Ode ao Cantareira

Terceira maratona do mês concluída.

O corpo está moído de cansaço acumulado e agradecido pela planilha indicar uma semana de descanso no horizonte. Mas uma coisa é fato: dificilmente eu poderia ter escolhido local melhor para correr do que esse conjunto de Horto com Cantareira.

E mais: no Cantareira, deu ainda para partir do Núcleo Pedra Grande e chegar ao Núcleo Águas Claras aproveitando trilhas daquelas perfeitas se abrindo no caminho!

Há como falar mais? Não sei. Mas há como mostrar:

Até o horto por novos caminhos

Esses últimos dias foram meio virtualmente ausentes. 

Virtualmente: foi só aqui, no blog, que sumi. E há uma desculpa para isso: com todas essas mudanças recentes no país, foi como se o ano pegasse no tranco e muitos dos projetos que estavam com freio de mão puxados subitamente se acelerassem. 

Com isso, claro, mergulhei feito um louco no trabalho – mas mantendo os planos de treino. Durante a semana, acabei totalmente recuperado e encaixei tudo o que queria. 

Hoje, sábado, escolhi uma rota diferente e fui correndo daqui até o Horto, dando um loop naquele que é um dos parques mais lindos de Sampa, na beira da Serra da Cantareira, e voltando.

Caminhos novos são sempre motivadores: abrem vistas inesperadas, revelam cenas diferentes e expõem uma cidade absolutamente diferente da que estamos acostumados. O caminho até o Horto teve disso, principalmente depois que cruzei o Tietê e me vi percorrendo a Braz Leme por um canteiro central que mais parecia um bosque.

De lá, entre curvas e cotovelos, acabei entrando no parque. Amplo, verdíssimo, com ares de mata virgem e trilhinhas perfeitas. 

Pausa para inevitáveis fotos. 

Pausa para respirar a Serra da Cantareira.

Pausa para repensar a semana.

Pausa para sentir aquela energia de missão cumprida, mesmo antes de voltar para casa, já com o Caminhos de Rosa em mente.

Checkpoint: Mudanças no treino

O corpo nem sempre obedece o calendário gregoriano.

Na prática, meu mês de descanso foi novembro, pontuado por corridas leves e até mesmo desleixadas para compensar uma temporada dura, pontuada por Comrades, Indomit Bombinhas e Douro Ultra Trail e fechada com a duríssima Maratona de São Paulo em outubro.

Pois bem: descansei.

Dezembro é mês de sol, de calor e de algum alívio no trabalho: meu treinador tem aproveitado isso ao máximo agora. De maneira geral, as rotinas se dividem em duas:

  1. Treinos de qualidade, como tempos, intervalados e tiros, 3 vezes por semana
  2. Longões leves, mas cada vez mais longos, nos finais de semana

E devo dizer que estou achando a rotina perfeita: ela aumenta minha velocidade e, ao mesmo tempo, me permite passar as horas em trilhas que tanto amo em dias onde o tempo costuma passar mais devagar.

Foi por conta desse roteiro que comecei a desbravar São Paulo, percorrendo a região da Pinacoteca, o Ipiranga, o Jardim Botânico e o Horto, para ficar apenas em algumas. Na prática, é como se uma nova cidade se apresentasse cada sábado e domingo para mim. Perfeito.

Nesse final de semana, especificamente, correr o Horto e fazer novamente o Ipiranga acabou acrescentando uma altimetria maior do que a média, superando os 1.000m. Ultimamente, ganho altimétrico tem sido uma métrica quase tão importante quanto distância e pace para mim: é o maior teste de resistência para ultras que, afinal, costumam ser corridas em montanhas. Mil metros pode não ser nada, por exemplo, perto dos 4,5 mil da Douro Ultra Trail e de tantas outras – mas é um bom treino.

E, no total, essa soma de bons treinos em locais impensavelmente novos tem dado um gás novo para mim nesse final de ano.

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