.

Agora, afinal, começo a intensificar o treinamento para a Comrades 2015, no final de maio – e é sempre bom dar a largada com um moral elevado.

Dane-se a planilha vazia: acho que darei uma trotadinha leve no parque hoje à noite.

  

Ultra Estrada Real: Relato da prova

Estávamos em 65, já alinhados em Santa Bárbara, quando o relógio bateu 5:40 da manhã. Com os primeiros raios do sol, ainda tímidos, saímos.

O primeiro destino era a cidade de Catas Altas, 22km para frente em um trajeto relativamente plano e que, mesmo com uma pequena (e levíssima) trilha de 2k, foi vencido em pace rápido.

Pelo caminho, os olhos já começavam a colecionar memórias: correr ao lado de trilhos, cruzando colinas e passando por um aqueduto antigo, feito pelos escravos, foi algo incrível.

E seguimos e chegamos. Em Catas Altas, uma leve garoa aliviava o suor e encobria um pouco da majestosa Serra da Caraça, que rodeava a região. Subimos até a igreja matriz, um daqueles exemplares perfeitos da arquitetura colonial, e seguimos viagem até Santa Rita Durão.

Mais 18k em uma paisagem diferente, meio cinza, sempre acompanhada pela Caraça e abrindo vistas deslumbrantes a cada curva.

A partir daqui, nada mais de planos: o trajeto inteiro seria pontuado por subidas e descidas que ainda castigariam as pernas. Tudo bem: pernas castigadas, vistas abençoadas.

Em Santa Rita, outra cidadezinha incrível e extremamente bem conservada, mostrando aos forasteiros um pouco da alma de Minas Gerais. Entre goles de água e uma altimetria que começava a se mostrar intensa, chegamos a Camargos.

Outra pérola, como todas as que fizeram o caminho memorável. Não só elas, aliás: a organização dos voluntários foi impecável!

Havia van à frente, picape atrás fechando o percurso, tropas de bikes ajudando e hidratação e comida em todos os pontos. Apesar da rota inteira ser bem demarcada, alguns corredores se perderam – mas rapidamente esse staff os localizou, conferiu seus nomes em uma planilha e os colocou no caminho certo. Não cito nomes para não deixar a minha memória cometer nenhuma injustiça, mas boa parte do sucesso dessa ultra se deve ao suor desses herois!

E, enfim, de Camargos, subimos uma serra severa, quase sádica, até Mariana. Nesse ponto, comecei a me sentir mal, tendo me superhidratado por uma falha tática: já estava nos 57k e tinha tomado apenas água e em grande quantidade, tirando o equilíbrio de sódio do corpo. Para piorar, isso aconteceu justamente quando o sol decidiu nos castigar e quando as subidas foram piores.

Por sorte, estava com os amigos David, Dirceu e Ilza, que me deram um isotônico em pó e uma cápsula de sal. No caminho, encontrei também a van de apoio que me deu uma Coca. Bem… no total, foram 10km de estresse mas que sintetizaram o que é participar de uma ultra: há sempre os momentos mais “escuros” que passam com um pouco de paciência e conhecimento do próprio corpo – e sempre solidariedade nos corredores parceiros.

Em Mariana, já estava perfeito. As pernas e pés, é verdade, doíam – mas nada além do esperado.

De lá até Ouro Preto seria uma ladeira só de 12km pelo asfalto, subindo sem parar.

E subimos, agora também na companhia da Milva, que estava manuseando dois postos de apoio.

Intercalamos 30″ de trote com 30″ de caminhada, acendendo as headlamps para avisar aos carros que estávamos próximos.

A ladeira foi severa – mas a imagem do sol de fim de tarde queimando as colinas mineiras com as luzes de Ouro Preto iluminando a distância compensou.

Quando chegamos, o clima na cidade era só de festa: os moradores já estavam por dentro da prova e perguntavam, incrédulos, se realmente estávamos vindo de Santa Bárbara.

Viramos na Praça Tiradentes sob palmas e gritos: os outros corredores estavam em festa, celebrando o feito e congratulando a todos que chegavam.

Não há palavra melhor para descrever essa ultra: perfeita. Por 13h23 em seus 88km e quase 2 mil metros de subida acumulada.

Não sei se haverá nova edição, se essa prova se oficializará no calendário ou coisa do gênero. Mas sei que ver uma ideia postada há meses aqui no blog se materializar de forma tão impressionante e mágica foi inesquecível – assim como toda essa experiência de cruzar a história de Minas, atravessando caminhos de bandeirantes e escravos pelas veias por onde pulsou boa parte da economia colonial.

E, embora tantos tenham sido responsáveis pela realização desse sonho, há duas pessoas em especial que não posso deixar de agradecer: Zilma Rodrigues, que chegou 2 horas antes de mim e que agitou a organização pre-prova, e André Zumzum, que deu um show à parte na coordenação do apoio.

Agora é descansar por uns dias, aproveitando a sensação de realização que vem com as linhas de chegada de ultras, e iniciar uma nova preparação. Daqui a dois meses, afinal, tem mais 90k para fazer – e a ansiedade já está batendo forte!

certificado

Ultra Estrada Real: Trecho a Trecho (Trecho 5, final)

Hora de terminar a prova! A essa altura, a noite já deverá estar sobre as nossas cabeças (ou, pelo menos, chegando lá). Por outro lado, será o trecho mais curto e percorrido inteiramente sobre asfalto (embora quase todo em subida), na estrada efetiva que ainda hoje liga essas duas cidades.

Chegaremos enfim a Ouro Preto, finalizando a corrida na principal praça da cidade e comemorando essa viagem por um dos mais importantes períodos históricos do nosso país!

Trecho 5: 12km de Mariana a Ouro Preto

Todo o trajeto entre Mariana e Ouro Preto é feito por estrada asfaltada, o que requer uma maior atenção dos praticantes. No caminho, passa-se pela Mina da Passagem, parada obrigatória para conhecer a única mina de ouro do Brasil aberta para visitação.

O trecho termina na cidade de Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais. Ouro Preto une um elo de aprendizado entre o civismo e a História de Arte, reconhecido pela UNESCO como Monumento da Humanidade. Nesta esplêndida cidade, com seus magníficos casarões, belas ladeiras e muita história pra contar.

Atenção!! Neste trecho não tem marcos instalados!

Conteúdo extraído do site: http://www.estradareal.tur.br/caminhos-trechos_1_21

IMPORTANTE:

Faça download e leve consigo os mapas, perfis altimétricos e planilhas de navegação de toda a prova. O link direto para isso é https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/o-percurso/

Ponto no percurso:

trecho5

Ultra Estrada Real: Trecho a Trecho (Trecho 4)

Os menores povoados, pontos de descanso dos viajantes do século XVIII, já estão ficando para trás. Nesse trecho começamos a nos aproximar do primeiro grande centro, Mariana, uma das mais icônicas cidades do ciclo do ouro mineiro.

Trecho 4: 18km de Camargos a Mariana

O percurso é por estrada de terra que se encontra em boas condições, cercada por gramíneas e com um mar de morros no seu trecho inicial, sendo que, após alguns quilômetros, a mata circundante passa a ser bem densa e formada por árvores altas, deixando a estrada mais fechada e bonita. Porém, como um todo, ela pode ser caracterizada como plana de leves subidas.

O fim do percurso é na cidade Mariana, que já foi a primeira capital das capitanias de Minas e São Paulo, título que perdeu em 1740, para Ouro Preto devido sua maior importância econômica. A admirável cidade apresenta um acervo riquíssimo das mais belas obras do barroco mineiro.

Conteúdo extraído do site: http://www.estradareal.tur.br/caminhos-trechos_1_20

IMPORTANTE:

Faça download e leve consigo os mapas, perfis altimétricos e planilhas de navegação de toda a prova. O link direto para isso é https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/o-percurso/

Ponto no percurso:

trecho4