Kandy Doces: Já temos um apoiador para a Ultra Estrada Real

Internet é uma coisa incrível.

De repente, de uma busca quase individual por algum lugar diferente para correr, a Ultra Estrada Real nasceu e começou a tomar um corpo que eu sequer imaginaria.

Muito embora seja uma corrida totalmente independente, sem acompanhamento oficial, medalha, chips ou coisa do gênero, o amor pelo esporte já gerou mais de 50 pessoas que se inscreveram através do formulário online.

Muitos já se colocaram à disposição para ajudar com carros, equipe de staff e assim por diante – e isso tem feito a diferença.

No final da semana passada, a já amiga e respeitadíssima ultracorredora Zilma Rodrigues, que está ajudando enormemente em toda essa empreitada – apareceu com uma novidade interessante. A empresa Kandy entrou no clima e garantiu o apoio do “evento” cedendo biscoitos, água e isotônico em todos os postos de apoio.

É claro que ainda falta conseguirmos gente para ajudar no manuseio dos postos – mas essa ajuda da Kandy já é de um valor inestimável!

Se você, corredor, quiser ou puder ajudar, mande email para emailnacorrida@gmail.com . Neste momento precisamos principalmente de equipe para atuar nos postos descritos aqui nesse link.

Apoio Ultra Estrada Real

Importante: não custa sempre deixar claro que, independentemente do apoio, a Ultra continua sendo independente. Ou seja: conte com a possibilidade de você fazer todos os 88km por conta própria, levando dinheiro para comprar água refrigerante etc. nas cidades ao longo do caminho!

Vídeo: Western States

Há alguns corredores que conseguem, mesmo com mínimas perspectivas de retorno financeiro, fazer filmes absolutamente inspiradores sobre ultras e trilhas. Um deles é Billy Yang – e esse vídeo sobre Sally McRae nas 100 milhas de Western States é um belo, belo exemplo.

Vale assistir.

No solo sagrado da USP

A USP é uma espécie de solo sagrado para corredores paulistanos – principalmente aos sábados.

Lá, a partir já das primeiras horas, hordas de atletas amadores começam a se apropriar de suas ruas e alamedas, transformando o cenário na mais pura energia.

Não poderia haver palavra melhor, aliás: aos sábados, os 8km de extensão do percurso parecem ser uma usina de energia gerada por corredores e ciclistas e destinada exclusivamente a alimentar os seus próprios humores. Todos, afinal, parecem ficar imersos em um mundo próprio, com pensamentos se movendo na velocidade das passadas.

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Há outros locais assim em Sampa, claro: o Ibirapuera, por exemplo, é praticamente a segunda casa de milhares e milhares de corredores. Mas o dia de longão mesmo é aos sábados: dia em que horas são passadas na rua, em que tarefas do trabalho não amassam o tempo, em que se pode realmente curtir cada gota de suor derramada.

E, para longões, poucos lugares são melhores do que a USP.

No meu trajeto cotidiano, parto de casa e vou correndo até a Cidade Universitária. Desço a Cidade Jardim, cruzo Brasil e Faria Lima, viro à direta na Marginal e cruzo a ponte sobre o Rio Pinheiros pela Rebouças.

Fato: o cheiro ácido do rio não é o ponto alto do dia, assim como as reuniões de travestis encerrando o turno na outra margem. Mas tudo isso passa logo.

Em instantes já se está no superarborizado Butantã e cruzando os portões da USP, onde corredores parecem sair de cada canto.

Somando ida e retorno até a minha casa, consigo variar entre 21km e 24km de corrida (considerando uma volta na USP). Mas o visual é tão perfeito que, às vezes, é fácil aumentar para 2, 3 voltas ou mais, ampliando o longão e melhorando o preparo para alguma prova qualquer.

Há ainda um segredo bem guardado lá dentro: em uma pequena rua, já na parte alta do percurso e logo antes da Rua do Matão, há uma espécie de mini-floresta cercada por grades. Pode não parecer mas, por trás de vans de assessorias esportivas e de grupos de corredores batendo papos há um portão que sempre fica entreaberto. Se passar por ali, entre.

Em um piscar de olhos, tudo muda. O asfalto vira uma trilha acidentada, os gramados e parques se transformam em árvores gigantes e fechadas, o vento cessa e dá espaço a um clima abafado, quente. Besouros cantam um zunido ensurdecedor enquanto mosquitos fazem a festa nas pernas que estão passando por ali.

OK: a descrição pode não ser, exatamente, convidativa. Mas pense de outra forma: para quem curte trilhas, descobrir um mundo novo e súbito com ares de floresta fechada é inspirador.

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A saída da mini-floresta é quase a Rua do Matão. A partir dali é encarar o quilômetro de subida em um clima mais ameno, gostoso, respirar a vista da cidade do alto e descer de volta até o portão.

Dá para entender porque a USP é tão sensacional para quem curte correr: poucos lugares conseguem ser perfeitos para todos os gostos e ainda perto do centro.

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Garmin vs. MiCoach: Discrepâncias grandes no cálculo de elevação acumulada

Depois desses últimos dias nos Andes, me peguei pensando bastante sobre irregularidades na medição de altimetria acumulada por devices diferentes.

Desde que troquei o MiCoach pelo Garmin, os gráficos passaram a indicar mudanças absolutamente bruscas nos perfis altimétricos de meus treinos – algo péssimo quando se tem corridas em montanha como alvo.

Além disso, dois fatores me chamaram a atenção:

a) Na Douro Ultra Trail, o ganho total de elevação, oficialmente medido, foi de 4,5 mil metros ao longo de seus 80km. Foi duro, mais viável. Pois bem: no total semanal em que estive nos Andes, o Garmin indicou que subi pouco menos de 2,5 mil metros – mas sou capaz de jurar que o esforço foi, no mínimo, equivalente ao da DUT. Eram muito mais montanhas, para dizer o mínimo, em um ritmo de subida bem mais intenso.

b) Uma das corridad que fiz lá mostrou uma discrepância importante. Fiz ida e volta no mesmo percurso e o resultado foi desconcertante: o GPS mostrou um ganho altimétrico muito maior na primeira metade, algo tecnicamente impossível.

Veja: não estou falando de margens de erro desprezíveis de 5%: estou falando de diferenças que chegam a superar os 60%!

Na terça passada fiz um teste diferente: corri com o Garmin no pulso e a app da MiCoach no IPhone ligados. Assim, ambos mediriam exatamente o mesmo percurso, pelo mesmo tempo.

Resultados abaixo:

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O gráfico acima é o do MiCoach. Perceba que ele marcou 147m de subida acumulada (em um total de 10,96km percorridos).

Veja agora o do Garmin:

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Aqui, a elevação acumulada despenca para 98m por 10,82km. A diferença na quilometragem em si é mínima, desprezível – mas a altimetria variou 50%!

E por que isso é importante? Treinar para provas em montanha requer mais prática em subidas e descidas do que qualquer coisa! E como, então, basear um modelo inteiro de treino em dados com uma variação tão ridícula sobre o mesmo percurso?

Na falta de resposta, fui até a Web. Saí com menos respostas.

Parece consenso que o Garmin Forerunner 620, que uso, tem falhas no cálculo de altimetria – mas é também muito falado que o GPS do IPhone, no qual o MiCoach se baseia, também erra bastante.

O que fazer então?

Nada. Ou melhor: voltar aos velhos tempos e correr com base na sensação de esforço, essa sim mais acertiva que qualquer device eletrônico. Por incrível que pareça.

Mais infos organizacionais sobre a Ultra Estrada Real

Nos últimos dias tenho recebido uma série de emails e mensagens no Facebook sobre a Ultra Estrada Real – principalmente com perguntas sobre como ajudar.

Bom… o ponto que mais se precisa de ajuda é, claro, apoio nos locais do percurso. Fiz alguns mapas e previsões de horário de passagem e subi ontem na seção sobre a ultra – veja no link aqui.

A ideia é a seguinte: quem puder ajudar com carros e apoio geral (água, refrigerante, isotônico ou apenas um tapinha nas costas) por favor envie email para emailnacorrida@gmail.com informando:

  • Qual o ponto que consegue estar (dentre os disponibilizados aqui)
  • Qual o horário aproximado de presença (também com base no período descrito aqui)
  • O que conseguirá fornecer de apoio

Na medida em que as informações forem chegando eu postarei na página, juntamente com o nome do corredor que ofereceu o apoio. Mas que fique claro: independentemente dos voluntários, todos devem se preparar para uma corrida sem nenhuma infra, levando dinheiro para comprar os mantimentos necessários ao longo do caminho e carregando mochila de hidratação, headlamp e tudo mais.

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Lentidão gerada pelo excesso de montanhas

Quando se está correndo solto por trilhas e montanhas, dificilmente se olha para o relógio em busca de intervalados bem feitos ou tiros. Busca-se apenas aproveitar paisagens únicas e a experiência de se sentir parte de algo muito maior do que tempos e asfaltos podem proporcionar.

Quando o período nas montanhas é grande, esse desprendimento rapidamente vira uma espécie de hábito. Lá nas subidas, correr e caminhar se alternam de maneira absolutamente simbiótica e sem preconceito: caça-se vistas geradas pela altimetria e não quilômetros gerados pelo asfalto plano.

Corrida, no entanto, não é caminhada – são esportes diferentes, com efeitos diferentes no corpo e na cabeça.

Estou descobrindo isso agora. Hoje, mais precisamente, depois de voltar da minha primeira sessão pós-Andes lá no Ibirapuera.

Em tese, uma sessão de dificuldade média: duas séries de progressão incluindo, cada uma, 2′ em zona azul, 3′ em verde, 4′ em amarelo e 5′ em vermelho.

Os 15 minutos de aquecimento inicial já foram meio difíceis, soltando a musculatura das pernas. Mas, depois disso, desafiar o ímpeto irrealmente natural de caminhar ao invés de acelerar foi difícil.

A cada esquina ou mini subida o corpo baixava a marcha por conta própria – e eu forçava nova aceleração; meu ritmo, ao invés de subir até pela falta do peso extra da mochila de hidratação, permanecia teimosamente igual; e o cansaço era decididamente maior que qualquer subida do Cerro Bayo, Belvedere, Inacayal ou Arrayanes.

Os 10 dias nas montanhas me inspiraram como poucas coisas antes – mas também me deixaram mais lento.

Essa volta à rotina será focada na recuperação de performance – pelo menos em níveis mais aceitáveis.

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Despedida dos Andes

Os índios Mapuche acreditam que toda relação com a natureza é pautada pela reciprocidade. Quer algo dos Deuses, das montanhas ou das águas? Dê algo em troca, demonstrando respeito e gratidão.

Quando cheguei aqui na Patagônia estava um caco: exausto por um ano dificílimo e repleto de altos e baixos, sem paciência para nada e em níveis de estresse que não lembro ter estado antes. Buscava apenas uma coisa: virar a página, encerrando o ano e começando um novo capítulo de forma inteira, bem mais energizado.

A corrida em trilhas, claro, teve papel fundamental. Na somatória, passei horas e mais horas sozinho, totalizando mais de 100km por montanhas, lagos e florestas.

Fugi de cachorros revoltados já no primeiro dia; subi a mais famosa montanha da região para dar de cara com um portão fechado na primeira base – muito embora tivesse sido recompensado com vistas magníficas no caminho; fiz a rota dos sete lagos, subi o Ístmo de Quetrihue até os mirantes do bosque dos Arrayanes, onde cruzei suas trilhas; atravessei o território Mapuche para subir até o mirante no Cerro Belvedere, de onde atravessei para a montanha vizinha, Inacayal, para testemunhar o espetáculo de uma cachoeira nascendo de suas pedras e dando vida a todo esse ecossistema de lagos.

Em todo esse tempo, a paz interior que tanto buscava aqui nos Andes esteve sempre ao alcance das mãos – mas nunca efetivamente agarrada por elas.

Minha última corrida seria a minha última chance.

Escolhi uma das poucas trilhas que ainda não tinha feito, seguindo em boa parte pela estrada e desembocando na Playa del Espejo – uma espécie de praia na beira de um lago isolado e de incrível beleza.

A manhã clara, de céu azul forte e ar ameno, ajudou. Passo a passo, fui correndo a maior parte do percurso, imerso no silêncio das montanhas e respirando o seu ar por subidas e descidas.

O caminho todo foi como uma espécie de revisita a toda a viagem, ao ano que se foi e ao que virá.

Foi catártico, para dizer o mínimo.

E de repente, como que a passe de mágica, na medida em que a Playa se aproximava, as preocupações e o estresse foram dando margem a uma espécie de energia que estava fazendo falta. Muita falta.

Ao chegar lá, desci até o lago. Lindo, incrível. Uma fina camada de neblina parecia acariciar suas águas calmas que, por sua vez, refletiam os Andes como uma espécie de mensagem. Alta, diga-se de passagem.

Tudo aquilo parecia tão eterno, tão constante e inabalável, que qualquer preocupação a mais parecia futilidade. Era exatamente o que eu precisava entender.

Respirei.

Voltei.

No caminho parei no Lago Correntoso para me despedir. Havia enfrentado suas águas geladas no dia anterior, mergulhando fundo e nadando algumas centenas de metros para ajudar no processo de “limpeza de alma”, por assim dizer. Funcionou.

Complementado com os 21K que havia acabado de fazer, precisava mostrar o meu agradecimento ao estilo Mapuche.

Desci até as suas margens, onde 3 ou 4 pescadores miravam peixes invisíveis em silêncio, sentei em um tronco e simplesmente agradeci com todo o meu espírito.

Abri minha mochila de hidratação e, na terra, despejei toda a água que ainda restava. Não era tanto – mas era tudo o que tinha naquele momento.

Fiquei mais alguns minutos por lá olhando o lago e enchendo o pulmão com o ar andino. Estava, pela primeira vez em muito tempo, inteiramente em paz.

E, com esse último pensamento em mente, coloquei a mochila nas costas, me voltei para a trilha e, lenta mas decididamente, comecei a correr. Até 2015.

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Bosque Los Arrayanes

Com a placa apontando para o Bosque Los Arrayanes em mente, já que na corrida anterior havia voltado a partir de lá sem prosseguir, fui para o meu penúltimo dia de trilhas na Patagônia.

Para otimizar tempo, dessa vez, fui de carro até a entrada do Parque Nacional e comecei a partir de lá. Não tinha ainda certeza da distância mas sabia que não faria todo o percurso, somando 24km.

E, assim, comecei pelo mesmo caminho do dia anterior, subindo sem parar até os mirantes. Não cheguei até eles: logo na placa que indicava o bosque segui por outra subida e depois por uma descida bem íngreme. Estava já em territórios inexplorados.

Logo de início um mirador abria a vista do nascer do sol nos Andes, com o lago se estendendo feito um tapete espelhado refletindo as montanhas e os primeiros raios se luz. Vai demorar para eu me desacostumar desses inícios inspiradores de corrida por aqui.

Guardei a imagem na cabeça (e em uma foto) e segui. Reto, sempre em frente, mesclando tantas ondulações de percurso que fizeram o altímetro do Garmin desistir de qualquer precisão.

Uma vez no bosque, as paisagens ficam mais homogêneas: fileiras de pinheiros e árvores gigantescas se alinham dos dois lados da trilha, cobrindo parte do céu e deixando apenas o suficiente de luz entrar pelas suas copas para pintar os troncos de dourado.

De curva em curva, novos tons iam sendo revelados pelo sol, exigindo uma diminuição no pace para um simples (porém fundamental) ato de contemplação.

Pace. Se tem um efeito colateral desse período aqui nos Andes é a diminuição sistemática do ritmo. Afinal, toda corridinha inclui centenas de metros de subida, forçando tanto períodos de caminhada que eles se tornam mais a regra que a exceção. Aqui definitivamente não é o lugar certo para que gosta de velocidade – mas, mesmo para esses, eu ainda arriscaria dizer que a mudança de ares e estilos certamente faz bem.

Estou curioso para saber qual o resultado disso em um próximo intervalado que fizer lá no Ibirapuera. Será que voltarei anos no tempo e precisarei recuperar todo o ritmo? Ou que essa espécie de descanso aos músculos de velocidade gerarão um efeito contrário? Ou será que, dado o pouco tempo, nenhuma mudança significativa terá ocorrido? Só na semana que vem para saber.

Enquanto isso, já era hora de voltar quando o relógio apitou 6km.

A propósito: a falta de sincronia do Garmin com as marcações de km na trilha beiravam o ridículo, assim como o registro altimétrico que deveria ser – mas não foi – sincrônico, já que fiz a mesma rota de ida e retorno.

Bom… exceto pelas minhas planilhas e meus gráficos, quem se importa?

Do km 6 (ou 7) tomei o rumo da saída e fiz de novo todo o trecho do Bosque, subindo até a região dos mirantes e descendo até a entrada.

Uma vez lá dei uma esticadinha até uma praia em frente ao ístmo que havia subido nos últimos dias. O paredão rochoso, coberto de pinheiros, se esticava sozinho lago adentro criando um efeito espelhado absolutamente impressionante. É uma das cenas que levarei comigo desse lugar tão incrível.

A viagem agora está chegando ao fim.

Esses dias na montanha estão, aos poucos, recalibrando o organismo e enchendo o sangue da energia necessária para enfrentar 2015.

Tenho ainda uma meia para fazer e completar os 80km da semana – e pretendo deixar isso para a estrada mesmo, fazendo um bate-volta até a Praia do Espelho – um lago escondido por aqui e com uma beleza estonteante.

Mas isso será para o fechamento da viagem – e abertura oficial de 2015.

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Mirantes de Arrayanes

A primeira corrida de 2015 tinha mesmo que ser memorável.

Ontem, sacudi a poeira do Reveillon logo cedo e saí às 7:30 para o Bosque de Los Arrayanes, em um dos extremos de Villa La Angostura. Não sabia muito o que encontraria ou mesmo se conseguiria entrar no bosque uma vez que era um Parque Nacional com horário de abertura mais tarde.

Ainda assim, fui. E não me arrependi nada.

A manhã estava absolutamente azul, sem uma única nuvem no céu e com picos brancos nas montanhas por conta da neve que caiu na noite de ano novo.

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O caminho em si já era um presente, passando por uma estrada cercada de pinheiros gigantes, cruzando uma igrejinha de pedra do começo do século XX e desembocando em uma baía de águas cristalinas.

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Em um canto, uma placa indicava a entrada do bosque. Estava mesmo fechado mas, sem correntes no portão, foi fácil ser seduzido pelo visual e desobedecer as regras.

Mais para dentro placas sinalizavam caminhos opostos: o bosque para a esquerda e dois mirantes para a direita. Subi para os mirantes.

Foram alguns quilômetros de subida bem íngreme, com trilhas bem marcadas serpenteando a montanha. Me arrependi de não ter levado os poles – mas nada que um pouco mais de força de vontade não resolvesse.

Aos poucos, depois de algumas curvas, os pinheiros foram ficando mais escassos e a vista começou a se desacortinar. Deslumbrante.

Os mirantes dão para a Baía Mansa e pra a Baía Brava, separadas pelo igualmente belo Ístmo de Quetrihue. Ao fundo, os lagos se estendem por toda a paisagem; no horizonte, picos nevados – incluindo os três que já havia subido (Cerros Belvedere, Inacayal e Bayo), davam um toque de magia; em cima, o azul intenso do novo céu de 2015 completava a tela.

Anos podem se passar, mas dificilmente em me esquecerei dessas paisagens andinas.

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Cheguei a ficar um tempo por lá, de pé, só com a montanha e a vista. Respirei, pensei, repensei. E voltei.

Voei morro abaixo com um senso de realização forte, compatível com a beleza que acabara de testemunhar.

Quando cheguei na base, estiquei ainda pelo outro caminho, rumo ao bosque, mas descobri que ele seguia apenas por 700 metros: por risco de desabamento, os Arrayanes poderiam ser alcançados apenas pelos mirantes, seguindo adiante ao invés de voltar.

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Por um lado, bateu uma certa frustração; por outro, no entanto, foi uma bela desculpa para que eu voltasse ao local antes do fim da viagem.

Subindo até o Cerro Bayo

Segundo dia, segunda rota.

Desta vez preferi uma trilha marcada e “oficial”, subindo o Cerro Bayo (montanha mais conhecida de Angostura).

Pelo que o sujeito do hotel comentou seriam 6km até a montanha, 3 até a primeira base e mais 2 ou 3 até o cume.

Bom… se tem uma coisa que aprendi é que locais, independentemente do local, sempre erram feio nas indicações de distância – geralmente por um excesso de otimismo. Aqui não foi diferente.

De fato, foram 6km até a montanha em si – mas a sua base ficava mais 6km para frente. Tudo bem: a trilha em si era de estrada de terra, bem ampla e totalmente deserta nas primeiras horas da manhã.

Foram 6km de subida ininterrupta passando por alguns mirantes incríveis, desacortinando uma vista cinematográfica para o lago com dezenas de montanhas gigantes ao fundo.

A cada metro subido, uma nova vista se somava à queda de temperatura.

Em um dado momento, percebi uma saída para uma trilha menor, marcada por fitas vermelhas com as que encontramos em provas. Decidi entrar e rodei quase 1km cortando uma mata densa, feita de pinheiros gigantes e tão colados uns nos outros que mal dava para perceber que havia um paredão vertical na encosta.

Como a trilha começou a descer de volta, desisti e voltei para a estrada de terra. Pelo menos valeu a sensação de perambular solto por uma floresta andina.

Foram mais alguns km pela trilha principal até chegar na primeira base. Problema: ela estava fechada, assim como o acesso em si para o Cerro Bayo!

Nada de cume hoje. Mas quer saber?

Considerando que o percurso foi maior que o originalmente planejado, que a vista foi inesquecível e que a minha janela de tempo nas trilhas estava se esgotando, valeu muito a pena.

Tirei uma foto do Cerro Bayo, dei meia volta e tomei o rumo do hotel, fechando 26km de uma corrida muito, muito bem aproveitada.

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