Checkpoint: Hora de trabalhar o foco

Bertioga-Maresias feita. Escrevo sobre ela em um próximo post – foi uma prova mais dura que eu antecipava, mas sensacional pelas paisagens.

Nesse ponto, no entanto, o foco agora já muda: a Indomit acontece em 3 semanas. É hora de pegar super leve e descer o volume, forçando um descanso merecido às pernas. Hora também de trabalhar um pouco a cabeça: há um certo temor rondando a cabeça por conta da tecnicidade das trilhas que precisa ser eliminado.

Mas isso tudo – preparação física e mental – começa amanhã.

Hoje é dia apenas de reviver a linha de chegada dos 75K de ontem nas areias fofas de Maresias, repassando as praias, as trilhas e as serras que marcaram as quase 9 horas de prova :-)

   
 

Amanhã tem ultra!

Não tem trilhas casca grossa. 

Tem trechos na praia, em areia. 

Tem algumas subidas, principalmente no final. 

Tem um visual incrível de um dos pedaços mais bonito de litoral no Brasil. 

E tem 75km. 

Tudo isso se soma, para mim, quase que em uma ultra perfeita. Ela não é a minha grande meta para este segundo semestre: este papel cabe à Indomit principalmente pela sua extensão, de 100km. Mas não dá para negar que me sinto muito mais confortável com trilhas menos técnicas do que as que me aguardam lá em Santa Catarina no mês que vem. 

Isto posto, a Bertioga-Maresias deve ser mais um momento de diversão do que qualquer coisa. Minha meta para amanhã, portanto, não poderia ser outra: aproveitar ao máximo cada quilômetro desse longão de luxo :-)

  

Ultras e apps

Tá: a Comrades é transmitida na íntegra, por 12 horas, na TV sul-africana. Mas convenhamos: a não ser que você seja um sul-africano fanático pela tradição, é difícil imaginar que fique tanto tempo assim colado na frente da TV (ou do computador).

Eu já acho a cobertura de maratonas algo chato – em grande parte por conta de narradores despreparados que cismam em falar de km/h (em vez de min/km) e por se focar apenas na elite. Mas imagina a cobertura de uma prova de 100 milhas? Assistir deve cansar mais do que correr!

E é aí que entram as apps. Afinal, quem acompanha uma prova costuma fazê-lo para testemunhar o desempenho de ídolos, familiares ou amigos. Para que ficar com os olhos grudados em uma tela se dá para receber updates periódicos no celular?

Comrades já tem uma app bem razoável, assim como muitas outras provas grandes. No Brasil isso ainda é raridade – mas parece que está começando a mudar. 

A Bertioga-Maresias lançou uma app própria para acompanharmos os corredores. Tudo bem que ela está se esforçando para não divulgar – por exemplo, sem citar no site e sem colocar link para as páginas de download da Apple ou Android. Nada é perfeito.

Ainda assim, são bons ventos soprando mais tecnologia para as ultras. Que venham mais.

Quem quiser baixar essa, basta buscar “bertioga-maresias” e encontrar o aplicativo. Quem quiser me acompanhar, meu número de peito será 154 :-)

  

Que comece a semana

Bastou um isolado trovão pela janela e, antes mesmo de conferir se ele estava acompanhado de chuva ou não, desisti da corrida do dia. Sábado, afinal, tem ultra – e essa é a semana de descanso para as pernas.

Tudo bem que eliminar dores musculares por completo é utópico – mas o plano é cruzar a largada mais inteiro do que estive nos últimos meses. Para a semana, tenho algo como 20 a 25km para rodar até a sexta e devo concentrar isso entre amanhã e depois.

Serão dias difíceis no trabalho, cheios de complicações, reuniões, apresentações, decisões e mais outros tantos ‘ões’ que pautam a vida urbana na maior metrópole do país. Só isso já é um desafio à parte, um treinamento por si só: separar conturbações mentais de treinos físicos, buscar uma espécie de “linha zen” que acalme cérebro e coração.

Essa semana é toda sobre foco mental, sobre acalmar os batimentos e me sintonizar comigo mesmo.

Comecemo-na.

tumblr_m1i4cscTih1qja0yo

Checkpoint: Joelho melhor, velocidade subindo e ultra à vista

Poucas palavras definem melhor esta semana.

Depois de idas e vindas das dores, descobri que um tênis velho havia, aparentemente, perdido o seu “mo-jo” e estava quebrando a minha biomecânica.

Como parte da “recuperação”, optei por trechos com menos inclinação e turbinei a velocidade. Funcionou: fechei bem a semana e ainda pude contemplar gráficos de pace nos seus melhores dias. 

Finalmente, foi o fechamento da última semana pre-prova. Foi-se o pico, somaram-se 78km nos últimos 7 dias e, embora com a musculatura meio cansada, me sinto em uma das melhores formas que já estive. 

Agora é descansar nos próximos dias, diminuindo volume (e compensando de leve com mais intensidade) e largar para as areias do litoral norte paulista.

   
 

Último longão pré Bertioga-Maresias

31km depois… 

Joelhos, pés, pernas e outros membros permaneciam perfeitos. É curioso como tecnologia nem sempre é a salvação que costuma preconizar. 

O tênis que estava usando era perfeito: mesclava aspectos minimalistas com algum amortecimento, ideal para ultras em asfalto. Cheguei a usá-lo tanto na Ultra Estrada Real quanto na Comrades, ambas com pouco menos de 90km, sem nenhuma queixa. 

Até que, aparentemente, ele “travou”. Usá-lo agora, mesmo que por dois míseros quilômetros, faz meu joelho protestar veementemente. Mesmo ajustando postura e biomecânica, bastava calçá-lo para sentir os efeitos. Não sei dizer o que aconteceu: talvez algum vício de pisada tenha detonado o estilo do amortecimento, talvez tenha perdido o hábito, talvez ele simplesmente tenha chegado em seu prazo de validade. 

Mas o curioso mesmo é que a solução foi trocá-lo por outro Merrell, este sem absolutamente nenhum amortecimento e velho ao ponto de estar quase se desfazendo. Nem lembro a quantidade de provas que já corri com ele – certamente há quase 2 mil quilômetros abaixo de suas solas. 

O fato inegável é que funcionou. Sem nenhuma tecnologia exceto por um solado grosso, da Vibram, o Merrell TrailGloves me levou até a USP, fez duas voltas e me trouxe até em casa. 31km sem nada que sequer lembrasse a dor.

Esquisito. 

Continuo encafifado com essa repentina ineficiência do Merrell Ultra, tênis que rodou por tantas estradas comigo mas que, do nada, se mostrou perigoso. Ainda assim, encafifado ou não, pelo menos já deu para identificar o problema, solucioná-lo e seguir adiante. 

Próxima parada: Bertioga-Maresias!

  

Seria o excesso de amortecimento?

Liguei o sinal amarelo desde que senti o joelho direito há algumas semanas. Aparentemente não foi nada preocupante: de lá para cá já fiz longões consideráveis e me mantive ativo sem tirar quase nenhum quilômetro do planejado. Só fiz uma coisa: troquei o Merrell Ultra, tênis sem drop mas com um amortecimento de alguns milímetros, pelos Vibram Fivefingers ou Merrel TrailGloves – ambos minimalistas ao extremo.

Hoje saí com o Ultra. Resultado: nova fisgada no joelho em menos de 2km! Não forcei: dei meia volta.

Não costumo colocar a culpa em tênis ou acessórios quaisquer: a “culpa”, por assim dizer, é sempre da biomecânica. Mas talvez… talvez esteja tão habituado ao minimalismo que amortecimentos simplesmente atrapalham, machucam, enganam os pés e o corpo quanto à tactilidade do solo.

Enfim, é uma teoria que será testada no longão de sábado. Sem amortecimento, claro!

  

Pela África

Tenho um inexplicável fascínio pela África. Sempre tive, verdade seja dita – mas ele ficou mais forte depois que passei anos sequenciais indo à África do Sul por conta da minha Lua de Mel, de uma Two Oceans e duas Comrades. 

Com isso, acabei tomando um banho no caldeirão das culturas Xhosa, Zulu, Afrikaner e “europeia” de uma maneira geral; sentindo águas tomadas por tubarão e savanas onde leões e elefantes exalam altivez; vivendo experiências e testemunhando cenários que dificilmente poderiam ser replicados em algum outro continente. 

Quando terminei a segunda Comrades, “vestindo” a back-2-back no peito, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Por um lado, claro, foi a realização de um sonho; por outro, no entanto, havia terminado as provas que me levariam até a África. Será? 

O próprio continente selvagem se incumbiu de me dar mais esperanças. A Marathon de Sables, no Saara, já se desenha como um sonho cada vez menos distante; e outras ultras no sul brotaram do nada. 

Uma delas é a Richtersveld, quase na fronteira da África do Sul com a Namíbia. Sensacional…

Cruce……..

De todas as provas que tenho alinhadas no meu futuro próximo, o Cruce é sem dúvidas a quem mais tem me deixado empolgado. 

Só o prospecto de voltar a correr na região dos lagos andinos – uma das mais belas que já vi na vida – cruzando montanhas e passeando por dois países já faz a endorfina arrepiar cada pelo do corpo. 

Ver um vídeo assim, então, é de matar…

Que chegue logo fevereiro!!! 

El Cruce 2014 | Kailash Team Neptunia from Morfina Filmes on Vimeo.