LCHF: Resultados depois de 14 meses

Em tese, devo fazer exames a cada 6 meses por conta do meu fígado. Em tese, claro: uma pequena anomalia reincidente na hemoglobina do último exame que fiz, em fevereiro, acabou antecipando um pouco os planos. A anomalia, ainda bem, sumiu: essa nova bateria de exames mostrou que tudo estava exatamente onde deveria.

Com relação aos efeitos da low-carb, agora que mais de um ano se passou, foram também só boas notícias.

Mudanças nos últimos 3 meses

Não houve tanta, verdade seja dita. Acabei me acomodando em um estilo mais suave de low-carb, consumindo algo entre 50 e 70g diárias – pouco para os parâmetros nutricionais tradicionais mas mais do que a rigidez absoluta com a qual comecei.

No mais, os efeitos estão como deveriam: durmo bem, acordo mais cedo e mais disposto, tenho energia para treinos intensos de ultra, para cuidar da família e para uma rotina de trabalho pesadíssima. Vamos aos indicadores:

Indicadores hepáticos:

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Todos melhoraram e maneira intensiva. Reforço que, para mim, esses indicadores são os mais importantes de todos e ter o TGP no melhor nível desde maio do ano passado e o Gama-GT e o TGO nos melhores níveis desde sempre é notícia a se comemorar.

Colesterol:
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O colesterol total pode dar a impressão de estar alto – mas a leitura desse marcador nem sempre é óbvia. Na verdade, houve uma melhora grande em relação aos exames anteriores com o HDL (colesterol bom) voltando a ficar acima do limite mínimo e o LDL (colesterol ruim) se mantendo estável.

Os triglicérides também caíram, o que permitiu uma proporção de triglicérides/ HDL – esse sim um dado importante – de 0,67 (o menor e, portanto, melhor, que já registrei até hoje). Nessa proporção, qualquer coisa abaixo de 2,00 é considerado como ideal.

Glicose e insulina:

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Ambos cresceram, possivelmente porque o pouco que como de carboidrato vem de alimentos nem tão aconselháveis assim como chocolate e doces de maneira geral. Ainda assim, tudo está normal e dentro dos parâmetros desejáveis.

IMC:

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Nenhuma surpresa: ampliar o volume de treino mantendo uma dieta low-carb é receita certa para perder peso e diminuir o IMC.

Ferritina:

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É “o” marcador para mim por conta dos problemas de saúde que tive no passado. Nunca terei uma ferritina baixíssima mas, desta vez, ela não apenas caiu como ficou no menor nível desde 2014. Perfeito.

Conclusões finais:

Há dois alimentos que tenho comido bastante: castanhas e carne de porco. Cada vez que consumo muito do mesmo tipo de alimento fico com um pouco de receio: equilíbrio, afinal, é sempre aconselhável. Por conta disso, saí do laboratório preocupado com o que poderia encontrar.

Para minha surpresa e felicidade, nenhum dos dois fez nenhum tipo de mal para mim. Ao contrário: eles até fizeram bem, dado que houve tanta melhora registrada.

Enfim: exames feitos, resultados comemorados. Agora é hora de mostrar para o médico, conseguir a assinatura na autorização para a próxima prova grande e relaxar!

 

 

Vídeo: Sobre paleo/ low-carb

Daqui a pouco, em março, completarei um ano fazendo a dieta low-carb. Devo fazer novas levas de exame nos próximos dias – mas, ao que tudo indica, não há motivo para preocupações.

Na verdade, até há: confesso que, às noites, assalto a cozinha em busca de chocolate em qualquer formato, seja biscoito ou sorvete, tirando deles a minha única fonte real de carboidrato. Sim: sei que isso está “errado” e que talvez esteja atrapalhando os resultados…

Mas, mesmo considerando esses doces assaltos, tenho mantido a ingestão de carboidrato abaixo dos 150g/ dia e ainda sinto, na plenitude, todas as vantagens que estava buscando: combustível quase interminável, mente mais afiada, maior resistência física etc.

Bom… os resultados aparecerão já já. Enquanto isso, vale MUITO conferir esse vídeo abaixo, com uma palestra-aula do Dr. Souto que esclarece todo um mundo de benefícios práticos (e que reforço que sinto cotidianamente na pele) relacionado ao low-carb/ paleo.

 

 

Ressaca high carb e readaptação

Na medida em que o tempo vai passando, meu corpo se acostuma mais e mais com o estilo low-carb. Comecei, afinal, lá em março – tempo o suficiente para que eu nem me lembre mais de como era viver de outra maneira. Até que o corpo seja forçado a se lembrar, claro.

Esse “imposição”, por assim dizer, aconteceu em uma festa de aniversário. Há duas semanas, minha filha comemorou 4 anos e eu acabei mergulhando em quilos de brigadeiro com a mesma gana de um alcoólatra depois de dar o primeiro gole de whisky. 

A partir daí, confesso que acabei inserindo ao menos uma barrinha de chocolate e ampliando o consumo de carboidratos no cotidiano diário. O resultado? 

Na semana passada, estava lerdo. Lento. Desmotivado. Cansado. 

Isso passou, ainda bem. 

Mas, nos últimos dias, cada pequena “bomba” de carboidrato que como gera uma dor de cabeça quase instantânea. Nada como uma enchaqueca daquelas aterrorizantes que, graças aos céus, nunca tive na vida: apenas um leve (porém irritantemente consistente) incômodo.

Pelo que pesquisei, isso não é exatamente incomum: há centenas de relatos de pessoas que passam por essa sensação de ressaca high carb. E há uma série de “remédios”, muitos deles bem parecidos com a maneira de se tratar ressacas alcóolicas: tomar água, comer (mais proteína e gordura, naturalmente), se exercitar para queimar os carbs extras. 

Mas se esse tipo de incômodo não aparecia antes, quando minha restrição a carboidratos era ainda maior, por que agora? Minha dedução, embora ainda sujeita a testes, é que os benditos brigadeiros relembraram o corpo de como carboidratos são deliciosos. Feito isso, tive que começar tudo de novo – e, como a adaptação ao low-carb inclui mesmo essa fase mais chata com dores de cabeça, tontura etc…. Bom… uma coisa leva à outra.

Tá… mas a readaptação não deveria já ter ocorrido? Pode até ser que sim – só que esse consumo diário de chocolates e coisas do gênero devem estar postergando ou diminuindo o processo como um todo. 

Seja como for, há apenas uma forma de saber: testando. Hora de re-restringir o consumo de carbs da mesma maneira que fazia no começo da dieta, mesmo que por alguns dias apenas. E, claro, hora também de fazer novos exames para ver se o corpo continua bem e com os indicadores positivos que estavam no mês passado. 

  

Sobre proporções de triglicérides e HDL na análise do colesterol em dietas LCHF

Uma das primeiras conclusões interessantes a que cheguei depois de fazer a nova bateria de exames pós dieta low-carb foi sobre a mudança na estrutura do meu colesterol. 

A grosso modo, diminuir bruscamente carboidratos e ingerir loucamente gordura efetivamente gera uma melhoria significativa: o meu LDL (chamado de colesterol ruim) caiu e meu HDL (o bom) subiu – pela primeira vez, diga-se de passagem, chegando acima do considerado limite mínimo. 

Aí fui ler um pouco e descobri que a própria análise de colesterol é feita de uma maneira levemente equivocada. Convencionou-se que o colesterol total – feito a partir da soma de LDL, HDL e outros indicadores de menor peso – está intimamente associado a doenças cardíacas quase como uma equação matemática.

Na verdade, olhar para o LDL como parâmetro máximo tem suas ressalvas, como postei no texto em que abri meus exames: “(…) o LDL pode ser dividido em dois padrões de partículas: o padrão A, maior e menos denso, e o padrão B, menor e mais denso. A partícula perigosa mesmo é a de padrão B.

Um exame laboratorial normal não dá essa divisão mas, também de acordo com a literatura médica, pessoas que fazem o low-carb tendem a ter mais partículas do padrão A. Isso significa que um LDL alto não seria necessariamente preocupante, demandando antes um exame mais minucioso para entender a sua composição.” 

Só que dá para ir além disso. De acordo com este artigo, traduzido por Hilton Sousa a partir deste original:

“Muitos estudos descobriram que a proporção triglicérides/HDL-C (TG/HDL-C) correlaciona-se fortemente com a incidência e extensão de doença coronoariana. Esta relação é verdadeira tanto para homens e mulheres. Um estudo descobriu que uma proporção TG/HDL-C acima de 4 era o mais poderoso preditor independente do desenvolvimento de doença arterial coronariana. Com o aumento da prevalência do sobrepeso, obesidade e síndrome metabólica, esta proporção pode tornar-se ainda mais importante porque TG alto e HDL-C baixo estão frequentemente associados com estas desordens.”

E como entender a proporção? 

Simples: dividindo triglicérides por HDL e atentando apenas para a forma com que o laboratório expressou os resultados (se em mg/dL ou em mmol/L). Dá para se classificar os resultados assim:

Para exames expressos em mg/dL:

  • Até 2 = Ideal
  • Acima de 4 = Muito alto
  • Acima de 6 = Alarmantemente alto

Para exames expressos em mmol/L é necessário ainda multiplicar a proporção por 0,4366 para ter os valores corretos, sendo que:

  • Até 0,97 = Ideal
  • Acima de 1,74 = Muito alto
  • Acima de 2,62 = Alarmantemente alto

E como estou eu? O gráfico responde:

 

Verdade seja dita, nunca tive problemas com minha proporção TG/ HDL. Mesmo antes de entrar na low carb, ela estava em perfeitos 1,38. 

Mas veja o que aconteceu: logo depois que mudei a dieta e entrei na LCHF houve uma leve piora no indicador – algo que aconteceu também com muitos outros. Depois disso, no entanto, o corpo assimilou a mudança e melhorou consistentemente. No último exame, fiquei em perfeitos 0,83. 

Mais um ponto para a LCHF. 

A dieta low carb está longe de não ter seus críticos – principalmente aqueles mais dogmáticos que se recusam a considerar a possibilidade da nutrição ter evoluído ao longo dos tempos, contradizendo muito do que ela mesmo costumava pregar. Não sou um daqueles malas que ficam pregando estilos de vida insistentemente: exceto aqui pelo blog, eu até evito tocar no assunto. Mas uma coisa é inegável: essa bateria consistente de exames que tenho feito e postado provam, por A mais B, que, a não ser que eu seja uma anomalia genética, a LCHF realmente funciona. 

LCHF: Resultados depois de 5 meses

A última vez que fiz exames foi no final de maio, já faz bastante tempo. Junho se foi, depois julho e, agora, boa parte de agosto. De lá para cá apliquei duas mudanças simples:

  1. Cortei quase que de maneira total a carne vermelha da dieta com o objetivo de diminuir a absorção de ferro. De todos os indicadores, a Ferritina era o mais preocupante por ter crescido de maneira singular desde que iniciei o low-carb e, se não caísse, precisaria voltar à dieta anterior.
  2. Diminui levemente o controle, aumentando o volume de carboidratos diários para algo na casa dos 100g-120g (ao invés de me fixar nos 20-30g). O objetivo era parar de perder tanto peso – estava já quase caindo para a casa dos 66kg e, embora o corpo estivesse respondendo bem sob todos os aspectos, começava a me sentir esquisito demais ao olhar no espelho.

Os resultados depois deste período foram um alívio.

Estado físico geral

Bom… antes de entrar nos indicadores médicos em si, cabe uma avaliação geral do estado físico. Continuo com uma disposição incrível, muito maior do que a que estava habituado pre-LCHF. A capacidade de concentração permanece maior, a energia está sempre em alta e os níveis de endurance estão melhores que sempre estiveram. Para mim, o melhor parâmetro nisso é o tempo que consigo correr confortavelmente sem comer nada (e sem sentir fome também, claro). Esse indicador por si só está incrível: consigo fazer tranquilamente uma ultra de até 60K sem nada e levo até os 90K com uma barrinha de amendoim. Em linhas gerais, isso indica que o corpo está conseguindo utilizar bem a gordura como fonte de energia, uma das principais metas que eu tinha.

Indicadores hepáticos:

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Os indicadores hepáticos, com peso dobrado para mim (uma vez que tive já problemas sérios no fígado) estão estáveis. Na prática, eles já estavam sob controle desde antes da adoção do LCHF, então bastaria mesmo que permanecessem assim.

Colesterol:

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Houve um aumento no colesterol, possivelmente por eu ter ampliado levemente o consumo de carboidratos nas últimas semanas. Ainda assim, o total está dentro dos parâmetros e os outros dois tipos apresentaram melhora.

O HDL, considerado “colesterol bom”, passou pela primeira vez o nível mínimo desejado (60) e foi para 64. O LDL, por sua vez, caiu de 120 para 116, também mostrando melhora.

Aqui vai uma curiosidade: de acordo com a literatura, níveis de LDL costumam aumentar logo que se inicia uma dieta LCHF (principalmente entre os meses 3 e 4). Depois, entre o sexto e o oitavo mês, esses níveis tendem a cair – que é o que já está ocorrendo comigo.

Outro ponto importante: o LDL pode ser dividido em dois padrões de partículas: o padrão A, maior e menos denso, e o padrão B, menor e mais denso. A partícula perigosa mesmo é a de padrão B.

Um exame laboratorial normal não dá essa divisão mas, também de acordo com a literatura médica, pessoas que fazem o low-carb tendem a ter mais partículas do padrão A. Isso significa que um LDL alto não seria necessariamente preocupante, demandando antes um exame mais minucioso para entender a sua composição. Ainda assim, é um alívio também o meu estar caindo.

Ferritina:

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Para mim, era o mais preocupante. Em linhas gerais: a ferritina é uma proteína produzida pelo fígado que regula a quantidade de ferro no organismo e media o processo de inflamação. O motivo da preocupação: níveis excessivamente elevados podem indicar uma sobrecarga de ferro, com efeito tóxico. Ou, em resumo, altos níveis de ferritina podem gerar câncer.

Há alguma literatura sobre níveis elevados de ferritina em ultramaratonistas, relacionado a sobrecarga de ferro a inflamações causadas pelo esporte. Vale conferir aqui. No entanto, o estudo mostra que os níveis voltam ao normal depois de 6 dias, o que significa que tem impacto de curtíssimo prazo.

Ocorre que, por coincidência, os últimos dois exames que fiz foram cerca de 1 semana depois de provas que demandaram bastante (Ultra Estrada Real e Maratona de SP), o que pode ter prejudicado os resultados. Se prejudicaram mesmo, nunca saberei: mas o fato é que – ainda bem – os níveis da proteína caíram bastante.

IMC:

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Há pouco a se falar aqui, exceto pelo fato de que estava perdendo peso demais. O “demais”, no entanto, era uma constatação muito mais estética do que clínica uma vez que tinha um “espaço” razoável ainda de peso a queimar.

Cheguei a ficar com menos de 67kg por um bom tempo e, aos poucos, estou recuperando mais peso pelo menos para me sentir melhor. Mas reforço: isso é puramente estético uma vez que não há nada de errado com nenhuma das medições.

Glicose e Insulina:

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Por fim, há a glicose e a insulina. Ambos estão estáveis, reflexo total da LCHF – mesmo considerando o leve aumento recente de carboidratos na dieta.

Conclusões finais:

Como disse no começo: alívio. Queria muito poder continuar na LCHF por conta dos benefícios físicos que estava já sentindo, mas a Ferritina alta era uma ameaça grande. Esse último exame, aliás, foi um veredito – e me “autorizou” a continuar.

Agora é seguir a vida :-)

LCHF: Exames depois de 75 dias

Passados 75 dias depois da adoção da low-carb, decidi fazer uma outra leva de exames para saber como o meu corpo estava lidando com isso. Antes de entrar nos resultados: fisicamente, tudo parece estar perfeito, com disposição em alta, resistência forte, alto poder de concentração etc.

No entanto, a continuidade da dieta pode estar em risco por conta de um dos indicadores. Vamos a todos:


Em geral, quase todos os indicadores melhoraram: Gama-GT, TGO e TGP, três dos principais indicadores de função hepática, caíram substancialmente (45 para 34, 42 para 32 e 54 para 40, respectivamente).

A glicose também caiu (86 para 82) , juntamente com a insulina (3,5 para 3). O colesterol total subiu levemente (177 para 181), sendo que o HDL foi de 53 para 51 e o LDL de 107 para 120. Todos dentro da normalidade, assim como TSH e T4 Livre.

Tudo também está relacionado à perda de peso: nesses últimos 90 dias, como pode ser visto no gráfico abaixo, 6,7kg desapareceram praticamente sem esforço:

  

Tudo estaria perfeito não fosse um dos marcadores: a Ferritina. Esta disparou de 257 (há mais de 1 ano) para 334 (há 45 dias) e, agora, foi para 430. Ainda está dentro da normalidade (que fica entre 17,9 a 464) – mas foi um salto alto demais para ser ignorado.

Há, claro, hipóteses plausíveis – incluindo um excesso de consumo de carne vermelha que pode ter gerado o crescimento na Ferritina aliado à queda de outros indicadores relacionados ao fígado. Via das dúvidas, já vou cortar a carne vermelha do cotidiano e trocar por salmão, atum ou frango. 

E, claro, está na hora de fazer uma ressonância e de ir ao médico para uma leitura mais científica de todos esses resultados. Na pior das hipóteses, talvez seja o caso de, com pesar, abandonar a LCHF . 

A vida deveria ser mais fácil.

O corpo depois de 2 meses em low-carb

Antes de começar, um rápido “disclaimer”: ainda tenho que fazer mais uma bateria de exames nos próximos dias para saber como o meu corpo está reagindo “por dentro” à dieta low-carb-high-fat.

Tendo dito ido, vamos às observações práticas:

  • A fome realmente sumiu. Passo tranquilamente 12 horas sem comer nada e sem sentir falta de nenhum alimento. Esse certamente deve ser um dos motivos que geram perda de peso apesar do elevado consumo de gorduras.
  • No começo, inclusive, deixe o limite de carboidratos em 20 a 25g por dia. A perda de peso foi tamanha que, hoje, relaxei mais o limite e procuro apenas mantê-lo abaixo dos 90g/ dia. 
  • O problema é que, quando se muda um hábito alimentar, qualquer coisa diferente parece forçação de barra. Tenho quase me cobrado diariamente a comer mais carbs para não emagrecer tanto. Ainda assim, veja os resultados no gráfico abaixo: ele mostra 3 meses (sendo o primeiro fora do low-carb e os últimos dois dentro). Em 60 dias, despenquei de 75 para 67kg.
  • Não estou me sentindo fraco e nem nada. Ao contrário: nunca me senti tão disposto, nunca dormi tão bem e nunca estive tão “atento”. Impressionante.
  • A recuperação também está extremamente ágil. Na semana passada, saí cedo para meu ultra longão pre-Comrades, de 53K. Cheguei em casa de volta às 13; às 20:00 já não sentia nem lembrança de dor. Só não corri no dia seguinte por precaução.

Enfim… até o momento, pelo menos os “efeitos visíveis” estão excelentes. Espero que os exames confirmem isso pois eu realmente não gostaria de abandonar o low-carb que, a essa altura, virou mesmo um estilo de vida!

  

Dia de exames

Enfim, desisti dos exames que faria há 3 semanas para checar como o meu corpo estava reagindo à dieta low-carb. Por precaução e bom senso, diga-se de passagem: havia acabado de começar a fazer a dieta, ainda estava com alguns dos sintomas da transição e, claro, qualquer anomalia detectada poderia prejudicar o andamento de maneira desnecessária. 

Ainda assim, claro, confesso que fiquei um pouco apreensivo pelo meu próprio histórico: tenho problemas bem concretos no fígado, chegando a retirar metade dele em uma cirurgia para lá de complicada há anos (bem antes de eu começar a correr, diga-se de passagem). 

Bom… hoje, já faz mais de um mês que estou na low-carb. Nunca me senti melhor, mais disposto e mais preparado. Os efeitos dessa dieta na ultra da semana passada foram incríveis: a fome nunca veio, o combustível pareceu eterno e a recuperação foi de uma velocidade assustadora. 

Espero que os resultados saiam positivos, acendendo uma luz verde inquestionável para que eu continue na low-carb ainda por muito, muito tempo. 

Agora, no entanto, resta apenas encher os tubos de sangue e aguardar o veredito.

  

Checkpoint: Em plena adaptação à LCHF

De toda a semana, eu diria que o mais significativo foi, sem dúvidas, os sintomas de adaptação à “Low Carb, High Fat” (LCHF). De acordo com muitos artigos e relatos que li, há uma fase mais aguda de queda de performance quando o corpo ainda está aprendendo a lidar com o uso de gordura (ao invés de carboidrato) como fonte primária de energia.

Apesar da intensidade de treinos que tive nos últimos meses, nada mais explicaria o resultados dos últimos dias. Hoje, por exemplo, saí para 1h de corrida apenas levemente abaixo dos 6min/km e, já antes da metade, comecei a sentir uma fadiga forte nas pernas. O curioso é que não tive nada nem remotamente semelhante a fome ou àquela sensação de “falta de combustível”. O tanque estava cheio – ele apenas não respondia direito.

Ainda bem que existe a Internet: poucos recursos permitiram uma troca de experiências com outras pessoas ao ponto de nos fazer entender melhor sintomas como estes, algo que, em outros casos, me deixaria em pânico dada a proximidade da Ultra Estrada Real.

Falando nela, há apenas 2 semanas de preparo final. É difícil prever se estarei ou não plenamente adaptado até lá e, embora soubesse desse risco antes de mudar a dieta, sigo confiante de que tudo dará certo. Pela minha ótica, afinal, basta persistir mantendo o ritmo planejado de treino, garantindo uma ingestão realmente baixa de carboidratos (algo entre 30g e 50g/ dia) e interpretando as coisas mais estranhas como adaptação.

Do ponto de vista de gráfico de treino, o meu começa a parecer uma piada quando comparado ao do ano passado. Mas tudo bem: ainda é cedo para arriscar qualquer palpite sobre ele considerando que a prova alfa mesmo, a Comrades, está ainda a mais de 2 meses de distância.

Pelo menos o pace médio voltou a um nível mais desejável.

Sigamos treinando.

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Dieta Low Carb High Fat: Até o momento, tudo indo bem

Ontem fechei a minha primeira semana na dieta de LCHF (low carb, high fat, ou pouco carboidrato e muita gordura). E, apesar de estar ainda em plena fase de transição, já posso arriscar um palpite de que me adaptarei muito bem a ela.

No entanto, a primeira impressão realmente é esquisita. Começar o dia comendo três ovos com duas fatias de bacon e, em seguida, engolir um iogurte integral, é no mínimo diferente de tudo o que estamos habituados a considerar saudável. Mas, aparentemente, comidas light realmente não são sinônimas de saúde.

Sem querer passar horas e horas me aprofundando na LCHF (mesmo porque há pessoas muito mais competentes que eu no assunto), cabe apenas uma explicação rápida. O carboidrato que costumamos consumir em nosso cotidiano acaba sendo absorvido em forma de açúcar em nosso sangue, o que aumenta o nível de glicose. Resultado imediato: o pâncreas produz a insulina, hormônio cuja função primária é justamente armazenar gordura no corpo. Após algumas horas, esse pico de açúcar e insulina desaparece e deixa uma forte sensação de fome, nos fazendo comer mais e iniciando um ciclo vicioso que culmina em ganho de peso. Aliás, sabe aquelas instruções de se alimentar a cada 3 horas? Tem muita relação com esse hábito já arraigado em nosso cotidiano uma vez que uma alimentação com alto teor de carboidrato deixa o organismo em constante estado de fome.

Por muito tempo, a solução proposta pela nutrição para nos manter saudáveis era cortar a gordura ao máximo, usando uma fonte mais…. digamos… “limpa” de carboidratos. Mas o fato básico não muda: carboidratos viram açúcares, açúcares bombam a produção de insulina e insulina armazena gordura no corpo. Daí a necessidade de mudanças mais dramáticas e já pregadas em diversos estudos científicos mundo afora: trocar radicalmente a fonte de energia.

Afinal, o corpo precisa, claro, de alguma fonte de energia – e se essa fonte não vier de carboidratos, de onde ela virá?

Pois é: da gordura.

Essa “troca” de fonte primária de energia externa acaba mudando dramaticamente a maneira do corpo funcionar. Por exemplo: com uma baixa ingestão de carboidrato, a produção de insulina fica mais estável, o que significa que sensações de fome são mais esparsas. Eu, por exemplo, já estou habituado a comer apenas 2 vezes por dia (uma vez a cada 12 horas) – e sem sequer me lembrar da “fome”.

Mas há mais: com menos insulina, há também menos armazenamento de gordura pelo próprio corpo: de vilã, ela passa a virar o nosso combustível perfeito. Resultado: trocar carboidrato por gordura acaba ensinando o corpo a queimá-la de maneira mais eficiente, o que inclusive leva a uma (irônica) perda de peso.

Um outro efeito da LCHF é que pressão sanguínea, glicemia e colesterol todos melhoram. Essa teoria, no entanto, testarei apenas na semana que vem, quando farei uma bateria de exames de sangue.

Durante esse processo (que, repito, foi de uma semana até agora), senti apenas algumas dores de cabeça, descritas em estudos como normais em fase de adaptação.

Mas mesmo elas já passaram e acredito estar já bem engrenado nesse novo estilo de vida.

A troca de alimentação em si, por incrível que pareça, não foi tão difícil. Claro: cortar pães, chocolate e grãos (arroz, macarrão, feijão etc.) deixou uma certa sensação de tristeza na memória alimentar. Mas consumir aquelas coisas deliciosamente gordas, como picanha, salmão, atum etc., sem pensar na quantidade e apenas focando a saciedade, certamente vale a pena.

Vamos ver como funcionam os próximos dias!

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