Que tal mapear a cidade por zonas de corrida?

Férias tem uma consequência imediata: o ócio criativo. Verdade seja dita, estou de férias há apenas algumas horas – mas correr em plena quarta sem ter que voar para a agência em seguida faz a mente viajar um pouco. Instantaneamente.

Hoje, viajei por um possível projeto novo. Que tal organizar uma área aqui no blog com as trilhas urbanas e parques perfeitos para corrida em São Paulo? Aparentemente, há interesse: os posts sobre Horto, Parque do Carmo, Ipiranga, centro etc. tem sido bastante acessados, o que indica também uma espécie de vontade dos corredores paulistanos de sair da rotina, do cotidiano. Para corredores de fora que estiverem visitando Sampa, por sua vez, pode ser um bom conjunto de dicas para sair do óbvio.

E, como sair cortando a cidade de ponta a ponta tem sido algo maravilhoso, seria um projeto perfeito para levar adiante.

Pois bem… 2014 encerra-se assim com algo diferente: um mapeamento de lugares perfeitos – ao menos na minha opinião – para se correr nessa metrópole tão caoticamente gigante quanto incrível.

Começarei por organizar as páginas, ao mesmo estilo da Ultra Estrada Real, e por estruturar melhor os posts que fiz. De pouco em pouco, vou montando aqui um banco de zonas de corrida para todos os gostos – o que também me ajudará bastante a caçar novos e impensáveis locais, além dos parques tradicionais e escondidos no meio do cinza paulistano.

Ao menos por hora, parece uma boa ideia. Vamos ver na prática!

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Fechando o ano debaixo d’água

Ontem à noite, quando fui conferir a app do Weather Channel por conta do dilúvio que castigava a cidade, confirmei a má notícia: 100% de previsão de chuva por todas as horas do dia e até, pelo menos, o Natal.

Parece que toda a água que fugiu do sudeste nos últimos meses resolveu voltar (e tirar o atraso) nas últimas semanas de dezembro. Tudo bem: nunca tive problema em correr na chuva – embora, confesso, sempre preferi fazer isso nos finais de tarde ou às noites.

Saí preparado para enfrentar poças, banhos dados por carros apressados e jatos d’água lançados das nuvens. E foi exatamente isso que aconteceu: faz tempo, aliás, que não pego um toró tão forte na cidade!

O lado bom é que há um ar maior de preguiça nas ruas cortado pelas passadas rápidas, há aquele cheiro de planta molhada e aquela visão de asfalto refletindo o céu cinza. A cara da cidade muda enquanto ela vai se lavando de 2014 e se preparando para um 2015 mais calmo (espero).

Fiquei com isso na cabeça por todo o tempo, meio que torcendo para que hoje, último dia oficial do ano para mim, acabe logo. Para que só tenha meia dúzia de coisas para fazer em home office, para que possa já entrar no avião, para que possa respirar mais fundo sem pensar tanto em reuniões e apresentações.

Tudo bem que a rua hoje mais parecia um aquário: mas terminar o ano debaixo de chuva, lavando corpo e alma, realmente foi perfeito!

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Trilha Urbana: Aclimação, Ipiranga e Rua dos Lavapés

Trilhas, na cidade ou na montanha, são essencialmente caminhos para algum destino qualquer.

O destino até pode se repetir incontáveis vezes, mas é a beleza de se poder alternar esses caminhos que faz as trilhas sempre únicas.

Hoje foi dia de voltar ao Ipiranga – claro, por um novo caminho. Ao invés do centro, subi e segui pela Paulista até descer pela Aclimação. Cortei ruas, subi e desci ladeiras e descobri novos esconderijos paulistanos – todos já com aquele tom de cidade de interior pintado pelo domingo.

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De repente, no topo de uma ladeira, lá estava o Palácio. Entre seus jardins e o monumento, uma pequena feitinha se organizava para dar mais cor à cena.

Com isso, céu azul turquesa de mesclava ao amarelo do Palácio, ao cinza do monumento e ao verde dos jardins. Baita cena incrível.

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Dei uma volta, aproveitando o “exótico” percurso de bambus atrás do Palácio e, na volta, cruzei até o monumento. Vi uma escada escondida levando para baixo e desci: lá uma porta cinza, pichada, apenas deixava claro que guardava em seu interior os restos mortais de D. Pedro I. Ainda bem que se trata de um mausoléu: se fosse sua casa em vida, certamente ele ficaria bem contrariado!

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No retorno para casa, segui pela Av. D. Pedro I, toda alinhada com árvores e pequenas casas. Segui rumo à Aclimação, bairro que dividia as zonas rurais e urbana da cidade. A rua que servia de “fronteira” abarcava o hábito das pessoas lavarem seus pés antes de adentrarem pela cidade. Não é à toa que acabou batizada de Rua dos Lavapés, normalmente pouco convidativa mas, aos domingos, bucolicamente bonita e margeada por casas tão coloridas quanto abandonadas.

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De lá, cheguei à região da Liberdade apenas para ver alguns japoneses idosos caminhando até algum local importante, a julgar pelas feições. Como essa cidade é plural!

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A corrida, no entanto, tinha hora para terminar. Depois de pouco menos de 20km, estava na Paulista. Chegava em casa inteiro e absolutamente inspirado pela trilha em plena metrópole.

Checkpoint: Mudanças no treino

O corpo nem sempre obedece o calendário gregoriano.

Na prática, meu mês de descanso foi novembro, pontuado por corridas leves e até mesmo desleixadas para compensar uma temporada dura, pontuada por Comrades, Indomit Bombinhas e Douro Ultra Trail e fechada com a duríssima Maratona de São Paulo em outubro.

Pois bem: descansei.

Dezembro é mês de sol, de calor e de algum alívio no trabalho: meu treinador tem aproveitado isso ao máximo agora. De maneira geral, as rotinas se dividem em duas:

  1. Treinos de qualidade, como tempos, intervalados e tiros, 3 vezes por semana
  2. Longões leves, mas cada vez mais longos, nos finais de semana

E devo dizer que estou achando a rotina perfeita: ela aumenta minha velocidade e, ao mesmo tempo, me permite passar as horas em trilhas que tanto amo em dias onde o tempo costuma passar mais devagar.

Foi por conta desse roteiro que comecei a desbravar São Paulo, percorrendo a região da Pinacoteca, o Ipiranga, o Jardim Botânico e o Horto, para ficar apenas em algumas. Na prática, é como se uma nova cidade se apresentasse cada sábado e domingo para mim. Perfeito.

Nesse final de semana, especificamente, correr o Horto e fazer novamente o Ipiranga acabou acrescentando uma altimetria maior do que a média, superando os 1.000m. Ultimamente, ganho altimétrico tem sido uma métrica quase tão importante quanto distância e pace para mim: é o maior teste de resistência para ultras que, afinal, costumam ser corridas em montanhas. Mil metros pode não ser nada, por exemplo, perto dos 4,5 mil da Douro Ultra Trail e de tantas outras – mas é um bom treino.

E, no total, essa soma de bons treinos em locais impensavelmente novos tem dado um gás novo para mim nesse final de ano.

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Trilha Urbana: Pelo Horto

O incrível de cidades grandes como São Paulo é que elas nunca param de surpreender.

Hoje, meu plano era ir ao Parque da Cantareira e fazer 3 horas de trilhas por lá, desbravando matas e absorvendo vistas. Não deu: assim que saí do carro fui informado de que, por conta da garoa que insistia em cair, o parque não abriria hoje.

Plano B: Horto Florestal.

Não conhecia o Horto mas sabia que ficava a cerca de 500 metros da Cantareira. Fui até lá e entrei.

Primeira impressão: o lugar é lindo. Verde, cheio de sons vindo do céu e de dentro da mata e extremamente bem cuidado. A segunda impressão veio quando olhei o mapinha do local: cada volta tinha menos de 3km! Para completar as 3 horas seria necessário dar tantas voltas que, provavelmente, acabaria tonto!

E essa é a parte que a cidade surpreende. Decidi ignorar o traçado e sair guiado apenas pelos pés. No começo, até segui o percurso demarcado – mas por menos de 5 minutos. Avistei algumas entradas escondidas: entrei.

Descobri trilhas escondidas – algumas, confesso, parte do vizinho Parque da Cantareira desvendadas por fendas em trechos das grades o separa do Horto. Fui assim mesmo, embora com mais cautela.

O único problema é que nenhuma das pequenas trilhas tinha qualquer tipo de demarcação – algo meio complicado para quem tem un senso de localização tão ruim quanto o meu.

Mas, ainda assim, elas eram pequenas e fáceis de encarar.

Na saída, decidi sair do Horto e dar voltas por fora, pela região. Ideia ótima para somar quilômetros e que acabou sendo repetida mais uma vez, mas que deixou saudade da mata. Cheguei até a esticar um pouco pela Estrada de Santa Inês, rumo ao Velhão, mas desisti depois que o acostamento desapareceu e o perigo aumentou. Não estava lá para isso.

Resumo: correr no Horto foi como descobrir uma mini selva dentro de São Paulo – e aproveitá-la ao extremo.

Amei o lugar – mas, na semana que vem, espero que o tempo colabore para que eu possa descobrir a Cantareira!

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As luzes do Ibirapuera

Fazia algum tempo que eu não corria à noite: a última vez já deve fazer pelo menos um mês, antes das luzes de Natal se instalarem no Ibirapuera.

Ontem, no entanto, foi dia de intervalados – e a manhã atribulada acabou empurrando a planilha para depois das 20:00.

Para falar a verdade, eu nem me lembrava que o Ibira estava iluminado: o sol do verão, às vezes, nos faz esquecer que a noite sequer existe. Mas foi só eu me aproximar do parque e, de repente, músicas começaram a ecoar pelos céus, animando um show de águas nas fontes para uma plateia que persistia presente, teimosa, ignorando a garoa fina que caía. E isso tudo com milhares de luzes pintando as árvores ao fundo.

Na mesma hora eu desliguei o podcast e fiquei ali, absorvendo o clima a cada passo. Normalmente eu gosto do silêncio que acompanha corridas nas horas extremas do dia, seja no começo da manhã ou noite adentro – mas o barulho bem orquestrado de ontem foi muito, muito bem vindo.

O ano – ainda bem – está acabando.

Ele está levando consigo, sem dó, cada gota de energia que eu havia reservado para 2014: mas a cena de ontem ajudou a me dar pelo menos mais algum impulso para chegar inteiro ao dia 31.

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Checkpoint semanal: 80K com explorações pela cidade

Na semana retrasada eu combinei comigo mesmo que me dedicaria mais a treinos de velocidade do que a passar longas horas na rua, o que estava nitidamente comprometendo meu pace. E não pretendo descumprir isso, claro – mas minha planilha para essa semana, ironicamente, estava inteiramente tomada por longões.

Verdade seja dita, terça, quarta e quinta continham intervalados e tempo runs que foram devidamente cumpridos. O da quarta, que tinha dois tempos de 20 e 30 minutos cada em meio a duas horas de corrida, foi especialmente perfeito por mesclar objetivo com prazer.

Na quinta, porrada pura que me exauriu por completo… até o sábado.

Ontem foi dia de desbravar São Paulo e o percurso pelo Jardim Botânico foi inspirador. Devo confessar que essa onda de marcar um ponto relevante diferente da cidade toda semana e inserir o longão em torno dele está mudando a forma com que treino. Sim: a pausas para fotos que decididamente comprometem os meus indicadores; mas, por outro lado, isso traz um ar de exploração inerente a esse esporte que, até então, eu achava impossível de encontrar em percursos urbanos.

Ainda não vi as planilhas da semana que vem mas tenho duas certezas: elas provavelmente serão mais intensas e menos extensas e conterão algum lugar novo, ainda a ser definido, que me aguarda aqui em Sampa.

Até lá, hora de descansar desses 80K que rodei desde a terça – algo que, independentemente de qualquer planilha, estava já com saudades de fazer.

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Trilha Urbana: da Paulista ao Jardim Botânico

Há cerca de 1 ano, levei minha filha para o zoológico de São Paulo. Ela, obviamente, amou – mas o que mais me chamou a atenção foi o vizinho Jardim Botânico, que desfilava ao lado da avenida um corredor gigante de palmeiras imperiais guiando os olhares para lagos e bosques aparentemente infinitos.

Com essa cena em mente, me mandei hoje até lá, correndo desde casa. O caminho não é exatamente belo: depois da subida da Bela Cintra e virada à direita na Paulista, é praticamente uma reta. Com pessoas apressadas já no sábado cedo, desviar os obstáculos humanos era o mais complicado.

Lá pela região da Praça da Árvore desci uma transversal e comecei a cortar por dentro, rumo à Rodovia dos Imigrantes. Não é a região mais atrativa, mas o pace aperta naturalmente quando passamos por favelas e sob pontes usadas como pontos de crack. Corri bem nesses trechos.

E, em meio ao que mais parecia grupos de zumbis, pichações e muito cinza, de repente aparece o majestoso Jardim Botânico.

Grande, imponente, verde e já com uma pequena fila de japoneses municiados com suas câmeras ansiosos por desbravar o oásis paulistano.

Certamente conseguiram o que foram buscar: já na entrada, uma passarela suspensa de madeira abre caminho para uma multidão de espécies de plantas, algumas habitadas por aves diferentes e macacos.

Saí caçando algumas trilhas que encontrei facilmente, margeando lagos e cenas que mais pareciam de filme.

Em um dado momento, me vi na nascente do Ipiranga – ponto que, mesmo seco por conta da estiagem, tem um valor simbólico importante.

Segui pela trilha, entrei mata adentro, subi e desci. Só beleza.

No caminho da saída, me deparei com a avenida de palmeiras imperiais que estava presa em minha memória e a percorri inteira. Perfeita.

Mas, como tudo na vida, há hora para acabar.

Tomei o caminho de volta para casa tomando o cuidado de cortar os trechos mais tensos de favela, o que acabei conseguindo. No caminho, apenas uma pausa para foto de uma igreja em estilo gótico no meio da Jabaquara e pronto: foi só descer à região do Ibirapuera, pegar a Brasil e voltar para casa.

Essa trilha urbana foi diferente das últimas no sentido de que só o ponto de destino foi realmente bonito. Diferente de cortar o centro, pontilhado por surpresas arquitetônicas e históricas em cada esquina, o caminho até o Jardim Botânico foi essencialmente feio e com alguns pontos perigosos.

Mas oásis são isso mesmo, certo? Pontos paradisíacos cercados por paisagens áridas. E, no final das contas, foram 30km que valeram muito, muito a pena!

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Entrada do Jardim Botânico

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Lago no Jardim Botânico

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Lago no Jardim Botânico

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Escadaria em uma das laterais do Jardim Botânico

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Alameda Von Martius, no Jardim Botânico

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Lago com trilha ao fundo, Jardim Botânico

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Lago em uma das extremidades do Jardim Botânico

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Trilha próxima à nascente do Ipiranga, no Jardim Botânico

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Vista da Alameda Von Martius, Jardim Botânico

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Igreja Nossa Senhora da Saúde

Percurso no Strava

Percurso no Strava

Checkpoint semanal: Velocidade, tempo e centro

De vez em quando, uma semana de treino acaba se transformando em um período de descobertas.

Apesar de não ser obcecado por pace, notei que estava lentamente diminuindo minha velocidade média na medida em que passava mais e mais tempo nas ruas. Até aí, nenhum problema: aproveitar é o verbo mais importante quando se corre, ao menos em minha opinião.

Mas aí algo diferente aconteceu: juntamente com a perda de velocidade veio um desnecessário aumento do cansaço. Ou seja: estava correndo menos e cansando mais, uma combinação decididamente ruim.

Aí decidi ouvir – finalmente – o meu treinador.

A contragosto, diminui o tempo na rua e aumentei a velocidade por meio de mais tempo runs e intervalados. Ainda estou na primeira semana dessa mudança – mas os efeitos já estão acontecendo.

Fato: tenho voltado exausto das corridas em dias de semana – mas mais motivado, como se cada minuto tivesse valido mais a pena.

Faltava alguma coisa, no entanto: algo que me fizesse aproveitar mais nos momentos mais livros – os finais de semana.

Bom… no domingo passado, mudei o percurso tradicional e me mandei para o centro de São Paulo, rodando Pinacoteca, Luz e toda uma gama de prédios belíssimos e históricos. Foi como fazer turismo em minha própria cidade, com tempo e disposição. Amei.

Repeti a dose ontem, no sábado, só que fazendo uma outra parte do centro e indo até o Palácio do Ipiranga. Foi um longão memorável, daqueles que transformam corridas em passeios intensos. E esse veio com um bônus: descobri que o centro de São Paulo é quase uma cordilheira: a quantidade de morros, tanto pela região da Sé e seus vales quanto pela Aclimação, entre o centro e o Ipiranga, delineiam o perfil perfeito para se treinar em subidas e descidas.

Hoje voltei ao centro, fazendo uma mescla mais livre do percurso e incluindo Sala São Paulo, Sé, Municipal e região da Bolsa de Valores. Rodei por algumas ruas novas e desconhecidas por mim, repletas de casarões incríveis, e voltei pela Consolação. Tudo novo, visto sob uma ótica diferente.

Já disse isso antes e repito: recomendo a todos. Sair da rotina é simplesmente necessário de vez em quando.

E vejam só: no final de contas, ao tentar ser mais conservador no meu treino, acabei me focando em velocidade, ampliando áreas de corrida e ganhando excelentes oportunidades subindo e descendo morros. Perfeito, não?

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Diminuindo as distâncias para aumentar a velocidade

Meu treinador é adepto da troca de distância por velocidade durante treinos para ultras.

Não que a distância deva ser ignorada, obviamente: mas é a obsessão pelos quilômetros que acaba condicionando o corpo a aguentar tempo demais na rua por ritmos desnecessariamente lentos.

O problema, no meu caso, é que eu genuinamente gosto de passar tempo demais na rua. É o único momento realmente meu, de pleno egoísmo, que uso durante um cotidiano abarrotado de tarefas e responsabilidades. Por outro lado, é claro que, como qualquer corredor, também quero melhorar minhas marcas nas ruas e raspar alguns minutos dos meus recordes pessoais.

Se não fosse por isso eu estaria com outro treinador, aliás.

Mas e quando se começa lentamente, sorrateiramente e quase inconscientemente a desobedecer as planilhas? Aqui e ali, tenho me pegado inserindo uma voltinha a mais nesse percurso, uma ladeirinha a mais naquele, 20 minutinhos somados ao longão. Ao invés de ficar na casa dos 50-60km semanais, pulei para os 60-70km.

E ao invés de cortar tempo, fiquei meio congelado nos mesmos paces de sempre.

Ok: minha próxima ultra será apenas em abril, na Estrada Real – e os céus sabem o quanto tenho precisado desses quilômetros a mais no organismo.

Mas está na hora de ajustar um pouco o treino e ouvir mais o treinador.

Na terça, saí para uma primeira sessão conscientizado da necessidade de mudança: uma tempo run de 20 minutos a ritmo sub-5. Consegui completar a meta – mas às custas de uma dor significativa nas pernas. Além do esperado, inclusive.

Tradução: o corpo precisa se adaptar a um modelo de treino mais ágil e curto, mais intenso e menos extenso. Tudo bem: há tempo para isso.

Resta saber se há paciência para ser mais rápido.

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