Up-run: A segunda metade

Avatar de Ricardo AlmeidaRumo a Comrades 2022

Depois das difíceis subidas da primeira metade, é hora de entrar em um ritmo mais calmo. Claro: “calma”, aqui, é uma palavra que deve ser entendida com cautela. A corrida é a Comrades, longe de ser fácil – e esse percurso de Durban a Pietermaritzburg é de subida.

Isso significa que de Drummond até Inchanga há ainda uma longa subida de quase 4km com alguns trechos bem íngremes.

Saindo de Inchanga se estará no marco de 50km. O trecho de lá até Cato Ridge é um dos mais agradáveis, com uma altimetria mais leve e vistas que compensarão. Aqui, portanto, é um lugar para usar a energia que deverá ter sido poupada da metade anterior.

Essa “facilidade” acaba em Camperdown, quando se passa a subir até o ponto mais alto do percurso todo, em Umlaas Road. É difícil, sim – mas com uma espécie de bônus inspiracional por ser a…

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bastões para o Transvulcânia, sim ou não?

Para revisitar no ano que vem, quando estiver prestes a embarcar para essa prova dos sonhos…

Avatar de lourencobrayDiários de corrida

Leio mais relatos do Transvulcania, curiosamente, todos de atletas que o fizeram sem bastões.Pelo que percebo não há dropbag.

há atletas que os usam:

poles

e atletas que não os usam:

trans

É uma questão complicada nesta prova. A primeira secção tem quase 18km com 10% de inclinação o que só por si aconselharia a usar.
raceprofile

Não tive dúvidas em usá-los no DUT, mas aí eram os meus primeiros 80km e +4500 metros e fiz quase todas as subidas a andar. Nesta corrida emexistem pontos positivos e negativos quanto a usar bastões:

Positivos:

  1. A subida inicial será feita a andar, a gestão da prova não aconselha a um arranque fulminante. Os bastões ajudam.
  2. Existem rampas mais extremas, quer na subida inicial, quer no percurso mais adiante e com piso com pouca aderência (cinza vulcânica) em que os pés escorregam. Bastões ajudam.
  3. A descida final é um mergulho de 2000m em 18km muito…

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Up-run: A primeira metade

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Vencida a largada, é hora de encarar a looooooonga subida até Drummond, como se pode ver no mapa abaixo:

De acordo com todos, essa primeira metade é “assustadoramente brutal”. Simples assim :-)

A primeira subida mais significativa é bem no começo, em Berea, por ser um indicativo do que virá pela frente. Mas só por isso mesmo: depois se vai ao 45th Cutting (ainda no escuro), Westville e Cowie’s Hill.

Cowie’s é o segundo dos morros dos chamados Big 5 – e que exige muito respeito. Como a largada ocorrerá sob 11 graus (em média) e o dia ainda estará amanhecendo, o clima acabará “funcionando” a nosso favor.

Isso é especialmente importante em Pinetown, vila que vem logo depois de Cowie’s Hill e que costuma ser um forno nas down-runs.

Pinetown será uma espécie de “alívio temporário”: há uma bem vinda descidinha leve apenas para enganar o corpo. Depois disso…

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Up-run: A largada

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Quem, como eu, está indo para a África buscar a medalha back-to-back da Comrades, deve estar também se perguntando sobre as diferenças de percurso em relação ao ano passado. Tudo muda: a largada é em uma avenida ampla de uma cidade grande, sobe-se MUITO mais na primeira metade e chega-se em uma pequena vila interiorana encravada no meio do vale dos mil morros.

Pois bem: um pouco de pesquisa nunca fez mal a ninguém e decidi sondar um pouco sobre as características do percurso da up-run.

A primeira coisa que se fala é da semelhança: as ruas de Durban ficam tão cheias quanto as de Pietermaritzburg na madrugada, o clima é de festa com aquela dose a mais de ansiedade e o ar parece ser tomado com cantos de “shosholoza”.

Mas há uma diferença crucial aqui – principalmente para quem largará mais ao fundo: o tamanho da avenida.

Em Pietermaritzburg…

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Checkpoint 1: O treinador sumiu!

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Tem duas semanas que meu treinador evaporou.

Para ser justo, ele me avisou que estaria fora na semana retrasada por conta da Marathon de Sables e, como era logo na sequência da Ultra Estrada Real, que eu deveria correr seguindo a vontade. Até aí, tudo bem: fechei a semana em 40K leves e bem corridos.

Só que essa semana já estava pronto para ficar sério e ele continuou fora do ar, provavelmente no Marrocos ou Turquia, onde seguiu para a Iznik Ultra.

Bom… seja qual for o motivo, o fato é que passei a semana sem notícias, planilhas ou informações – algo péssimo considerando que estamos a pouco mais de um mês da Comrades! Resultado: segui o instinto.

Na terça, fiz duas sessões de tempo, treinando as marchas mais rápidas; na quarta, 2 horas em pace médio; na quinta, 1 hora em pace de meia; ontem, 30K em terreno montanhoso…

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Correndo para fora dos curcuitos habituais

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Eu (obviamente) gosto dos longões. Aliás, é praticamente impossível algum corredor de ultras não gostar de passar horas e mais horas nas ruas, correndo entre quilômetros de pensamentos.

Só que é também quase impossível achar um corredor de ultras que não curta mudar de paisagens, explorar novos horizontes e voar por trilhas desconhecidas. A questão é: como fazer isso do ponto de vista de rotina?

Sim: eu, pelo menos, faço quase todas as minhas corridas semanais na região do Ibirapuera; aos domingos, fujo para o centro e viro “carro” no Minhocão; e, aos sábados, fico perdido.

Perdido entre a ansiedade de sair para as ruas e o cansaço de repetir percursos idênticos. Fazer 30 ou 40km na USP, principal “hub” de corredores paulistanos aos sábados, significa dar tantas voltas no mesmo lugar que corre-se o risco de cair de tontura. Desenvolvi uma estratégia diferente: passei a correr por lugares diferentes…

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Começando com o coração

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Dizem que se deve prezar o descanso depois de esforços intensos. Que se deve elevar a volumetria de corrida aos poucos, entre 10% a 20% por semana, para preservar as articulações e evitar problemas. Dizem que planilhas devem ser construídas com aquele equilíbrio perfeito entre treinamento e exaustão.

Não discordo de nada disso, claro – quem sou eu para questionar anos e anos de “sabedoria esportiva”, se é que isso existe? Mas há momentos em que se deve mesmo ignorar mente e corpo e correr com o coração.

Meu treinador sumiu essa semana: foi cobrir a Marathon de Sables, lá no Saara, e não deixou nada programado para mim nos últimos 15 dias. Para a semana passada, tudo bem: estava mesmo me recuperando da Ultra Estrada Real e o combinado era seguir de acordo com a vontade, sem forçar a barra.

Mas já entrei nessa semana novo, inteiro e preparado…

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#IComrades e os motivos para se perseguir os 90km na África

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Se tem uma coisa que aprendi no mundo das ultras é que cada um dos corredores tem um motivo forte que os levou para as ruas e trilhas. Seja alguma doença grave que marcou o passado, a morte de algum ente querido ou a libertação de algum tipo de prisão mental em que viviam, todos foram empurrados para os seus tênis mais pelo coração do que pelo corpo.

Correr por correr, afinal, é algo que pode ser feito em uma voltinha simples pelo parque mais próximo. Correr por 10, 12, 15 horas a fio, mergulhando em si mesmo e sentindo a vida pulsar mais forte em cada passada, é para quem tem motivos que costumam ir além de uma mera busca por saúde (até porque, convenhamos, não dá para dizer que esse seja o mais saudável dos esportes).

E, embora a relação entre rua e pessoa seja algo totalmente individual…

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Nada como uma meta para o segundo semestre

Tá… estamos em abril, ainda tenho toda uma Comrades pela frente e sei que o segundo semestre, do ponto de vista de planejamento de corrida, está MUITO distante. 

Mas isso não significa que não possa pelo menos começar a rascunhar alguns dos planos. 

Pois bem… na minha lista de desejos, uma das coisas que está começando a gritar por atenção é fazer alguma corrida de 100km. Sim, sei que 100 é só um número… mas, ainda assim (e talvez por isso mesmo) é também um marco que gostaria muito de alcançar. 

Em uma pesquisa rápida feita na Web, achei apenas uma prova aqui no Brasil: a Morretes-Guaraqueçaba, lá no Paraná, que totaliza 105km no comecinho de agosto. Fora do Brasil (mas ainda nas proximidades) há a Ultra Trail Torres del Paine, na Patagônia Chilena – mas temo ser muito fora de mão para mim nessa época. 

Esse é o principal “pro” a favor da Morretes-Guaraqueçaba: é perto, acessível e em um mês relativamente calmo para mim. Há mais coisas a favor: o percurso inteiro é pouco técnico, praticamente feito de estradas de terra, bem no estilo que eu curto. 

O negativo é a falta de belezas naturais, pelo menos nos vídeos que eles disponibilizam no site. Tudo parece meio “sem graça”, com poucos atrativos. Seria o tipo de prova que iria mais pelo desafio e meta de fechar 100km do que qualquer outra coisa. 

Tenho mais algum tempo para decidir… mas, ao que tudo indica, estou bem perto de confirmar a participação e dar um “check” em mais um item da minha lista!