A lista de desejos (atualizada em 18/02/2016)

O El Cruce cortou dois itens da minha lista: a própria prova, um sonho antigo, e a realização de uma ultra por etapas. Experiências inesquecíveis – que, como praticamente todas as que cruzei da lista, mudaram toda a minha percepção de vida.

O próprio vídeo que adicionei do Cruce, aliás, foi da edição que participei.

Outra prova entrou aqui: a BR135+, que participei como apoio em janeiro passado. Não sei quando, mas um dia ainda a realizarei. E, por hora, é o momento de achar a próxima meta a ser cumprida.

A lista está assim:

 

  • Fazer a primeira ultra: Two Oceans (56K), na África do Sul (feito em MARÇO de 2013):
  • Correr Comrades (89K), também na Africa do Sul (feito em JUNHO de 2014):
  • Fazer a primeira ultra trail (Douro UltraTrail, de 80K, em Portugal, feito em SETEMBRO de 2014):
    • Organizar minha própria ultra (Ultra Estrada Real, de 88K, feita em ABRIL de 2015)
    • Fazer a Comrades no sentido inverso (up-run), ganhando a medalha back-to-back – www.comrades.com – MAIO de 2015:
    • Fazer uma prova com 100 km (Indomit Costa Esmeralda Ultra Trail, feita em 07/11/2015)

 

  • Qualquer ultra em etapas (El Cruce Columbia, feita entre 12 e 14 de FEVEREIRO de 2016)
  • El Cruce Columbia – http://elcrucecolumbia.com/ (feito entre 12 e 14 de FEVEREIRO de 2016):
  • Qualquer prova do circuito do Ultra Trail de Mont Blanc (UTMB) – www.ultratrailmb.com – AGOSTO:
  • TransArabia (Jordânia) ou TransOmania (Oman) – www.thetransarabia.com – NOVEMBRO ou JANEIRO, respectivamente:
  • Fazer qualquer ultra do circuito de Skyrunning
  • Lavaredo Ultra Trail (Itália) – www.ultratrail.it – JUNHO
  • Correr no Grand Canyon (preferencialmente fazendo o Rim2Rim)
  • Correr no Everest – everesttrailrace.com – NOVEMBRO:
  • Qualquer prova com 100 milhas
  • Qualquer ultra em percurso com neve
  • BR135+ – JANEIRO

Comparando performances e evolução

Quem acompanha este blog sabe que tenho uma certa tara por números e métricas. Guardo com um zelo ridículo minhas marcas, melhores ou piores, além de cada registro que puder colocar as mãos e que me ajude a entender melhor o corpo e a mente.

Na prática, confesso que a utilidade é pouca: não sou e nunca serei um atleta de elite e, no máximo, gosto de satisfazer a minha própria curiosidade quanto a mim mesmo. Digamos apenas que eu seja uma espécie de acumulador virtual.

Nesse espírito, decidi fazer alguns gráficos para entender a minha performance correndo maratonas e trilhas/ ultras desde a minha primeira linha de largada, em 2013. E cheguei a algumas conclusões interessantes.

Maratonas de Rua

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Fiz, até hoje, um total de 8 maratonas “oficiais” (desconsiderando treinos de 42K, naturalmente). Até a de Chicago, minha meta era uma só: tempo. Nunca havia pisado em uma trilha e o máximo de sonho que eu tinha era correr Nova York, Londres, Berlim etc. E exceto por um pequeno soluço na Maratona do Rio de 2013 – que estava com um calor infernal – vinha conseguindo baixar meus tempos praticamente a cada corrida.

E isso durou até a Comrades de 2014.

Ultras e Trilhas

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Depois da Comrades, minha primeira prova foi uma maratona de trilha – a Indomit – que estava usando como preparo para a Douro Ultra Trail. Novidade pura para mim, incluindo terrenos super técnicos, uma necessidade óbvia de se caminhar de vez em quando e um bônus valiosíssimo: as paisagens.

Foi só fechar a Indomit e a DUT, esta última em setembro do ano passado, que virei um trilheiro convicto. Com o abandono das metas de rua, passei a me dedicar mais a treinos de resistência e a focar provas em montanha, com altimetrias mais severas e uma largura de tempo substancialmente maior.

É difícil comparar uma ultra com a outra: cada uma delas tem terreno e distância diferente, o que as faz únicas. Mas dá para perceber que me mantive com uma resistência semelhante dado que a diferença das minhas duas Comrades ficou em ridículos 23 segundos (mesmo considerando a alternância dos percursos).

Mas a velocidade em maratonas ficou nitidamente comprometida, bastando olhar os dois resultados que tive (ambos em São Paulo) depois de Chicago.

Que grande e disruptiva conclusão se pode tirar disso? Nenhuma, claro. Ficar lento em maratonas depois de ser abduzido para o mundo das ultras de trilhas não é nada além do óbvio.

Mas fiquei curioso quanto à minha capacidade de retomar a performance e, quem sabe, bater um sub 3h30.

Quem sabe um dia? Por enquanto, minha vontade de participar de uma prova de rua realmente é mínima…

Corra pelo sertão e litaratura no incrível Caminhos de Rosa

Na quinta-feira, 24 de setembro de 2015, um grupo de ultracorredores partirá para uma daquelas aventuras inesquecíveis que só quem ama as longas distâncias experimenta. 

Nesse caso não basta apenas amar a distância: é necessário estar REALMENTE preparado para ela. Serão 263km cortando o sertão mineiro e seguindo a mesma rota que Guimarães Rosa percorreu e onde tirou inspiração para sua obra prima, Grande Sertão: Veredas

Cada pedacinho de chão lá do norte mineiro, com temperaturas variando de 18 a escorchantes 44 graus, dará aos corredores a oportunidade de viver na pele as letras de um dos maiores gênios que o Brasil já deu ao mundo. 

Paisagens? De chãos talhados a lagos secos, de vidas a ermo a esperanças pairando pelos ares, de suor em cada pedaço azul do céu a noites estreladas como se estivesse flutuando pelo universo: assim deve acontecer a nova edição do Caminhos de Rosa, uma prova icônica organizada pelo André Zumzum e que merece a atenção de todos. 

Destaco a organização porque foi o próprio Zumzum que, como voluntário, organizou a Ultra Estrada Real com uma maestria absoluta, fazendo aquela “prova independente” ser melhor organizada do que muitas, mas muitas provas oficiais mundo afora. 

O que, então, se deve esperar? Dificuldades extremas, um calor infernal, história e literatura s emetamorfoseando em vistas inesquecíveis e muita, muita brasilidade. 

Quer saber mais? Clique aqui, na imagem abaixo (de uma foto tirada do percurso) ou vá ao link http://caminhosderosa.com.br. Se, se tiver coragem de se inscrever, boa sorte! Não estarei lá esse ano – mas certamente participarei em alguma edição futura!!! 
  

Relatório da organização sobre a Ultra Estrada Real

Ontem à tarde, recebi do André Zumzum um relatório completíssimo sobre tudo o que ocorreu nos bastidores da ultra. Como a prova inteira foi tomada por um clima de colaboração sem igual, decidi postar aqui no blog para que todos pudessem compartilhar um pouco da visão de quem estava em um papel misto de testemunha e, claro, protagonista. 

Segue abaixo:

Nem sei por onde começar, não sei do começo, do meio ou do final, todos os começos são fenomenais, inesquecíveis e tinham em si um brilho único. Muitos dos que vão ler pouco me conhecem, então digo logo, não sigo muitos padrões, e até gosto de não segui-los, não que não siga as regras, afinal, nem sei de regras eu falo.

Começando do final, confesso que fiquei muito agradecido e feliz com a Ultra Estrada Real, foi fantástico, resumindo tudo, tínhamos um bando de loucos, uns com experiência, outros sem, afim de correr um trecho da estrada real de 88 km. Até momentos antes da largada não tínhamos nada pronto, e em minutos, nos organizamos de tal forma que o evento foi um sucesso. No apoio, em sua maioria, de pessoas que nunca antes haviam feito nada do tipo, mas que estavam dispostas a fazer o que foram fazer, serem voluntários, e assim como diz um velho ditado, nada é mais forte que um coração de voluntário.

A largada as 5h30m foi uma acertiva enorme, assim como a duração do evento, 16 horas, horário dos últimos concluintes, que foram demais, mesmo com uma enorme pressão para que desistissem, continuaram, e assim fui com eles ate o meu final, o trevo de Mariana, o ultimo local de apoio.

Tivemos alguns trechos com problemas, como a saída de Catas Altas, logo após a Lagoa, uma que tinha uma pontezinha de passagem única, algumas pessoas se perderam por ali, mas nada demais. Outro trecho, poucos quilômetros depois, na saída do asfalto, 5 pessoas se perderam, os de mais sorte, apenas 500 metros, mas alguns foram mais longe, 1,5 km, 5 km, 9 km e ate um com 15 km, esse ultimo me chamou muito a atenção, encantado pelo local, voltou a correr, era um dos primeiros,  e não desitiu.

Acho que nesses locais deveríamos ter dado um reforço na marcação do caminho, somente nesses trechos, de resto, o caminho estava muito bem marcado, e se guiar pelos marcos, é algo maravilhoso.

No final não gostei muito do trecho de Mariana a Ouro Preto, muito asfalto, transito intenso, e uma dificuldade imensa de dar apoio, justamente onde mais se precisava desse apoio, por bem , todos entenderam a dificuldade de dar apoio ali. E também no centro de Ouro Preto, que por conta do feriado, estava lotado, e a Policia Militar junto da Guarda Municipal dificultaram um pouco a nossa vida ali, não permitindo estacionar, mas depois de um chorinho, tudo resolvido. Não que fossem culpados, mas a cidade cheia, e associado de um pouco de descuido nosso, por não avisa-los com antecedência. 

Muitas pessoas sugeriram que o evento acabasse em Mariana, achei a ideia fantástica, e gostaria muito da opinião de vocês, mais tarde digo o porquê.

Voltando ao inicio, há um tempo atrás, recebi um convite da Zilma para ajuda-los em um evento, era como um treino, onde todos seriam auto-suficientes, algo como um Sallomon, mas a adesão de corredores foi aumentando, e chegamos a mais de 100 inscritos, nos empolgamos, e resolvemos que seria legal ter uma lembrança daquele momento, e pedimos  a um artesão que fizesse um marco, em pedra sabão, e quem desejasse ter bastava comprar, não era obrigatório. Depois foi a vez da van, muitas pessoas optaram por ficar em Ouro Preto, e assim necessitávamos de uma van que os levasse até a largada, e foi feito, fizemos uma lista de interessados, que logo chegou a 15 pessoas, uma van. Nessa hora, pedi a van que voltasse fechando o percurso, caso alguém passe mal, poderia ter na van, uma forma de ir embora. Outra assertiva, a van voltou com 3 pessoas. Não so por isso, tínhamos um motorista muito bacana e solidário com os atletas, uma paciência rara de se ver em motoristas profissionais, loucos com esse trânsito caótico.

Na semana do evento tinha uma folga e viajei, mas sabia, isso me deixaria louco, por mais que eu não era o responsável direto pelo evento havia me prontificado a ser a pessoa encarregada das cosias por aqui, e como sempre digo, não somos obrigados a falar nada, mas somos obrigados a cumprir com o que falamos. Mas não deu nada, apenas uma correria na hora de ir embora, mas normal, sempre é mais corrido a medida que a largada se aproxima.

Acho que agora chegamos ao meio dessa historia e na parte final dessa nota oficial carregada de opinões pessoais, afinal, a ultra foi bem isso mesmo, foi um evento que mais parecia uma confraternização, tudo conspirava a favor.

A parte do meio da historia, pode-se dizer que começa pela manhã do dia 4, foi terrível, era madrugada, eu dormia, quando o telefone tocou, era um atleta, havia perdido a van, e eu estava em Mariana, nada podia fazer, e claro, meu celular por alguma razão não carregou, quase morri, nada podia fazer, afinal, a prova começaria em instantes, não daria tempo de busca-los e votlar a tempo da largada. Mas graças a Deus deu tudo certo, eles tomaram a iniciativa de pegar um taxi e chegaram a tempo, e não era apenas uma pessoa, mas quatro. Mais tarde tudo foi resolvido. 

E foi chegada a hora da largada, pouco sabia sobre o caminho, mas era o suficiente, o pessoal que foi dar apoio ansioso para saber o que fazer os atletas querendo informações e eu no meio disso tudo, subi no carro, falei aos atletas, damos a largada, ora para o sentido errado, ora para o sentido certo, mas foi. Ao apoio pedi que esperassem e que fossem para Catas Altas, assim passaria parte da ansiedade, e com menos pessoas ficaria mais fácil ter um dialogo. Fiquei surpreso e feliz com a disposição deles em ajudar. Houve quem me perguntasse porque eu estava tão dedicado por aquele evento, se nem era o responsável por ele, a resposta foi na lata e bem simples, porque eu havia me comprometido com Ricardo e a Zilma, e faria o que fosse o certo a ser feito.

Eu também, não menos ansioso, não me aguentando, fui atrás deles, e logo descobri que faltavam alguns, foi ali que descobri que não tinha a menor ideia de quantas pessoas estavam participando, resolvi fazer então uma lista de chamada, que seria aferida toda vez que cruzasse pelo atleta, e foi assim, com essa lista que descobri rapidamente, que alguns atletas haviam se perdido no asfalto. Mas a lista me trouxe algo a mais, com ela aprendi o nome de todos os atletas, e me aproximei deles, criamos um laço, estreitamos relações, eles se sentiam queridos, protegidos e nos, mais calmos, afinal essa paz foi o sucesso da prova, todos se sentiam protegidos e amparados.

Enfim essa é o ultimo paragrafo, aquele momento de agradecimentos e de algumas palavras de esperança. Por isso gostaria de agradecer a todos que me ajudaram atletas e amigos, próximos e distantes. Aprendi muito com vocês podem ter certeza disso. No final restou uma pergunta no ar: Vai ter ano que vem? A resposta, sim.

Por favor, contribuam, digam o que pensam, opinem e nos ajude a melhorar sempre.

Lembrem-se o sucesso do evento se deve a vocês corredores, sem vocês não haveria nada, e se deu tudo certo, a maior parte do mérito foi de vocês que com muita paciência e carinho fizeram do caminho o que foi. 

Abraços

André Luis

diretor@caminhosderosa.com.br

  

A incrível capacidade de recuperação do corpo humano

Para mim, pelo menos, foi surpreendente. Não sou corredor de elite, não acumulo 200kms semanais e nem somo uma ultra por semana. 

Por outro lado, é bem verdade, estudo o meu próprio corpo com o zêlo de um vestibulando neurótico: leio tudo sobre qualquer minúsculo sintoma, faço autoexames cuidadosos a cada instante, instintivamente, e tomo um cuidado extremo com biomecânica e nutrição.

Tudo isso deve ter contribuído.

Mas o fato é que desde ontem, apenas um dia depois de correr quase 90K em pouco mais de 13 horas pelas montanhas mineiras, estou me sentindo novo. 

Nada de mancar, nada de dores musculares, nada de articulações pesadas. Nada de inchaços, nada de dores de cabeça, nada nem de uma febrinha leve que costumava me acompanhar após provas mais duras. 

Nada.

Quando terminei os 56km da Two Oceans, em 2013, passei dias me locomovendo como um babuíno bêbado. De lá para cá, no entanto, esse tempo de recuperação foi diminuindo progressivamente: Comrades, Douro Ultra Trail, 50K da Copa Paulista de Montanha. 

Mas nada se assemelhou a esta Ultra Estrada Real.

Com o perdão de parecer arrogante, estou impressionado com o meu próprio corpo. E feliz – muito feliz com isso.

Agora, afinal, começo a intensificar o treinamento para a Comrades 2015, no final de maio – e é sempre bom dar a largada com um moral elevado.

Dane-se a planilha vazia: acho que darei uma trotadinha leve no parque hoje à noite.

  

Ultra Estrada Real: Relato da prova

Estávamos em 65, já alinhados em Santa Bárbara, quando o relógio bateu 5:40 da manhã. Com os primeiros raios do sol, ainda tímidos, saímos.

O primeiro destino era a cidade de Catas Altas, 22km para frente em um trajeto relativamente plano e que, mesmo com uma pequena (e levíssima) trilha de 2k, foi vencido em pace rápido.

Pelo caminho, os olhos já começavam a colecionar memórias: correr ao lado de trilhos, cruzando colinas e passando por um aqueduto antigo, feito pelos escravos, foi algo incrível.

E seguimos e chegamos. Em Catas Altas, uma leve garoa aliviava o suor e encobria um pouco da majestosa Serra da Caraça, que rodeava a região. Subimos até a igreja matriz, um daqueles exemplares perfeitos da arquitetura colonial, e seguimos viagem até Santa Rita Durão.

Mais 18k em uma paisagem diferente, meio cinza, sempre acompanhada pela Caraça e abrindo vistas deslumbrantes a cada curva.

A partir daqui, nada mais de planos: o trajeto inteiro seria pontuado por subidas e descidas que ainda castigariam as pernas. Tudo bem: pernas castigadas, vistas abençoadas.

Em Santa Rita, outra cidadezinha incrível e extremamente bem conservada, mostrando aos forasteiros um pouco da alma de Minas Gerais. Entre goles de água e uma altimetria que começava a se mostrar intensa, chegamos a Camargos.

Outra pérola, como todas as que fizeram o caminho memorável. Não só elas, aliás: a organização dos voluntários foi impecável!

Havia van à frente, picape atrás fechando o percurso, tropas de bikes ajudando e hidratação e comida em todos os pontos. Apesar da rota inteira ser bem demarcada, alguns corredores se perderam – mas rapidamente esse staff os localizou, conferiu seus nomes em uma planilha e os colocou no caminho certo. Não cito nomes para não deixar a minha memória cometer nenhuma injustiça, mas boa parte do sucesso dessa ultra se deve ao suor desses herois!

E, enfim, de Camargos, subimos uma serra severa, quase sádica, até Mariana. Nesse ponto, comecei a me sentir mal, tendo me superhidratado por uma falha tática: já estava nos 57k e tinha tomado apenas água e em grande quantidade, tirando o equilíbrio de sódio do corpo. Para piorar, isso aconteceu justamente quando o sol decidiu nos castigar e quando as subidas foram piores.

Por sorte, estava com os amigos David, Dirceu e Ilza, que me deram um isotônico em pó e uma cápsula de sal. No caminho, encontrei também a van de apoio que me deu uma Coca. Bem… no total, foram 10km de estresse mas que sintetizaram o que é participar de uma ultra: há sempre os momentos mais “escuros” que passam com um pouco de paciência e conhecimento do próprio corpo – e sempre solidariedade nos corredores parceiros.

Em Mariana, já estava perfeito. As pernas e pés, é verdade, doíam – mas nada além do esperado.

De lá até Ouro Preto seria uma ladeira só de 12km pelo asfalto, subindo sem parar.

E subimos, agora também na companhia da Milva, que estava manuseando dois postos de apoio.

Intercalamos 30″ de trote com 30″ de caminhada, acendendo as headlamps para avisar aos carros que estávamos próximos.

A ladeira foi severa – mas a imagem do sol de fim de tarde queimando as colinas mineiras com as luzes de Ouro Preto iluminando a distância compensou.

Quando chegamos, o clima na cidade era só de festa: os moradores já estavam por dentro da prova e perguntavam, incrédulos, se realmente estávamos vindo de Santa Bárbara.

Viramos na Praça Tiradentes sob palmas e gritos: os outros corredores estavam em festa, celebrando o feito e congratulando a todos que chegavam.

Não há palavra melhor para descrever essa ultra: perfeita. Por 13h23 em seus 88km e quase 2 mil metros de subida acumulada.

Não sei se haverá nova edição, se essa prova se oficializará no calendário ou coisa do gênero. Mas sei que ver uma ideia postada há meses aqui no blog se materializar de forma tão impressionante e mágica foi inesquecível – assim como toda essa experiência de cruzar a história de Minas, atravessando caminhos de bandeirantes e escravos pelas veias por onde pulsou boa parte da economia colonial.

E, embora tantos tenham sido responsáveis pela realização desse sonho, há duas pessoas em especial que não posso deixar de agradecer: Zilma Rodrigues, que chegou 2 horas antes de mim e que agitou a organização pre-prova, e André Zumzum, que deu um show à parte na coordenação do apoio.

Agora é descansar por uns dias, aproveitando a sensação de realização que vem com as linhas de chegada de ultras, e iniciar uma nova preparação. Daqui a dois meses, afinal, tem mais 90k para fazer – e a ansiedade já está batendo forte!

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Checkpoint: No caminho certo

Eu tinha uma meta bem prática essa semana: me sentir “zerado”, com pernas frescas e motivação alta.

A motivação está transbordando – mas não sei se as pernas estão assim tão frescas quanto eu gostaria. Às vezes, no entanto, bate aquela sensação de que, embora nem tudo tenha saído como planejado, o caminho está corretíssimo.

Primeiro, porque consegui me definir quanto a todo o preparo para a largada lá em Minas, na semana que vem: equipamento, nutrição e força de vontade estão perfeitamente equacionados.

E, segundo, porque ignorei um pouco a planilha esta semana e bati os 70km rodados – algo que pode até parecer pouco quando comparado a tempos de outros corredores de ultra ou mesmo aos meus marcos no ano passado mas que, dado o “vale escuro” de onde estou saindo, é perfeito.

Aliás, considerando que tem 90km para rodar daqui a 6 dias, esse volume até que está bem razoável, principalmente quando se leva em conta também que o pace médio está ali, sólido, suavemente mais lento do que os meus ritmos mais intensos mas bem mais confortável e consistente.

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Uma fadiga ainda persiste nas pernas, principalmente em subidas, mas acredito que isso desapareça com a variação do treino da semana que vem (essencialmente composto de muito descanso e alguns tiros curtos) e, talvez, um Flanax para forçar um alívio maior.

A essa altura, há pouco que pode ser feito para melhorar qualquer que seja a condição – o que não é exatamente um problema. Como disse, o caminho em si está certo e agora é confiar e correr.

Conclusões do último longo antes da ultra

Hoje foi um daqueles dias importantes em um treinamento: o último longo antes da largada que, agora, está a menos de uma semaninha de distância.

Minhas principais preocupações eram preparo nutricional (por conta da dieta low carb), cansaço físico e equipamento.

Ponto 1: nutricionalmente, nada poderia estar melhor. Saí de jejum para a corrida (leve) de 2h15 e nem me lembrei de qualquer sensação próxima de fome. Ao contrário, foi como se ficasse mais forte na medida em que o tempo passasse – algo que parece um contrasenso mas que tem a sua lógica. Com o tempo, afinal, o organismo vai ficando mais hábil na conversão de gordura em energia.

A única coisa que me chamou a atenção negativamente foi a sede. Não sei se porque o corpo está retendo menos líquido, mas o fato é que a sensação de sede foi constante. Enfim, aparentemente será algo que precisarei lidar.

Ponto 2: o cansaço físico está mais vinculado aos erros de treino que cometi. Comecei com intensidade demais, atingi meu pico um mês antes do que deveria e passei as últimas semanas forçando uma espécie de “tapering” antecipado seguido de uma escalada gradual em volume. Em outras palavras, estou tentando reparar um estrago que culminou em uma exaustão total há 30 dias. 

Há, claro, aquela insegurança pela redução brusca na quilometragem semanal – algo que faz a mente temer a visão de qualquer ultra. Mas isso é algo que terei que lidar lá, na semana que vem. 

Do ponto de vista de fadiga, as pernas estão melhores e senti um cansaço além do esperado em subidas mais íngremes. Nos últimos km ainda fiquei com as panturrilhas mais pesadas – o que acabou passando depois que mudei o foco e deixei o pensamento voar por frugalidades além da corrida.

De zero a 10, nota 7. Ainda tenho uma semana de ajuste e espero aproveitá-la bem, mesclando treinos com algum descanso. Pouco: a essa altura, estou com a nítida sensação que, se foi o excesso de treino que me derrubou no mês passado, agora pode ser o excesso de descanso que está impedindo uma recuperação mais rápida.

Ponto 3: o equipamento em si sempre é uma preocupação, principalmente em uma ultra meio autosuficiente, onde se deve contar apenas com um apoio mínimo.

Minha mochila é nova, uma RaidTrail de 10L da Quechua. Aguenta 2 litros de água, quantidade que considero ideal, com algum espaço para coisas extras (bateria de telefone adicional, cobertor térmico, pacotes de nozes etc.). 

O único problema é que esse modelo não tem cinto na parte de baixo, o que faz o volume inteiro balançar um pouco. Mas tudo bem: é facilmente administrável. Não vejo problemas aí.

Com o tênis, por outro lado, a questão foi outra. Originalmente usaria um Salomon Sense Ultra, perfeito para trilhas. O problema: o cabedal é muito duro, prendendo os dedos. Na última ultra que fiz, em janeiro, ele foi responsável por evitar muitos escorregões – mas gerou duas bolhas e me fez perder duas unhas.

A opção é um Merrell Ultra, relativamente novo, feito para longas distâncias no asfalto. É a marca que mais curto pela leveza, falta de drop, tamanho do cabedal e resistência. O lado ruim: ele não é exatamente feito para trilhas.

O que fazer então? Bom… como o Merrell está novo, com o solado Vibram praticamente intacto, vou confiar na sua capacidade de grip e optar pelo conforto que proporciona. Como a Estrada Real não deve ter muitas trilhas técnicas (e mais estradas de terra), creio ser uma opção perfeita.

Resumo da ópera, portanto: nutrição perfeita, físico quase lá e equipamento definido.

Tudo a caminho para a Ultra Estrada Real!

  

Ultra Estrada Real: Vans até a largada

Já começo pedindo desculpas pelo prazo apertado, mas somente agora conseguimos articular as vans que sairão de Ouro Preto, na madrugada do dia 4, até Santa Bárbara. 

Na prática, aliás, estamos trabalhando com dois cenários: um micro-ônibus para 25 pessoas ou uma van para 15. 

Tudo depende da quantidade de pessoas que efetivamente confirmarão, então nosso prazo também está apertado.

Por conta disso, já sendo prático, vamos às infos:
 

– A van custará R$ 50,00 por pessoa. Ela poderá parar em cada uma das cidades do percurso mas, até o momento, a lista de interessados inclui pontos em Ouro Preto, Mariana e Catas Altas. 

 – Em seguida, a van retornará até Ouro Preto 

 – O prazo para pagamento e confirmação é até o final desta próxima terça, 31/03. 

Isso é importantíssimo: quem quiser deve fazer o pagamento até esta data, impreterivelmente. 

 O pagamento deve ser feito pelo site do Caminhos de Rosa, outra corrida organizada pelo André Zumzum, no link http://caminhosderosa.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=van 

É isso! 

Dúvidas, por favor mandem email diretamente para ele e para mim nos emails andrepuc_vet@hotmail.com e emailnacorrida@gmail.com

 Hora de correr para garantir o traslado!!

 

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Ultra Estrada Real: Faltam 10 dias!

Hoje já é quinta.

Faltam, oficialmente, 10 dias para largarmos de lá de Santa Bárbara até Ouro Preto!

E, organizacionalmente falando, ainda temos alguns itens a ver – como postos de apoio, mantimentos e as vans até a largada. Essa fase final está demandando uma atençào mais intensa e por isso mesmo ainda não postei novas atualizações aqui no blog.

Até amanhã, no entanto, espero já ter todas as infos referente às vans e posto por aqui, bem como demais questões.

O importante mesmo é que o dia está chegando!

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