Checkpoint: Fechando a semana no Carnaval baiano

Independentemente de qualquer gosto musical, há qualquer coisa de muito diferente em se testemunhar o Carnaval em Salvador. Na prática, a sua essência tem muito pouco a ver com Cláudia Leite, Ivete Sangalo ou quem quer que esteja em cima de um trio: tem a ver mesmo com o que se passa abaixo dele.

Explico: o Carnaval baiano só se tornou o que é por conta de uma força popular essencialmente local e que mescla malandragem, energia, sol, mar, suor e muita, muita vontade de ser feliz. A música em si é apenas uma coadjuvante que ganhou proporções muito maiores do que deveria.

Cheguei em Salvador ontem à noite para aproveitar o feriado unindo a família formada por mim à que me gerou, casando as minhas raízes às raízes que estou formando hoje, na outro ponta do país em que vivo.

E a primeira coisa que fiz – claro – foi sair para uma corrida de cerca 1h30 pela orla. Saí do bairro do Caminho das Árvores, onde meu pai vive, e desci até a Pituba, cruzando Amaralina, Rio Vermelho, Ondina e Barra. Fiz boa parte da orla baiana correndo por entre as minhas lembranças e encontrando pérolas como um ritual de Candomblé em plena praia. Não resisti e tirei uma foto:

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De lá em diante fui embalado pelos batuques dos Orixás, testemunhando sorrisos de todos os lados, cruzando com trios se preparando para um dia de guerra e sendo abençoado pelo sol e pelo onipresente mar soteropolitano.

A cidade parecia de uma felicidade sem paralelos, mesmo considerando o cansaço estampado nos olhares dos ambulantes que fazem da folia o seu ganha-pão. Em Salvador, a sensação que dá é que trabalhar é apenas algo necessário para se viver – e que deve ser feito com a mesma alegria que se tem ao tomar um chopp com os amigos em algum boteco qualquer.

E o que tudo isso tem a ver com corrida e com o treino? Mais do que se imagina.

Sob o sol da cidade, as dores nas costas evaporaram por completo; o estômago melhorou; o ritmo voltou ao normal e tanto mente quanto corpo pareciam curados no instante em que encerrei a corrida para um mergulho nas águas transparentes da Baía de Todos os Santos.

Não poderia ter esperado nada melhor que isso para finalizar uma semana tão difícil e dolorosa quanto esta.

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Plano Estrada Real: Definindo a data

Hora de voltar ao Plano Estrada Real!

De todas as decisões, a mais difícil já foi tomada: o percurso. Serão 88km entre Santa Bárbara e Ouro Preto, preferencialmente com largada bem cedo e chegado ao cair da noite.

Tenho dois parâmetros para uma distância dessa: Comrades, com 89km, que fiz em pouco menos de 11 horas, e a Douro UltraTrail (DUT), de 80km, que fiz em pouco mais de 16 horas. E há uma diferença fundamental entre essas duas referências: por ser feita em asfalto, Comrades permite uma velocidade maior e, consequentemente, uma chegada ainda sob a luz do dia.

A DUT foi feita quase que inteiramente em montanhas, com um ganho altimétrico de 4,5 mil metros. Saí antes do sol nascer e cheguei bem depois dele se por.

Como não estarei em uma prova organizada, com fitas de marcação de percurso estabelecidas etc., chegar ainda com alguma luz do dia é importante. Estou considerando essa nova ultra com uma dificuldade intermediária entre as minhas duas referências – o que deve representar algo como 13 ou 14 horas de corrida.

Isso significa que, se sair às 5 da manhã, chegarei às 7 da noite. Não dá para dizer que contarei com a claridade absoluta – mas será o suficiente para me guiar em segurança até a “linha de chegada”.

Esse é o primeiro elemento importante na decisão da data de partida: quanto mais próxima do verão, mais tempo poderei contar com a luz do sol. Em tese, isso deixaria os meses de janeiro e fevereiro como ideais.

No entanto, fiz um levantamento climatológico e cheguei às tabelas abaixo:

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Os meses de novembro a março são os mais úmidos na região, com um acumulado que varia de 200mm a 320mm de chuva. E, considerando o nível da seca em que estamos agora aqui no sudeste, tudo indica que a chuva virá com fé.

Há um outro elemento nessa tabela acima que fica mais claro aqui:

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Apesar do calor não ser tão forte na região, ela começa a cair mesmo no mês de abril (variando entre 13,4 e 24 graus). Março é um pouco mais quente – mas a mínima de maio despenca para a casa dos 10 graus. Veja a flutuação aqui:

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Apenas para contextualizar, a situação ideal de uma ultra assim é:

  • Temperaturas mais amenas, suportáveis
  • Período com dias maiores do que noites
  • Clima mais seco, com uma probabilidade menor de chuvas

O período ideal, portanto, fica entre o meio de março e o meio de maio. Simples assim.

Mas falta uma outra coisa na análise: um feriado. Sim, porque abandonar o trabalho para correr no meio de Minas não é exatamente uma coisa simples!

Pelo calendário, no entanto, há um feriado que cai no começo de abril – e que pode ser PERFEITO: a sexta-feira santa, no dia 3 de abril. Não é exatamente o meio do mês, mas com certeza dá para o gasto.

Aliás, é até melhor do que a encomenda: as cidades da região costumam ficar incríveis nessa época por conta das celebrações religiosas mais tradicionais.

Resumo da ópera: data definida.

O Plano Estrada Real será executado no sábado, 4 de abril de 2015.

Dia 3 será destinado à organização local; dia 4, ao retorno para Sampa.

Perfeito.

Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

Por enquanto, a expectativa é de tempo bom na DUT

Diferentemente de uma corrida de rua, o clima tem uma importância sempre determinante nas trilhas. 

Não que uma corrida com chuva torrencial ou sol senegalês não faça a diferença nas ruas: as duas maratonas do Rio que participei, uma em cada uma dessas condições, foram realmente complicadas. 

Mas nada se compara a enfrentar uma trilha na montanha sob tempestado – o que inclui lama e escorregões. 

E, pelo menos até agora, a expectativa é boa. Que se mantenha assim!!!

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