Checkpoint semanal: Olá, longão!

Estava com saudades de um longão realmente descente.

Nos últimos tempos, tenho feito corridas mais curtas e buscado mais velocidade nelas – pelo menos até a Maratona de Sampa. Depois disso, acabei entrando em uma espécie de vácuo de overtraining, me recuperando mais lentamente do que desejava. Mas o fato é que me recuperei – e, ontem, depois de muitas semanas, fui para a rua sem muita hora para voltar.

Foram, na prática, 3h23 somando pouco mais de 30,6km. Um ritmo lento, admito – mas velocidade não estava exatamente nos planos. A ideia era apenas sair de casa, entrar na USP e aproveitar o máximo de duas voltas por lá, sorvendo cada raio de sol, cada visual e cada gota do clima de corrida que domina todo aquele ambiente.

Não vou mentir que cheguei bem cansado de volta – 30km são 30km em qualquer que seja a fase do treino. Mas cheguei bem e pronto para fechar a semana com uma corrida mais acelerada hoje, onde usei pela primeira vez o Salomon S-Lab Ultra na trilha em volta do Ibirapuera. Mas isso fica para outro dia.

Por hora, vão apenas os meus gráficos acumulados e a satisfação de ter quebrado, novamente, a marca dos 30km em um sábado como outro qualquer.

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Recomeçando, parte 2: de volta à USP

É impressionante como o corpo da gente reage depois de alguns meses de estresse e intensidade plenos. Já disse isso antes e não quero ser repetitivo, mas o tempo que estou levando para me recuperar desta temporada está acima das minhas mais pessimistas expectativas.

Corri bem pouco na semana passada justamente para dar tempo ao tempo e pegar de volta aquele impulso fundamental de ir para as ruas – impulso que, diga-se de passagem, parecia ter entrado de férias.

Depois de um tempo, a respiração foi acalmando.

A ansiedade, baixando.

O pulso, voltando ao normal.

E, assim, voltei para as ruas com ares de quem estava matando saudades.

Perfeito.

O corpo, no entanto, discordou um pouco. Ficou gripado, aparentemente em um último ato de revolta.

Desconsiderei.

Hoje, fui à USP pela manhã. Quem mora em Sampa sabe que a Universidade de São Paulo é uma das mecas da corrida em final de semana: o local é arborizado, bonito, bem cuidado e com todo tipo de terreno, de subidas íngremes a trilhas escondidas (como a da foto abaixo).

No total, fiz algo na casa dos 25km – meu maior longão desde a Maratona.

Serei sincero: o rendimento foi BEM abaixo do esperado. Travei em um pace de 6’20″/km e ainda tive que andar em um pequeno trecho na volta para casa. Cansei mais do que o usual e senti o corpo excessivamente pesado, quase que se arrastando.

Mas, depois que cheguei em casa, uma coisa esquisita aconteceu: entre ofegações suadas e pulsações corridas, um sorriso simplesmente brotou no rosto por ter completado o longão. E não foi um sorriso de alívio por ele ter terminado: foi de satisfação por ele ter existido. Uma diferença bem importante.

Na mesma hora, o pensamento sobre o desenho do percurso do dia seguinte veio à mente. Ótimo: olhar para o futuro, mesmo que de curtíssimo prazo, é sempre um bom sinal.

Ainda assim, arquivei o pensamento para depois. Era hora de voltar à rotina de regeneração pós-treino.

Gripe? Ela ainda existe e vai sentir um pouco o esforço de hoje, claro. Mas passará.

Não nego que o corpo estava pedindo algum tempo de descanso a mais. Mas ele não pode ser o único a tomar as decisões, certo?

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A USP de preto e o esporte coletivo

Sempre imaginei que correr fosse um esporte individual, meio solitário. Para falar a verdade, sempre gostei muito disso: passar horas a fio movendo apenas pernas e pupilas – além da mente, claro – é algo quase sublime.

Pensando bem, é difícil encontrar algum ultramaratonista que não se dê bem e curta passar um bom tempo só, perdido entre trilhas e pensamentos.

Mas isso não significa que a corrida, enquanto esporte, seja algo individualista. Descobri isso desde que comecei o outro blog, o Rumo a Comrades, que acabou me trazendo grandes amigos. Houve um inegável clima de camaradagem que durou por todo o treinamento, pela prova e mesmo até hoje, meses depois.

Mas o dia de hoje foi um capítulo à parte. Como muitos sabem, na semana passada um bêbado atropelou algumas pessoas no reduto sagrado de corredores todos os sábados, a USP, e acabou matando o atleta Álvaro Teno.

Imediatamente, corredores de todos os cantos da cidade se juntaram e começaram a organizar uma espécie de protesto/ homenagem pelas ruas da Cidade Universitária – a Black Run. A proposta era simples: fazer o longão de sábado vestido de preto.

Simples, mas impactante.

De camisa preta, fui hoje à USP para o meu longão e, sem saber o que esperar, acabei me deparando com outras muitas centenas de corredores com o mesmo “uniforme”.

O que nasceu como um protesto acabou, ao menos para mim, se transformando em uma prova concreta do quanto a corrida é algo coletivo, fazendo anônimos dos quatro cantos compartilharem pelo menos alguns valores muito, muito importantes.

Que fique registrada essa homenagem ao Álvaro Teno e a esse esporte que consegue unir a solidão ao senso de comunidade de maneira tão espetacular.

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Checkpoint 6: Novo tênis, nova rotina de subidas, longão acima de 4 horas

Essa semana trouxe três “novidades” importantes ao ciclo de treinamentos. O primeiro, claro, foi o tênis: sem me adaptar direito à forma do Merrell Trail Gloves, que me causou duas bolhas, acabei migrando para o Sketchers GoBionic Trail por indicação do Jósa, do Endorfine-se.

Hoje foi o terceiro dia que rodei com ele, mas o primeiro realmente longo. Sendo bem direto: ele funciona. Adapta-se bem aos pés, tem um grip forte o bastante e é minimalista dentro das possibilidades de minimalismo das trilhas. Falo isso porque, sendo bem sincero, o tamanho do seu solado é a única coisa que me incomoda – muito embora ele cumpra o papel de proteger os pés das “abruptidões” encontradas fora do asfalto. Mas meu desejo mesmo era que os pés criassem calos e ficassem imunes a bolhas para que pudesse voltar ao modelo mais natural do Merrell. Enfim… quem sabe um dia isso não aconteça?

Outro ponto importante: inseri a subida da Ministro Rocha Azevedo em todos os treinos, acrescentando uma pequena volta no caminho para casa e uma grande ladeira. Estava sentindo falta de mais subida, principalmente depois de fazer os cálculos de altimetria do DUT e, embora saiba que o problema não foi “resolvido”, estou seguro de ter pelo menos amenizado um pouco. Agora é dar tempo ao tempo.

Finalmente, o terceiro e último ponto importante dessa semana foi o longão acima de 4 horas, algo que já estava sentindo falta e que acabei fazendo hoje mesmo por conta de um imprevisto que tive ontem. Resultado: rodei pouco menos de 40K e me senti bem – muito bem. Isso tudo em uma USP no domingo chuvoso, totalmente deserta e com um silêncio quase zen. Perfeito.

Semana que vem tem mais coisas interessantes acontecendo, incluindo uma viagem a trabalho para Paraty na quinta. Como voltarei apenas no domingo, isso me deixará correr por aquela paisagem incrível do sul carioca, rodando morros e bebendo os mares com os olhos, por horas a fio. Tem treino melhor do que esse?

Gráficos da semana abaixo:

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#BoasTrilhas

Calculando gradientes de inclinação dos percursos cotidianos

Quem está transicionando de corridas de rua para as montanhas certamente se preocupa mais com treinamentos em morro: falta de experiência, em geral, acaba sendo mentalmente substituída por excesso de ansiedade.

Eu me enquadro nessa categoria. Mesmo inserindo subidas e descidas em praticamente todos os treinos, sempre acabo com a sensação de que deveria fazer mais, nem que um pouquinho. Afinal, o ganho altimétrico total da minha prova-alvo, a Douro Ultra Trail, é de 4,5 mil metros! Como me preparar para isso fazendo 1.000 por semana?

O meu treinador não vê tanto motivo para pânico – e provavelmente os mais experientes também não, mesmo porque a ideia é ampliar gradativamente esse ganho altimétrico semanal. E há também um outro ingrediente importante: uma coisa é subir um falso plano por 30 minutos; outra é subir uma ladeira íngreme por 5 minutos. A subida pode até ser a mesma, mas o grau de inclinação é que faz toda a diferença.

Com isso em mente, decidi brincar de calcular gradientes de inclinação de pontos que fazem parte da minha rotina de treinos. Primeiro, vamos à fórmula:

O gradiente de inclinação é o resultado do total de ganho altimétrico dividido pela distância percorrida. Em outras palavras, se você subiu 100 metros em um total de 1km (ou mil metros), então o grau é de 10% (100/1.000). Simples assim.

Bom… agora vamos aos exemplos do meu cotidiano nas últimas semanas:

 

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Duas conclusões:

1) Dificilmente ruas conseguirão competir com trilhas. Faz sentido: para funcionar bem para carros, afinal, elas precisam mesmo ser menos íngremes :-/

2) A subida da Ministro é um excelente treino. De todas as que fazem parte do meu cotidiano, é a única próxima de casa e com um grau de inclinação superior a 10%. Inseri-la no dia-a-dia foi uma excelente ideia!

 

A trilha da USP e o cansaço

Acordar foi difícil. O despertador tocou a partir das 6 mas, de “soneca” a “soneca”, só consegui me levantar às 7:30.

Em uma semana tão turbulenta, com direito a treino perdido e tudo, desistir do longão seria uma péssima ideia.

Ainda assim, o prospecto de passar três horas na rua – algo que sempre encarei com ansiedade e entusiasmo – só me gerava mais exaustão. Mas fui.

Trotando no começo, correndo na sequência. Desci a Cidade Jardim, peguei a Faria Lima até a Rebouças, atravessei a Marginal e segui para a USP.

Foi onde começou a parte boa. Por algum motivo, mesmo já tendo a USP faz tempo no roteiro dos meus longões, nunca tinha percebido uma trilha que se esconde na lateral de uma rua próxima à Subida do Matão. Dessa vez vi. E entrei.

Não é uma trilha grande: tem apenas um quilômetro. Mas é muito, muito gostosa. Estreita sem ser técnica, úmida e cortando o que parece ser um mini-pântano com MUITO verde por todos os lados. Para aproveitar mais, dei duas, três, quatro, sete voltas. Até ficar saciado e voltar para as ruas da USP com a sensação de estar entrando de novo na cidade.

Aí foi encarar a Subida do Matão e tomar o rumo de casa.

Mas, fora a experiência na mini-trilha pantanosa, foi uma corrida cansada. Fiquei com aquele incômodo entre a boca do estômago e o coração – a manifestação física do cansaço mental – me acompanhando por todo o tempo.

Cheguei em casa destroçado, exausto. Mas com a missão cumprida.

Agora é procurar descansar um pouco e recuperar as energias que foram sugadas pelo trabalho!

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Checkpoint 0: A largada

Depois de uma semana praticamente parado, esta serviu para reaquecer os músculos e fixar na mente novos objetivos. E, de uma coisa ficou clara, foi que o caminho será no mínimo diferente do que o que trilhei rumo à Comrades.

Primeiro, pela existência de um treinador experiente.

Segundo, pelo estilo mais puxado aplicado aos treinos, incluindo tiros, repetições em morros e muitos tempo runs.

E, terceiro, pelo óbvio: trilha é diferente de asfalto.

Nessa semana já fiz as minhas adaptações às planilhas que recebi do Ian, buscando me focar em uma espécie de ponto comum entre o que ele manda e o meu bom senso. Está certo seguir assim? Não sei – mas descobrirei com o tempo. Na sexta, por exemplo, cancelei um treino em morros por estar com algumas dores fruto da semana pesada.

Ontem e hoje, por outro lado, aumentei BASTANTE o que ele tinha prescrito por simples sentimento de falta de quilômetros no corpo.

No total. terminei a primeira semana de treinamento assim:

  • Km rodados: 61,69km
  • Tempo de rodagem: 06:09:13
  • Pace médio: 05’59”
  • Ganho altimétrico acumulado: 650m

Terei, nesta terça, um Skype com o Ian para negociar algumas adaptações na planilha que ele me manda, incluindo principalmente duas: a redução da carga de 6 para 5 dias por semana (mesmo aumentando o volume por dia) e a inserção dos treinos em morro nos dias de longão por uma questão de praticidade (uma vez que poderei fazê-los melhor na USP ou no Pico do Jaraguá).

Ainda não sei o que ele falará sobre isso mas, no meio tempo, segue o planejado do semana. Detalhes podem ser vistos clicando no calendário do Garmin, aqui.

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Sofrendo com a mochila de hidratação

Sábado, dia de voltar à USP.

Desta vez, no entanto, o estilo seria outro: nada de alternar caminhada com corrida – essa era a estratégia de Comrades – e nada de ir apenas com uma garrafinha de água na mão.

Hoje, em um longão de pouco mais de 22K, precisaria acelerar o pace e encaixar algo na casa dos 5’30 a 5’40 como média, incluindo um tiro forte na Subida do Matão.

E mais: levando comigo uma mochila de hidratação que, nessas próximas semanas, deve se tornar minha melhor amiga.

O começo da amizade, no entanto, não foi dos melhores. Sendo direto: odiei cada segundo correndo com a mochila que, mesmo apertada contra o corpo, cismava em balançar e se esfregar nos meus ombros causando uma dor que só piorava.

Agora, escrevendo pós corrida, estou queimado nas costas como se tivesse passado horas sob o sol do Nordeste.

Concentração? Quase impossível. Consegui correr bem no começo e dar o tal tiro na subida – mas, depois disso, a dor era tamanha que por pouco não joguei a mochila fora e peguei um taxi de volta para casa.

Ok…. isso é péssimo. Como vou resistir a uma ultra de montanha, onde mochilas são itens obrigatórios, se quase tive um treco correndo míseros 22k com uma??

Alternativas que pensei:

a) Usar camisas com golas mais longas, estilo tartaruga, fazendo o contato das alças com a pele impossível

b) Me acostumar, queimando um pouco mais até fortalecer o couro

c) Comprar outra mochila

Para o próximo sábado tentarei a alternativa “a” – afinal, a “b” soa dolorosa demais e a “c” cara demais.

Hora também de mergulhar na Web atrás de dicas de outros corredores, o que sempre me ajudou no passado.

Enquanto isso, é hora de passar uns 3 ou 4 galões de hidratante nas costas e torcer para que a dor passe logo!

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