Garmin vs. MiCoach: Discrepâncias grandes no cálculo de elevação acumulada

Depois desses últimos dias nos Andes, me peguei pensando bastante sobre irregularidades na medição de altimetria acumulada por devices diferentes.

Desde que troquei o MiCoach pelo Garmin, os gráficos passaram a indicar mudanças absolutamente bruscas nos perfis altimétricos de meus treinos – algo péssimo quando se tem corridas em montanha como alvo.

Além disso, dois fatores me chamaram a atenção:

a) Na Douro Ultra Trail, o ganho total de elevação, oficialmente medido, foi de 4,5 mil metros ao longo de seus 80km. Foi duro, mais viável. Pois bem: no total semanal em que estive nos Andes, o Garmin indicou que subi pouco menos de 2,5 mil metros – mas sou capaz de jurar que o esforço foi, no mínimo, equivalente ao da DUT. Eram muito mais montanhas, para dizer o mínimo, em um ritmo de subida bem mais intenso.

b) Uma das corridad que fiz lá mostrou uma discrepância importante. Fiz ida e volta no mesmo percurso e o resultado foi desconcertante: o GPS mostrou um ganho altimétrico muito maior na primeira metade, algo tecnicamente impossível.

Veja: não estou falando de margens de erro desprezíveis de 5%: estou falando de diferenças que chegam a superar os 60%!

Na terça passada fiz um teste diferente: corri com o Garmin no pulso e a app da MiCoach no IPhone ligados. Assim, ambos mediriam exatamente o mesmo percurso, pelo mesmo tempo.

Resultados abaixo:

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O gráfico acima é o do MiCoach. Perceba que ele marcou 147m de subida acumulada (em um total de 10,96km percorridos).

Veja agora o do Garmin:

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Aqui, a elevação acumulada despenca para 98m por 10,82km. A diferença na quilometragem em si é mínima, desprezível – mas a altimetria variou 50%!

E por que isso é importante? Treinar para provas em montanha requer mais prática em subidas e descidas do que qualquer coisa! E como, então, basear um modelo inteiro de treino em dados com uma variação tão ridícula sobre o mesmo percurso?

Na falta de resposta, fui até a Web. Saí com menos respostas.

Parece consenso que o Garmin Forerunner 620, que uso, tem falhas no cálculo de altimetria – mas é também muito falado que o GPS do IPhone, no qual o MiCoach se baseia, também erra bastante.

O que fazer então?

Nada. Ou melhor: voltar aos velhos tempos e correr com base na sensação de esforço, essa sim mais acertiva que qualquer device eletrônico. Por incrível que pareça.

Lição aprendida com o Indomit: tipo de terreno importa tanto quanto distância e altimetria

Quando se faz qualquer tipo de transição, costuma-se levar em conta apenas as variáveis já conhecidas. No meu caso, a mudança do asfalto para a trilha incluiu treinos e análises sobre os dois principais parâmetros que considerava em provas: distância e altimetria.

Assim, todo percurso de prova era encarado de maneira bidimensional: contavam quanto eu correria e quanto subiria. Só.

Mesmo quando ouvia que percursos eram excessivamente técnicos o que considerava apenas eram graus mais severos de inclinação – como se isso bastasse.

Aí veio a Indomit Bombinhas e uma lição que todo corredor em transição deve ter.

A altimetria da prova não é tão severa: cerca de 1.200 metros ao longo de 42K – menos do que faço em um longão cotidiano de sábado. As subidas e descidas, em circunstâncias normais, não seriam tão tensas e até permitiriam uma visão que tendesse a esse bidimensionalismo do asfalto.

Mas, em trilhas, há sempre o elemento inesperado. No caso de Bombinhas, a chuva.

Com chuva, a terra vira lama, as descidas viram escorregadores, as subidas viram um desafio mais mental do que físico.

Com chuva, os olhos se focam no chão (e não na paisagem), fazendo o tempo se esticar para além do marcado no relógio.

Com chuva, outros corredores diminuem o pace em trilhas de uma via só, forçando uma queda talvez mais desestimulante do que o efetivamente necessário.

Com chuva, tudo muda.

E aí veio a lição, mesmo que com alguns dias de atraso: o tipo de terreno (aliado, às vezes, a imprevistos meteorológicos) é uma variável tão importante quanto distância e altimetria. A chuva é apenas um exemplo: neve, areia de praia, dunas, trechos que incluam pequenos riachos, enfim: sempre há algo que deva ser levado em consideração.

As quase 6 horas e meia que passei no Indomit – que, diga-se de passagem, foi uma prova sensacional – me deram essa dura (e muito bem vinda) lição.

Agora é digeri-la e usá-la mentalmente em outras provas.

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Calculando gradientes de inclinação dos percursos cotidianos

Quem está transicionando de corridas de rua para as montanhas certamente se preocupa mais com treinamentos em morro: falta de experiência, em geral, acaba sendo mentalmente substituída por excesso de ansiedade.

Eu me enquadro nessa categoria. Mesmo inserindo subidas e descidas em praticamente todos os treinos, sempre acabo com a sensação de que deveria fazer mais, nem que um pouquinho. Afinal, o ganho altimétrico total da minha prova-alvo, a Douro Ultra Trail, é de 4,5 mil metros! Como me preparar para isso fazendo 1.000 por semana?

O meu treinador não vê tanto motivo para pânico – e provavelmente os mais experientes também não, mesmo porque a ideia é ampliar gradativamente esse ganho altimétrico semanal. E há também um outro ingrediente importante: uma coisa é subir um falso plano por 30 minutos; outra é subir uma ladeira íngreme por 5 minutos. A subida pode até ser a mesma, mas o grau de inclinação é que faz toda a diferença.

Com isso em mente, decidi brincar de calcular gradientes de inclinação de pontos que fazem parte da minha rotina de treinos. Primeiro, vamos à fórmula:

O gradiente de inclinação é o resultado do total de ganho altimétrico dividido pela distância percorrida. Em outras palavras, se você subiu 100 metros em um total de 1km (ou mil metros), então o grau é de 10% (100/1.000). Simples assim.

Bom… agora vamos aos exemplos do meu cotidiano nas últimas semanas:

 

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Duas conclusões:

1) Dificilmente ruas conseguirão competir com trilhas. Faz sentido: para funcionar bem para carros, afinal, elas precisam mesmo ser menos íngremes :-/

2) A subida da Ministro é um excelente treino. De todas as que fazem parte do meu cotidiano, é a única próxima de casa e com um grau de inclinação superior a 10%. Inseri-la no dia-a-dia foi uma excelente ideia!

 

A expectativa primeira prova

Domingo tem a minha primeira prova de trilha. Fora o processo de treinamento como um todo – incluindo todas as decisões que me trouxeram até aqui – será o primeiro teste concreto do meu preparo para encarar, em setembro, o DUT.

O lado negativo é que as informações sobre a prova realmente são parcas: o site da Ultrarunner é esquisito demais e, mesmo em redes sociais, o volume de conversa de outros corredores sobre ela beira o nada. Mas tudo bem: não dá para comparar uma corrida de trilha local com a organização da Maratona de Chicago. E nem era esse o propósito.

Vamos então com as informações que existem – e que basicamente se resumem à imagem abaixo:

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Pelo mapa, pode-se entender que o percurso inteiro, de 27km, será em montanhas. O ganho de elevação será relativamente pequeno, com três subidas (sendo que apenas a primeira e a última são “complicadas”). No total, o ganho altimétrico será de cerca de 500m – bem menos, por exemplo, do que eu fiz no Pico do Jaraguá (830m em 15km). Sob esse aspecto, não me parece que seja nada assustador.

Minha maior dúvida é com relação ao tipo de terreno: não sei até que ponto haverá rios a serem cruzados, ambientes mais lamacentos, subidas ou descidas mais técnicas etc. Mas isso realmente eu não descobrirei antes da prova.

Verei ainda se consigo algumas fotos ou vídeos (o que está no site da Ultrarunner não abre). Até lá, é só expectativa para esses primeiros 27km nas montanhas!

 

Checkpoint 1: Muita gripe, mas com muita coisa feita

Não dá para dizer que este tenha sido o melhor dos começos: na sexta, uma gripe como há anos não tinha praticamente tomou conta de mim, com direito a febre e muito mal estar.

Para piorar, tentei ignorar os sintomas e fazer um longão ontem, no que fui reduzido a pó pelas condições do corpo. Pois bem: com algum descanso a mais, saí hoje para um treino por esforço: estabeleci um limite máximo de 2 horas mas, dependendo de como estivesse me sentindo na prática, esse tempo poderia se transformar em uma volta no quarteirão.

Por sorte, o corpo realmente estava em melhor estado e fiz 21k nas 2 horas, incluindo aí duas voltas pela trilha do Ibirapuera e uma subida da Ministro.

Acabei fechando a semana abaixo do que esperava, mas com 62k rodados e alguns ganhos muito importantes:

1) Resolvi o problema da mochila de hidratação: a Quechua RaidTrail de 12L está perfeita.

2) Ficou claro também que rodar com 3 ou 4 quilos a mais nas costas muda a biomecânica e exige mais. Me peguei, pela primeira vez em anos, pisando primeiro com o calcanhar – provavelmente porque a mochila alterou o meu centro de gravidade. Em paralelo, terminei o dia com algumas dores nas costas certamente herdadas da falta de hábito. Para os treinos futuros, portanto, devo redobrar a atenção na biomecânica para evitar lesões, fazendo o meu corpo aprender a correr com esse “algo a mais”. Com relação às dores… bem… só mais treino as resolverá.

3) Alinhei expectativas e modelo de treino com meu treinador, o Ian – o que já estava incomodando bastante.

4) Organizei as provas que devo participar até o DUT, incluindo a Pé na Estrada em Campinas e a Indomit K42, em Bombinhas.

Olhando agora, realmente parece que a semana foi produtiva! Tabelas com os dados dessas primeiras duas semanas abaixo:

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Para a semana que vem tem mais intensidade e mais distância – e tentarei ainda fazer o longão lá no Pico do Jaraguá, aproveitando o ganho altimétrico.

E vamos que vamos!