Trilha urbana: desbravando São Paulo

Ontem, com um pouco mais de tempo nas mãos para fechar a minha meta da semana, decidi criar um domingo diferente. Por que percorrer a mesma rota de sempre se eu poderia, afinal, desbravar um pouco mais de São Paulo em um domingo preguiçoso, calmo e perfeito para correr? Essa cidade é tão incrível e tão cheia de contrastes, afinal, que chega a exigir um pouco mais de atenção focada, do tipo que não se desfaz com buzinas ou distrações frugais.

Pois bem: vamos, então, ao centro.

Comecei subindo a Bela Cintra e cruzando a Paulista. Minha meta era chegar até a Estação da Luz e a Pinacoteca, rodar um pouco pela região e voltar. Simples assim.

Continuei pela Bela Cintra no sentido centro e troquei de via até a Consolação. No caminho, alguns mendigos se mesclavam com aquele cenário cinza de igrejas e praças cuidadosamente decadentes da região.

Igreja da Consolação

Igreja da Consolação

Entrei um pouco por algumas vielas, subindo escadarias só para sentir mais o local e, depois, voltei para a avenida. Prossegui ladeira abaixo.

Em um momento, acabei entrando na Ipiranga onde, ao fim, a Estação da Luz se estendia como uma linha de chegada. Belíssima de longe e de perto, assustadora a média distância. A estação em si é bem cuidada mas, aos domingos, mendigos, traficantes e prostitutas fazem de lá uma espécie de ponto de encontro para passar o tempo e discutir irrelevâncias. Seus risos altos atravessavam os fones de ouvidos e seus olhares eram ácidos, acostumados a meter medo. Tudo bem: era só seguir reto.

Estação da Luz

Estação da Luz

Atravessei a cena e margeei a estação até entrar no Parque da Luz, uma espécie de oásis verde em pleno centro feito de lagos, bosques e estátuas que servem de lar para inúmeras espécies de pássaros. Apesar de pequeno, é sem dúvidas um dos mais bonitos e bem cuidados parques de São Paulo.

Parque da Luz

Parque da Luz

Fui pela trilha que o circunda, driblando alguns japoneses tirando fotos, mães passeando com seus bebês e, vez por outra, algum corredor perdido. Do lado de fora, uma fila imensa se formava para entrar em uma exposição nova na Pinacoteca, outra jóia do centro que salta aos olhos.

Entre a fila e o prédio, fiquei com o prédio. Corri olhando cada coluna e detalhe arquitetônico, imaginando tudo o que já havia se passado por ali e o tanto de contraste que, hoje, ele leva ao centro velho.

Pinacoteca

Pinacoteca

De lá, saí do parque e voltei à região da estação. Desta vez, no entanto, entrei correndo por ela, atravessando-a por dentro e sentindo um pouco do clima dos que estão indo e vindo de algum lugar qualquer.

Na saída que escolhi, a Estação Júlio Prestes, que hoje abriga a Sala São Paulo, me puxou como um ímã. Segui pelas bordas de um terreno baldio pontilhado por prédios abandonados e – novamente – sob os sons das putas e cafetões. A polícia revistava dois suspeitos em uma das esquinas – o que me fez preferir outra. Ignorei um pouco a cena.

Corri, corri e cheguei ao incrível prédio.

Lindo, de uma branquidão pulsante, imponente, exalando orgulho.

Estação Julio Prestes

Estação Julio Prestes

Hora de voltar para casa.

Na busca por alguma placa que indicasse o melhor caminho, acabei me deparando com o Minhocão – uma avenida suspensa que corta parte do centro e que foi responsável por uma desvalorização quase hedionda de toda a região. Aos domingos, no entanto, todo ele fica fechado para trânsito e é usado por ciclistas, corredores e famílias de uma maneira geral.

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Subi boa parte dele até cair, novamente, na Consolação, já próximo de casa. À minha direita estava o Mackenzie e, alguns metros depois, o cemitério. Versão paulistana do cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, as esculturas fúnebres são facilmente visíveis pelo topo dos muros. Quando pensei em entrar, já era tarde: estava já adiantado demais e voltar não valeria à pena.

Cemitério da Consolação

Cemitério da Consolação

Entrei em seguida em um dos principais cartões postais da cidade, a Avenida Paulista. Como precisava ainda fazer alguns quilômetros, rodei até quase metade dela, na frente do MASP.

Avenida Paulista

Avenida Paulista

Entrei no pequeno Parque Trianon, um outro oásis perdido e muitissimamente bem cuidado que colore um pouco a capital. Cruzá-lo foi rápido: são poucos metros de extensão percorridos em calçadas de pedras portuguesas e pontilhadas com pequenas casas antigas.

Parque Trianon

Parque Trianon

A partir daí, foi só descer um pouco da 9 de Julho, pegar a Lorena e seguir de volta até a Bela Cintra.

A trilha urbana de 15km, composta por prédios antigos, zonas degradadas, parques e muita história estava terminada. E, sem sombra de dúvidas, foi uma corrida muito mais memorável do que qualquer bate-volta normal pelo Ibirapuera ou outra rota mais cotidiana.

Ainda faltou ver muita coisa: não passei pela Sé, pela zona da Bolsa de Valores, pelo Pátio do Colégio ou Mosteiro de São Bento. O centro de Sampa é tão grande quanto a cidade – o que acaba nos fazendo deixar sempre alguma coisa para uma próxima vez.

Que bom: certamente haverá muitas próximas vezes.

(Para quem quiser conferir, meu percurso inteiro está abaixo):

Trilha Urbana por São Paulo

Trilha Urbana por São Paulo

Checkpoint: fim de ano à vista

O ano está acabando.

Isso começa a ficar nítido na medida em que semanas são encurtadas e confraternizações começam a aparecer no calendário.

Sim: estamos em novembro ainda. Mas as próprias decorações de Natal alinhadas por qualquer percurso que se escolha deixam claro que 2015 está querendo – e muito – chegar.

Essa semana foi diferente.

Com viagens na segunda, sexta e sábado, consegui apenas espremer 4 corridas. Compensei aumentando a distância – mas os caminhos que escolhi, incluindo uma trilha súbita lá em Joinville e outra urbana, hoje cedo, aqui em Sampa, não privilegiaram pace. Meu treinador provavelmente brigará comigo, mas não me arrependo.

Ironicamente, a semana curta me fez saboreá-la mais e sentir melhor cada passo dado na rua.

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Uma trilha súbita

Dizem que, quando começamos a nos interessar por algo, os olhos ganham uma espécie de agudeza quase sobrenatural para localizar o que a mente mais deseja.

Faz sentido: os olhos, afinal, são grudados à imaginação e tem por objetivo nos guiar pelas manifestações físicas do que ela concebe em seu estado quase onírico de liberdade constante.

Correr em trilhas é um exemplo perfeito disso.

Quando sequer se sabe da existência desse esporte, trilhas parecem coisas distantes e exóticas, encontradas apenas em filmes de aventura ou fotos de revistas. A vida, afinal, acontece na cidade.

No entanto, basta despertar o interesse que descobrimos que mesmo os centros mais urbanos tem um pouco de selvageria escondida. É só saber procurar.

Foi o que fiz hoje cedo, quando acordei antes dos primeiros raios do sol aqui em Joinville, Santa Catarina.

Vim a trabalho ontem e acabei dormindo na cidade, o que sempre é uma boa oportunidade para explorar um pouco o desconhecido. Das últimas vezes que estive aqui acabei percorrendo circuitos tradicionais: a Beira Rio, a volta do Batalhão etc. Tudo tediosamente pacato, organizado e tão simples quanto uma esteira.

Hoje teria quase 2 horas para mim – tempo de sobra para sair do lugar comum.

A primeira coisa que fiz foi olhar o Google Maps: lá, no final da XV de Novembro, parecia haver um morro; havia um ponto no meio dele – possivelmente um mirante ou uma torre de TV; e o caminho certamente não era asfaltado, ao menos não no todo. Perfeito.

Ainda antes do sol nascer, em uma manhã sufocada por núvens e uma permanente ameaça de garoa, parti quebrando o silêncio com as passadas.

Levei o tempo necessário para aquecer: estava cedo e não adiantaria muito entrar na montanha com tudo escuro. Fui leve, passeando pela cidade adormecida e cruzando ruas vazias como se o tempo estivesse pausado.

Até me deparar com o morro.

De início, havia uma rua íngreme, com paralelepípedos se perdendo em meio a um matagal fechado e úmido.

Subi alternando trotes com caminhada. Faz algum tempo que caminhar deixou de ser palavrão para mim: normalmente, o ato em si significa que estou em alguma trilha, ladeira ou ambiente que precisa ser degustado sem pressa. Pace perde relevância nesse esporte.

De repente, a rua se fundiu com uma estradinha de terra. Continuei.

A estradinha cedeu lugar a uma trilha pequena, meio sinuosa e em subida constante. Segui.

Não dava para dizer que a vista estava incrível: quanto mais eu subia, mais espessa ficava a neblina. Em um ponto, a visibilidade não passava de 2 ou 3 metros.

Ao redor de mim só sons de pássaros, folhas se batendo contra o vento e cheiros do verde molhado. Estava já claro e a umidade abafada formava um clima absolutamente tropical.

A cidade já começava a despertar a apenas 20 ou 30 minutos de mim – mas parecia que eu estava no meio de uma floresta perdida no mapa.

Era um outro mundo, exatamente o tipo de escape que eu buscava para exercer a solidão.

Em um dado momento cheguei ao cume: um fim de linha sem vista ou beleza excepcional, marcado pelo que de fato era uma torre de TV.

Tudo bem: a missão do dia estava cumprida e o tênis, enlameado e quase irreconhecível, parecia feliz.

Voltei voando morro abaixo, parando apenas para tirar algumas fotos e tomando o rumo do hotel.

Entrei novamente na civilização, que agora já continha alguns carros e pessoas dando movimento ao cenário, e cruzei por ruas e avenidas.

A vida havia retornado à sua normalidade urbana. Estava de volta à realidade, exalando um intenso agradecimento tanto à mente, por ter demandado esse escape, quanto aos olhos, por ter achado o caminho.

Ter conseguido fugir do asfalto e me ver em meio a uma “súbita floresta”, mesmo que por um punhado de minutos, foi como ter um instante surrealista traçado com as pálpebras abertas.

O que mais se pode esperar das trilhas?

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Trilhas urbanas

Treinar para correr em trilhas quando se mora em uma cidade como São Paulo não é, exatamente, uma coisa fácil. Claro: sempre dá para escapulir para o Jaraguá de vez em quando – mas estamos falando de um percurso de pouco menos de 4km, apenas.

Passar finais de semana em Campos do Jordão, Joaquim Egydio ou sul de Minas também é possível – mas, sendo realista, é algo longe de ser prático (principalmente quando se tem família).

O que fazemos então? Corremos na rua mesmo.

Asfalto não é terra e ladeiras não são montanhas – mas, às vezes, precisamos nos contentar com o que temos.

Recentemente, descobri que isso até tem nome: “urban trails”. Pela enxurrada de vídeos no Youtube, são provas organizadas que, ao invés de buscarem percursos planos, incluem escadarias e até mesmo trechos no interior de prédios.

O chão continua com a mesma “dureza”, por assim dizer – mas pelo menos há aqueles pequenos obstáculos que enxertam algum grau, por menor que seja, de surpresa pelo caminho.

Nunca cheguei a me atentar a isso mas, vendo esses dois vídeos que coloco abaixo, de Brugge e Lyon, vou começar a caçar mais obstáculos urbanos no meu tradicional caminho pelo Ibira. Ou talvez mudá-lo um pouco mais de vez em quando.

Moodfilm Brugge Urban Trail from Golazo on Vimeo.

 

 

Crescimento de ultras nos últimos 10 anos

Há alguns anos, eu nunca tinha ouvido falar de ultras. Aliás, eu tinha plena certeza que a São Silvestre era uma maratona (!).

De lá para cá, me descobri no asfalto e nas trilhas, fui ampliando as distâncias e concluindo que tempo passado só, em ritmo constante e em direção definida é simplesmente fascinante.

Claro: achar que só eu descobri isso nesse período seria de uma arrogância ímpar. Mas, ainda hoje, evito falar em círculos normais que curto distâncias maiores para evitar olhares tortos, daqueles que mesclam descrença a certeza de insanidade.

Dia desses vi um gráfico bem interessante sobre o crescimento de ultras no mundo. Veja abaixo: nos últimos 10 anos, a soma de eventos e corridas oficiais saltaram de 528 para 2.141 – 4 vezes mais!

Imagino que o número de participantes por corrida tenha crescido também, embora esse dado não tenha sido revelado.

Qual a utilidade prática desse dado? Bom… pelo menos deixa a nós, amantes de ultradistâncias, com uma sensação de maior de “normalidade social” – se é que isso existe :-)

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Eu contra São Paulo

Pernas levemente doloridas, mas alma inteira. Ajusto o Garmin, ligo um podcast e olho para a rua à minha frente.

Uma sessão diferente me aguarda, com 4 “tiros” de 8 minutos. Meio intervalado, meio tempo run.

Rua vazia às 6:30. Hora de voar.

Um, dois, três, quatro e… pausa. Um carro não parou.

Tudo bem: recomeço.

Um, dois, três, quatro… nova pausa. De onde saíram tantos carros a essa hora da manhã??

De recomeço a recomeço, vou da Bela Cintra até a 9 de Julho. Semáforo teimoso e lento, possivelmente ainda dormindo. Espero.

Espero mais. A essa altura, a primeira sessão de 8 minutos já estava inutilizada.

Tudo bem: recupero depois.

Atravesso a avenida, cruzo a Brigadeiro e pronto: novo semáforo travado. Esse durou pouco, pelo menos.

Reacelerei por poucos metros até o cruzamento da República do Líbano, onde uma nova pausa me aguardava para, sadicamente, interromper o segundo tiro.

Tudo bem: pelo menos tinha o parque como destino e, lá dentro, nenhum semáforo.

Exceto, claro, as faixas de bicicletas que pareciam subitamente ter ficado abarrotadas. Me senti paranoicamente sendo perseguido por todas as bikes de São Paulo.

Plano b: deixei a pista de corrida e fui pela trilha.

Consegui um tiro quase perfeito: 6 minutos inteirinhos. Só não fechei os 8 porque a bexiga decidiu que precisava de um banheiro. Claro.

Faltava mais um e decidi prolongar a rota, saindo do parque e dando a volta por fora para aproveitar a solidão daqueles arredores durante as primeiras horas do dia.

Péssima ideia.

Portões surpreendentemente congestionados forçaram caminhadas, kombis de ambulantes descarregando côcos pelo caminho impuseram pausas, carros que nunca passam pela IV Centenário decidiram se perder pela rua.

Quarto tiro comprometido – assim como o humor.

Decisão tomada: hora de acrescentar um quinto tiro.

Já no caminho de casa, semáforos, carros e bicicletas se concentraram para matar qualquer nova tentativa da minha parte de acrescentar qualidade ao treino.

Ignorei o conceito de tiro: era melhor correr até em casa por qualquer que fosse a duração, sem novas pausas programadas.

Era uma prova com obstáculos. Eu contra o trânsito, o trânsito contra mim.

Me senti desviando de carros, pulando calçadas e dando a volta em torno quadras mal acabadas.

Silêncio nos fones: o podcast já havia terminado faz tempo e eu nem havia percebido.

Irrelevante.

Agora era pressão pura, quase um combate teimoso para terminar.

Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro.

Veio a ladeira. Longa, ampla, definitiva. Suei, rangi os dentes, fiz cara feia… mas desacelerei, ainda que levemente.

E, no auge do pique físico e mental, terminei.

Exausto mais pelo esforço de brigar contra o trânsito e suas intempéries do que pelo treino em si, que foi quase inútil, infrutífero, perdido.

Há dias em que as cidades, mesmo com todas as suas regras, leis e convenções sociais, parecem mais voluntariosas que qualquer montanha.

(Ou esse gráfico abaixo sequer lembra algo remotamente semelhante a uma sessão de intervalados??)

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Técnica de respiração para aumentar a eficiência durante a corrida

Faz algum tempo, fiz um post no Rumo a Comrades sobre técnicas de respiração para se correr melhor. A mudança que isso gerou para mim foi tamanha que queria falar um pouco mais sobre isso aqui – até para matar algumas teorias de que é o corpo que deve decidir, por conta próprio, o ritmo ideal de cada corredor.

Antes de mais nada, uma observação: sim, respirar é algo que prescinde de qualquer esforço coordenado. Quando o intuito é deixar pulmões adaptados, a mágica é feita por uma só palavra: treinamento.

Mas o nosso corpo é um só e, de alguma forma, pulmão, músculos e articulações estão todos interligados.

E foi justamente seguindo esse raciocínio que um técnico chamado Budd Coates decidiu se aprofundar mais nas correlações corporais durante a corrida.

Ele se baseou principalmente em uma pesquisa feita por dois pesquisadores da Universidade de Utah, Dennis Bramble e David Carrier, que concluiu que o momento mais frágil para a musculatura e articulações durante uma corrida é quando o pé toca o chão no momento em que se expira o ar para fora. Ou seja: se seu pé esquerdo sempre tocar no chão a cada vez que você começa a expirar o ar dos pulmões, então todo o seu lado esquerdo estará mais suscetível a lesões (afinal, cada passada de corrida representa um impacto aproximado de 3 vezes o peso sobre as articulações).

Depois que li isso comecei a prestar atenção no meu padrão de respiração e descobri que, como a maioria dos corredores, ele é “par”. O problema está aí: se você puxa ou solta o ar a cada duas ou três passadas, então, logicamente, sempre repetirá a perna que tocará o chão durante a expiração. É só fazer as contas.

Com isso, claro, você acabará fragilizando o mesmo lado cada vez mais ao forçar uma carga maior em um momento de fragilidade mais aguda. Qual a solução? Revezar o pé que toca o chão ao sincronizar passadas com respiração de forma diferente, “ímpar”.

Coates sugere que isso seja feito em 3 etapas:

1) Em primeiro lugar, é importante aprender a respirar com a barriga (e não com o tórax). A barriga expande melhor e, assim, permite que o pulmão absorva mais oxigênio, deixando todo o processo mais eficiente. Esse talvez seja o passo mais difícil de todos pois inclui reprogramar todo o hábito respiratório já inserido no nosso cotidiano fisiológico, por assim dizer. Mas, com treino, tudo é possível.

2) Depois é o momento de praticar a respiração no ritmo 3-2-3-2. Inspira-se ao longo de 3 passadas, expira-se ao longo de duas. Com esse ritmo, você naturalmente alternará a pisada e equilibrará melhor o corpo. Veja na imagem abaixo:

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3) Finalmente, deve-se começar a praticar em diferentes velocidades. Quanto mais rápido se correr, mais difícil será manter o 3-2-3-2 – mas pode-se trocar por 2-1-2-1. O importante é manter o fluxo ímpar de sincronia respiratória.

Há uma série de exercícios e dicas que Bramble dá no artigo, mas basta buscar no Google para encontrar a peça completa.

Do lado de cá, levei algumas semanas para adaptar conscientemente o modelo de respiração. Mas funciona: o nível de dor na musculatura ficou quase que instantaneamente mais sincronizada, o que é um bom sinal. As dores que costumavam ser sempre maiores na perna direita, por exemplo, estão mais distribuídas, deixando todo o processo de regeneração mais ágil. E o tempo de adaptação também foi rápido: hoje, esse controle respiratório ímpar é quase que instintivo, inconsciente.

(Quem quiser se aprofundar mais no assunto pode também comprar o livro do Budd Coates, aqui).

Primeiras impressões do tênis Salomon S-Lab Sense 3 Ultra

Já fazia algum tempo que estava querendo testar esse tênis. Ganhei de presente de aniversário, em outubro, mas acabei postergando a sua “inauguração” por não querer massacrá-lo no asfalto – até que desisti de preciosismo.

Ontem pela manhã decidi calçá-lo e aproveitar pelo menos a pequena trilha em torno do Ibirapuera. Não é exatamente um ambiente selvagem – mas também não é uma avenida inteiramente pavimentada.

Primeiras impressões: o sistema de cadarço dele é complicado. Levei alguns bons minutos até entender a lógica e, em um dos pés, acabei deixando-o apertado demais. Além disso, como se pode ver na foto abaixo, esse sistema deixa a lateral do tênis próxima ao tornozelo aberta demais. Não senti nenhum problema prático no percurso que fiz – mas certamente isso pode permitir que pedrinhas entrem e atrapalhem um pouco (embora haja uma proteção na língua que pode eliminar problemas do gênero).

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Por outro lado, pode ser que apenas um ajuste melhor no cadarço resolva. Veremos em próximas corridas.

Fora isso, o tênis se comportou incrivelmente bem. O grip na sola é muito forte e seguro – certamente teria feito a diferença no Indomit Bombinhas enlameado que participei há alguns meses.

Gosto de correr com tênis minimalistas – o mais “barefoot style” possível, com drop zero e peso ínfimo. Nas ruas, normalmente uso o Merrell TrailGloves ou o Vibram Fivefingers, excelentes para ajudar na biomecânica. O Salomon S-Lab Sense 3 Ultra não é exatamente “barefoot style” – tem um drop de 4mm que me preocupou um pouco no começo.

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E, de fato, esse drop pode ser sentido nos primeiros passos, mas um ajuste rápido na pisada para garantir uma biomecânica fluida, com pisada com o peito do pé, resolve. Não tive nenhum problema ou dor.

Ao contrário: a qualidade da sola acabou protegendo os pés dos galhos e pedrinhas no caminho mais do que qualquer outro tênis que estou habituado a usar.

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Outro ponto positivo é a leveza. São 230g de tênis – apenas 90g a mais que o Vibram e 30 a mais que o Merrell. Pouco, muito pouco considerando o nível de proteção e grip da sola.

No geral, fiquei muito, muito satisfeito com o tênis. Tanto que estou seco por uma trilha nova em algum lugar para que possa testá-lo por mais tempo em “condições mais adequadas”, para dizer o mínimo.

Checkpoint semanal: Olá, longão!

Estava com saudades de um longão realmente descente.

Nos últimos tempos, tenho feito corridas mais curtas e buscado mais velocidade nelas – pelo menos até a Maratona de Sampa. Depois disso, acabei entrando em uma espécie de vácuo de overtraining, me recuperando mais lentamente do que desejava. Mas o fato é que me recuperei – e, ontem, depois de muitas semanas, fui para a rua sem muita hora para voltar.

Foram, na prática, 3h23 somando pouco mais de 30,6km. Um ritmo lento, admito – mas velocidade não estava exatamente nos planos. A ideia era apenas sair de casa, entrar na USP e aproveitar o máximo de duas voltas por lá, sorvendo cada raio de sol, cada visual e cada gota do clima de corrida que domina todo aquele ambiente.

Não vou mentir que cheguei bem cansado de volta – 30km são 30km em qualquer que seja a fase do treino. Mas cheguei bem e pronto para fechar a semana com uma corrida mais acelerada hoje, onde usei pela primeira vez o Salomon S-Lab Ultra na trilha em volta do Ibirapuera. Mas isso fica para outro dia.

Por hora, vão apenas os meus gráficos acumulados e a satisfação de ter quebrado, novamente, a marca dos 30km em um sábado como outro qualquer.

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