Meta da semana: zerar o corpo

Dado o exagero no processo de treinamento, acabei tendo um plano B curioso antes da Ultra Estrada Real: fiz um tapering de 3 semanas, diminuindo volume e intensidade, e agora, faltando duas semanas para a largada, começo justamente a acumular esforço de maneira crescente. É como se esse período pre-prova fosse mais um aquecimento do que um desaquecimento, deixando a musculatura mais “empolgada” do que “descansada”.

Em paralelo, há a adaptação à dieta low-carb (LCHF), que deixa uma sensação forte de fadiga no corpo durante os treinos pelo menos até que ele esteja mais fluente no uso primário de gordura (ao invés de carboidratos) como fonte primária de energia.

Pois bem: se essa semana tem uma meta, é deixar o corpo zerado. Devo ter algo como 6 horas para fazer até o domingo, incluindo alguma intensidade e um longuinho de apenas 2h no sábado. Perfeito: preciso sair da semana melhor adaptado dieteticamente e com dores na musculatura, principalmente nas pernas, entre levíssimas e inexistentes.

Não tenho exatamente um plano para isso. A bem da verdade, o que estou agora é sentindo os efeitos de um plano desenhado há pouco menos de um mês, quando a exaustão tomou conta de todo o meu organismo e deixou claro que o caminho que estava seguindo estava “errado”.

A hora agora será justamente de começar a sentir os efeitos dos ajustes desenhados, torcendo para que eles tenham sido efetivos.

Checkpoint: Em plena adaptação à LCHF

De toda a semana, eu diria que o mais significativo foi, sem dúvidas, os sintomas de adaptação à “Low Carb, High Fat” (LCHF). De acordo com muitos artigos e relatos que li, há uma fase mais aguda de queda de performance quando o corpo ainda está aprendendo a lidar com o uso de gordura (ao invés de carboidrato) como fonte primária de energia.

Apesar da intensidade de treinos que tive nos últimos meses, nada mais explicaria o resultados dos últimos dias. Hoje, por exemplo, saí para 1h de corrida apenas levemente abaixo dos 6min/km e, já antes da metade, comecei a sentir uma fadiga forte nas pernas. O curioso é que não tive nada nem remotamente semelhante a fome ou àquela sensação de “falta de combustível”. O tanque estava cheio – ele apenas não respondia direito.

Ainda bem que existe a Internet: poucos recursos permitiram uma troca de experiências com outras pessoas ao ponto de nos fazer entender melhor sintomas como estes, algo que, em outros casos, me deixaria em pânico dada a proximidade da Ultra Estrada Real.

Falando nela, há apenas 2 semanas de preparo final. É difícil prever se estarei ou não plenamente adaptado até lá e, embora soubesse desse risco antes de mudar a dieta, sigo confiante de que tudo dará certo. Pela minha ótica, afinal, basta persistir mantendo o ritmo planejado de treino, garantindo uma ingestão realmente baixa de carboidratos (algo entre 30g e 50g/ dia) e interpretando as coisas mais estranhas como adaptação.

Do ponto de vista de gráfico de treino, o meu começa a parecer uma piada quando comparado ao do ano passado. Mas tudo bem: ainda é cedo para arriscar qualquer palpite sobre ele considerando que a prova alfa mesmo, a Comrades, está ainda a mais de 2 meses de distância.

Pelo menos o pace médio voltou a um nível mais desejável.

Sigamos treinando.

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LCHF em treinos intensos durante a adaptação

Começar uma dieta “low carb , high fat” (LCHF) tem as nuances, principalmente para quem pratica um esporte um tanto quanto exagerado como é o caso das ultras.

Afinal, a troca de carboidratos por gordura tem efeitos nitidamente positivos: falta de fome durante horas e horas e um ganho de hábito do organismo em transformar justamente as gorduras em energia.

Mas, claro, ainda estou em adaptação – e essa fase inclui passar por sintomas (que já estão leves) como dores de cabeça e um pouquinho de tontura. Na corrida, saindo em jejum (até como estratégia para forçar a adaptação), esse sintomas são agravados por uma certa perda de performance.

Tudo temporário, ao menos segundo todo o mar de estusos que li. Fazer o corpo transformar gordura, ao invés de carboidratos, em fontes primárias de energia, é um processo realmente mais complexo para ele aprender.

Hoje tinha 1h30 com duas sessões de tempo: uma de 30′ e outra, de 20′. Porrada pura.

Estava esgotado ao final da segunda sessão, terminando já em ritmo mais lento e completando os minutos depois a um ritmo bem mais confortável. Não dá para dizer que senti fome – mas a sensação de tanque vazio foi nítida. Resquício, provavelmente, da “memória do organismo”, habituado aos carboidratos.

Ainda insisti um pouco depois da corrida, passando mais 1h30 em jejum, antes de matar um iogurte integral.

Agora é acompanhar a evolução nas próximas corridas. Como, no geral, estou realmente melhor – mais disposto, dormindo melhor e me sentindo extremamente bem – acredito (e espero) que logo essa transição se complete.

E amanhã tenho uma bateria de exames de sangue para ver os resultados práticos de tudo isso. Torçamos para que tudo esteja bem!

Semana com improviso e cautela

Estou cauteloso essa semana.

Não só por ter me excedido no sábado, lá no Rio, mas porque a Ultra Estrada Real está logo ali.

Resultado: qualquer incômodo minimamente mais preocupante e eu já desacelero ou paro. Foi o que fiz na última quarta, quando simplesmente cancelei um treino de uma hora por estar com dores demais nas coxas. Melhoraram.

Ontem saí para 1h40. Mais difíceis no começo, com as articulações tesas, tensas. Mas depois acabei me soltando, fazendo o corpo “fluir” melhor. 

Era o que eu precisava, nem que por puro fator motivacional.

Amanhã meu longão será bem mais curto que a média: devo ficar na casa das 2h. Domingo, mas 1 para fechar.

E assim vamos caminhando para a última semana de treino antes da UER.

Estou curioso para saber se realmente consegui me recuperar do excesso de treinos de intensidade do passado recente.

  

Ultra Estrada Real: Sobre nosso Passaporte, carimbos no caminho e certificado

Como comentei há algum tempo aqui no blog, o Instituto Estrada Real está apoiando a ultra com força total. Parte desse apoio, claro, inclui a montagem de um certificado de conclusão emitido por eles, seguindo um modelo de passaporte como o do Caminho de Santiago.

Há, no entanto, algumas regras que podem interferir no próprio planejamento da corrida de cada um e que já posto aqui no blog. Vamos lá:

Passaportes

Todos os nomes dos corredores inscritos já estão com o Instituto Estrada Real, que está providenciando os nossos passaportes. A retirada desse passaporte deve ser feita na sexta-feira, 03/04, entre 15:00 e 18:00, no Centro Cultural de Ouro Preto. O endereço é: Praça Tiradentes, 4. Facinho assim.

Carimbos em trânsito

Para termos o certificado de conclusão, precisaremos de 3 carimbos de passagem. O último pode ser dado diretamente em Ouro Preto, na retirada do certificado – mas dois deles precisarão ser feitos ao longo da corrida. Esses carimbos poderão ser dados em 2 das cidades do caminho – Catas Altas e Mariana. Abaixo estão os endereços de cada um dos pontos:

Em Catas Altas: 

  • Centro de Atendimento ao Turista: Rua Monsenhor Mendes, 26 – Casa da Cultura (das 8 às 17, mas fecha para o almoço). Contato local: Márcia Martins, no 31-3660-2003
  • Pousada Ecopousada Escarpas do Caraça: Rua Melquíades Leandro, 1050 – Santa Quitéria (24 horas). Contato local: Alouad/ Cida Saad, nos telefones 31-8397-4654 e 31-3832-7473

Em Mariana:

  • Centro de Atendimento ao Turista: Rua Direita, 91/ 93 (das 8 às 18:30). Contato local: Érica Chaves, no 31-3558-2314/ 1062
  • Pousada Contos de Minas: Rua Zizinha Camello, 15 – Centro (24 horas). Contato local: Beatriz, no 31-3558-5400.
  • Pizzaria Dom Silvério: Rua Salomão Ibrahim da Silva, 78 (das 18:30 à 0:00). Contato local: Érica, no 31-3557-2475.

Importante: Há mais do que um ponto nas duas cidades, todos próximos ao caminho – mas apenas um carimbo por cidade será aceito. 

Retirada do certificado

Com os dois carimbos dados no passaporte, basta chegar sem estresse em Ouro Preto. A retirada do certificado acontecerá no dia seguinte, Domingo de Páscoa, lá no escritório do IER. O contato é a Paula, no 31-3551-3637, e o endereço é o mesmo da retirada dos passaportes: Praça Tiradentes, 4. Como estaremos em plena Páscoa, só tenha em mente que o último carimbo e a retirada do certificado serão feitos entre as 9:00 e as 11:00 ok?

Aí é descansar e guardar o que, para muitos, será o primeiro passaporte de peregrino oficial (embora percorrer longas distâncias não seja exatamente uma grande novidade para a maioria).

Não se esqueçam: tanto passaporte quanto certificado são bônus, opcionais. 

Como todo esse processo envolve retirar o passaporte um dia antes em Ouro Preto e buscar os locais de carimbo no meio do percurso, nunca é demais frisar que ninguém é obrigado a nada. O importante é correr e, lembrança por lembrança, teremos o troféu do que o André Zumzum preparou.

No entanto – e falo por mim aqui – há todo um valor no passaporte de peregrino só agrega à experiência que teremos na Estrada Real!

passaporte

Dieta Low Carb High Fat: Até o momento, tudo indo bem

Ontem fechei a minha primeira semana na dieta de LCHF (low carb, high fat, ou pouco carboidrato e muita gordura). E, apesar de estar ainda em plena fase de transição, já posso arriscar um palpite de que me adaptarei muito bem a ela.

No entanto, a primeira impressão realmente é esquisita. Começar o dia comendo três ovos com duas fatias de bacon e, em seguida, engolir um iogurte integral, é no mínimo diferente de tudo o que estamos habituados a considerar saudável. Mas, aparentemente, comidas light realmente não são sinônimas de saúde.

Sem querer passar horas e horas me aprofundando na LCHF (mesmo porque há pessoas muito mais competentes que eu no assunto), cabe apenas uma explicação rápida. O carboidrato que costumamos consumir em nosso cotidiano acaba sendo absorvido em forma de açúcar em nosso sangue, o que aumenta o nível de glicose. Resultado imediato: o pâncreas produz a insulina, hormônio cuja função primária é justamente armazenar gordura no corpo. Após algumas horas, esse pico de açúcar e insulina desaparece e deixa uma forte sensação de fome, nos fazendo comer mais e iniciando um ciclo vicioso que culmina em ganho de peso. Aliás, sabe aquelas instruções de se alimentar a cada 3 horas? Tem muita relação com esse hábito já arraigado em nosso cotidiano uma vez que uma alimentação com alto teor de carboidrato deixa o organismo em constante estado de fome.

Por muito tempo, a solução proposta pela nutrição para nos manter saudáveis era cortar a gordura ao máximo, usando uma fonte mais…. digamos… “limpa” de carboidratos. Mas o fato básico não muda: carboidratos viram açúcares, açúcares bombam a produção de insulina e insulina armazena gordura no corpo. Daí a necessidade de mudanças mais dramáticas e já pregadas em diversos estudos científicos mundo afora: trocar radicalmente a fonte de energia.

Afinal, o corpo precisa, claro, de alguma fonte de energia – e se essa fonte não vier de carboidratos, de onde ela virá?

Pois é: da gordura.

Essa “troca” de fonte primária de energia externa acaba mudando dramaticamente a maneira do corpo funcionar. Por exemplo: com uma baixa ingestão de carboidrato, a produção de insulina fica mais estável, o que significa que sensações de fome são mais esparsas. Eu, por exemplo, já estou habituado a comer apenas 2 vezes por dia (uma vez a cada 12 horas) – e sem sequer me lembrar da “fome”.

Mas há mais: com menos insulina, há também menos armazenamento de gordura pelo próprio corpo: de vilã, ela passa a virar o nosso combustível perfeito. Resultado: trocar carboidrato por gordura acaba ensinando o corpo a queimá-la de maneira mais eficiente, o que inclusive leva a uma (irônica) perda de peso.

Um outro efeito da LCHF é que pressão sanguínea, glicemia e colesterol todos melhoram. Essa teoria, no entanto, testarei apenas na semana que vem, quando farei uma bateria de exames de sangue.

Durante esse processo (que, repito, foi de uma semana até agora), senti apenas algumas dores de cabeça, descritas em estudos como normais em fase de adaptação.

Mas mesmo elas já passaram e acredito estar já bem engrenado nesse novo estilo de vida.

A troca de alimentação em si, por incrível que pareça, não foi tão difícil. Claro: cortar pães, chocolate e grãos (arroz, macarrão, feijão etc.) deixou uma certa sensação de tristeza na memória alimentar. Mas consumir aquelas coisas deliciosamente gordas, como picanha, salmão, atum etc., sem pensar na quantidade e apenas focando a saciedade, certamente vale a pena.

Vamos ver como funcionam os próximos dias!

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Ultra Estrada Real: Inscrições encerradas e contagem regressiva iniciada!

Pois é.

Agora somos, oficialmente, 105 inscritos para fazer a Ultra Estrada Real no sábado anterior à Páscoa, 4 de abril. A lista completa de participantes está aqui e, a partir de agora, começamos a contagem regressiva para a largada!

Boa sorte a todos os que participarão nesse evento que, pessoalmente, considero incrível pelas suas características: marcado 100% via redes sociais e blogs, gratuito, sem nenhum tipo de sofisticação mas que cruzará uma rota histórica, de beleza indescritível e ideal para esse grupo multifacetado de corredores de todos os cantos do Brasil.

Nos vemos às 5:30 da manhã em Santa Bárbara!

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Checkpoint: Exagero, mas com uma excelente desculpa

Sim: essa semana era apenas para retomar, de leve, o aumento de volume mantendo a velocidade. Era para preservar o corpo, deixá-lo em um estado melhor que o que estava há poucas semanas.

Mas aí eu vim pro Rio.

Impossível chegar em uma cidade incrível como essa, com paisagens deslumbrantes, contando ainda com um guia Unogwaja e não exagerar.

Pois é: exagerei. No longão de ontem, que era para ser de 3 horas no plano, beirei as 4 com 1.500 metros de altimetria. Acordei, claro, cansado. Fui para um regenerativo na Lagoa, perto de onde estou e que deveria ser de 30 minutos, e acabei fazendo 50 a um ritmo bem maior que o planejado.

Fazer o que? Pregar vistas inesquecíveis na memória é um dos principais motivos pelos quais corremos. Assim sendo, não tenho dúvidas de que fui além do que deveria – mas conto com o acúmulo extra em motivação para compensar a fadiga.

Enquanto isso, os gráficos me punem: o comparativo com o treino de Comrades do ano passado, abaixo, já mostra perda de ritmo:

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A planilha com a evolução desse ano, no entanto, mostra um crescimento bem vindo nos indicadores mais importantes:

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Bom: a UER vem em menos de 20 dias. Agora preciso me cuidar mais do que nunca para estar preparado.

Enquanto isso, aproveitarei o restante do dia para me embebedar nas lembranças que levarei dessa cidade de volta para casa.

Longão carioca inesquecível

A primeira coisa que fiz quando me liguei que, em dois dias, estaria indo pro Rio, foi mandar uma mensagem para o Rodrigo Richard, um dos brasileiros que participará do Unogwaja Challenge esse ano, e perguntar o que ele aconselhava de treino no Rio fora da óbvia orla.

Ele fez melhor: junto com a Nadja, sua esposa (e que correu parte da Comrades do ano passado ao meu lado) e de um grupo de amigos, me levou para um longão alucinante pela Floresta da Tijuca. E é tão difícil descrever em palavras as belezas dessa cidade incrível que decidi apenas colocar, nesse post, alguns highlights e muitas fotos.

Primeiro, fui correndo do Leblon até o Jardim Botânico, onde me encontrei com eles na Padaria Pacheco Leão. 3km leves para aquecer.

De lá subimos por 6km até a Vista Chinesa – um local que, como o próprio nome sugere, faz o Rio inteiro se abrir para os olhos. De lá, mais alguns poucos kms de subida até a Mesa do Imperador, onde D. Pedro II fazia picnics com sua família lá em outras eras de nossa história.

Incrível. E isso sem contar o que ainda estava por vir.

Descemos um pouco e tomamos outro rumo, até a Pedra Bonita, onde os saltoa de asa delta são feitos. Primeiro, subimos até uma pedra por uma trilha de cerca de 2km, bebendo uma vista que se desacortinou diante de nossos olhos em tempo real (pois quando chegamos tudo estava coberto pela neblina).

Depois, descemos a trilha e subimos a estrada até a rampa, onde os pássaros humanos (de asa delta e paraglider) saltavam sem parar. Passamos um tempo ali apenas curtindo a vista e a adrenalina alheia – até que chegou a hora de descer.

E descemos tudo de volta. E subimos até a Mesa. E subimos até a Vista Chinesa.

De lá, tomamos um rumo diferente: abandonamos a estrada e tomamos uma trilha de cerca de 2km até os arredores do Jardim Botânico. Trilha light, super bem vinda e que deu o acabamento perfeito.

Já na rua, chegamos de volta à Padaria e demos o dia por encerrado.

No total, foram 27,5km com um ganho de elevação de 1,5 mil metros! Sensacional.

Estou em débito com o Rodrigo e a Nadja por ter me guiado! Espero que eles baixem em Sampa para que eu possa retribuir :-)

Embora, verdade seja dita, dificilmente conseguirei arrumar um percurso incrível desse para un treinasso como fizemos!

Percurso abaixo (clique para ver detalhes):

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