5 lições aprendidas no primeiro treino às escuras

Hardcore: assim foi a noite de ontem.

Saí por volta das 18:30 para o Ibira com algumas missões, incluindo 2 horas de treino, dois blocos de tempo runs com 20 minutos cada e uma primeira experiência usando iluminação artificial presa à testa.

Estava desacostumado a fazer 2 horas em dia útil – algo dificultado por não ter almoçado nada (além de muitas xícaras de café). Mas fui – e bem.

Fiz os blocos de tempo runs bem encaixados, a um pace sub 5′ e sem me matar tanto. Foi a primeira vez que senti, aliás, que o ritmo puxado de treino imposto pelo Ian está realmente fazendo efeito.

Mas o ponto alto mesmo foi experimentar a lanterna na cabeça. É claro que o Ibirapuera não é exatamente uma floresta perdida: há muita iluminação na pista e alguma rente às grades que o delimitam. Mas há, sim, muitos trechos que ficam totalmente às escuras. E nesses eu me diverti.

Lições aprendidas:

1) É difícil – mas fundamental – manter os olhos fixos a alguns metros à frente do corpo para evitar surpresas escondidas (como raízes ou desníveis mais abruptos).

2) Nos momentos mais seguros da trilha vale esticar os olhos mais à frente para entender o que está por vir. Quando necessário, desacelerar não é nenhum crime.

3) É também recomendado elevar mais os pés durante as passadas. Descobri isso no primeiro tropeço: quanto mais alto eles estiverem e mais tempo passarem distantes do solo, menor é a chance de se arrastarem e se “confundirem”, por assim dizer.

4) Equipamento bom é importante. Estava com uma lâmpada simples, meio pesada à frente e que volta e meia escorregava pela testa. Aguentar isso por um punhado de minutos não é um problema – mas não dá nem para imaginar o grau de irritação que viria depois de algumas horas.

5) Música é inimiga. Quanto menos distrações no escuro, melhor: mais a mente conseguirá se concentrar em decifrar o terreno com pouca iluminação e com o baixo senso de profundidade que vem do uso de lanternas.

Bom… Foi a minha primeira experiência, o que significa que estou longe de ser um especialista no assunto. Mas devo dizer que estou bem satisfeito com essas cinco lições aprendidas.

Afinal, o próprio fato de voltar de uma corrida sabendo mais do que se sabia 2 horas antes já é, sem dúvida, algo a se comemorar.

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Reunião comigo mesmo na Sala Zero (a rua)

Terça-feira, 7 da manhã.

Agosto começou preocupado, com aquela estática no ar que emula a mais nítida tensão do cotidiano. Sem Copa, o mundo finalmente começa a voltar ao seu ritmo cotidiano, muito embora os quase dois meses perdidos tenham feito um belo grau de estrago.

O final de julho e o começo de agosto estão sendo devotados, quase que na íntegra, a arrumar a casa. Otimizar processos, equipe, planos, projetos e tudo mais que desenha o dia a dia de uma empresa. E o que isso tem a ver com corrida?

Tudo.

Pelo menos para mim, tomar decisões que gerem qualquer tipo de reorganização do presente tem uma dependência quase natural da corrida.

O despertador de ontem já foi setado com isso em mente – uma espécie de reunião comigo mesmo na sala de número zero (a rua).

Saí com os mesmos Merrell TrailGloves que detonaram meus pés há algumas semanas (mas que agora estão perfeitamente adaptados) e rumei para o Ibira. Garoa fina, frio, muitas buzinas e nuvens negras do lado de fora.

Do lado de dentro, na mente, silêncio. Estava isolado do mundo, pensando, enumerando os problemas e bolando soluções. Invocando calma e afastando preocupações vazias. Antes de morrer, Churchill disse que sua vida havia sido “marcada por gigantescos problemas – a maioria dos quais nunca chegou de fato a acontecer.”

Isso virou meu mantra. Assim como a experiência de correr Comrades, com 90 km de passos calmos, planejados, mantendo sempre o ritmo e com a confiança de que o final chegará mais cedo ou mais tarde.

Experiências assim são fundamentais em tempos de turbulência. Ainda bem que elas existem.

Aliás, correr ultras traz um tipo de benefício que vai muito além da saúde física: nos ensina a manter o curso firme, fixo, em um tipo de sintonia entre mente e corpo que dificilmente se encontra em esportes que não sejam de puro endurance. Nos ensina a respeitar subidas e descidas, usando a sempre inevitável gravidade a favor de cada decisão tomada. Nos ensina a respeitar o tempo ao invés de atacá-lo. É o melhor de todos os MBAs.

Ao final, depois da subida da Ministro, estava quase aliviado. Não consegui resolver todas as questões, mas algumas.

O suficiente para levar bem o dia e ainda ter no que trabalhar durante a corrida de amanhã.

O suficiente para enxergar melhor.

Agora, portanto, está na hora de colocar em prática os raciocínios desenhados nos últimos 12km.

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O olho que enxerga as trilhas

Dizem que os nossos olhos enxergam melhor algo que já reconhecem. É verdade.

Esse é o quinto ano seguido que venho a Paraty participar da Flip e, nos últimos três, aproveitei para fazer corridas sempre bem vindas pela cidade ou por trechos da Rio-Santos. O visual dessa região nunca cansa, mesmo considerando que os pés estavam sempre sobre o asfalto (ou, no máximo, os paralelepípedos do centro).

Nunca nem pensei na possibilidade de haver trilhas legais por aqui – e, por conta disso, nunca percebi a existência de nenhuma.

Hoje foi diferente.

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Saí com o sol ainda nascendo, saindo em direção à Rio-Santos com o objetivo de caçar alguma trilha pelas montanhas do outro lado. No caminho cheguei até a me perguntar se encontraria algo, duvidando do que agora parece óbvio.

É claro que encontrei. Por todas as partes das encostas pequenas trilhas se abriam, subindo em meio ao verde úmido da Mata Atlântica. Eram tantos caminhos que, honestamente, não consegui entender como nunca os percebi antes!

Escolhi um. 50, 100, 200 metros e topei com uma pequena casa. Perguntei ao morador se havia alguma forma de subir a montanha correndo e ele logo me apontou duas opções.

Escolhi uma. Subi. Alguns pontos foram mais íngremes, outros mais escorregadios, outros mais fechados, todos incríveis. Perfeitos. Em meia hora cheguei ao fim do caminho que havia escolhido, tempo o suficiente para voltar dentro da minha programação.

Na volta, comecei a perceber, bifurcações claras, algumas inclusive sinalizadas, apontando outras trilhas que davam para outros caminhos, matas e vistas. Perfeito.

De alguma forma, senti como se estivesse descobrindo algo novo nessa corrida que nasceu de maneira tão despretenciosa. Foi como se todo um mundo que eu desconhecia decidisse se apresentar de uma vez só sob o céu azul da costa carioca e o verde abundante da mata.

Em uma palavra: inesquecível.

Não foi a trilha mais bela do mundo – mas foi a que mostrou que há todo um mundo de trilhas pronto para ser desbravado por qualquer um que estiver com um mínimo de vontade.

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Rumo a Paraty

Viajar a trabalho sempre é cansativo – principalmente quando se tem um evento para coordenar, o que geralmente significa horas sem fim de esforço, estresses súbitos sendo desenrolados etc. Isso sem contar com o tempo longe da família, que faz uma falta de arrebentar.

Quando a viagem é para um lugar paradisíaco, no entanto, o horizonte já melhora.

Neste instante estou a caminho de Paraty, no meio do abençoado litoral que separa o Rio de Sampa.

A previsão é de sol sem nuvens e temperaturas entre 15 e 28 graus até o domingo.

Trabalho? Terei muito o que fazer – mas, honestamente, a única coisa em que consigo pensar agora é nas vistas, trilhas e estradas que pegarei por lá.

Calor, umidade, montanhas e praias com tudo que tem direito: há coisa melhor para inspirar uma corrida?

O problema agora é só segurar as 24 horas que me separam dos primeiros trotes!

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Checkpoint 6: Novo tênis, nova rotina de subidas, longão acima de 4 horas

Essa semana trouxe três “novidades” importantes ao ciclo de treinamentos. O primeiro, claro, foi o tênis: sem me adaptar direito à forma do Merrell Trail Gloves, que me causou duas bolhas, acabei migrando para o Sketchers GoBionic Trail por indicação do Jósa, do Endorfine-se.

Hoje foi o terceiro dia que rodei com ele, mas o primeiro realmente longo. Sendo bem direto: ele funciona. Adapta-se bem aos pés, tem um grip forte o bastante e é minimalista dentro das possibilidades de minimalismo das trilhas. Falo isso porque, sendo bem sincero, o tamanho do seu solado é a única coisa que me incomoda – muito embora ele cumpra o papel de proteger os pés das “abruptidões” encontradas fora do asfalto. Mas meu desejo mesmo era que os pés criassem calos e ficassem imunes a bolhas para que pudesse voltar ao modelo mais natural do Merrell. Enfim… quem sabe um dia isso não aconteça?

Outro ponto importante: inseri a subida da Ministro Rocha Azevedo em todos os treinos, acrescentando uma pequena volta no caminho para casa e uma grande ladeira. Estava sentindo falta de mais subida, principalmente depois de fazer os cálculos de altimetria do DUT e, embora saiba que o problema não foi “resolvido”, estou seguro de ter pelo menos amenizado um pouco. Agora é dar tempo ao tempo.

Finalmente, o terceiro e último ponto importante dessa semana foi o longão acima de 4 horas, algo que já estava sentindo falta e que acabei fazendo hoje mesmo por conta de um imprevisto que tive ontem. Resultado: rodei pouco menos de 40K e me senti bem – muito bem. Isso tudo em uma USP no domingo chuvoso, totalmente deserta e com um silêncio quase zen. Perfeito.

Semana que vem tem mais coisas interessantes acontecendo, incluindo uma viagem a trabalho para Paraty na quinta. Como voltarei apenas no domingo, isso me deixará correr por aquela paisagem incrível do sul carioca, rodando morros e bebendo os mares com os olhos, por horas a fio. Tem treino melhor do que esse?

Gráficos da semana abaixo:

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#BoasTrilhas

Checkpoint 5: Recuperação e um pequeno ajuste no treino

Depois de uma semana infernal, a vida finalmente voltou ao normal. Essa semana, aliás, foi de plena recuperação: o volume de treino aumentou, a quilometragem idem, a altimetria passou novamente à casa dos 1.000m e a sensação de cansaço se foi por completo.

Acho que, no fim, tudo o que precisava mesmo era de algumas horas de sono a mais. Com isso, a própria energia para lidar com o cotidiano acabou me forçando para a rua – ainda bem.

Mas confesso que um aspecto do treino está me incomodando: apesar de estar pegando pesado com tiros, tempos e intervalados, a sensação de pouca altimetria acumulada tem se fixado na mente. Principalmente quando olho o perfil do DUT, que inclui 2 mil metros espremidos em 18 quilômetros!

Com isso em mente, passei a incluir a subida da Ministro Rocha Azevedo – muito, MUITO íngreme – em todos os treinos em dias úteis. Ela não é muito extensa, tendo cerca de 1,5km de subida – mas os seus últimos 400 metros são de deixar a língua no asfalto!

Isso, somado a mais algumas subidas do Matão e uma ou outra ida ao Jaraguá, devem pelo menos melhorar um pouco o preparo. Veremos!

Enquanto isso, seguem os gráficos abaixo:

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Semana que vem deve ter um ritmo parecido com esta – exceto pelo longão, que crescerá para as 4 horas. Nada que não esteja já acostumado e que assuste (ainda bem).

A próxima é que terá uma mudança de cenário, pois irei para Paraty participar de um evento pela empresa. Excelente: além da cidadezinha ser incrível, ela fica bem no meio da Rio-Santos, o que permitirá um longão abençoado por morros e vistas deslumbrantes!

 

A escuridão do Parque Villa Lobos

Variar faz bem.

Com isso em mente, aproveitei as brechas da agenda e passei um treino essa semana para o período da noite, oxigenando a planilha e quebrando a rotina. Nada melhor do que isso de vez em quando, certo?

Saí por volta das 18:10 na quarta dos arredores de Pinheiros em direção ao Parque Villa Lobos. Fazia tempo que não ia lá mas sempre o considerei um dos melhores e mais bem cuidados parques paulistanos.

Pelo menos de dia.

Já tinha ouvido alguns rumores de que ir de carro seria uma má ideia uma vez que relatos de roubos, aparentemente, haviam se multiplicado. Sem problemas: ir de carro para um lugar com o objetivo de correr sempre me pareceu meio contraditório.

Chegando lá, no entanto, esses mesmos rumores começaram a ficar óbvios.

Exceto pela entrada, que conta com alguma iluminação (ainda que precária), o parque inteiro fica totalmente às escuras! Fui para uma volta apenas mas, na prática, acabei tendo que diminuir o ritmo para usar a luz do iPhone e enxergar a pista, algo que nunca deveria acontecer em um dos principais parques da cidade.

Em alguns momentos, vultos chegaram a se aproximar – mas sem nenhuma ameaça concreta. A bem da verdade, tudo estava tão escuro que dificilmente algum assaltante conseguiria distinguir uma pessoa de uma árvore.

Um corredor com iluminação presa à cabeça passou por mim: devia estar já tão acostumado à falta de visibilidade que preferiu ele mesmo fazer o trabalho da prefeitura. Me senti por alguns instantes no trecho noturno de alguma corrida de montanha mais longa.

No meio do caminho, tropecei na divisão (invisível) entre pista e grama e voei por alguns metros. Sorte dupla: nada aconteceu e ninguém viu a cena!

Mas ela cansou. Correr (despreparado) no absoluto escuro no meio de Sampa está longe de ser uma experiência agradável, o que me fez desistir e tomar o caminho das ruas.

Assim, voltei pela pista que cruza a Praça Panamericana, dei duas voltas na Praça Pôr do Sol para somar alguma altimetria e voltei para casa.

Feliz por estar enxergando e um pouco revoltado com o descaso com o Parque. Mas com uma conclusão tomada: quando, um dia, precisar treinar às escuras para me preparar para alguma prova que cruze a noite, já saberei exatamente onde ir. Infelizmente.

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Como seria treinar para uma prova de 100 milhas?

Karl Meltzer, um dos mais reconhecidos ultramaratonistas americanos, costuma dizer que 100 milhas não é uma distância tão longa assim.

Não sei se concordo e duvido que um dia queira percorrer tanto terreno – mas tenho uma certa inveja de quem consegue passar mais de 24 horas mergulhado em si mesmo e sendo levado pelo movimento das pernas. A força zen de quem completa 100 milhas – 160km – é certamente algo digno de um guru indiano.

Mas, independentemente da minha intenção em correr 100 milhas, sempre tive curiosidade em relação ao processo de treinamento. Afinal, como alguém se prepara para algo tão longo assim?

Decidi buscar informações na Web e cheguei a três pontos no mínimo interessantes:

1) Fazer uma ultra de 100 milhas inclui ficar mais de 24 horas de pé. E, para isso, é necessário se habituar ao combate do sono, como correr no meio da madrugada ou em momentos em que exaustão (por qualquer que seja o motivo) estiver dominando a mente. Não parece algo muito agradável – mas é quase uma unanimidade entre os ultra-ultracorredores.

2) 100 milhas é um esporte totalmente diferente. É como passar de uma meia para a maratona ou da maratona para as 50 milhas ou 100km. Os músculos parecem mudar, a mente passa a ser mais importante e a tolerância ao cansaço se torna a principal arma. Só que passar de 50 milhas para 100 é, de acordo com muitos, algo bem mais difícil do que passar de uma maratona para os 100km. Isso também significa que é altamente recomendável que se faça ao menos algumas provas “menores” (50 milhas ou 100km) antes de se aventurar por algo tão grande.

3) Ao contrário do que se imagina, no entanto, as planilhas de treino não são tão diferentes do que as utilizadas para provas “menores”. Veja o exemplo de uma abaixo (retirado desse post aqui): a semana mais intensa (fora a da prova) tem 75 milhas – 120km. A média em si é menor, em torno das 60 milhas (ou 95km, algo muito próximo do que eu fiz por semanas durante o treinamento para os 90km de Comrades).

Esses três pontos indicam uma coisa bem clara: 100 milhas são mais possíveis do que muitos acreditam. Mas, embora o corpo precise de um treinamento físico compatível com o tamanho do desafio, é a cabeça que precisa de preparo de verdade. A minha ainda não está pronta (e não sei se um dia ficará). Mas, até lá, imagino que permanecerei sendo assombrado por essa “instigante curiosidade”.

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Checkpoint 4: Lidando com a exaustão

Dentre todas as semanas – provavelmente desde que comecei a me preparar para a Comrades, ainda no ano passado – essa foi a que a exaustão mais apareceu. Não pelo esforço físico em si: este realmente ficou em um distante segundo plano. Mas o trabalho foi tão intenso, tão além do humanamente plausível, que seus efeitos se alastraram pelas outras esferas do cotidiano.

Por conta disso, perdi um treino – que, embora leve, foi tempo na rua desperdiçado. Por conta disso, enfrentar o longão ontem foi cansativo ao ponto de fazê-lo um pouco chato, “desempolgante”. Por conta disso, todos os meus indicadores pessoais, que podem ser vistos nos gráficos abaixo, caíram.

Mas, enfim, faz parte. Não somos máquinas, afinal.

Hoje, no entanto, decidi fazer algo diferente para recuperar a energia: ser acordado pelo fim do sono (e não pelo despertador). Nada de madrugar: se não conseguisse me recompor, em poucos dias certamente desabaria com alguma lesão, gripe ou qualquer coisa que costuma vir com excesso de estresse. E não é que deu (muito) certo?

Descansado, saí mais leve para o trote do domingo. Apenas com a rua, o céu azul que iluminou Sampa, a temperatura amena e música: tem coisa melhor?

Tem: o resultado de se ouvir o corpo. Curiosamente, a energia que estava escondida, tímida, pareceu dar as caras. Desisti do trote programado e fiz uma tempo só para animar um pouco, para deixar as pernas acompanharem a vontade. E assim foram mais ou menos 40 minutos a um ritmo de 4’40″/km que pareceram tão leves que cheguei a questionar se o relógio estava correto!

Estava sentindo falta – muita falta – de ter uma corrida assim. Descompromissada mas intensa, solta mas absolutamente satisfatória.

Para a semana que vem, o ritmo deve apertar e a volumetria subir – mas o trabalho deve ser, senão light, pelo menos bem mais leve do que essa última semana. Pelo menos é o que espero!

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A trilha da USP e o cansaço

Acordar foi difícil. O despertador tocou a partir das 6 mas, de “soneca” a “soneca”, só consegui me levantar às 7:30.

Em uma semana tão turbulenta, com direito a treino perdido e tudo, desistir do longão seria uma péssima ideia.

Ainda assim, o prospecto de passar três horas na rua – algo que sempre encarei com ansiedade e entusiasmo – só me gerava mais exaustão. Mas fui.

Trotando no começo, correndo na sequência. Desci a Cidade Jardim, peguei a Faria Lima até a Rebouças, atravessei a Marginal e segui para a USP.

Foi onde começou a parte boa. Por algum motivo, mesmo já tendo a USP faz tempo no roteiro dos meus longões, nunca tinha percebido uma trilha que se esconde na lateral de uma rua próxima à Subida do Matão. Dessa vez vi. E entrei.

Não é uma trilha grande: tem apenas um quilômetro. Mas é muito, muito gostosa. Estreita sem ser técnica, úmida e cortando o que parece ser um mini-pântano com MUITO verde por todos os lados. Para aproveitar mais, dei duas, três, quatro, sete voltas. Até ficar saciado e voltar para as ruas da USP com a sensação de estar entrando de novo na cidade.

Aí foi encarar a Subida do Matão e tomar o rumo de casa.

Mas, fora a experiência na mini-trilha pantanosa, foi uma corrida cansada. Fiquei com aquele incômodo entre a boca do estômago e o coração – a manifestação física do cansaço mental – me acompanhando por todo o tempo.

Cheguei em casa destroçado, exausto. Mas com a missão cumprida.

Agora é procurar descansar um pouco e recuperar as energias que foram sugadas pelo trabalho!

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