Checkpoint: A zona cinzenta

Há uma espécie de zona cinzenta depois que se realiza alguma grande meta. 3, no caso: Indomit, BR (ainda que como apoio) e Cruce aconteceram em um impressionantemente curto período de 3 meses. 

Nessa última semana, todas as dores e incômodos acumulados em meses de treinamento decidiram aparecer e se instalar no corpo. Sem problemas: dei a ele alguma folga, saindo apenas levemente para alguns trotes mais regenerativos. 

Nessa última semana, um sono digno de picadas da mosca de Tse-Tse dominou as manhãs; uma estranheza em testemunhar o trânsito paulistano se instalou no semblante; uma facilidade de respirar, silenciosamente, um ar meio orgulhoso, impulsionou os pulmões. 

Semanas depois do que consideramos como grandes realizações pessoais são feitas para cimentá-las no peito, para nos mostrar que a vida é feita desses momentos singulares pelos quais tanto batalhamos. São períodos sagrados que, talvez infelizmente, acabem sendo reverenciados por nós mesmos em uma silenciosa solidão. São períodos catárticos, de consolidação de mudanças de visão de mundo, em que não se deve desperdiçar um único átomo de esforço em uma direção que não seja a do autoentendimento. 

Semana que vem? Provavelmente ainda estarei na mesma zona cinzenta, aproveitando-a, cultivando-a e, sobretudo, digerindo-a. 
Enquanto isso, talvez esteja na hora de revisitar as provas de 2016 e ver em qual ou quais me encaixo. 

Daqui a pouco será hora de começar tudo de novo. 

  
  

Para manter a empolgação em alta

Um remédio bom para apatia, cansaço em excesso e todos aqueles sintomas que tem dominado as minhas manhãs e atrapalhado meus treinos? Focar em alguma meta nova. 

E foco, claro, sempre pode receber uma ajudinha da Internet. Como visualizar esse vídeo, por exemplo, desafio que está – ainda bem – em meu caminho:

2ª edição INDOMIT Costa Esmeralda Ultra Trail – Teaser 2015 from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

Ajustando o rumo

De nada adianta uma planilha se ela não for seguida, certo?

Certo.

Independentemente do motivo, o fato é que cheguei apenas na casa dos 40km na semana passada e, nesta semana, já fui derrotado ontem por uma esquina, que me levou outros 5km. Hora de replanejar.

No geral, a minha meta para essa fase do treinamento é subir de volta aos 90km dentro de cerca de um mês, o que deve me dar o volume e a força necessárias para encarar de maneira mais tranquila a Ultratrail Costa Esmeralda.

Hoje, portanto, foi dia de replanejar. De combinar um crescimento mais suave, mais estruturado.

Nada de 80km essa semana – a meta foi reduzida para 70. Assim como na semana que vem, que terá apenas uma diminuição na intensidade.

Depois é que começa uma leve escalada, levando duas semanas para chegar a 90km.

Mas o principal, o mais importante, nem é essa distribuição de volumetria ou intensidade – é a volta da planilha à realidade. É ter um “papel”, por assim dizer, que reflita o dia-a-dia.

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Nada como uma meta para o segundo semestre

Tá… estamos em abril, ainda tenho toda uma Comrades pela frente e sei que o segundo semestre, do ponto de vista de planejamento de corrida, está MUITO distante. 

Mas isso não significa que não possa pelo menos começar a rascunhar alguns dos planos. 

Pois bem… na minha lista de desejos, uma das coisas que está começando a gritar por atenção é fazer alguma corrida de 100km. Sim, sei que 100 é só um número… mas, ainda assim (e talvez por isso mesmo) é também um marco que gostaria muito de alcançar. 

Em uma pesquisa rápida feita na Web, achei apenas uma prova aqui no Brasil: a Morretes-Guaraqueçaba, lá no Paraná, que totaliza 105km no comecinho de agosto. Fora do Brasil (mas ainda nas proximidades) há a Ultra Trail Torres del Paine, na Patagônia Chilena – mas temo ser muito fora de mão para mim nessa época. 

Esse é o principal “pro” a favor da Morretes-Guaraqueçaba: é perto, acessível e em um mês relativamente calmo para mim. Há mais coisas a favor: o percurso inteiro é pouco técnico, praticamente feito de estradas de terra, bem no estilo que eu curto. 

O negativo é a falta de belezas naturais, pelo menos nos vídeos que eles disponibilizam no site. Tudo parece meio “sem graça”, com poucos atrativos. Seria o tipo de prova que iria mais pelo desafio e meta de fechar 100km do que qualquer outra coisa. 

Tenho mais algum tempo para decidir… mas, ao que tudo indica, estou bem perto de confirmar a participação e dar um “check” em mais um item da minha lista!

  

Preciso de um plano

Se tem uma coisa que não estou acostumado, é com uma absoluta falta de planos ou metas.

Nos últimos anos, sempre tive uma corrida como alvo, me permitindo traçar estratégias e me empolgar com a evolução diária.

Foi assim que entrei, pela Two Oceans, no mundo das ultras; que mergulhei de cabeça na Comrades, rompendo a barreira das 50 milhas; que transicionei para as trilhas via Indomit e me entreguei às montanhas na Douro Ultra Trail.

E isso tem sido uma jornada fabulosa.

Hoje, no entanto, há um vazio.

A última prova relevante foi a Maratona de SP, que me qualificou para a Comrades do ano que vem (no final de maio).

E daqui até lá?

A única ultra próxima planejada era em São Bento do Sapucaí – mas a data foi um impeditivo por compromissos familiares.

Provas curtas me encantam pouco – é como se não houvesse muito mais desafio nelas.

E agora?

Vasculhei, vasculhei, vasculhei e nada: não parece haver nenhuma ultra próxima entre hoje e março, data a partir da qual já preciso estar bem concentrado na Comrades.

Estou sem metas. Sem provas alvo. Sem nada que exija algum tipo de planejamento. Sem nada que me deixe empolgado de verdade.

Como correr sem ter algum lugar para chegar?

Para mim, isso é bem complicado. Está na hora de bolar alguma coisa diferente.

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Resultados oficiais da Douro Ultra Trail

Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.

Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.

Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.

Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!

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A estranha leveza da alta intensidade

Manhã cedo em Sampa, garoa começando a ceder, sol começando a sair por entre uma mescla de núvens e noites. 

Perfeito para a última sessão de tempo runs em solo brasileiro: amanhã embarco para Portugal, já tendo a Douro Ultra Trail como meta. 

E, saindo da fase de pico de treino, com 100km acumulados nos últimos sete dias, realmente achei que seria mais difícil. Talvez pela falta da mochila de hidratação, já devidamente guardada na mala, ou pelo clima absolutamente favorável lá fora, acabei sentindo uma leveza impressionante na rua. 

A primeira subida de ritmo veio logo depois dos 5 minutos de aquecimento: 30 minutos fixos a um pace encaixado na casa dos 4’30″/km. Fosse a dois dias atrás, seria porrada pura. 

Hoje, foi bem vindo. Não vou dizer que não deu para sentir nada – mas posso afirmar que foi bem mais light do que imaginava mesmo hoje cedo, quando levantei da cama forçado pelo despertador insistente. 

Depois uma pequena pausa para trote e mais 20 minutos de tempo

Desta vez fui por dentro do parque do Ibirapuera e não por fora de sua grade como fiz na primeira volta, buscando uma distância maior para alinhar o plano de 1h30 de treino. 

Também leve. 

Quando os 20 minutos passaram cheguei a manter o ritmo por mais alguns instantes, mas acabei desistindo ao chegar em um cruzamento. 

Aí foi administrar o trote final que, claro, incluiu a já tradicional subida da Ministro. Mesmo ela, devo dizer, foi mais fácil. 

A que devo toda essa relativa tranquilidade em um treino que deveria ser tão intenso? 

Talvez a certeza de que as fases mais duras de todo esse processo já passaram. Talvez o sentimento de que estou, de fato, preparado para a ultra trail – ao menos dentro das possibilidades. 

Talvez a proximidade da viagem, que põe uma espécie de ponto final a uma meta que começou em junho. 

Seja lá o que for, foi bom. E absolutamente reconfortante. 

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Checkpoint 9: Segunda meta cumprida

Não há muito o que falar além do que já comentei no post de ontem: a semana inteira girou em torno da segunda meta do meu plano rumo à Douro Ultra Trail: fazer a Indomit Bombinhas.

Neste ponto, o importante de comentar é que levei a semana como normal, sem fase de tapering ou nenhum tipo de diminuição. Ao contrário: fiz os três treinos em dias úteis, mesclando tanto volume quanto intensidade (via tempos e tiros) e cheguei em Bombinhas como se fosse um final de semana normal.

Só na largada da Indomit é que senti um pouco o cansaço ampliado pela areia fofa dos primeiros metros. Mas, ainda assim, sacudi o corpo e voltei ao normal, encarando a prova com sangue nos olhos.

Em resumo (e com alguma dose de orgulho): tudo saiu perfeito.

Segunda fase completa. A próxima agora é lá em Portugal.

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A nova meta: Réccua Douro Ultra Trail

Estarei em Portugal entre os dias 13 e 14 de setembro – e é nesta data que a minha nova prova alvo acontecerá.

Ainda estou inseguro quanto à distância – se 40 ou 80K. O local, no entanto, não poderia ser mais perfeito: a região do Rio Douro, uma das mais maravilhosas do mundo e carregada de vistas deslumbrantes.

Para quem quiser se aprofundar, veja site aqui e vídeo promocional abaixo.

Ao longo dos próximos dias vou começar a focar no treinamento, equipamento e importantes decisões que guiarão desde a escolha do percurso até o processo de preparação como um todo. De toda forma, está já aberta essa nova meta.

Que ela seja alcançada!