Indomit Bombinhas: difícil, mas sensacional

Fase dois do plano completa: fiz hoje os 42K da Indomit Bombinhas, última parada antes da Douro Ultra Trail.

A palavra “difícil” nem começa a descrever a prova.

Na madrugada de ontem para hoje, um temporal bem forte se abateu sobre a costa catarinense – algo como um pacto entre Iansã e Æolus para deixar a prova mais emocionante.

Funcionou. A quantidade de lama era tamanha, principalmente na primeira montanha, que escorregar passou a ser algo quase corriqueiro. Subidas íngremes se alternavam com descidas tensas em um piso que parecia gelo marrom – e que piorava a cada instante com a chuva que nunca chegou a parar de cair.

Depois, areia de praia. Dura ou fofa, foi bem vinda. Uma espécie de relaxamento para a mente que já mostrava sinais de cansaço.

Relaxamento temporário: logo ele foi substituído por mais trilhas fechadas. Mais emoção e uso de, acredito, todos os músculos existentes nas pernas.

E assim, com muita trilha, muita praia, alguns trechos em estrada de terra e, claro, um inesquecível costão de pedras, finalizei a Indomit.

Entre subidas e descidas técnicas, escorregões e algumas paradas para ver a incrível paisagem de Bombinhas, fiz um tempo bem pior do que imaginava: 6h27.

Mas tudo bem: foi uma iniciação em corridas por trilhas mais longas e mais árduas e eu nem sabia bem o que esperar.

Agora sei.

Sei que doeu, que é bem diferente de corrida de rua, que há elementos muito mais imprevisíveis que o asfalto e cenários tão acachapantes que dificilmente esquecerei.

Amei cada quilômetro.

Agora quero mais.

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Mais algumas fotos que encontrei pela Web:

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E mais outras publicadas diretamente no Facebook da Indomit:

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Garmin Forerunner 620 e o LiveTracking

Faz já algum tempo que havia comprado o Garmin Forerunner 620 – um relógio que prometia ser uma Ferrari mas que acabou se comportando como um FIAT 147. Tive problemas com a sincronização do calendário, o suporte online e a assistência técnica – esta última tendo levado mais de 2 meses (!) para corrigir o problema e me mandar de volta, por Correio, o aparelho.

Bom… por mais que eu esteja mais do que satisfeito com o Adidas SmartRun – que, na minha opinião, supera de longe qualquer outro relógio – o fato é que ele tem um problema crítico de duração de bateria (ao menos para quem faz ultras).

Esse, no entanto, é um ponto mais forte do Garmin. Mas o mais bacana dele é o LiveTracking, sistema que permite o acompanhamento em tempo real do corredor ao longo do percurso (plotado ao vivo via GPS) por amigos e familiares. Perfeito para trilhas, aliás, onde a marcação é mais precária e os postos mais improvisados.

Testarei essa funcionalidade lá na Indomit Bombinhas, já neste sábado. Quem quiser acompanhar (até para ver esse sistema rodando em tempo real) só precisa ficar ligado no meu Twitter, o @NCorrida.

Tomara que funcione!

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Clima animador para a Indomit?

Já fiz algumas provas sob chuva pesada (como a Maratona do Rio de 2012) e sob ventos de mais de 50km/h (Ultra de Two Oceans, 2013). Mas todas elas foram sempre no asfalto, o que ajuda a ter um tipo de controle maior do ritmo e das circunstâncias como um todo.

Em trilha, claro, isso muda. Para começo de conversa, há lama. Muita lama, dependendo da água que vier de cima.

Há trechos escorregadios, poças que podem ficar do tamanho de pequenas piscinas e assim por diante. Na minha cabeça, aliás, passar por uma prova de trilha com condições pouco convidativas é uma experiência que todos deveriam ter.

Mas poxa…. não precisava ser exatamente na minha estreia em corridas de trilha mais longas!

Ontem à noite olhei a previsão para Bombinhas no sábado, data da Indomit: 90% de chance de chuva!

Parece que os 42km serão (literalmente) regados de mais emoção e com mais dificuldades! Não vou dizer que fiquei entusiasmado com isso não… mas, também, não dá para negar que essa falta maior de controle sobre fatores externos faz parte da graça de se correr em trilhas.

Tendo dito isso, que venham o sábado e a Indomit! E que cheguem com toda a ira que uma trilha insana tiver para mostrar!

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Indomit Bombinhas: Mapas, altimetria, vídeos e mais

Já cozinhando ansiedade pelo Indomit Bombinhas, resolvi juntar aqui no blog um compilado de materiais relevantes que achei pela Web. Diferentemente de outras provas de trilha, o que mais surpreende desta é o alto nível do conteúdo disponibilizado pela organização e por outros corredores, algo que certamente ajuda a manter alta a empolgação!

Bom… vamos ao que há:

Mapa do percurso, abaixo (link direto aqui):

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Vídeo oficial do percurso:

Percurso K42 Bombinhas Adventure Marathon from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

Altimetria:

Screen Shot 2014-08-10 at 9.37.55 PM

Raio-X técnico:

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Especial K42 feito pelo Corrida no Ar (partes 1 e 2):

Cobertura da edição de 2013:

Pronto: material mais do que o suficiente para entender a prova. Agora só falta correr :-)

Vídeo com dicas para a Indomit K42 Bombinhas

Empolgado pelo vídeo de ontem, sobre o DUT, acabei acordando para o fato de que minha preocupação maior deveria ser a Indomit K42 que, afinal, acontece neste sábado!

Pelo jeito, será uma corrida com direito a muita chuva, lama e todo tipo de dificuldade que serve como boas vindas para novos corredores de trilha como eu. Como o vídeo da prova tem apenas imagens promocionais, busquei um da MidiaSport mais interessante, com relato gravado ao longo da prova e ilustrando melhor os seus altos e baixos. Para quem se interessar vale conferir abaixo.

(O post feito pelo Enzo Amato também é bem interessante e pode ser acessado clicando aqui.)

Video da Douro Ultra Trail no ar

Toda prova-alvo tem uma coisa em comum: a ansiedade de quem pretende corrê-la. E, quando a organização sabe capitalizar em torno disso, essa ansiedade cresce ainda mais.

Capitalizar, nesse caso, significa gerar imagens, posts em redes sociais e, principalmente, vídeos que deixam o corredor com água na boca, contando os dias para a largada. A organização da Douro Ultra Trail – minha prova alvo em todo esse processo de transição do asfalto para as trilhas – acabou de fazer isso com um vídeo muito, muito bem montado. Vale conferir abaixo:

Quebrando no treino

Ignorar o bom senso nunca foi uma boa ideia.

Quando saí ontem para treinar, sabia que estava bem pela metade. A corrida da noite anterior, de alta intensidade, ainda estava marcada na musculatura e gerando mínimas – porém existentes – pontadas a cada passo mais apertado.

Ainda assim, saí. E para um treino de intensidade ainda maior: dez tiros insanamente rápidos de 3 minutos cada.

Some ainda uma ladeira até o Parque Villa-Lobos e pronto: a receita da quebra estava dada.

O aquecimento foi tenso, lento, dolorido.

O primeiro tiro veio quase como um alívio pois, evocando músculos diferentes dos do trote, acabou relaxando as pernas. Pelo menos por algum tempo.

1’30” de trote leve. Segundo tiro. Doeu mais.

O trote leve seguinte virou uma caminhada.

Terceiro tiro. Ritmo bem mais lento e dor bem mais intensa.

No quarto tiro estava um caco.

No quinto, resolvi assumir a quebra.

Voltei ladeira acima, trotando leve.

No final das contas, acabei conseguindo realizar meio treino.

Valeu por lembrar que é sempre melhor ouvir o bom senso antes do que durante – afinal, certamente a história seria outra se eu tivesse deixado um dia inteiro para descanso ao invés de tentar desafiar a mim mesmo tão desnecessariamente.

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5 lições aprendidas no primeiro treino às escuras

Hardcore: assim foi a noite de ontem.

Saí por volta das 18:30 para o Ibira com algumas missões, incluindo 2 horas de treino, dois blocos de tempo runs com 20 minutos cada e uma primeira experiência usando iluminação artificial presa à testa.

Estava desacostumado a fazer 2 horas em dia útil – algo dificultado por não ter almoçado nada (além de muitas xícaras de café). Mas fui – e bem.

Fiz os blocos de tempo runs bem encaixados, a um pace sub 5′ e sem me matar tanto. Foi a primeira vez que senti, aliás, que o ritmo puxado de treino imposto pelo Ian está realmente fazendo efeito.

Mas o ponto alto mesmo foi experimentar a lanterna na cabeça. É claro que o Ibirapuera não é exatamente uma floresta perdida: há muita iluminação na pista e alguma rente às grades que o delimitam. Mas há, sim, muitos trechos que ficam totalmente às escuras. E nesses eu me diverti.

Lições aprendidas:

1) É difícil – mas fundamental – manter os olhos fixos a alguns metros à frente do corpo para evitar surpresas escondidas (como raízes ou desníveis mais abruptos).

2) Nos momentos mais seguros da trilha vale esticar os olhos mais à frente para entender o que está por vir. Quando necessário, desacelerar não é nenhum crime.

3) É também recomendado elevar mais os pés durante as passadas. Descobri isso no primeiro tropeço: quanto mais alto eles estiverem e mais tempo passarem distantes do solo, menor é a chance de se arrastarem e se “confundirem”, por assim dizer.

4) Equipamento bom é importante. Estava com uma lâmpada simples, meio pesada à frente e que volta e meia escorregava pela testa. Aguentar isso por um punhado de minutos não é um problema – mas não dá nem para imaginar o grau de irritação que viria depois de algumas horas.

5) Música é inimiga. Quanto menos distrações no escuro, melhor: mais a mente conseguirá se concentrar em decifrar o terreno com pouca iluminação e com o baixo senso de profundidade que vem do uso de lanternas.

Bom… Foi a minha primeira experiência, o que significa que estou longe de ser um especialista no assunto. Mas devo dizer que estou bem satisfeito com essas cinco lições aprendidas.

Afinal, o próprio fato de voltar de uma corrida sabendo mais do que se sabia 2 horas antes já é, sem dúvida, algo a se comemorar.

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Summits of My Life, com Kilian Jornet

Desde que comecei a percorrer distâncias mais longas, passei também a buscar filmes e conteúdos em geral sobre esse esporte que, na prática, considero uma espécie de união entre corrida e algo zen como o Yoga.

E há diversos espalhados pela Web para basicamente todos os gostos: documentários sobre o Grand Slam de corridas no deserto, sobre Western States, sobre Bad Water e assim por diante.

Um deles, no entanto, me chamou a atenção: uma série protagonizada pelo Kilian Jornet que, ao invés de corridas oficiais, fala sobre o ato de correrem algumas das mais incríveis montanhas do mundo. O primeiro filme da série já está no ar e disponível no Youtube. Vale conferir:

Reunião comigo mesmo na Sala Zero (a rua)

Terça-feira, 7 da manhã.

Agosto começou preocupado, com aquela estática no ar que emula a mais nítida tensão do cotidiano. Sem Copa, o mundo finalmente começa a voltar ao seu ritmo cotidiano, muito embora os quase dois meses perdidos tenham feito um belo grau de estrago.

O final de julho e o começo de agosto estão sendo devotados, quase que na íntegra, a arrumar a casa. Otimizar processos, equipe, planos, projetos e tudo mais que desenha o dia a dia de uma empresa. E o que isso tem a ver com corrida?

Tudo.

Pelo menos para mim, tomar decisões que gerem qualquer tipo de reorganização do presente tem uma dependência quase natural da corrida.

O despertador de ontem já foi setado com isso em mente – uma espécie de reunião comigo mesmo na sala de número zero (a rua).

Saí com os mesmos Merrell TrailGloves que detonaram meus pés há algumas semanas (mas que agora estão perfeitamente adaptados) e rumei para o Ibira. Garoa fina, frio, muitas buzinas e nuvens negras do lado de fora.

Do lado de dentro, na mente, silêncio. Estava isolado do mundo, pensando, enumerando os problemas e bolando soluções. Invocando calma e afastando preocupações vazias. Antes de morrer, Churchill disse que sua vida havia sido “marcada por gigantescos problemas – a maioria dos quais nunca chegou de fato a acontecer.”

Isso virou meu mantra. Assim como a experiência de correr Comrades, com 90 km de passos calmos, planejados, mantendo sempre o ritmo e com a confiança de que o final chegará mais cedo ou mais tarde.

Experiências assim são fundamentais em tempos de turbulência. Ainda bem que elas existem.

Aliás, correr ultras traz um tipo de benefício que vai muito além da saúde física: nos ensina a manter o curso firme, fixo, em um tipo de sintonia entre mente e corpo que dificilmente se encontra em esportes que não sejam de puro endurance. Nos ensina a respeitar subidas e descidas, usando a sempre inevitável gravidade a favor de cada decisão tomada. Nos ensina a respeitar o tempo ao invés de atacá-lo. É o melhor de todos os MBAs.

Ao final, depois da subida da Ministro, estava quase aliviado. Não consegui resolver todas as questões, mas algumas.

O suficiente para levar bem o dia e ainda ter no que trabalhar durante a corrida de amanhã.

O suficiente para enxergar melhor.

Agora, portanto, está na hora de colocar em prática os raciocínios desenhados nos últimos 12km.

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