Checkpoint: Joelho melhor, velocidade subindo e ultra à vista

Poucas palavras definem melhor esta semana.

Depois de idas e vindas das dores, descobri que um tênis velho havia, aparentemente, perdido o seu “mo-jo” e estava quebrando a minha biomecânica.

Como parte da “recuperação”, optei por trechos com menos inclinação e turbinei a velocidade. Funcionou: fechei bem a semana e ainda pude contemplar gráficos de pace nos seus melhores dias. 

Finalmente, foi o fechamento da última semana pre-prova. Foi-se o pico, somaram-se 78km nos últimos 7 dias e, embora com a musculatura meio cansada, me sinto em uma das melhores formas que já estive. 

Agora é descansar nos próximos dias, diminuindo volume (e compensando de leve com mais intensidade) e largar para as areias do litoral norte paulista.

   
 

Último longão pré Bertioga-Maresias

31km depois… 

Joelhos, pés, pernas e outros membros permaneciam perfeitos. É curioso como tecnologia nem sempre é a salvação que costuma preconizar. 

O tênis que estava usando era perfeito: mesclava aspectos minimalistas com algum amortecimento, ideal para ultras em asfalto. Cheguei a usá-lo tanto na Ultra Estrada Real quanto na Comrades, ambas com pouco menos de 90km, sem nenhuma queixa. 

Até que, aparentemente, ele “travou”. Usá-lo agora, mesmo que por dois míseros quilômetros, faz meu joelho protestar veementemente. Mesmo ajustando postura e biomecânica, bastava calçá-lo para sentir os efeitos. Não sei dizer o que aconteceu: talvez algum vício de pisada tenha detonado o estilo do amortecimento, talvez tenha perdido o hábito, talvez ele simplesmente tenha chegado em seu prazo de validade. 

Mas o curioso mesmo é que a solução foi trocá-lo por outro Merrell, este sem absolutamente nenhum amortecimento e velho ao ponto de estar quase se desfazendo. Nem lembro a quantidade de provas que já corri com ele – certamente há quase 2 mil quilômetros abaixo de suas solas. 

O fato inegável é que funcionou. Sem nenhuma tecnologia exceto por um solado grosso, da Vibram, o Merrell TrailGloves me levou até a USP, fez duas voltas e me trouxe até em casa. 31km sem nada que sequer lembrasse a dor.

Esquisito. 

Continuo encafifado com essa repentina ineficiência do Merrell Ultra, tênis que rodou por tantas estradas comigo mas que, do nada, se mostrou perigoso. Ainda assim, encafifado ou não, pelo menos já deu para identificar o problema, solucioná-lo e seguir adiante. 

Próxima parada: Bertioga-Maresias!

  

Seria o excesso de amortecimento?

Liguei o sinal amarelo desde que senti o joelho direito há algumas semanas. Aparentemente não foi nada preocupante: de lá para cá já fiz longões consideráveis e me mantive ativo sem tirar quase nenhum quilômetro do planejado. Só fiz uma coisa: troquei o Merrell Ultra, tênis sem drop mas com um amortecimento de alguns milímetros, pelos Vibram Fivefingers ou Merrel TrailGloves – ambos minimalistas ao extremo.

Hoje saí com o Ultra. Resultado: nova fisgada no joelho em menos de 2km! Não forcei: dei meia volta.

Não costumo colocar a culpa em tênis ou acessórios quaisquer: a “culpa”, por assim dizer, é sempre da biomecânica. Mas talvez… talvez esteja tão habituado ao minimalismo que amortecimentos simplesmente atrapalham, machucam, enganam os pés e o corpo quanto à tactilidade do solo.

Enfim, é uma teoria que será testada no longão de sábado. Sem amortecimento, claro!

  

Pela África

Tenho um inexplicável fascínio pela África. Sempre tive, verdade seja dita – mas ele ficou mais forte depois que passei anos sequenciais indo à África do Sul por conta da minha Lua de Mel, de uma Two Oceans e duas Comrades. 

Com isso, acabei tomando um banho no caldeirão das culturas Xhosa, Zulu, Afrikaner e “europeia” de uma maneira geral; sentindo águas tomadas por tubarão e savanas onde leões e elefantes exalam altivez; vivendo experiências e testemunhando cenários que dificilmente poderiam ser replicados em algum outro continente. 

Quando terminei a segunda Comrades, “vestindo” a back-2-back no peito, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Por um lado, claro, foi a realização de um sonho; por outro, no entanto, havia terminado as provas que me levariam até a África. Será? 

O próprio continente selvagem se incumbiu de me dar mais esperanças. A Marathon de Sables, no Saara, já se desenha como um sonho cada vez menos distante; e outras ultras no sul brotaram do nada. 

Uma delas é a Richtersveld, quase na fronteira da África do Sul com a Namíbia. Sensacional…

Cruce……..

De todas as provas que tenho alinhadas no meu futuro próximo, o Cruce é sem dúvidas a quem mais tem me deixado empolgado. 

Só o prospecto de voltar a correr na região dos lagos andinos – uma das mais belas que já vi na vida – cruzando montanhas e passeando por dois países já faz a endorfina arrepiar cada pelo do corpo. 

Ver um vídeo assim, então, é de matar…

Que chegue logo fevereiro!!! 

El Cruce 2014 | Kailash Team Neptunia from Morfina Filmes on Vimeo.

Checkpoint: Semana de pico com susto

Tudo começou bem: planilha calibrada, motivação alta, pernas ansiosas. Seria a minha semana de pico, período em que superaria os 90km para depois diminuir gradativamente até chegar mais descansado, inteiro, na largada da Bertioga-Maresias. 

Aí veio a quarta. Do nada, uma fisgada esquisitíssima no joelho me fez voltar andando boa parte do caminho de volta para casa, mancando com o corpo e com a mente. Todas aquelas dúvidas que corredores mais temem às vésperas de uma prova apareceram como um tufão. As certezas metronômicas da segunda, em dois dias, viraram uma mescla de medo com insegurança juvenil. 

Acho que é nesses pontos que entra a experiência. Tenho para mim como verdade absoluta que dores articulares só aparecem quando estamos cometendo alguma falha biomecânica qualquer. Passei o resto da quarta me examinando meticulosamente, refazendo meus passos, minha postura, meu centro de gravidade. 

Guardei o Merrell Ultra, tênis que, apesar de minimalista, tem algum amortecimento. No lugar dele, tirei o Vibram FiveFingers, ideal para forçar uma postura adequada. 

Com ele, saí na quinta à noite pelas (ou melhor, pela) rua de Maresias. Rodei 10km voando baixo e, apesar de um desconforto inicial, termine bem. 

No sábado, troquei o longão de 4h por um menor, de 2h30. Fechei 25km bem, inteiríssimo. Repeti a dose hoje, adicionando mais algumas ladeirinhas em um percurso improvisado pelos becos da Vila Madalena e Parque Villa Lobos. Um adendo: fazer sequências de longos é algo que tinha ficado meio de lado, mas que sempre ajuda bastante no preparo. 

Terminei em perfeitas condições. 

Verdade seja dita, os temores de que a dor evoluísse para uma lesão me impediu de fechar os 90 ou mais km: fiquei em pouco mais de 88, levemente abaixo da semana passada. Mas tudo bem: foram duas semanas fortes, batendo praticamente na mesma quilometragem e ainda com correções posturais perfeitas. 

Agora é manter o ritmo mais uma semana, entrar em um brevíssimo tapering de alguns dias e encarar as praias do litoral norte! 

   
 

‘All systems go’!

Acordei com aquele medo natural que, psicologicamente, “gera” dor justamente onde mais se teme tê-la. Me revirei, pensei, calculei e concluí: não seria inteligente rodar 4 horas hoje.

Por outro lado, também não seria inteligente sucumbir ao medo.

Escolhi uma rota menor: Sumaré, Jardim das Perdizes, Parque da Água Branca, Pacaembu, Brasil e Ibirapuera. Na rota, uns 25km rodados em todos os ritmos possíveis e aproveitando subidas e descidas.

No segundo km, confesso que um pequeno incômodo realmente apareceu para me apavorar. Mas foi só deixá-lo de lado e, como sempre, prestar mais atenção na biomecânica. Aquele foi o último momento que senti dor.

Dali para a frente foi só treino natural, normal, como um sábado qualquer. 25km, pace de 5m54s/ km lisos, fluidos.

E com mais um bônus: a possibilidade de fechar a quilometragem semanal como originalmente planejado, dobrando a carga de amanhã para 3 horas. Melhor que a encomenda.
De toda forma, seja como for, o ponto alto do dia foi concluir que estou já normal, intacto. E pronto para a Bertioga-Maresias!

Ufa!

  

Inteiro de novo?

Foi uma espécie de “hora da verdade”. Com um pouco de medo, saí na noite de ontem para testar se meu joelho estava intacto ou não. Mas não saí como em um dia qualquer. 

O que mais me chamou a atenção ontem foi que, quando acelerei, a dor diminuiu. Tentei entender melhor algo que não fazia tanto sentido. Concluí o óbvio: não era mesmo a velocidade mas sim as mudanças na biomecânica naturalmente gerados pela aceleração. 

Tentei um pace mais rápido para ver como eu corria. Na prática, acabava alongando mais a passada. Não para a frente, mas para trás. Sempre que estava mais rápido, o pêndulo feito com a perna ia mais alto, fazendo o joelho dobrar mais e, assim, de alguma maneira, relaxar. 

Fiz 10km em um pace médio de 5’13”, com velocidade maior principalmente na metade final. 

No começo, confesso que senti um levíssimo incômodo. Depois d primeira meia hora, no entanto, nada. Estava perfeito. 

Bom… não dá para dizer que esteja “curado”, claro. Mas já é um bom sinal. 

Hoje é dia de descanso. Vamos ver como será o longão do sábado. 

  

A dor que veio de penetra

De repente, no meio do Ibirapuera, uma dor difusa começou a se espalhar pelo joelho direito.

Ignorei. 

Segui em frente, confiante de que não haveria de ser nada. Por via das dúvidas, conferi e endireitei a postura. 

A dor passou. 

Maravilha: continuei. Fechei a volta no Parque, cruzei a República do Líbano, adentrei a Groenlândia. 

Até que ela voltou – só que mais forte. Diminuí o pace. Melhorou.

Depois piorou. 

Caminhei.

Passou.

Trotei.

Voltou.

Àquela altura, a angústia já estava mais forte do que a dor em si – o que não significa que ela fosse de se ignorar. Em ritmo mais lento que o de um cágado, segui caminhando por quase 1km. Metas passaram pela cabeça, lembranças posturais pelo corpo, paces lerdos pelo Garmin. 

Em um determinado momento, percebi que não havia mais dor. Queria tentar de novo, trotar, correr, perguntar ao corpo se ele havia melhorado daquele esquisitíssimo “mal súbito”. Dessa vez fiz diferente: decidi voar tal qual o Usain Bolt na expectativa de que velocidade e biomecânica encontrassem algum tipo de equilíbrio. Acelerei, voando pela Estados Unidos e cortando as ruelas do Jardim Europa como raras vezes fiz no passado. A cada segundo fazia uma auto-análise: estava bem. A difusão da dor estava quase imperceptível de tão leve e, se muito, diminuía a cada passada.

Quando cheguei em casa estava quase intacto. Quase: alguma coisa esquisita, afinal, havia acontecido.

Ainda é cedo para saber o que foi – mas talvez valha uma corrida hoje à noite, em algum ambiente mais controlado, para que eu consiga entender se foi apenas um susto de mau gosto ou um sinal de algum mal maior.

Torçamos para que tenha sido só um susto.