Conclusões do último longo antes da ultra

Hoje foi um daqueles dias importantes em um treinamento: o último longo antes da largada que, agora, está a menos de uma semaninha de distância.

Minhas principais preocupações eram preparo nutricional (por conta da dieta low carb), cansaço físico e equipamento.

Ponto 1: nutricionalmente, nada poderia estar melhor. Saí de jejum para a corrida (leve) de 2h15 e nem me lembrei de qualquer sensação próxima de fome. Ao contrário, foi como se ficasse mais forte na medida em que o tempo passasse – algo que parece um contrasenso mas que tem a sua lógica. Com o tempo, afinal, o organismo vai ficando mais hábil na conversão de gordura em energia.

A única coisa que me chamou a atenção negativamente foi a sede. Não sei se porque o corpo está retendo menos líquido, mas o fato é que a sensação de sede foi constante. Enfim, aparentemente será algo que precisarei lidar.

Ponto 2: o cansaço físico está mais vinculado aos erros de treino que cometi. Comecei com intensidade demais, atingi meu pico um mês antes do que deveria e passei as últimas semanas forçando uma espécie de “tapering” antecipado seguido de uma escalada gradual em volume. Em outras palavras, estou tentando reparar um estrago que culminou em uma exaustão total há 30 dias. 

Há, claro, aquela insegurança pela redução brusca na quilometragem semanal – algo que faz a mente temer a visão de qualquer ultra. Mas isso é algo que terei que lidar lá, na semana que vem. 

Do ponto de vista de fadiga, as pernas estão melhores e senti um cansaço além do esperado em subidas mais íngremes. Nos últimos km ainda fiquei com as panturrilhas mais pesadas – o que acabou passando depois que mudei o foco e deixei o pensamento voar por frugalidades além da corrida.

De zero a 10, nota 7. Ainda tenho uma semana de ajuste e espero aproveitá-la bem, mesclando treinos com algum descanso. Pouco: a essa altura, estou com a nítida sensação que, se foi o excesso de treino que me derrubou no mês passado, agora pode ser o excesso de descanso que está impedindo uma recuperação mais rápida.

Ponto 3: o equipamento em si sempre é uma preocupação, principalmente em uma ultra meio autosuficiente, onde se deve contar apenas com um apoio mínimo.

Minha mochila é nova, uma RaidTrail de 10L da Quechua. Aguenta 2 litros de água, quantidade que considero ideal, com algum espaço para coisas extras (bateria de telefone adicional, cobertor térmico, pacotes de nozes etc.). 

O único problema é que esse modelo não tem cinto na parte de baixo, o que faz o volume inteiro balançar um pouco. Mas tudo bem: é facilmente administrável. Não vejo problemas aí.

Com o tênis, por outro lado, a questão foi outra. Originalmente usaria um Salomon Sense Ultra, perfeito para trilhas. O problema: o cabedal é muito duro, prendendo os dedos. Na última ultra que fiz, em janeiro, ele foi responsável por evitar muitos escorregões – mas gerou duas bolhas e me fez perder duas unhas.

A opção é um Merrell Ultra, relativamente novo, feito para longas distâncias no asfalto. É a marca que mais curto pela leveza, falta de drop, tamanho do cabedal e resistência. O lado ruim: ele não é exatamente feito para trilhas.

O que fazer então? Bom… como o Merrell está novo, com o solado Vibram praticamente intacto, vou confiar na sua capacidade de grip e optar pelo conforto que proporciona. Como a Estrada Real não deve ter muitas trilhas técnicas (e mais estradas de terra), creio ser uma opção perfeita.

Resumo da ópera, portanto: nutrição perfeita, físico quase lá e equipamento definido.

Tudo a caminho para a Ultra Estrada Real!

  

Ultra Estrada Real: Vans até a largada

Já começo pedindo desculpas pelo prazo apertado, mas somente agora conseguimos articular as vans que sairão de Ouro Preto, na madrugada do dia 4, até Santa Bárbara. 

Na prática, aliás, estamos trabalhando com dois cenários: um micro-ônibus para 25 pessoas ou uma van para 15. 

Tudo depende da quantidade de pessoas que efetivamente confirmarão, então nosso prazo também está apertado.

Por conta disso, já sendo prático, vamos às infos:
 

– A van custará R$ 50,00 por pessoa. Ela poderá parar em cada uma das cidades do percurso mas, até o momento, a lista de interessados inclui pontos em Ouro Preto, Mariana e Catas Altas. 

 – Em seguida, a van retornará até Ouro Preto 

 – O prazo para pagamento e confirmação é até o final desta próxima terça, 31/03. 

Isso é importantíssimo: quem quiser deve fazer o pagamento até esta data, impreterivelmente. 

 O pagamento deve ser feito pelo site do Caminhos de Rosa, outra corrida organizada pelo André Zumzum, no link http://caminhosderosa.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=van 

É isso! 

Dúvidas, por favor mandem email diretamente para ele e para mim nos emails andrepuc_vet@hotmail.com e emailnacorrida@gmail.com

 Hora de correr para garantir o traslado!!

 

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Ultra Estrada Real: Faltam 10 dias!

Hoje já é quinta.

Faltam, oficialmente, 10 dias para largarmos de lá de Santa Bárbara até Ouro Preto!

E, organizacionalmente falando, ainda temos alguns itens a ver – como postos de apoio, mantimentos e as vans até a largada. Essa fase final está demandando uma atençào mais intensa e por isso mesmo ainda não postei novas atualizações aqui no blog.

Até amanhã, no entanto, espero já ter todas as infos referente às vans e posto por aqui, bem como demais questões.

O importante mesmo é que o dia está chegando!

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Chegando lá…

Com duas semanas e meia de low-carb, a adaptação já está a pleno vapor. 

Reduzi o consumo de carboidratos para 20-25g/ dia, algo que já está confortável a despeito de uma ou outra súbita (e, ainda bem, temporária) vontade de comer algo doce. 

O mais importante: a energia durante as corridas parece já estar constante, mais forte, com menos fadiga tomando conta das pernas.

Aliás, nesse aspecto, o único incômodo que tenho sentido é uma pequena dor nos tornozelos, algo muito mais relacionado ao rebote do período forçado de tapering que fiz para me recuperar do excesso de treino. Coisa que deve passar nos próximos dias, com mais treino como “remédio”.

Fora isso, hoje fiz 1h30 confortáveis, leves, simulando um pace próximo ao que farei na Ultra Estrada Real. E tudo saiu exatamente como eu queria, dentro da meta de “zerar” o corpo até o domingo para largar bem na próxima semana.

Aguardemos os próximos dias.

  

Pura felicidade

Sempre parti do princípio de que viemos ao mundo com o único propósito de experimentá-lo, de colecionar o máximo possível de sensações no mínimo possível de tempo. Afinal, se há uma verdade incontestável, é que todos acabaremos da mesma maneira que começamos: como poeira cósmica.

Sob essa ótica, a nossa existência inteira tem pouca utilidade prática, pouca relevância perante um universo que já existia antes de nós e que existirá por muito tempo depois que o nosso minúsculo planeta deixar de cumprir o seu papel de “grão de areia cósmico”.

E há um lado incrivelmente libertador quando encaramos a vida assim: podemos viver segundo o pensamento de que ganhamos de presente décadas e mais décadas de raciocínio lógico com o único propósito de nos fazer aproveitar cada instante.

Delícia, não? 

Correr ultras certamente ajuda a proporcionar situações diferentes, intensas, para se colecionar novas experiências. Permite viagens para lugares exóticos, tempo para si mesmo e escapes constantes de cotidianos com os quais, afinal, temos que lidar para ganhar a vida e as oportunidades por ela remuneradas.

E, ao colecionar experiências, acabamos ruminando-as em cada passada de corridas mais longas, em cada momento de solidão, em cada gota de suor derramada sobre trilhas ou asfalto. 

Em duas semanas correrei pelas mesmas estradas e ruas que testemunharam rios de ouro e diamante fluirem soltos das montanhas mineiras até outros continentes.

Em dois meses voltarei a um dos lugares que mais amo no mundo, a África, para fortalecer o caldo de endorfina coletiva junto a milhares de pessoas em uma travessia historicamente épica.

E, entre uma data e outra, há quilômetros e mais quilômetros de cultivo de felicidade.

A vida é inquestionavelmente maravilhosa.

  

Meta da semana: zerar o corpo

Dado o exagero no processo de treinamento, acabei tendo um plano B curioso antes da Ultra Estrada Real: fiz um tapering de 3 semanas, diminuindo volume e intensidade, e agora, faltando duas semanas para a largada, começo justamente a acumular esforço de maneira crescente. É como se esse período pre-prova fosse mais um aquecimento do que um desaquecimento, deixando a musculatura mais “empolgada” do que “descansada”.

Em paralelo, há a adaptação à dieta low-carb (LCHF), que deixa uma sensação forte de fadiga no corpo durante os treinos pelo menos até que ele esteja mais fluente no uso primário de gordura (ao invés de carboidratos) como fonte primária de energia.

Pois bem: se essa semana tem uma meta, é deixar o corpo zerado. Devo ter algo como 6 horas para fazer até o domingo, incluindo alguma intensidade e um longuinho de apenas 2h no sábado. Perfeito: preciso sair da semana melhor adaptado dieteticamente e com dores na musculatura, principalmente nas pernas, entre levíssimas e inexistentes.

Não tenho exatamente um plano para isso. A bem da verdade, o que estou agora é sentindo os efeitos de um plano desenhado há pouco menos de um mês, quando a exaustão tomou conta de todo o meu organismo e deixou claro que o caminho que estava seguindo estava “errado”.

A hora agora será justamente de começar a sentir os efeitos dos ajustes desenhados, torcendo para que eles tenham sido efetivos.

Checkpoint: Em plena adaptação à LCHF

De toda a semana, eu diria que o mais significativo foi, sem dúvidas, os sintomas de adaptação à “Low Carb, High Fat” (LCHF). De acordo com muitos artigos e relatos que li, há uma fase mais aguda de queda de performance quando o corpo ainda está aprendendo a lidar com o uso de gordura (ao invés de carboidrato) como fonte primária de energia.

Apesar da intensidade de treinos que tive nos últimos meses, nada mais explicaria o resultados dos últimos dias. Hoje, por exemplo, saí para 1h de corrida apenas levemente abaixo dos 6min/km e, já antes da metade, comecei a sentir uma fadiga forte nas pernas. O curioso é que não tive nada nem remotamente semelhante a fome ou àquela sensação de “falta de combustível”. O tanque estava cheio – ele apenas não respondia direito.

Ainda bem que existe a Internet: poucos recursos permitiram uma troca de experiências com outras pessoas ao ponto de nos fazer entender melhor sintomas como estes, algo que, em outros casos, me deixaria em pânico dada a proximidade da Ultra Estrada Real.

Falando nela, há apenas 2 semanas de preparo final. É difícil prever se estarei ou não plenamente adaptado até lá e, embora soubesse desse risco antes de mudar a dieta, sigo confiante de que tudo dará certo. Pela minha ótica, afinal, basta persistir mantendo o ritmo planejado de treino, garantindo uma ingestão realmente baixa de carboidratos (algo entre 30g e 50g/ dia) e interpretando as coisas mais estranhas como adaptação.

Do ponto de vista de gráfico de treino, o meu começa a parecer uma piada quando comparado ao do ano passado. Mas tudo bem: ainda é cedo para arriscar qualquer palpite sobre ele considerando que a prova alfa mesmo, a Comrades, está ainda a mais de 2 meses de distância.

Pelo menos o pace médio voltou a um nível mais desejável.

Sigamos treinando.

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LCHF em treinos intensos durante a adaptação

Começar uma dieta “low carb , high fat” (LCHF) tem as nuances, principalmente para quem pratica um esporte um tanto quanto exagerado como é o caso das ultras.

Afinal, a troca de carboidratos por gordura tem efeitos nitidamente positivos: falta de fome durante horas e horas e um ganho de hábito do organismo em transformar justamente as gorduras em energia.

Mas, claro, ainda estou em adaptação – e essa fase inclui passar por sintomas (que já estão leves) como dores de cabeça e um pouquinho de tontura. Na corrida, saindo em jejum (até como estratégia para forçar a adaptação), esse sintomas são agravados por uma certa perda de performance.

Tudo temporário, ao menos segundo todo o mar de estusos que li. Fazer o corpo transformar gordura, ao invés de carboidratos, em fontes primárias de energia, é um processo realmente mais complexo para ele aprender.

Hoje tinha 1h30 com duas sessões de tempo: uma de 30′ e outra, de 20′. Porrada pura.

Estava esgotado ao final da segunda sessão, terminando já em ritmo mais lento e completando os minutos depois a um ritmo bem mais confortável. Não dá para dizer que senti fome – mas a sensação de tanque vazio foi nítida. Resquício, provavelmente, da “memória do organismo”, habituado aos carboidratos.

Ainda insisti um pouco depois da corrida, passando mais 1h30 em jejum, antes de matar um iogurte integral.

Agora é acompanhar a evolução nas próximas corridas. Como, no geral, estou realmente melhor – mais disposto, dormindo melhor e me sentindo extremamente bem – acredito (e espero) que logo essa transição se complete.

E amanhã tenho uma bateria de exames de sangue para ver os resultados práticos de tudo isso. Torçamos para que tudo esteja bem!

Semana com improviso e cautela

Estou cauteloso essa semana.

Não só por ter me excedido no sábado, lá no Rio, mas porque a Ultra Estrada Real está logo ali.

Resultado: qualquer incômodo minimamente mais preocupante e eu já desacelero ou paro. Foi o que fiz na última quarta, quando simplesmente cancelei um treino de uma hora por estar com dores demais nas coxas. Melhoraram.

Ontem saí para 1h40. Mais difíceis no começo, com as articulações tesas, tensas. Mas depois acabei me soltando, fazendo o corpo “fluir” melhor. 

Era o que eu precisava, nem que por puro fator motivacional.

Amanhã meu longão será bem mais curto que a média: devo ficar na casa das 2h. Domingo, mas 1 para fechar.

E assim vamos caminhando para a última semana de treino antes da UER.

Estou curioso para saber se realmente consegui me recuperar do excesso de treinos de intensidade do passado recente.

  

Ultra Estrada Real: Sobre nosso Passaporte, carimbos no caminho e certificado

Como comentei há algum tempo aqui no blog, o Instituto Estrada Real está apoiando a ultra com força total. Parte desse apoio, claro, inclui a montagem de um certificado de conclusão emitido por eles, seguindo um modelo de passaporte como o do Caminho de Santiago.

Há, no entanto, algumas regras que podem interferir no próprio planejamento da corrida de cada um e que já posto aqui no blog. Vamos lá:

Passaportes

Todos os nomes dos corredores inscritos já estão com o Instituto Estrada Real, que está providenciando os nossos passaportes. A retirada desse passaporte deve ser feita na sexta-feira, 03/04, entre 15:00 e 18:00, no Centro Cultural de Ouro Preto. O endereço é: Praça Tiradentes, 4. Facinho assim.

Carimbos em trânsito

Para termos o certificado de conclusão, precisaremos de 3 carimbos de passagem. O último pode ser dado diretamente em Ouro Preto, na retirada do certificado – mas dois deles precisarão ser feitos ao longo da corrida. Esses carimbos poderão ser dados em 2 das cidades do caminho – Catas Altas e Mariana. Abaixo estão os endereços de cada um dos pontos:

Em Catas Altas: 

  • Centro de Atendimento ao Turista: Rua Monsenhor Mendes, 26 – Casa da Cultura (das 8 às 17, mas fecha para o almoço). Contato local: Márcia Martins, no 31-3660-2003
  • Pousada Ecopousada Escarpas do Caraça: Rua Melquíades Leandro, 1050 – Santa Quitéria (24 horas). Contato local: Alouad/ Cida Saad, nos telefones 31-8397-4654 e 31-3832-7473

Em Mariana:

  • Centro de Atendimento ao Turista: Rua Direita, 91/ 93 (das 8 às 18:30). Contato local: Érica Chaves, no 31-3558-2314/ 1062
  • Pousada Contos de Minas: Rua Zizinha Camello, 15 – Centro (24 horas). Contato local: Beatriz, no 31-3558-5400.
  • Pizzaria Dom Silvério: Rua Salomão Ibrahim da Silva, 78 (das 18:30 à 0:00). Contato local: Érica, no 31-3557-2475.

Importante: Há mais do que um ponto nas duas cidades, todos próximos ao caminho – mas apenas um carimbo por cidade será aceito. 

Retirada do certificado

Com os dois carimbos dados no passaporte, basta chegar sem estresse em Ouro Preto. A retirada do certificado acontecerá no dia seguinte, Domingo de Páscoa, lá no escritório do IER. O contato é a Paula, no 31-3551-3637, e o endereço é o mesmo da retirada dos passaportes: Praça Tiradentes, 4. Como estaremos em plena Páscoa, só tenha em mente que o último carimbo e a retirada do certificado serão feitos entre as 9:00 e as 11:00 ok?

Aí é descansar e guardar o que, para muitos, será o primeiro passaporte de peregrino oficial (embora percorrer longas distâncias não seja exatamente uma grande novidade para a maioria).

Não se esqueçam: tanto passaporte quanto certificado são bônus, opcionais. 

Como todo esse processo envolve retirar o passaporte um dia antes em Ouro Preto e buscar os locais de carimbo no meio do percurso, nunca é demais frisar que ninguém é obrigado a nada. O importante é correr e, lembrança por lembrança, teremos o troféu do que o André Zumzum preparou.

No entanto – e falo por mim aqui – há todo um valor no passaporte de peregrino só agrega à experiência que teremos na Estrada Real!

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