Ultra longão marcado

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Sem treinador a quem recorrer agora, fui assolado por uma dúvida: o dia do ultra-longão.

Explico: em praticamente todas as planilhas de Comrades, o final de semana passado estava reservado para o ultra-longão, um treino com algo entre 50-55K. Embalado por treinos que me foram passados quase que de um dia para outro e com uma espécie de conforto por ter feito a Ultra Estrada Real no começo de abril, acabei ignorando isso.

E agora? O que fazer? Ignorar por completo o ultra-longão ou fazê-lo agora, mesmo estando já há um mês de Comrades?

Nunca curti muito ficar horas e horas na dúvida e então segui o instinto: aproveitarei o feriado desta sexta, dia 1 de maio, para rodar os 50K. Pelo estado em que estou, dificilmente isso gerará problemas físicos: ao contrário, será uma espécie de alívio mental saber que rodei esse tanto de maneira relativamente tranquila (considerando, claro…

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Low carb e o risco de se queimar antes de se acender

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Há um treino que há tempos não fazia: 1h30 de corrida com apenas 5 minutos de aquecimento seguidos por duas sessões de 30 e 20 minutos cada de tempo run, fechando com um trote leve até completar o programa. Fiz essa semana pela primeira vez depois de entrar na low carb.

E por que isso é relevante? Porque o processo de queima de gordura por energia do corpo, típica do low-carb, é algo mais complexo e demorado do que o seu equivalente usando carboidrato. Já sabia disso na teoria mas, agora, a prática provou o ponto acima de qualquer suspeita.

Traduzindo: com low-carb, o corpo precisa de mais tempo para “acender a sua fornalha” e ficar eficiente. Não digo que precise de 1 ou 2 horas, claro – mas os 5 minutos (que funcionariam estivesse eu com o tanque cheio de carboidratos) também foram absolutamente insuficientes.

Na prática, quando…

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Checkpoint 2: Mantendo o “mojo” e assumindo as rédeas do treinamento

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No ano passado, essa semana foi o pico do meu treinamento. Incluiu uma ultra de longão (se não me falha a memória, de 50 ou 60K) e uma série de treinos que bateu nos 100km rodados.

Claro: era a minha primeira Comrades. Na verdade, era a minha primeira ultra acima dos 56K, o que significava uma falta de experiência grande.

De lá até cá já foram inúmeras ultras em distâncias diferentes e, claro, a experiência acabou me inserindo em uma espécie de zona de conforto positiva. Já sei melhor o que tenho que fazer no treinamento, o que evitar e como interpretar os sinais do corpo.

Vim de uma ultra de quase 90K há menos de um mês: exagerar, agora, seria burrice. O que fiz então? Mantive a semana posterior baixa, na casa dos 40K, e logo depois subi para 80 (semana passada) e 95 (nessa). Tenho inserido mais subidas…

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Um longão que pareceu curtinho

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Há longões que simplesmente não sentimos.

Essa semana está puxada: foram 15km na terça, mais 15 na quarta, 20 na quinta e 30 hoje. E tinha tudo para serem 30K cansativos, até porque a mente também estava exausta de dias complicadíssimos no trabalho.

Mas sabe de uma coisa? Percursos podem fazer mágica.

Repeti a rota do sábado passado, mudando apenas a parte inicial para acrescentar mais distância. Sob um céu azul brilhante e um frio leve de outono, cruzei o Butantã, rodei pelas trilhas do Parque Alfredo Volpi, voei na Av. Morumbi, passei pelos casarões e parquinhos, subi e desci ladeiras bem guardadas e aportei novamente no Parque Burle Marx. Rodei pelas suas trilhas escondidas, respirei o verde queimado pelo sol suave de um dia perfeito e voltei todo o caminho.

Nos ouvidos, um audiobook novo desviava o pensamento para outras eras e outros lugares, voando por Creta, Berlim, Londres…

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Altimetria da up-run

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Achar altimetria em ultras é sempre um desafio à parte: são poucos os corredores que carregam GPS com baterias que durem mais que 6 ou 7 horas e, mesmo quando isso ocorre, as diferenças de medições são gritantes.

Eu mesmo já testei isso quando estava correndo na argentina, repetindo rotas com o mesmo Garmin e obtendo dados de ganho altimétrico absolutamente diferentes. Cheguei a contatá-los via redes sociais, sendo que a resposta foi que a maior parte dos modelos realmente não é tão fiel com relação a altimetria.

Bom… isso decididamente não ajuda uma vez que alguma noção do quanto estamos subindo e treinos é importante para fazer eventuais ajustes finos.

Até então, estava considerando o depoimento de amigos que correram o mesmo percurso e cruzando com outras provas e com a minha própria experiência na down-run de Comrades do ano passado.

A Douro Ultra Trail, que corri em setembro…

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Up-run: A segunda metade

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Depois das difíceis subidas da primeira metade, é hora de entrar em um ritmo mais calmo. Claro: “calma”, aqui, é uma palavra que deve ser entendida com cautela. A corrida é a Comrades, longe de ser fácil – e esse percurso de Durban a Pietermaritzburg é de subida.

Isso significa que de Drummond até Inchanga há ainda uma longa subida de quase 4km com alguns trechos bem íngremes.

Saindo de Inchanga se estará no marco de 50km. O trecho de lá até Cato Ridge é um dos mais agradáveis, com uma altimetria mais leve e vistas que compensarão. Aqui, portanto, é um lugar para usar a energia que deverá ter sido poupada da metade anterior.

Essa “facilidade” acaba em Camperdown, quando se passa a subir até o ponto mais alto do percurso todo, em Umlaas Road. É difícil, sim – mas com uma espécie de bônus inspiracional por ser a…

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bastões para o Transvulcânia, sim ou não?

Para revisitar no ano que vem, quando estiver prestes a embarcar para essa prova dos sonhos…

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Leio mais relatos do Transvulcania, curiosamente, todos de atletas que o fizeram sem bastões.Pelo que percebo não há dropbag.

há atletas que os usam:

poles

e atletas que não os usam:

trans

É uma questão complicada nesta prova. A primeira secção tem quase 18km com 10% de inclinação o que só por si aconselharia a usar.
raceprofile

Não tive dúvidas em usá-los no DUT, mas aí eram os meus primeiros 80km e +4500 metros e fiz quase todas as subidas a andar. Nesta corrida emexistem pontos positivos e negativos quanto a usar bastões:

Positivos:

  1. A subida inicial será feita a andar, a gestão da prova não aconselha a um arranque fulminante. Os bastões ajudam.
  2. Existem rampas mais extremas, quer na subida inicial, quer no percurso mais adiante e com piso com pouca aderência (cinza vulcânica) em que os pés escorregam. Bastões ajudam.
  3. A descida final é um mergulho de 2000m em 18km muito…

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Up-run: A primeira metade

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Vencida a largada, é hora de encarar a looooooonga subida até Drummond, como se pode ver no mapa abaixo:

De acordo com todos, essa primeira metade é “assustadoramente brutal”. Simples assim :-)

A primeira subida mais significativa é bem no começo, em Berea, por ser um indicativo do que virá pela frente. Mas só por isso mesmo: depois se vai ao 45th Cutting (ainda no escuro), Westville e Cowie’s Hill.

Cowie’s é o segundo dos morros dos chamados Big 5 – e que exige muito respeito. Como a largada ocorrerá sob 11 graus (em média) e o dia ainda estará amanhecendo, o clima acabará “funcionando” a nosso favor.

Isso é especialmente importante em Pinetown, vila que vem logo depois de Cowie’s Hill e que costuma ser um forno nas down-runs.

Pinetown será uma espécie de “alívio temporário”: há uma bem vinda descidinha leve apenas para enganar o corpo. Depois disso…

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Up-run: A largada

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Quem, como eu, está indo para a África buscar a medalha back-to-back da Comrades, deve estar também se perguntando sobre as diferenças de percurso em relação ao ano passado. Tudo muda: a largada é em uma avenida ampla de uma cidade grande, sobe-se MUITO mais na primeira metade e chega-se em uma pequena vila interiorana encravada no meio do vale dos mil morros.

Pois bem: um pouco de pesquisa nunca fez mal a ninguém e decidi sondar um pouco sobre as características do percurso da up-run.

A primeira coisa que se fala é da semelhança: as ruas de Durban ficam tão cheias quanto as de Pietermaritzburg na madrugada, o clima é de festa com aquela dose a mais de ansiedade e o ar parece ser tomado com cantos de “shosholoza”.

Mas há uma diferença crucial aqui – principalmente para quem largará mais ao fundo: o tamanho da avenida.

Em Pietermaritzburg…

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