Brincando de Strava

Dia atípico: por conta de uma reunião de trabalho às 8:30, acabei tendo que assassinar o meu longão de hoje. Tudo bem: acabei “espalhando” o longão pelo resto da semana/

E, claro, aproveitei também para usar o meu brinquedo novo, o Strava. Até então, usava o MiCoach, da Adidas, para acompanhar os treinos. Essa app é imbatível em um ponto: ela efetivamente passa instruções ao longo de cada corrida, funcionando quase como uma conexão virtual permanente com um treinador.

Mas, desde que troquei o SmartRun para o Garmin, acabei pesquisando outras ferramentas. E caí no Strava que, diga-se de passagem, é integrado tanto ao MiCoach quanto ao Garmin.

Não vou ficar aqui celebrando o software: eu provavelmente sou o último corredor a conhecer o sistema deles. Mas vou apenas dizer que fiquei quase abismado com o nível de dados que entregam.

Além do conceito de segmentos e de rotas dos outros – que já estou utilizando para programas corridas na Argentina, durante o final do ano – a análise de pace foi o que mais me chamou a atenção.

Até então, utilizava apenas uma análise quase cronológica de uma corrida – incluindo pontos em que aumentava ou diminuía o pace. Hoje, no entanto, a análise de zonas acaba dando uma noção bem mais clara do esforço feito e dos resultados alcançados.

Exemplo abaixo:

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Resultado? Nessa corrida de exemplo, feita ontem, acabei forçando a velocidade (Z4 para cima). Perfeito: era exatamente essa a meta do dia.

Fiz a mesma comparação com a quinta mas percebi que, nela, apesar de ter terminado com uma sensação de missão cumprida, havia me concentrado quase que inteiramente na Z3. Em outras palavras: acabei encaixando um treino errado.

Vou passar a utilizar essa análise mais vezes como uma espécie de ferramenta para guiar o desempenho. Tecnologia é incrível!

Apanhando do Garmin Forerunner 620

Que eu teria problemas com a mochila de hidratação, tudo bem. Já meio que previa isso devido à falta de experiência, mas as dicas que tenho recebido por aqui e pelo Facebook tem ajudado BASTANTE.

Mas se tem uma coisa que não esperava era encontrar problemas com o Garmin Forerunner 620 – novinho – que passei a utilizar.

Em resumo:

Na primeira semana, tudo correu bem. Apanhei um pouco da usabilidade, que achei BEM inferior que a do Adidas Smart Run, mas nada que fosse crítico.

Aí fui atualizar o calendário de treinos. E tudo travou na tela abaixo:

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A tela simplesmente congela aí, sem atualizar absolutamente nada.

Reiniciei o Garmin. Nada.

Restaurei às configurações de fábrica. Nada.

Desinstalei e reinstalei o Garmin Express. Nada.

Desinstalei e reinstalei o Garmin Communicator Plugin. Nada.

Fiz diversas combinações loucas com os itens acima. Nada.

Fui ao fórum da Garmin e bingo: lá encontrei incontáveis depoimentos de corredores com o mesmo problema desde o começo do ano. A resposta da Garmin? Apenas a promessa (dada em fevereiro) de que resolveria essa questão no abstrato prazo descrito como “futuro próximo”.

Fiz um pedido de suporte lá e estou aguardando.

Foram R$ 1.700, aproximadamente, que estão começando a pesar bastante.

Movido por uma esperança quase religiosa, fui checar o meu Smart Run que havia quebrado depois da Comrades – e não é que ele estava funcionando? O carregador voltou ao normal, os sensores ganharam vida e tudo está perfeito com ele. Tudo bem: a bateria ainda é ruim. Mas uma bateria ruim é bem melhor do que um relógio quebrado, certo?

Ainda vou esperar alguns dias pelo retorno do suporte do 620 – afinal, a esperança é a última que morre. Se não rolar… enfim, jogarei a toalha, acionarei a garantia para pegar o dinheiro de volta e darei o caso por encerrado. Relógio para quê, afinal? :-(

Testando o Garmin Forerunner 620

Fiz todo o processo de treinamento para a Comrades com o Adidas SmartRun – e, para falar a verdade, não tenho muito do que reclamar. A usabilidade é perfeita, a tela touch é incrível e o GPS funciona bem. A app MiCoach, por sua vez, é provavelmente das melhores do mercado, com treinamento em tempo real passado pelo relógio ou, para quem preferir, pelo iPhone.

Mas há dois problemas do SmartRun: o tempo de bateria, que é pequeno (pouco mais de 4 horas em uso), e não ser à prova d’água.

Para completar, o sal do suor que ficou no pulso durante as quase 11 horas de Comrades danificaram um pouco o carregador, me forçando a mudar de relógio para essa nova fase.

O que precisava era relativamente claro: algo tão funcional quanto o SmartRun, mas preferencialmente à prova d’água, com mais tempo de bateria e com um formato mais fácil para compartilhar minhas planilhas de treino com meu novo treinador, o Ian, que vive na Inglaterra. E, assim, acabei pegando um Garmin Forerunner 620.

Primeiras impressões? Para quem estava habituado à fantástica usabilidade do SmartRun, ele frustra. O touch é meio esquisito (algo na linha de um Palm antigo comparado a um iPhone), os comandos são muito pouco intuitivos e há a necessidade de se baixar uma app no computador para que ele funcione.

Mas os pros realmente pesam para quem pretende treinar a distância e passar horas nas trilhas: a bateria é incomparável. Enquanto o SmartRun dura cerca de 24 horas (se inserir uma corridinha de 1 ou 2 horas no meio tempo), testei o Garmin hoje e quase não há sinal de mudança no status de sua carga.

Fora o fato de ser também à prova d’água e de não ter os sensores cardíacos no pulso – o que acabou danificando o aparelho – ele tem a função de LiveTracking. Para trilhas, é perfeito: permite que amigos e familiares possam acompanhar o local exato em que eu estiver ao vivo, por meio de um mapa dinâmico. Ainda não testei, mas não há motivos para acreditar que não funcione.

Bom… já enviei meu calendário montado para que o meu treinador acompanhe (o link público é http://connect.garmin.com/proxy/calendar-service/export/a102844501cd42a59d0d3c811bc143ff). Por enquanto, ele tem apenas uma semana de treinos que recebi dele – mas vou complementando na medida que for recebendo mais.

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Como estou pós-Comrades

Hoje é dia 5 de junho – 4 dias depois da Comrades 2014, lá na Africa do Sul.

Apesar de já ter feito uma ultra antes – a Two Oceans, de 56K – essa foi a minha primeira jornada em um percurso acima de 50 milhas. E foi absolutamente espiritual, para dizer o mínimo. Não vou me prolongar muito falando da Comrades – já fiz todo um blog com algumas centenas de posts narrando tanto a jornada quanto a prova em si (veja aqui).

Mas, considerando que este é o que considero o dia 1 da minha transição para as trilhas, é sempre bom começar detalhando o meu estado físico alguns dias depois de ter passado 10h54 na estrada entre Pietermaritzburg e Durban.

Meu tornozelo esquerdo é o único ponto realmente problemático. Aparentemente desenvolvi um cisto sinovial nos últimos quilômetros da prova, vazando líquido de alguma articulação e criando uma bolha na parte de cima do tornozelo que está comprimindo toda a região. O lado bom é que não é nada de grave: o cisto já começou a desaparecer, com o líquido sendo reabsorvido pelo próprio organismo. A região inteira ainda ainda está bastante inchada, mas melhor. Fui ao médico ontem para saber se poderia ser algo grave mas, aparentemente, basta dar um pouco mais de tempo ao tempo e estarei inteiro.

O restante da musculatura está toda recuperada: não há mais nenhum sinal de dor em nenhuma outra parte do corpo.

O moral está excelente – como não poderia deixar de ser. No domingo completei uma prova que definitivamente mudou a minha vida e a minha forma de me entender enquanto pessoa. Comrades faz isso com todos, aparentemente.

Meu relógio quebrou na Comrades. Aparentemente, o sal do suor acumulado embaixo do pulso danificou os sensores do Adidas Smartrun que, agora, não carrega mais. Devo passar na Adidas esse final de semana para ver o que fazer mas, como o relógio foi comprado fora do Brasil, tenho poucas esperanças de solução. Se for o caso, terei que comprar um outro. Infelizmente.

Assim, com um tornozelo ainda se recuperando, sem relógio, com moral elevado e restante da musculatura recuperada, começo uma nova jornada que me levará para mais distante das ruas e mais próximo das montanhas. Ainda é cedo para dizer sequer se gostarei da experiência – embora ache difícil que não.

De toda forma, veremos, a partir de hoje, quais os caminhos que me esperam!

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