Sofrendo com a (incompetência da) Garmin

Logo depois que postei aqui no blog que comprei o Fenix 2, da Garmin, um mundo de amigos me deu os pêsames e desejou, do fundo do coração, que eu não precisasse do suporte deles.

Pois é: precisei.

E pela segunda vez, já que o Forerunner 620 que havia comprado um ano antes também havia dado problema. Curiosamente, a memória curta me fez esquecer a dificuldade que era lidar com o suporte da Garmin.

Bom… agora não esqueço mais.

O problema técnico

Tudo começou quando o Fenix 2 decidiu travar no meio de corridas longas. O mesmo já tinha ocorrido com dois amigos e ambos disseram que esse era um caminho sem volta. Ainda assim insisti: atualizei o relógio, apaguei o histórico, fiz um hard reset etc.

Nada adiantou.

Em corridas curtas, nenhum problema. Mas imagina que delícia é você estar 5 horas adentro de uma ultra, conferir o relógio e, de repente, ver que ele simplesmente não está mais funcionando? Fantástico, não?

Largando na interminável ultramaratona em busca de suporte

Como ele ainda estava na garantia, contatei a Garmin para saber como deveria proceder. Verdade seja dita, a primeira fase do atendimento deles nem demorou tanto: em poucos dias me retornaram com instruções para que eu postasse o equipamento para eles, o que fiz no dia 19 de novembro.

Atentem para a data: 19 de novembro.

Informei isso no portal de suporte da Garmin: a partir da data de envio, eles teriam 30 dias para me devolver o equipamento consertado ou trocado por um novo. Nem comento que esperar 30 dias para ter de volta um equipamento de R$ 2 mil é um absurdo por si só.

Mas vamos lá:

Pelo rastreamento dos Correios, o Fenix 2 foi entregue com sucesso no dia 20 de novembro:

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No portal de reparos da Garmin, no entanto, o status ainda estava marcado como “em envio pelo cliente”.

E por que era importante essa mudança de status? Porque, até que eles demarcassem como recebido, o prazo dos 30 dias não corria. Ou seja: era uma forma da Garmin dar aquela “enganada básica” no consumidor, ganhando tempo ao alegar não ter recebido o produto e, portanto, não ter podido iniciar os reparos.

A troca de mensagens

Reclamei com a Garmin pelo portal de suporte no dia 25, quando o status continuava errado. A resposta que tive do atendente Elton:

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Depois disso, entrei em contato com a Garmin pelo Facebook. Por lá eles foram mais ágeis e me disseram estar com o produto desde o dia 21/11 (o que batia com o rastreamento dos Correios que, diga-se de passagem, não estava em greve). Também disseram que tinham até 21/12 para postar o produto de volta:

Screen Shot 2016-01-04 at 12.31.21 PM

Minha resposta ao atendente Elton, já devidamente dotada de um grau de raiva que deixaria Satanás com inveja:

Screen Shot 2016-01-04 at 12.22.43 PM

Nada de retorno prático. Esperei mais e, no dia 30, o status finalmente mudou para “em reparo”.

A proposta indecente

Dezembro começou e os dias foram se somando. De vez em quando eu entrava no portal para averiguar o status: nada.

Cheguei a perguntar se eu poderia deixar o relógio com eles e pagar a diferença para comprar o Fenix 3, um pouco mais caro e, ao menos de acordo com os reviews na Web, com qualidade maior. Tive uma resposta meio indecente: eles ficariam com o relógio e me dariam um cupom de 20% de desconto na compra de um novo. Fantástico, não?

Obviamente desconsiderei. E esperei.

Eis que, no dia da postagem de volta…

No dia 21/12, data que o atendimento da Garmin no Facebook me garantiu que o relógio seria postado de volta para mim, entrei em contato novamente. Adivinha?

Segundo eles, o reparo só se iniciou em 30/11 e eles tinham até 30/12 para me mandar de volta! Fantástico, não? Ou seja: a minha hipótese deles postergarem a mudança de status para ganhar um tempo a mais, enganando o consumidor, estava devidamente comprovada.

Screen Shot 2016-01-04 at 12.34.22 PM

Novamente, contei até 10 e fui ao Facebook. De início, eles reforçaram a mentira de que haviam recebido o produto no dia 30. Quando mandei os anexos deles mesmos dizendo que estavam com o relógio no dia 21, a coisa mudou de figura. Pelo menos em teoria.

Resposta que tive do Facebook da Garmin:

Screen Shot 2016-01-04 at 12.37.14 PM

Entre um e outro passo, postei também reclamação no ReclameAqui e só não fui ao PROCON porque, depois da ameaça, eles me responderam que estariam trocando por um novo naquele dia.

Mas… adivinha só?

Apesar do status ter mudado para “preparando para envio” em 22/12, o portal de reparos estava assim hoje (04/01):

Screen Shot 2016-01-04 at 12.39.04 PM

Em outras palavras: o relógio AINDA NÃO FOI SEQUER POSTADO!

E a resposta deles hoje, segunda-feira, 04/01?

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Isso significa que se eles cumprirem o novo prazo, terão postado o relógio de volta para mim com 20 dias de atraso, somando 50 dias contados a partir do momento em que eles receberam o produto!

Dá para acreditar nessa bagunça toda?

Não.

Como também não dá para pensar em comprar mais nada da Garmin. De que adianta lançar produtos se a empresa não tem um mínimo de infra para prestar suportes básicos ao consumidor.

Isso sem contar o óbvio: os dois produtos que comprei (Forerunner 620 e Fenix 2) estavam “quebrados”, demandando suporte/ garantia. Isso também ajuda a comprovar que qualidade de produto em si não é o forte deles.

Deveria ter ido de Suunto desde o início. Taí uma economia que me saiu muito, muito cara.

 

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Como descer nas trilhas

Resumão desses vídeos:

  1. Alternar de um lado para outro (ao invés de seguir em linha reta) para usar o peso do corpo como forma de se equilibrar
  2. Dar passos minúsculos, permitindo maior controle em caso de escorregões e pisando de forma mais leve no chão
  3. Tocar o solo da maneira mais “plana” possível
  4. Usar a musculatura da coxa nas passadas para melhorar o controle de descida
  5. Evitar tocar o solo sobre pedras (o que é meio óbvio, diga-se de passagem)
  6. Sempre ter em mente o passo seguinte, não o atual
  7. Abrir os braços, deixando-os soltos para dar mais equilíbrio ao tronco
  8. Arriscar alguns saltos quando a gravidade parecer maior que o controle sobre o corpo

Mini-aula:


Vendo o mestre dos mestres, Kilian Jornet, em câmera lenta:

Técnica de respiração para aumentar a eficiência durante a corrida

Faz algum tempo, fiz um post no Rumo a Comrades sobre técnicas de respiração para se correr melhor. A mudança que isso gerou para mim foi tamanha que queria falar um pouco mais sobre isso aqui – até para matar algumas teorias de que é o corpo que deve decidir, por conta próprio, o ritmo ideal de cada corredor.

Antes de mais nada, uma observação: sim, respirar é algo que prescinde de qualquer esforço coordenado. Quando o intuito é deixar pulmões adaptados, a mágica é feita por uma só palavra: treinamento.

Mas o nosso corpo é um só e, de alguma forma, pulmão, músculos e articulações estão todos interligados.

E foi justamente seguindo esse raciocínio que um técnico chamado Budd Coates decidiu se aprofundar mais nas correlações corporais durante a corrida.

Ele se baseou principalmente em uma pesquisa feita por dois pesquisadores da Universidade de Utah, Dennis Bramble e David Carrier, que concluiu que o momento mais frágil para a musculatura e articulações durante uma corrida é quando o pé toca o chão no momento em que se expira o ar para fora. Ou seja: se seu pé esquerdo sempre tocar no chão a cada vez que você começa a expirar o ar dos pulmões, então todo o seu lado esquerdo estará mais suscetível a lesões (afinal, cada passada de corrida representa um impacto aproximado de 3 vezes o peso sobre as articulações).

Depois que li isso comecei a prestar atenção no meu padrão de respiração e descobri que, como a maioria dos corredores, ele é “par”. O problema está aí: se você puxa ou solta o ar a cada duas ou três passadas, então, logicamente, sempre repetirá a perna que tocará o chão durante a expiração. É só fazer as contas.

Com isso, claro, você acabará fragilizando o mesmo lado cada vez mais ao forçar uma carga maior em um momento de fragilidade mais aguda. Qual a solução? Revezar o pé que toca o chão ao sincronizar passadas com respiração de forma diferente, “ímpar”.

Coates sugere que isso seja feito em 3 etapas:

1) Em primeiro lugar, é importante aprender a respirar com a barriga (e não com o tórax). A barriga expande melhor e, assim, permite que o pulmão absorva mais oxigênio, deixando todo o processo mais eficiente. Esse talvez seja o passo mais difícil de todos pois inclui reprogramar todo o hábito respiratório já inserido no nosso cotidiano fisiológico, por assim dizer. Mas, com treino, tudo é possível.

2) Depois é o momento de praticar a respiração no ritmo 3-2-3-2. Inspira-se ao longo de 3 passadas, expira-se ao longo de duas. Com esse ritmo, você naturalmente alternará a pisada e equilibrará melhor o corpo. Veja na imagem abaixo:

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3) Finalmente, deve-se começar a praticar em diferentes velocidades. Quanto mais rápido se correr, mais difícil será manter o 3-2-3-2 – mas pode-se trocar por 2-1-2-1. O importante é manter o fluxo ímpar de sincronia respiratória.

Há uma série de exercícios e dicas que Bramble dá no artigo, mas basta buscar no Google para encontrar a peça completa.

Do lado de cá, levei algumas semanas para adaptar conscientemente o modelo de respiração. Mas funciona: o nível de dor na musculatura ficou quase que instantaneamente mais sincronizada, o que é um bom sinal. As dores que costumavam ser sempre maiores na perna direita, por exemplo, estão mais distribuídas, deixando todo o processo de regeneração mais ágil. E o tempo de adaptação também foi rápido: hoje, esse controle respiratório ímpar é quase que instintivo, inconsciente.

(Quem quiser se aprofundar mais no assunto pode também comprar o livro do Budd Coates, aqui).

Navigation 101: Intermediate Navigation – Beyond the Basics by Mountain Run

Segundo artigo do Ian – agora com técnicas menos básicas. Também vale a leitura!

iancorless.com - Photography, Writing, Talk Ultra Podcast

Mountain Run

This is a second article in a trio of interviews with Ian Corless, about Navigation for Ultra Runners & more. Read article one HERE

all content ©mountainrun

In the first interview we covered the Basics of Navigation, this encompassed maps, compasses, setting your map & how to set a bearing.

The second interview was moving into intermediate navigation & it consisted of the following information & techniques:

  1. Declination/Magnetic Variation
  2. Grid Numbers/Plotting a Grid Reference
  3. Back Bearings
  4. Re-Orienting/Re-locating
  5. Thumbing the Map
  6. Hand-railing
  7. Catching Features
  8. Aiming Off

So lets start with:

1) Magnetic Declination or Magnetic Variation: 

There are 3 points at which north is seen. 1) True North, 2) Grid North & 3) Magnetic North. We are concerned with Grid North & Magnetic North.

Grid North is what is detailed on a map, its where the North/South grid lines show us the direction of north, according to the grid lines printed on the…

Ver o post original 2.620 mais palavras

Travailen: veja aqui versão completa do filme por tempo limitado

Há alguns meses, os sul africanos Ryan Sandes e Ryno Griesel se embrenharam em um desafio de proporções épicas: quebrar o recorde da Drakensberg Traverse, uma travessia pelas montanhas que separam o seu país de Lesotho (aquele país minúsculo que parece uma ilha cercada por África do Sul em todos os lados).

O resultado foi um filme com cenas absolutamente magníficas e inspiradoras, feito pela equipe do African Attachment e pela Red Bull Media House.

Acredito que eles disponibilizarão o vídeo para venda em breve – mas, por enquanto, ele está disponível gratuitamente e o coloco abaixo. São 27 minutos de pura inspiração:

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http://www.redbull.com/za/en/adventure/stories/1331672300014/travailen-full-version

Indomit Bombinhas: difícil, mas sensacional

Fase dois do plano completa: fiz hoje os 42K da Indomit Bombinhas, última parada antes da Douro Ultra Trail.

A palavra “difícil” nem começa a descrever a prova.

Na madrugada de ontem para hoje, um temporal bem forte se abateu sobre a costa catarinense – algo como um pacto entre Iansã e Æolus para deixar a prova mais emocionante.

Funcionou. A quantidade de lama era tamanha, principalmente na primeira montanha, que escorregar passou a ser algo quase corriqueiro. Subidas íngremes se alternavam com descidas tensas em um piso que parecia gelo marrom – e que piorava a cada instante com a chuva que nunca chegou a parar de cair.

Depois, areia de praia. Dura ou fofa, foi bem vinda. Uma espécie de relaxamento para a mente que já mostrava sinais de cansaço.

Relaxamento temporário: logo ele foi substituído por mais trilhas fechadas. Mais emoção e uso de, acredito, todos os músculos existentes nas pernas.

E assim, com muita trilha, muita praia, alguns trechos em estrada de terra e, claro, um inesquecível costão de pedras, finalizei a Indomit.

Entre subidas e descidas técnicas, escorregões e algumas paradas para ver a incrível paisagem de Bombinhas, fiz um tempo bem pior do que imaginava: 6h27.

Mas tudo bem: foi uma iniciação em corridas por trilhas mais longas e mais árduas e eu nem sabia bem o que esperar.

Agora sei.

Sei que doeu, que é bem diferente de corrida de rua, que há elementos muito mais imprevisíveis que o asfalto e cenários tão acachapantes que dificilmente esquecerei.

Amei cada quilômetro.

Agora quero mais.

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Mais algumas fotos que encontrei pela Web:

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E mais outras publicadas diretamente no Facebook da Indomit:

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Vídeo com dicas para a Indomit K42 Bombinhas

Empolgado pelo vídeo de ontem, sobre o DUT, acabei acordando para o fato de que minha preocupação maior deveria ser a Indomit K42 que, afinal, acontece neste sábado!

Pelo jeito, será uma corrida com direito a muita chuva, lama e todo tipo de dificuldade que serve como boas vindas para novos corredores de trilha como eu. Como o vídeo da prova tem apenas imagens promocionais, busquei um da MidiaSport mais interessante, com relato gravado ao longo da prova e ilustrando melhor os seus altos e baixos. Para quem se interessar vale conferir abaixo.

(O post feito pelo Enzo Amato também é bem interessante e pode ser acessado clicando aqui.)