Pela rota dos 7 Lagos

Ontem era para ser um dia light – ao menos em tese.

Mas o problema de estar em um paraíso como os Lagos Andinos é que a tentação de ignorar dores musculares e lógica e simplesmente continuar correndo é maior do que qualquer coisa.

E, assim, já nos primeiros passos da Ruta 40, em um trecho da Rota dos 7 Lagos, me esqueci completamente do tempo e dos planos. De um lado, paredões rochosos revezavam com florestas de pinheiros; de outro, lagos espelhados se estendiam para além da vista.

Uma pequena batalha acontecia no céu, com o sol querendo sair e sendo impedido por nuvens que enviavam uma garoa fina, fria e cortante. Estava frio, aliás – mas nada que atrapalhasse a paisagem.

Onde dava, eu ignorava a estrada e seguia pelas trilhas paralelas; em outros, eu apenas me focava nas laterais. Me estendi 7km além do planejado, fazendo ainda uma entrada pela margem que ainda não conhecia do Rio Correntoso. Excelente ideia: uma água cristalina abria caminho para uma paisagem tão dramática que cheguei a imaginar que estivesse sonhando ou preso dentro de uma tela impressionista.

Não estava – e a realidade fazia tudo ficar ainda mais incrível.

Depois de pouco mais de 2 horas, acabei tomando coragem e voltando ao hotel. O dia já reinava pleno, e todo um roteiro turístico me aguardava.

Tudo bem: rodar pela região dos 7 lagos apenas fez crescer a ansiedade pela corrida do dia seguinte, em novos e inexplorados terrenos.

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Checkpoint semanal: Nos Andes!

OK, a semana se encerrou ontem, quando deveria ter marcado o checkpoint. Mas quem pode me culpar? Afinal, estou em uma espécie de Meca para quem curte correr nas montanhas, em plena região andina, cercado por montanhas imponentes, lagos cristalinos e trilhas exuberantes!

Planilha? Essa semana ela foi tão ignorada que nem sei o que estava programado. Minha rotina desde o sábado tem sido acordar às 5, antes do sol nascer, me arrumar com mochila de hidratação, headlamp e poles e sair descobrindo trilhas. Não dá para dizer que estou ganhando velocidade: no domingo, por exemplo, meu pace médio foi de (ridículos) 7’50″/km! Mas, claro, isso incluiu subir por 6km e parar em diversos locais para tirar fotos. Convenhamos: por mais que ganhar velocidade seja importante para qualquer corredor, não sou nenhuma elite e corro para aproveitar o tempo, as paisagens e a solidão como um todo. Quer maneira melhor do que bebendo cada centímetro dessas paisagens?

Dificilmente.

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Lição aprendida com o Indomit: tipo de terreno importa tanto quanto distância e altimetria

Quando se faz qualquer tipo de transição, costuma-se levar em conta apenas as variáveis já conhecidas. No meu caso, a mudança do asfalto para a trilha incluiu treinos e análises sobre os dois principais parâmetros que considerava em provas: distância e altimetria.

Assim, todo percurso de prova era encarado de maneira bidimensional: contavam quanto eu correria e quanto subiria. Só.

Mesmo quando ouvia que percursos eram excessivamente técnicos o que considerava apenas eram graus mais severos de inclinação – como se isso bastasse.

Aí veio a Indomit Bombinhas e uma lição que todo corredor em transição deve ter.

A altimetria da prova não é tão severa: cerca de 1.200 metros ao longo de 42K – menos do que faço em um longão cotidiano de sábado. As subidas e descidas, em circunstâncias normais, não seriam tão tensas e até permitiriam uma visão que tendesse a esse bidimensionalismo do asfalto.

Mas, em trilhas, há sempre o elemento inesperado. No caso de Bombinhas, a chuva.

Com chuva, a terra vira lama, as descidas viram escorregadores, as subidas viram um desafio mais mental do que físico.

Com chuva, os olhos se focam no chão (e não na paisagem), fazendo o tempo se esticar para além do marcado no relógio.

Com chuva, outros corredores diminuem o pace em trilhas de uma via só, forçando uma queda talvez mais desestimulante do que o efetivamente necessário.

Com chuva, tudo muda.

E aí veio a lição, mesmo que com alguns dias de atraso: o tipo de terreno (aliado, às vezes, a imprevistos meteorológicos) é uma variável tão importante quanto distância e altimetria. A chuva é apenas um exemplo: neve, areia de praia, dunas, trechos que incluam pequenos riachos, enfim: sempre há algo que deva ser levado em consideração.

As quase 6 horas e meia que passei no Indomit – que, diga-se de passagem, foi uma prova sensacional – me deram essa dura (e muito bem vinda) lição.

Agora é digeri-la e usá-la mentalmente em outras provas.

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Travailen: veja aqui versão completa do filme por tempo limitado

Há alguns meses, os sul africanos Ryan Sandes e Ryno Griesel se embrenharam em um desafio de proporções épicas: quebrar o recorde da Drakensberg Traverse, uma travessia pelas montanhas que separam o seu país de Lesotho (aquele país minúsculo que parece uma ilha cercada por África do Sul em todos os lados).

O resultado foi um filme com cenas absolutamente magníficas e inspiradoras, feito pela equipe do African Attachment e pela Red Bull Media House.

Acredito que eles disponibilizarão o vídeo para venda em breve – mas, por enquanto, ele está disponível gratuitamente e o coloco abaixo. São 27 minutos de pura inspiração:

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http://www.redbull.com/za/en/adventure/stories/1331672300014/travailen-full-version

Summits of My Life, com Kilian Jornet

Desde que comecei a percorrer distâncias mais longas, passei também a buscar filmes e conteúdos em geral sobre esse esporte que, na prática, considero uma espécie de união entre corrida e algo zen como o Yoga.

E há diversos espalhados pela Web para basicamente todos os gostos: documentários sobre o Grand Slam de corridas no deserto, sobre Western States, sobre Bad Water e assim por diante.

Um deles, no entanto, me chamou a atenção: uma série protagonizada pelo Kilian Jornet que, ao invés de corridas oficiais, fala sobre o ato de correrem algumas das mais incríveis montanhas do mundo. O primeiro filme da série já está no ar e disponível no Youtube. Vale conferir:

Vídeo: hora de se inspirar com um mini-documentário sobre Hardrock 100

Uma das ultras de trilha mais famosas é a Hardrock – uma prova de 100 milhas que inclui 10.300 metros de subida e mais 10.300 metros de descida. Em um percurso extremamente técnico, há pessoas que desmaiam, aproximam-se perigosamente de hipotermia e enfrentam todo tipo de problema físico e mental.

Não dá para dizer que sou apaixonado por trilhas técnicas – mas não dá também para negar que elas são as mais belas. Recentemente a Hoka publicou em seu canal um vídeo com a cobertura da prova incluindo pílulas de todas as dificuldades e maravilhas pelas quais os corredores passam.

Vale a pena ver – nem que seja para se inspirar com o mundo: