One Story of Overtraining

Ler histórias e experiências de terceiros é algo sempre bem vindo quando se busca algum tipo de recuperação. Dia desses, acabei me topando com um artigo incrível do Geoff Roes – um dos mestres das ultras que teve um caso de proporções míticas de overtraining – sobre o assunto.

Compartilho abaixo para quem quiser ler. Vale a pena: coloca em perspectiva o que o nosso corpo pode fazer quando não o ouvimos direito:

One Story of Overtraining.

Mudança geral

Algo acontece em nossa mente quando passamos por situações difíceis ou depois de superarmos desafios cuja intensidade, vista pelo retrovisor, parece verdadeiramente insana. É como se toda uma jornada realmente parecesse ter chegado ao seu fim, forçando um novo foco e uma pergunta muito pouco reconfortante: “e agora?”.

Levei um tempo para entender isso, mas acho que cheguei nesse ponto agora. Não que tenha realizado nenhum feito digno de capa de revista, claro – mas cada um de nós tem os seus próprios limites, determinando as medidas reais de qualquer tipo de autosuperação.

Pois bem.

Me inscrevi na Maratona de SP com o único objetivo de me qualificar para Comrades.

Me qualifiquei, embora a duras penas pelas condições sobrehumanas da prova e, com isso, cheguei ao final da minha temporada de 2014. Sem provas no curto prazo para desviar um pouco o foco de um ano de dificuldades colossais no trabalho, acabei desmoronando.

E agora?

De repente, caí vítima de overtraining e exaustão, perdi a motivação de correr por um tempo, fiquei gripado duas vezes em duas semanas e vi a minha perfomance praticamente evaporar.

Aos poucos, fui me recuperando.

Com um passo de cada vez, ouvindo mais o corpo, cedendo quando sentia a necessidade de ceder e forçando quando sentia que precisava de uma chacoalhada.

Nesse período, decidi montar a minha própria ultra pela Estrada Real em um futuro ainda indefinido. Uma forma diferente de encarar as trilhas, com um aspecto muito mais aventureiro do que o normal.

Me peguei por diversas vezes fuçando percursos novos nas proximidades pela Web e pesquisando trilhas por lugares menos conhecidos.

E agora? Não sabia a resposta – mas sabia que mais do mesmo não resolveria nada.

O desconhecido, aliás, passou a me encantar muito mais que o normal. E agora?

O asfalto perdeu a graça.

O parque ficou monótono.

O cotidiano ficou enfadonho.

Até meus equipamentos mudaram: o relógio Adidas MiCoach deu o seu suspiro final e eu troquei por um Garmin; criei uma conta no Strava para me localizar e me entender melhor; comprei um tênis Salomon S-Lab Ultra para me agarrar melhor às trilhas distantes de São Paulo.

Comrades? Por mais apaixonante que essa prova seja – e por mais que ela tenha mudado a minha vida sob vários aspectos – devo confessar que estou perdendo a motivação de voltar. Afinal… voltar para que, se já conheço o local e se há tantos lugares incríveis no mundo a se desbravar?

Mas ainda não me decidi sobre isso. Esse é um ponto que deve ser encarado sem pressa. Com calma.

Quando estiver inteiro novamente, o que ainda não é o caso.

Por hora, estou me concentrando em dois próximos passos: o Plano Estrada Real e alguma trilha insana lá perto de Villa Angostura (Argentina), onde passarei o ano novo. Já imaginou quantas coisas incríveis existem por lá?

Talvez as respostas estejam nas montanhas ao sul; talvez nas minas abandonadas e cachoeiras ao oeste; talvez no puro ato de desbravar o desconhecido com a calma e o sangue frio com que se costuma correr ultras.

Esteja essa resposta onde estiver, uma coisa é clara: sairei dessa fase de exaustão bem diferente do que entrei.

Que bom. Mudanças, afinal, sempre são boas.

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Recomeçando, parte 2: de volta à USP

É impressionante como o corpo da gente reage depois de alguns meses de estresse e intensidade plenos. Já disse isso antes e não quero ser repetitivo, mas o tempo que estou levando para me recuperar desta temporada está acima das minhas mais pessimistas expectativas.

Corri bem pouco na semana passada justamente para dar tempo ao tempo e pegar de volta aquele impulso fundamental de ir para as ruas – impulso que, diga-se de passagem, parecia ter entrado de férias.

Depois de um tempo, a respiração foi acalmando.

A ansiedade, baixando.

O pulso, voltando ao normal.

E, assim, voltei para as ruas com ares de quem estava matando saudades.

Perfeito.

O corpo, no entanto, discordou um pouco. Ficou gripado, aparentemente em um último ato de revolta.

Desconsiderei.

Hoje, fui à USP pela manhã. Quem mora em Sampa sabe que a Universidade de São Paulo é uma das mecas da corrida em final de semana: o local é arborizado, bonito, bem cuidado e com todo tipo de terreno, de subidas íngremes a trilhas escondidas (como a da foto abaixo).

No total, fiz algo na casa dos 25km – meu maior longão desde a Maratona.

Serei sincero: o rendimento foi BEM abaixo do esperado. Travei em um pace de 6’20″/km e ainda tive que andar em um pequeno trecho na volta para casa. Cansei mais do que o usual e senti o corpo excessivamente pesado, quase que se arrastando.

Mas, depois que cheguei em casa, uma coisa esquisita aconteceu: entre ofegações suadas e pulsações corridas, um sorriso simplesmente brotou no rosto por ter completado o longão. E não foi um sorriso de alívio por ele ter terminado: foi de satisfação por ele ter existido. Uma diferença bem importante.

Na mesma hora, o pensamento sobre o desenho do percurso do dia seguinte veio à mente. Ótimo: olhar para o futuro, mesmo que de curtíssimo prazo, é sempre um bom sinal.

Ainda assim, arquivei o pensamento para depois. Era hora de voltar à rotina de regeneração pós-treino.

Gripe? Ela ainda existe e vai sentir um pouco o esforço de hoje, claro. Mas passará.

Não nego que o corpo estava pedindo algum tempo de descanso a mais. Mas ele não pode ser o único a tomar as decisões, certo?

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Plano Estrada Real: Opção de Rota 3 (Caminho de Sabarabuçu)

Terceira opção: Caminho de Sabarabuçu.

No geral, é o mais curto e o mais técnico dos trechos: seus 160km incluem algumas subidas difíceis, mas compensadas por vistas absolutamente deslumbrantes.

Esse caminho divide as cidades de Cocais e Glaura e tem como principal ponto fraco uma distância maior entre povoados, o que dificulta eventuais necessidades de apoio.

Por conta disso, escolhi o trecho que parte de Glaura e chega em Sabará, somando CCCCCC

Os trechos incluem::

  1. Glaura > Acuruí (K20)
  2. Acuruí > Rio Acima (K44, somando 24km de trecho)
  3. Rio Acima > Honório Bicalho (K54, somando 10km de trecho)
  4. Honório Bicalho > Raposos (K67, somando 13km de trecho)
  5. Raposos > Sabará (K79, somando 12km de trecho)

A maior dificuldade fica no percurso entre Honório Bicalho e Raposos, com duas subidas bem tensas e uma média de inclinação de 14%. Ou seja: a distância é a mesma que o trecho 1 – mas a dificuldade certamente é maior.

Perfis altimétricos abaixo:

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Dentre os atrativos, os destaques ficam por conta de:

Dezenas de cachoeiras espalhadas pelo percurso
Vistas no mínimo impactantes
Dificuldade de orientação após o cruzamento de um rio no percurso entre Honório Bicalho e Raposos
Passagem por arraiais antigos, como o Arraial Velho de Sabará, fundado pelo bandeirante Borba Gato

Mapas completos e planilhas abaixo:

Fotos abaixo:

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Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

Plano Estrada Real: Opção de Rota 2 (Caminho dos Diamantes)

Segunda opção: Caminho dos Diamantes.

De maneira completa, ele vai de Ouro Preto a Diamantina – e o próprio fato de unir essas duas incríveis cidades históricas já diz tudo. O trecho que escolhi tem 87km do total de 395km: é maior que o anterior, porém mais bonito e com mais cidades servindo de ponto de apoio.

  • Ouro Preto > Mariana (K11)
  • Mariana > Camargos (K29, somando 18km de trecho)
  • Camargos > Bento Rodrigues (K36, somando 7km de trecho)
  • Bento Rodrigues > Santa Rita Durão (K47, somando 11km de trecho)
  • Santa Rita Durão > Morro da Água Quente (K59, somando 12km de trecho)
  • Morro da Água Quente > Catas Altas (K65, somando 6km de trecho)
  • Catas Altas > Santa Bárbara (K87, somando 22km de trecho)

A maior dificuldade fica justamente por este último trecho, mais longo e, portanto, deixando a desejar do ponto de vista de apoio justamente no final.

Ele também é um pouco mais técnico, com inclinações médias próximas a 8% em alguns trechos. Ainda assim, não é nada assustador. Altimetria abaixo:

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Dentre os atrativos (além de Ouro Preto e Mariana, claro), incluem-se:

  • Mina da Passagem, a única mina de ouro no Brasil ainda aberta a visitação
  • Matas fechadas em alguns dados
  • Vistas incríveis
  • Bicame, um aqueduto construído pelos escravos em 1792
  • Ruínas de Congo Soco

Basta olhar as fotos para ficar babando de vontade, aliás.

Mapas completos e planilhas abaixo:

Fotos abaixo:

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Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

Navigation 101: Intermediate Navigation – Beyond the Basics by Mountain Run

Segundo artigo do Ian – agora com técnicas menos básicas. Também vale a leitura!

Avatar de talkultraIAN CORLESS

Mountain Run

This is a second article in a trio of interviews with Ian Corless, about Navigation for Ultra Runners & more. Read article one HERE

all content ©mountainrun

In the first interview we covered the Basics of Navigation, this encompassed maps, compasses, setting your map & how to set a bearing.

The second interview was moving into intermediate navigation & it consisted of the following information & techniques:

  1. Declination/Magnetic Variation
  2. Grid Numbers/Plotting a Grid Reference
  3. Back Bearings
  4. Re-Orienting/Re-locating
  5. Thumbing the Map
  6. Hand-railing
  7. Catching Features
  8. Aiming Off

So lets start with:

1) Magnetic Declination or Magnetic Variation: 

There are 3 points at which north is seen. 1) True North, 2) Grid North & 3) Magnetic North. We are concerned with Grid North & Magnetic North.

Grid North is what is detailed on a map, its where the North/South grid lines show us the direction of north, according to the grid lines printed on the…

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Plano Estrada Real: a surpresa que não funcionou e os próximos passos

Na semana passada, o Renato Mourão descobriu o blog e me fez um convite tentador: me juntar a um grupo de corredores que já estava, coincidentemente, organizando uma ultra na Estrada Real.

Nada mais perfeito, certo?

Errado.

Depois de confirmar a participação, descobri que a viagem de confraternização da empresa era no mesmo dia, 22 de novembro – e faltar, claro, não seria uma opção. E, assim, tive que abandonar a possibilidade de me juntar a eles.

Bom… faz parte. Os acompanharei a distância e, claro, usarei a experiência desses novos amigos como combustível para o que já batizei de Plano Estrada Real.

O primeiro passo é buscar opções de trechos – afinal, são 1.700km de caminhos dentre os quais escolher – e de datas.

Hoje à noite já me debulharei sobre mapas e opções. Amanhã trago novidades aqui no blog.

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Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

E se fizermos a nossa própria ultra? Tipo… pela Estrada Real?

OK, não tem muita prova bacana entre hoje e fevereiro ou março do ano que vem – pelo menos não aqui por perto. Passei a última semana pensando e repensando isso, fritando em frente à Internet e buscando alternativas para ter alguma meta qualquer no curto prazo.

Até que uma ficha caiu: correr não demanda, necessariamente, a necessidade de alguma prova super estruturada e cheia de glamour. Na verdade, bastam dois ingredientes: vontade e percurso.

E percurso não falta no Brasil… certo?

Para onde seguir então, criando algum tipo de experiência mais memorável e rica? Batendo papo com alguns amigos sobre o assunto, duas palavra saltaram à mente: Estrada Real.

Em uma espécie de versão brasileira do Caminho de Santiago (sem o santo, claro), a Estrada Real era o caminho utilizado no Brasil colônia para transportar ouro e diamante da região de Ouro Preto até Paraty.

Verdade seja dita, toda estrada utilizada com este propósito era chamada de Estrada Real, em todo o país – mas esses trechos entre Minas e Rio acabaram se imortalizando e se oficializando.

Existe até um instituto que cuida dos caminhos, que incluem marcos específicos, passaporte de viajante e indicações de ponta a ponta – tanto nos trechos de estrada quanto de chão de terra e trilha.

Ao todo, são 1.730km divididos em 4 percursos: o Caminho Velho, de Ouro Preto a Paraty (680km); o Caminho Novo, de Ouro Preto a Porto Estrela (500km); o Caminho dos Diamantes, de Diamantina a Ouro Preto (390km); e o Caminho de Sabarabuçu, de Cocais a Glaura (160km).

Todos eles são divididos em trechos que, em média, tem 20 ou 30km, com pequenas cidades marcando o início e término de cada. Ou seja: perfeito como postos de controle improvisados.

Todo o caminho tem marcadores claros na estrada, facilitados ainda por um site com planilhas, mapas e perfil altimétrico. Ou seja: uma organização melhor do que a de muitas ultras Brasil afora.

E isso sem contar com a paisagem deslumbrante do interior mineiro, que inclui cachoeiras, montanhas e todo um mergulho no passado colonial brasileiro perfeito para quem curte história.

Na medida em que fui pesquisando, fui me encantando mais e mais com a ideia de percorrer pelo menos partes de um dos caminhos, chegando a algum percurso entre 80 e 100km. Fácil? Não, claro. Mas viável e se somando em uma experiência no mínimo diferente.

É claro que há muito planejamento a ser feito – incluindo a possibilidade de achar outros corredores dispostos a seguir o caminho junto. Mas, se há uma coisa que o mundo das ultras me ensinou, é que toda jornada começa mesmo pela decisão de iniciá-la.

Estou já quase dando a luz verde para essa decisão. Agora é continuar pesquisando mais um pouco e, quem sabe, já entrar na fase de planejamento prático.

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Day off

Hoje o despertador tocou cedo, já apontando para o tênis e as roupas organizadas na noite anterior.

Desliguei.

O começo da manhã trouxe, de surpresa, uma espécie de exaustão acumulada que eu nem sabia que tinha.

Ontem mesmo já fui dormir com fortes dores de cabeça, possivelmente resultado de ter assado sob os 36 graus na Maratona de SP. A cabeça até amanheceu boa – mas o restante do corpo, não.

Entre a Comrades e Indomit Bombinhas, minha primeira prova longa em trilha, foram 2 meses; entre a Indomit e a Douro Ultra Trail, 1 mês; e entre a DUT e a Maratona de SP, outros 30 dias. O cansaço acumulou.

Estou sem dores, sem nada que sequer lembre uma lesão e, a bem da verdade, fisicamente inteiro para qualquer tipo de rodagem.

Mas, ainda assim, apareceu uma espécie de sensação de esmagamento de nervos, de exaustão sólida que me impediu de levantar.

Obedeci o instinto. Sair, hoje, definitivamente não me faria bem.

Quem sabe amanhã?

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