Travadas do Fenix 2

Ninguém gosta de gastar quase R$ 2 mil em um equipamento para, depois de poucas semanas, ter que lidar com uuma espécie de falência geral dele. Com a Garmin, essa é a minha segunda vez: o Forerunner 620 foi simplesmente incapaz de entender os treinos que eu inseria nele via Garmin Connect

Cheguei a mandar para o suporte técnico, que me fez esperar mais de um mês (!!!) para me devolver um relógio novo. Resultado: preferi manter os treinos via Adidas MiCoach, até hoje a melhor ferramenta com a qual trabalhei, ouvindo as instruções em tempo real e de acordo com o ritmo via iPhone. 

O tempo passou e, por necessidade de um relógio com maior bateria e mais funcionalidades específicas para trilha (como Trackback e cálculos mais apurados de altimetria), comprei o Fenix 2. No começo, tudo lindo: apesar de meio ‘grandão’, o relógio era prático, altamente funcional e perfeito para as minhas necessidades. 

Até a semana passada, pelo menos. 

Na última terça, logo depois que pausei o relógio por conta de um semáforo que cismava em não abrir, ele travou e reiniciou. Meio frustrado e preocupado, olhei, esperei que ele ligasse novamente e retomei a corrida. O lado positivo: ele manteve o histórico, calculando inclusive o tempo que corri durante o “apagão”, e permitiu um fechamento do treino em bom estado. Resolvi ignorar o problema. 

No sábado, dia de longão, ele resistiu bem até os primeiros 9km. Quando dei uma nova pausa, ele travou de vez. Naquele momento, no entanto, foi ‘de vez’ mesmo: a cada vez que eu tentava retomar a corrida ele travava e reiniciava novamente, gerando um loop infinito. Pior: quando desisti dele e esperie chegar em casa para ver o que estava acontecendo, percebi que nem o histórico havia sido mantido. 

Fui para fóruns técnicos e descobri que o erro não é assim tão incomum, infelizmente. Dentre as soluções que eles deram: atualizar o firmware (o meu já estava atualizado) e zerar o histórico. Zerei o histórico. 

No domingo, saí de novo. Adivinha o que aconteceu na minha primeira pausa? Travada nova, com reinício automático. Pelo menos deu para chegar até o final. 

OK, sendo prático: nao pretendo comprar mais nada da Garmin. Apenas o prospecto de entregar o relógio novamente ao interminável suporte deles já dá preguiça. 

Por hora, vou tentar passar mais tempo sem usar a função de pausa e reinício. Sim, é péssimo optar por ignorar a função de um relógio caro para poder utilizá-lo com menos dor de cabeça – é como escolher a opção ‘menos pior’ em uma situação em que nada além da perfeição deveria ser tolerado. 

Mas, enfim, agora é esperar para ver. Quem sabe uma nova atualização de firmware deles não resolva? 

  

Vale a pena dar uma escapadinha da low-carb?

Cada um tem seus vícios. Além da corrida, o meu é bem pouco saudável: chocolate. 

Cheguei, um dia, a fazer um teste online de alcoolismo (trocando álcool por chocolate no questionário) para medir a intensidade desse “problema”. No teste, qualquer pontuação acima de 8 já recomendaria uma visita aos AAA. Fiz 13. 

Como chocolate é puro açúcar, no entanto, controlá-lo é meio essencial para qualquer dieta low carb. O meu mecanismo de controle é simples: evitar que ele sequer exista dentro de casa. Claro: uma pequena barrinha ou um brigadeiro isolado não matam – em geral, eles ficam entre 10 e 25g de carboidratos.

Mas e quando se exagera? Quais os efeitos práticos de se empanturrar de carboidrato quando se está há tanto tempo em uma dieta restritiva? 

Descobri isso no sábado, aniversário da minha filha, quando um estoque de brigadeiro sem fim entrou pela porta de casa. No começo, foi um só. 

Depois outro. 

Minutos depois, me peguei estocando toda uma bandeja para pequenos assaltos durante a festa. E assaltei sem dó. Devo ter comido uns 30 brigadeiros – para dizer o mínimo. Isso sem contar com o bolo e com um ou outro pedaço de Kit Kat, que também estava presente em abundância. 

Para quem estava habituado a 90g de carboidrato por dia, um pico de mais de 500 certamente dá efeito. Certo? 

Certo. E muito. 

Essa escapadinha da LCHF me rendeu dores de cabeça intensas e um estômago em constate reclamação. A dor de cabeça atravessou a noite de sábado e foi até o domingo à noite. 

No domingo, restringi novamente o consumo e voltei a sentir aqueles mesmos sintomas da fase de adaptação, que inclui um pouco de mal estar e períodos de fome com os quais eu não estava mais habituado. 

Me forcei ao máximo e consegui me manter firme. Sei que ainda terei um tempo, de novo, para me readaptar: agora mesmo estou escrevendo com uma fome do tipo que nunca se sente quando se está na low-carb. Só que agora, claro, a hora é de matá-la com mais bacon e menos chocolate :-)

Essa escapadinha, no entanto, me deu uma resposta para uma pergunta que sempre me fiz: vale a pena dar uma escapadinha da low-carb de vez em quando? 

Minha resposta: se a escapadinha for leve e permitir que o consumo permaneça relativamente baixo, como uma pizza ou coisa do gênero, não vejo problema. Por outro lado, tomar bombas de carboidrato levam o corpo a sintomas tão desnecessários que, honestamente, prefiro ficar sem eles. 

  

Checkpoint: Morros?

Depois do calor e da falta absoluta de morros, a volta para Sampa fez bem. Não que não curta o sol, claro – mas aquela umidade do sul americano estava realmente dando nos nervos. 

Só que uma coisa curiosa aconteceu: o cansaço bateu inesperadamente mais forte a cada subida de morro que fiz desde o meu retorno. Sim, foi só uma semana correndo no plano absoluto – mas parece que esse tempo foi o suficiente para deixar o corpo mal acostumado. 

Fugi um pouco da rota tradicional e, no sábado, fiz o meu longão indo e vindo até o Burle Marx, no Morumbi. São poucas as rotas com mais subidas do que lá, perfeito para colocar de novo o corpo em ordem. 

E coloquei – em que pese o cansaço esquisitíssimo que fiquei depois. Foram 3h30 de corrida, incluindo nelas duas voltas pelas trilhas dos parques Alfredo Volpi e Burle Marx. Ainda assim, somei mais 1h30 hoje, com uma volta pela trilha e outra pela pista do Ibira, além da ida e vinda até em casa. 

Ficou aquela sensação de missão cumprida com os 85km semanais batidos – mas também a nítida certeza que o corpo perde o seu ‘mojo’ com uma facilidade maior do que o que se espera. 

Ainda bem que deu para perceber isso a tempo. Resta agora acelerar essa ‘recuperação’ até meados de outubro, quando farei a Bertioga-Maresias fechando a fase de pico para o Indomit 100K. 

   
 

Nos calcanhares dos Templários

Eu amo história. 

Metade do tempo que passo correndo – pelo menos – fico com fones entuchados no ouvido ecoando audiolivros de história. Das eras medievais às navegações, dos incas aos maias, de Gengis Khan a Maomé, do ocidente ao oriente, tudo que inclua a linha de tempo da humanidade me interessa. 

Não foi por outro motivo que comecei a organizar a Ultra Estrada Real, refazendo o caminho dos primeiros mineiros e escravos na nossa era colonial. Sim: trilhas em lugares inesquecíveis, como os Andes ou os alpes, sempre serão únicas. Mas e se der para unir uma coisa a outra? 

Eis o Festival des Templiers, lá no interior da França. O objetivo: percorrer quilômetros e mais quilômetros de “estradas” utilizadas pelos Templários enquanto estes protegiam os cristãos em suas peregrinações até Jerusalém, lá na era das Cruzadas. Isso inclui passar por castelos antigos e abandonados, cidades fantasmas, cavernas que serviam de esconderijo e solos por onde se derramou muito, muito sangue medieval. 

O conjunto de ultra – que eles chamam de Festival – está na minha lista de desejos faz tempo e recentemente me deparei com a altimetria da prova de 75km. Perfeita. 

Não está nos planos de curto prazo agora… mas ansiedade e endorfina já viraram uma coisa só apenas de sonhar com essa prova. 

Quem quiser saber mais, clique aqui.

   
 

Na gangorra da gripe

Está difícil ficar realmente curado. 

Não que esteja com nada grave, claro: estou apenas com uma gripe que se instalou quando pisei nos Estados Unidos sob o efeito do furacão Erika, fazendo ar e água virarem praticamente o mesmo elemento. Mas isso foi há mais de uma semana. 

Melhorei logo depois e saí para correr. Piorei. 

Repeti a receita. O resultado – pasmem – também se repetiu. 

E, desde que voltei a Sampa, o tempo tem estado da mesma forma. Assim:

  

De manhã, lá no começo da semana? Saí já debaixo de toró, algo que me arrependo bastante.

De noite: pego de surpresa com aquela garoa fina e fria. Péssima. 

Enquanto isso, a gripe segue em uma gangorra insuportável. Hoje, pelo menos, estou melhor. 

Tomara que permaneça assim amanhã. Uma coisa é certa: é bom o tempo colaborar com o corpo, pois a mente continuará levando-o até a rua faça chuva ou faça sol! 

Correria pura

Lá fora, um dia ainda escuro convidava os lençóis a ficarem mais pesados e confortáveis. O barulho da chuva ninava crianças e adultos e a temperatura meticulosamente ajustada do ar gerava uma sensação de paz quase uterina. 

Até que o despertador tocou. 

Cenário quebrado, era hora de enfrentar a chuva em busca de 15km com direito a três sessões de 15 minutos cada de tempo runs. Perfeito para começar a semana. 

Já saí do prédio ensopado, tomando banho de cima e dos lados quando os poucos carros que atravessavam a urbe às 5:15 da manhã decidiam surfar. Pulei poças, desviei aguaceiros e cruzei o que mais parecia um rio de lama até entrar no bom e velho Ibira. 

Lá, a chuva apertou. Muito. 

Tudo bem: gente não derrete. 

Apertei o passo, quase emendando um tempo no outro e aproveitando que a tempestade havia deixado todo o Ibirapuera para mim. Uma volta, duas voltas, retorno. 

As sessões de 20km da semana passada fizeram efeito: cheguei com a sensação de que ainda tinha muito gás para rodar. Nada de exageros: era hora de subir e tocar o dia que prometia ser bem mais intenso que eu imaginava. 

Tomei banho. 

Acordei minha filha e a arrumei para a escola. Fiz café. Me arrumei.

Desci para esperar a van escolar até perceber que não havia avisado que estava de volta a São Paulo e, portanto, ninguém passaria no prédio para pegar minha filha. 

Subi de volta e peguei a chave do carro. Olhei para o relógio: tinha meia hora para um call inadiável. 

Desci com ela no colo e, em tempo recorde, a coloquei na cadeirinha. Voei até a escola. Cheguei em 8 minutos, ao que se somaram mais 2 ou 3 até que alguém a pegasse do carro e a levasse para dentro da escola. 

Voltei: mais 12 minutos. 

Subi voando pelas escadas para não perder tempo: faltava ainda 3 minutos. 

Abri a porta esbaforido e ligue o Skype no exato instante que meu call começou a me chamar. Ufa! 

15 minutos depois, estava liberado. 

Para começar o dia, claro. Afinal, ainda nem eram 9 da manhã!

  

Iniciando o vôo com um bem vindo descanso

Faz bem voltar ao normal. 

Olhei minha planilha ontem à noite: nada de treino hoje, segunda, e nada de sessões seguidas de 20km. Apenas 1 de 15km e duas de 10 com cargas extras de intensidade. 

No sábado, 3h30: estava com saudade de corridas mais longas assim.  

E mais: hoje, as pernas parecem estar adorando este descanso, recuperando-se mais a cada hora. A partir de agora, exceto caso alguma coisa diferente ocorra, será um “vôo único” até a Indomit, com escala apenas na Bertioga-Maresias. Nada mais de improvisos e malabarismos.

Hora de me focar no treino. 

  

Checkpoint: Semana estranha, missão cumprida

Teve de tudo: insolação, febre, gripe, falta de acostamento para correr, 40 graus, umidade maior que o Oceano Atlântico. Me senti até um velho rabugento de tanto que xinguei Walt Disney por ter escolhido um pântano infernal para erguer o seu parque.

Em cima de tudo isso, claro, tinha que trabalhar “normalmente” e encaixar, nas madrugadas, 75km. Ou 55, já que os 20 finais foram feitos hoje, já de volta a Sampa.

Nem acreditei quando dei os passos finais do dia de hoje, depois de ter rodado pelo nosso centro decrépito e pelo sempre maravilhoso Ibirapuera: missão cumprida. 

No total, foram 3 sessões de 20km e 1 de 15km, preenchendo a semana com pequenos longos antecedendo verdadeiras ultras diárias pelos parques da Florida. Mas isso é outra história para algum outro blog.

Por enquanto e por aqui, é hora apenas de encerrar a semana com aquela sensação de incredulidade por ter realmente conseguido executar o planejado.

Agora é voltar à rotina.

   
 

Longões na Disney

Correr pela região da Disney é uma experiência para lá de ruim: as ruas não tem acostamento, os lugares são todos afastados uns dos outros para que se arrisque com segurança (se é que isso existe) e o calor é digno do verão amazônico.

A parte de correr sem acostamento é a pior: mesmo indo pela contramão, os carros e ônibus que passam tiram finos de gelar a espinha. Há, claro, a alternativa de se correr nos resorts, que sempre tem pistas internas bem cuidadas – mas aí o problema é a distância curta. A quase totalidade deles tem, no máximo, 2 ou 3kms “corríveis”, forçando loops atrás de loops para se completar planos como o meu, de 15 a 20km/ dia.

No final do dia de ontem decidi improvisar. 

Fui pela rua mesmo, me espremendo contra árvores e metendo os pés nas gramas altas e cheias de poças, até a região de Downtown Disney. Foram 4km com o pensamento fixo em achar uma nova rota.

Achei – o que não significou muita coisa, diga-se de passagem. Correr por lá foi como correr ao meio dia de domingo no Ibirapuera: era tanta gente, mas tanta gente, que a endorfina acabava se metamorfoseando em doses de estresse. Completei a volta e saí pela rua de novo. 

O tráfego, no entanto, estava tão intenso que decidi cortar o caminho por algum lugar qualquer. Tal foi a minha surpresa quando, de repente, me deparei com uma pista escondida saindo de Downtown Disney e cruzando um campo de golf fenomenal!

Segui, meio receoso de estar invadindo mas seguro de não ter visto nenhuma placa ou portão de alerta. Pelo gps, via apenas que estava na direção certa.

À frente, uma paisagem digna de descanso de tela do Windows: morros verdes meticulosamente cuidados, pontilhados por laguinhos de água negra e buracos com areia branca, tendo ao fundo árvores gigantes emoldurando um por do sol impressionista. 

Há, na vida de qualquer corredor, um punhado de lugares tão belos que nunca saem da mente. Por mais artificial que toda a Disney seja, por menos natureza bruta que ela exiba e por mais cara de “cidade de isopor” que tenha, aquele foi um deles. 

Algumas cenas, creio, acabam sendo perfeitas demais para escaparem às nossas lembranças. Que bom: aquele inesperado campo de golf definitivamente foi uma delas que espero ficar comigo para sempre.

Fiz a minha parte: rodei para cima e para baixo, aproveitando cada centímetro do lugar e sorvendo cada paisagem que se revelava de curva em curva.

Vi o rio que entrava em meu hotel: segui-lo. 

Em um determinado ponto, o campo de golf era interrompido por uma rua normal, já perto do meu destino. Era hora de voltar para casa: entrei nela e segui 1km pela margem até a entrada do hotel vizinho ao meu e interligado a ele por uma pista de corrida. 

Cheguei nos últimos instantes do por do sol, aproveitando uma paisagem tão perfeita quanto a do campo de golf, com rio, barquinhos cruzando de uma ponta a outra e postes de iluminação ao clássico estilo sulista. 

Parei, fechei os olhos por um instante e respirei fundo, puxando com os pulmões todo aquele cenário.

Encerrei ali minha corrida e minha viagem.

No final das contas, os ‘pros’ foram tão maiores que os ‘contras’ que só trouxe boas lembranças desses últimos 15km. 

Ainda assim, serei franco: aos que planejam visitar a Disney, tenham em mente que não é um lugar feito para se correr e que planejar longões pode ser mais complicado do que completar uma ultra!