Sobre o LiveTracking do Garmin ForeRunner 620

Em uma palavra: funciona.

Testei a função do LiveTracking no sábado, lá na Indomit Bombinhas. A utilidade era óbvia: por ser minha primeira corrida grande em trilha, não tinha como prever o tempo e, portanto, deixar a minha família informada de onde estava e quando deveria chegar.

O funcionamento também é relativamente simples: basta usar a app do Garmin no IPhone e emparelhá-lo via Bluetooth com o relógio. Aí, antes de iniciar a prova, basta ligar o LiveTracking no telefone e pronto: de tempos em tempos o GPS sincroniza dados via Bluetooth e o IPhone os envia para a Web via 3G.

Na outra ponta, o mapa de deslocamento é transmitido em tempo real, incluindo alguns indicadores como tempo, velocidade média etc.

Corri por quase 6h30 e a bateria do ForeRunner 620 segurou bem. Só a do IPhone é que chegou nas últimas, perdendo os últimos metros do percurso. Mais de seis horas é tempo demais, claro – mas insuficiente para ultras ou provas em trilhas mais duras (como a Indomit). Não se pode culpar a Garmin por isso, no entanto.

Em resumo: essa funcionalidade realmente é excelente!

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Clima animador para a Indomit?

Já fiz algumas provas sob chuva pesada (como a Maratona do Rio de 2012) e sob ventos de mais de 50km/h (Ultra de Two Oceans, 2013). Mas todas elas foram sempre no asfalto, o que ajuda a ter um tipo de controle maior do ritmo e das circunstâncias como um todo.

Em trilha, claro, isso muda. Para começo de conversa, há lama. Muita lama, dependendo da água que vier de cima.

Há trechos escorregadios, poças que podem ficar do tamanho de pequenas piscinas e assim por diante. Na minha cabeça, aliás, passar por uma prova de trilha com condições pouco convidativas é uma experiência que todos deveriam ter.

Mas poxa…. não precisava ser exatamente na minha estreia em corridas de trilha mais longas!

Ontem à noite olhei a previsão para Bombinhas no sábado, data da Indomit: 90% de chance de chuva!

Parece que os 42km serão (literalmente) regados de mais emoção e com mais dificuldades! Não vou dizer que fiquei entusiasmado com isso não… mas, também, não dá para negar que essa falta maior de controle sobre fatores externos faz parte da graça de se correr em trilhas.

Tendo dito isso, que venham o sábado e a Indomit! E que cheguem com toda a ira que uma trilha insana tiver para mostrar!

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Vídeo com dicas para a Indomit K42 Bombinhas

Empolgado pelo vídeo de ontem, sobre o DUT, acabei acordando para o fato de que minha preocupação maior deveria ser a Indomit K42 que, afinal, acontece neste sábado!

Pelo jeito, será uma corrida com direito a muita chuva, lama e todo tipo de dificuldade que serve como boas vindas para novos corredores de trilha como eu. Como o vídeo da prova tem apenas imagens promocionais, busquei um da MidiaSport mais interessante, com relato gravado ao longo da prova e ilustrando melhor os seus altos e baixos. Para quem se interessar vale conferir abaixo.

(O post feito pelo Enzo Amato também é bem interessante e pode ser acessado clicando aqui.)

Video da Douro Ultra Trail no ar

Toda prova-alvo tem uma coisa em comum: a ansiedade de quem pretende corrê-la. E, quando a organização sabe capitalizar em torno disso, essa ansiedade cresce ainda mais.

Capitalizar, nesse caso, significa gerar imagens, posts em redes sociais e, principalmente, vídeos que deixam o corredor com água na boca, contando os dias para a largada. A organização da Douro Ultra Trail – minha prova alvo em todo esse processo de transição do asfalto para as trilhas – acabou de fazer isso com um vídeo muito, muito bem montado. Vale conferir abaixo:

Reunião comigo mesmo na Sala Zero (a rua)

Terça-feira, 7 da manhã.

Agosto começou preocupado, com aquela estática no ar que emula a mais nítida tensão do cotidiano. Sem Copa, o mundo finalmente começa a voltar ao seu ritmo cotidiano, muito embora os quase dois meses perdidos tenham feito um belo grau de estrago.

O final de julho e o começo de agosto estão sendo devotados, quase que na íntegra, a arrumar a casa. Otimizar processos, equipe, planos, projetos e tudo mais que desenha o dia a dia de uma empresa. E o que isso tem a ver com corrida?

Tudo.

Pelo menos para mim, tomar decisões que gerem qualquer tipo de reorganização do presente tem uma dependência quase natural da corrida.

O despertador de ontem já foi setado com isso em mente – uma espécie de reunião comigo mesmo na sala de número zero (a rua).

Saí com os mesmos Merrell TrailGloves que detonaram meus pés há algumas semanas (mas que agora estão perfeitamente adaptados) e rumei para o Ibira. Garoa fina, frio, muitas buzinas e nuvens negras do lado de fora.

Do lado de dentro, na mente, silêncio. Estava isolado do mundo, pensando, enumerando os problemas e bolando soluções. Invocando calma e afastando preocupações vazias. Antes de morrer, Churchill disse que sua vida havia sido “marcada por gigantescos problemas – a maioria dos quais nunca chegou de fato a acontecer.”

Isso virou meu mantra. Assim como a experiência de correr Comrades, com 90 km de passos calmos, planejados, mantendo sempre o ritmo e com a confiança de que o final chegará mais cedo ou mais tarde.

Experiências assim são fundamentais em tempos de turbulência. Ainda bem que elas existem.

Aliás, correr ultras traz um tipo de benefício que vai muito além da saúde física: nos ensina a manter o curso firme, fixo, em um tipo de sintonia entre mente e corpo que dificilmente se encontra em esportes que não sejam de puro endurance. Nos ensina a respeitar subidas e descidas, usando a sempre inevitável gravidade a favor de cada decisão tomada. Nos ensina a respeitar o tempo ao invés de atacá-lo. É o melhor de todos os MBAs.

Ao final, depois da subida da Ministro, estava quase aliviado. Não consegui resolver todas as questões, mas algumas.

O suficiente para levar bem o dia e ainda ter no que trabalhar durante a corrida de amanhã.

O suficiente para enxergar melhor.

Agora, portanto, está na hora de colocar em prática os raciocínios desenhados nos últimos 12km.

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Descansar sem dormir

Depois de dias seguidos nas ruas e trilhas, o corpo sente.

Hoje acordei dolorido, com o cansaço arrastando as suas unhas pelas pernas, costas e pálpebras. Por uma infelicidade de agenda arrumei uma reunião extremamente cedo, o que significa que meu “day off” teve apenas 6 horas de sono.

Suficiente para embalar o resto da semana? Difícil afirmar que sim. Mas, quando não há solução, não adianta haver também estresse pela sua falta.

Hoje o corpo precisará se recuperar em horas úteis, em meio a prazos apertados, clientes, propostas e os conflitos internos cotidianos que definem qualquer vida corporativa.

Hoje o corpo não poderá contar com horas de sono concentrando o poder mental inconsciente na recuperação muscular.

Hoje o próprio sono terá que dar um jeito de sair antes que sua falta acumule ainda mais cansaço.

A semana, afinal, será longa e está apenas começando.

Hora de trabalhar.

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O olho que enxerga as trilhas

Dizem que os nossos olhos enxergam melhor algo que já reconhecem. É verdade.

Esse é o quinto ano seguido que venho a Paraty participar da Flip e, nos últimos três, aproveitei para fazer corridas sempre bem vindas pela cidade ou por trechos da Rio-Santos. O visual dessa região nunca cansa, mesmo considerando que os pés estavam sempre sobre o asfalto (ou, no máximo, os paralelepípedos do centro).

Nunca nem pensei na possibilidade de haver trilhas legais por aqui – e, por conta disso, nunca percebi a existência de nenhuma.

Hoje foi diferente.

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Saí com o sol ainda nascendo, saindo em direção à Rio-Santos com o objetivo de caçar alguma trilha pelas montanhas do outro lado. No caminho cheguei até a me perguntar se encontraria algo, duvidando do que agora parece óbvio.

É claro que encontrei. Por todas as partes das encostas pequenas trilhas se abriam, subindo em meio ao verde úmido da Mata Atlântica. Eram tantos caminhos que, honestamente, não consegui entender como nunca os percebi antes!

Escolhi um. 50, 100, 200 metros e topei com uma pequena casa. Perguntei ao morador se havia alguma forma de subir a montanha correndo e ele logo me apontou duas opções.

Escolhi uma. Subi. Alguns pontos foram mais íngremes, outros mais escorregadios, outros mais fechados, todos incríveis. Perfeitos. Em meia hora cheguei ao fim do caminho que havia escolhido, tempo o suficiente para voltar dentro da minha programação.

Na volta, comecei a perceber, bifurcações claras, algumas inclusive sinalizadas, apontando outras trilhas que davam para outros caminhos, matas e vistas. Perfeito.

De alguma forma, senti como se estivesse descobrindo algo novo nessa corrida que nasceu de maneira tão despretenciosa. Foi como se todo um mundo que eu desconhecia decidisse se apresentar de uma vez só sob o céu azul da costa carioca e o verde abundante da mata.

Em uma palavra: inesquecível.

Não foi a trilha mais bela do mundo – mas foi a que mostrou que há todo um mundo de trilhas pronto para ser desbravado por qualquer um que estiver com um mínimo de vontade.

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Rumo a Paraty

Viajar a trabalho sempre é cansativo – principalmente quando se tem um evento para coordenar, o que geralmente significa horas sem fim de esforço, estresses súbitos sendo desenrolados etc. Isso sem contar com o tempo longe da família, que faz uma falta de arrebentar.

Quando a viagem é para um lugar paradisíaco, no entanto, o horizonte já melhora.

Neste instante estou a caminho de Paraty, no meio do abençoado litoral que separa o Rio de Sampa.

A previsão é de sol sem nuvens e temperaturas entre 15 e 28 graus até o domingo.

Trabalho? Terei muito o que fazer – mas, honestamente, a única coisa em que consigo pensar agora é nas vistas, trilhas e estradas que pegarei por lá.

Calor, umidade, montanhas e praias com tudo que tem direito: há coisa melhor para inspirar uma corrida?

O problema agora é só segurar as 24 horas que me separam dos primeiros trotes!

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Day off não programado

Há dias em que a planilha perde.

Hoje tinha uma tempo run de 20 minutos em meio a um treino de 1h programado. Tinha.

Depois de três semanas de escadinha no volume, incluindo um longão de pouco mais de 4h no domingo e uma sessão intensa de tiros ontem, meu corpo implorou por uma folga.

E, verdade seja dita, essa semana é mais leve mesmo, com aquela queda em tempo de rua desenhada para evitar a sobrecarga.

O problema é que a sobrecarga veio antes: acordei cheio de dores e com uma vontade incontrolável de dormir mais um pouco. Cedi.

Ouvir o corpo significa também saber separar a preguiça da necessidade de mais descanso. Como a de hoje.

Tirei o dia de folga e matei uma corrida da semana.

Como viajo amanhã cedo para Paraty, treino agora só na sexta. Sob o sol da serra e a vista do mar.

Tudo bem: certamente dará para compensar lá, encaixando um pouquinho mais de tempo em um cenário que faz o tempo passar desapercebido.

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Quéchua RaidTrail se desfazendo

Quando comprei a mochila de hidratação Quéchua RaidTrail 12L, o intuito era achar um equipamento prático, confortável e funcional. Não me adaptei à Salomon, que detonou as minhas costas, e nem a uma Kalenji, que feriu os peitos (e era pequena demais).

Quando testei a Quéchua por indicação de um amigo, encontrei tudo o que precisava: ela era leve, grande o bastante para ultras, colada ao corpo e ainda por cima barata. De repente, ela virou parte do meu corpo sempre que saía para ruas ou trilhas – e a adaptação foi perfeita.

O único problema é que, aparentemente (e infelizmente), sempre há algum motivo para algo ser barato.

Na prova que fiz em Campinas, um dos ganchos da bolsa de água se rompeu. Tudo bem: entendi como culpa minha que, sem fazer uma manutenção adequada, pendurava a mochila na parede sem tirar a água após os treinos, forçando o peso. Até aí, sem problemas: afinal, há uma espécie de gancho reserva que passei a utilizar e que resolveu o problema.

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Hoje, no entanto, notei que um outro gancho na frente, onde passa uma alça responsável por ajustar a mochila ao corpo, está se desfazendo. Pelo olho, aliás, não dura mais um mês.

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Nova “gambiarra” à vista: usar outra parte da mochila para prender a alça. O problema é que isso já começa a comprometer o conforto e a usabilidade de um equipamento que, afinal, foi feito para ser prático.

O que fazer? Ainda não sei.

Talvez comprar outra igual, de reserva, até essa se desfazer de verdade, para não precisar passar por uma nova curva de adaptação já tão perto da minha prova alvo.

Ou talvez já testar alguma nais resistente, entendendo que se trata de um caso onde o “batato saiu caro”.

Ainda preciso de algum tempinho para me decidir – mas a frustração está bem chata por um equipamento que está se desfazendo em menos de 60 dias.