Niterói, dia 5: Orla de Itacoatiara

Na verdade, esse dia foi o 6. Ontem, dia 31, não me contive e saí para uma corrida de 10K às 2 da tarde sob um sol de mais de 40 graus. Cansei, suei até me desidratar e não cheguei a nenhum lugar bonito – mas valeu pelo simples fato de aproveitar o sol e gastar os últimos quilômetros de 2015. 

Hoje, dia 1, foi diferente. 

Acordei com aquele ar de ano novo, aquela vontade de iniciar um novo ciclo com toda a inspiração que certamente se fará necessária ao longo dos próximos 12 meses. Infelizmente não pude ir ao Parque da Cidade: rodar 26km sob esse calor e depois de tanta rodagem acumulada não seria “saudável”, para dizer o mínimo. Tudo bem: fica para a próxima. 

Resolvi, então, juntar a inspiração para o ano novo e me despedir da belíssima Niterói em uma das mais incríveis praias que já vi: Itacoatiara. 

E, assim, saí trotando leve até lá, cortando o calor que já se fazia imponente às 10 da manhã e chegando ao canto da praia carregado de energia. De lá, parei e fique alguns instantes olhando as pedras. Todas: a do Elefante, que subi nos meus primeiros dias, a do Costão, que subi há pouco, a Serra da Tiririca ao fundo e um outro morro que permaneceria um mistério. 

Esse contraste de pedra, mar e verde exuberante é simplesmente fantástico. Inesquecível. 

Fui de uma ponta a outra curtindo o litoral. Uma música leve embalou o pace e a mente, mudando o pensamento de retorspectiva a perspectiva a passe de mágica. 

No final do dia estarei voltando para São Paulo, onde todo um novo ano me aguarda. Ainda terei um final de semana para completar esse bem vindo recesso – mas nada se comparará a esse mergulho na mata atlântica que foi essa descoberta de Niterói. 

Nem imagino os desafios que 2016 colocará no caminho – mas é difícil não entrar no ano com a certeza de que todos serão devidamente vencidos depois de dias tão inspiradores, em paisagens tão exuberantes e com trilhas tão fantásticas como estas daqui.

Que venha o novo ano. De preferência com tantas belezas quanto as que encerraram os meus dias de 2015.

   

     

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Niterói, dia 4: Costão e Bananal

Já acordei aceso: era dia de desbravar duas novas trilhas e paisagens por esta abençoada costa de Nikiti City.

Desta vez saí um pouco mais tarde: o acesso às trilhas do Costão e do Bananal abria apenas às 8 da manhã. Sem problemas: mais tarde, mais sol, mais vista.

Cheguei em Itacoatiara às 8 em ponto e já havia uma pequena fila para subir a trilha. Aos poucos fui desviando de um e de outro, acelerando o ritmo quando dava e respirando forte aquele ar de mata atlântica. Em alguns minutos, uma clareira dava acesso a percursos diferentes.

Peguei o do Costão: queria subir logo a pedra e entender a vista panorâmica da Guanabara. A subida foi curta mas intensa e, em pouco tempo, se transformou em pedra pura. 

Perfeita.

Foi uma subida semelhante à da Pedra de Atibaia, daquelas íngremes e com grip forte. Subi rapidamente, fazendo o percurso pelos trechos menos íngremes e serpenteando cactus atrás de cactus que pontilhavam a paisagem. 

Olhei para trás: a Pedra do Elefante, imponente, se estendia pela paisagem disfarçando o céu de tons verdes e cinzas.

Segui subindo, subindo, subindo…

Até que me encontrei no topo. De lá, um giro panorâmico forçava a boca a abrir: dava para ver até o Pão de Açúcar, do outro lado da baía. A cena inteira era incrível, fundindo as cidades de Niterói e Rio de Janeiro em um único ecossistema feito de mar, pedra e mata. Cores, muitas cores davam vida à costa dramática daquelas partes certamente abençoada por todos os Deuses.

Fiquei um tempo ali, sentado, apenas bebendo a beleza.

   
    
    
   
  

Quando estava já satisfeito, levantei e desci. Foi difícil, confesso, descer de uma vez só ignorando o ímpeto de parar para fotografar as tantas cenas que se abriam. Mas fui.

Quando cheguei de volta à clareira, desci pela segunda trilha, a do Bananal. Deserto, o caminho era fechado e abafado, com um barulho de milhões de mosquitos que protestavam contra o intruso. Mas tudo: as árvores, as pedras, os zunidos e as ondas do mar, transformavam aquilo em uma espécie de paraíso. 

O final da trilha dava em uma pequena enseada de pedras. À frente e no mesmo nível, o mar rugia com aquela calma feroz característica de Yemanjá; por trás, mato puro; dos lados, as montanhas. 

Há momentos em que apenas devemos agradecer a honra de testemunharmos.

Mais uma vez sentei e respirei.

Aspirei.

Me inspirei.

E saí.

A volta foi percorrida naquele estado de transe pós-trilha, sentindo o sol arder as costas e a deixando a mente repassar e memorizar cada uma das paisagens.

Difícil imaginar um começo de dia melhor.

   
    
    
    
       

Niterói, dia 3: Trilha da Pedra do Elefante

  
Não havia como deixar para outro dia. O gostinho da trilha na manhã anterior e a imagem da Pedra do Elefante (foto acima) estavam ainda frescos demais. Aliás, o mero pensamento de postergar em nome do descanso planilhado gerava calafrios.

Saí novamente, então, no instante exato em que o sol colocava a sua cara para fora. O caminho até a ladeira de Itaipuaçu parecia mais curto e até a subida estava mais leve. Em um punhado de quilômetros estava lá novamente, de frente para a entrada da trilha e, desta vez, com todo o tempo do mundo.

Subi. 

Primeiro mais devagar, saboreando o cheiro de terra e mato ao amanhecer. Depois, conter o pace passou a ser impossível: embalado pela umidade quente da mata atlântica carioca, pulei galhos, saltei sobre pedras e quase voei ao chegar nos trechos de single track mais lisos, gostosos. 

Em minutos estava na clareira que, talvez sem querer, indicava a metade do percurso. Segui em frente, pulando mais galhos que haviam sido derrubados por uma súbita ventania que varreu os morros horas antes, e cheguei no ponto exato em que parei na manhã anterior.

Olhei em volta, meio que tentando reconhecer o terreno. Havia uma descida mais íngreme pela frente, perfeita para ser engolida aos pulos, e uma nova subida. 

Mata fechada.

Calor.

Um verde deslumbrante dominava o cenário.

Em poucos metros, uma luz vinda de um céu até então oculto se esparramou por uma pedra. Diminuí o ritmo em respeito a ela e, em passos lentos, uma vista inenarrável se apresentou.

Desliguei tudo: Strava, celular, mente. Apenas achei um lugar para sentar e passei cerca de dez minutos tentando entender aquela pintura divina com direito a um mar tão azul quanto o céu, a rochedos gigantes se erguendo orgulhosos e árvores espalhando verde por todos os cantos. Ou melhor: por quase todos os cantos, já que o morro à frente tinha uma espécie de caverna imensa cuja porta se abria apenas para os azuis da água e do ar.

Perfeição, se fosse ilustrada, seria assim.

Depois de respirar, decidi dar mais alguns passos: não estava no pico, que exigia uma escalada BEM mais técnica, e queria conferir. Entrei novamente na mata e, depois de alguns passos, um paredão imenso se ergueu em minha frente.

Parei.

Olhei.

Até havia, verdade seja dita, uma veia razoável onde eu poderia encontrar encaixes para os pés e tentar subir. Mas era demais: a altura estava além da coragem, principalmente por eu estar absolutamente só lá na Pedra. Se qualquer coisa acontecesse seria necessário aguardar que outra pessoa decidisse passad por lá para, a partir daí, pedir algum socorro.

Desisti.

Voltei do paredão e parei mais alguns instantes no mirante improvisado pela natureza para tomar ar e inspiração.

Aquelas trilhas, ao menos para mim, estavam já cumpridas.

Era hora de voltar, feliz, e desenhar o percurso do dia seguinte pelo Costão.

   
    
       

Niterói, dia 2: Caçando trilhas

Com a cidade devidamente desbravada, estava na hora de me embrenhar por alguma trilha mais próxima. 

Seguindo indicações de amigos, o plano era ir à Trilha do Costão, no Parque Estadual da Serra da Tiririca. Descoberta do dia: o Google Maps não entende muito de trilhas ou de entradas de parques. 

Infelizmente, a descoberta veio tarde. Segui pela estrada principal saindo de casa e entrei no sentido de uma serra imensa, ainda crente que estava no caminho certo. Mais tarde, descobriria que havia errado por uma entrada. 

Seguro que estava na rota, segui. Subi, subi e subi até um ponto chamado de Mirante de Itaipuaçu. Não nego: o lugar era absolutamente incrível, com uma praia de areia branca esparramada aos pés da serra iluminada pelo sol que, novamente, parecia anabolizado. 

Parei, tirei fotos e desci. Tudo, até a praia de Itaipuaçu. Foi lá que me toquei que algo estava errado: não havia nada perto de uma entrada para a Trilha do Costão. 

Bom… com quase 8km rodados e a volta inteira por vir, decidi retornar. Subi novamente a serra e, na boca do mirante, vi uma placa indicando a entrada de uma outra trilha, a do Elefante. Já tinha lido sobre ela: era maior, mais bonita e mais dura. 

Olhei para o relógio: já estava na hora de retornar. Olhei para a trilha: “puxa, como desistir de algo assim?”, me perguntei. 

Fiz um acordo comigo mesmo: aproveitaria um trecho dela, sem ir até o final, apenas para sentir aquele cheiro sensacional de mato. Subi como se não houvesse amanhã: rápido, leve, tranquilo. Pelos meus cálculos, devo ter feito 60% da trilha – e, pelo menos até ali, não achei nada muito técnico. 

Mas o tempo, infelizmente, costuma ter pouca misericórdia: já estava atrasado e seguir em frente certamente me traria problemas. 

Voltei. 

Desci a trilha feito uma bala: descidas assim, em singletracks leves dentro de uma mata fechada, são absolutamente sensacionais. 

Quando cheguei de volta ao mirante, virei à esquerda e desci mais asfalto, mantendo um ritmo apertado. No total, cheguei em casa com 18km rodados em pouco mais de 2 horas, muita felicidade estampada no rosto e a certeza de que farei a Trilha do Elefante inteira nos próximos dias!

   
    
   
   

Niterói, dia 1: Cruzando a cidade

Verdade seja dita, o longão de sábado não estava exatamente nos planos para esta semana: cheguei em Niterói na noite anterior, cansado e com um sono que parecia exigir mais cama do que tênis. 

Mas isso, claro, foi até o avião pousar no Santos Dumont, recheando a retina com aquelas paisagens exuberantes que apenas o Rio e Cape Town, as duas mais belas cidades do mundo, tem. 

Acordei às 7:00 da manhã seguinte, me arrumei na velocidade da luz, programei a rota no Google Maps e me mandei. O percurso: sair da região da Serra da Tiririca e chegar aos pés do MAC, somando cerca de 30km de ida e volta e bebendo a vista do Pão de Açúcar, Cristo e tudo mais no mesmo plano. 

E já saí com o céu azul e o calor batendo forte – um bônus para mim, que amo a sensação de ter as costas assando sob o sol. Por algum motivo, o Google me mandou margeando o morro do Cantagalo, por dentro, cruzando alguns morros leves. Não senti nenhum perigo ou coisa do gênero – mas certamente algum outro caminho seria mais bonito. Ainda assim, passar pelas pedras grandes que pontilham a paisagem e, vez por outra, sentir o mar perto dos olhos, faz toda a diferença. 

E demorou. Morro acima, abaixo, acima, abaixo, casinhas decorando a paisagem, céu ficando cada vez mais azul e temperatura subindo. 29, 30, 31, 32 graus. 

De repente, na descida de um morro, casas começaram a se transformar em prédios: estava no chegando ao centro da cidade. Com ele, trechos mais planos pareciam me guiar até o mar como um ímã. 

Segui. 

33 graus. 

À minha frente, a mais espetacular das vistas se desacortinou. Do lado de cá da Baía de Guanabara o sol parecia apontar o horizonte com um orgulho sem precedentes: ali, logo do outro lado, descansava o Pão de Açúcar e os demais morros que fazem do Rio o Rio. 

Não pude continuar: parei, tomei um bem-vindo gole d’água e fiquei imóvel por alguns instantes. 

Outros corredores aproveitavam a orla, comum para eles, aparentemente sem perceber o quão inacreditavelmente belo era aquele lugar. Dei mais alguns passos em direção ao MAC, que se posicionava como uma nave alienígena em frente a uma pequena igreja no alto de outro morro. Não cheguei a ir até lá, mas cheguei perto o suficiente para babar. 

34 graus.

Decidi ignorar o Google Maps: tracei a minha volta margeando a orla, deixando Icaraí por uma estradinha semelhante – mas mais bela – à Niemayer. Foi a melhor decisão que poderia ter tomado: àquela altura, às 9 da manhã, outros corredores e ciclistas já estavam aproveitando a cidade e transformando o clima em pura endorfina. 

Aliás, a endorfina era tamanha que mal conseguia me lembrar de beber água. 

35 graus. 

Saí da orla cruzando o bairro de São Francisco, subindo e descendo mais alguns morros e seguindo paralelo à Lagoa de Piratininga. 

Àquela altura estava já bastante cansado e com uma forte dor de cabeça por conta, provavelmente, do forte calor. Mas nem isso atrapalhou o dia: quando cheguei de volta em casa, quase às 11, o termômetro marcava 37 graus e o Strava computava 33km rodados. 

Foram as melhores boas vindas que já recebi de uma cidade.

   
   
  

El Cruce: Mapa e altimetria da etapa 3

Como devem ser a noite e o amanhecer em um acampamento no alto das montanhas andinas, sem luzes urbanas e com aquele silêncio que apenas a natureza consegue proporcionar? 

Essa é a minha principal curiosidade e ansiedade quanto ao Cruce. Não é só o desafio de cruzar a cordilheira, colocando o pé no Chile e voltando para a Argentina: é a curiosidade de sentir a vida no alto das montanhas. De estar em um dos topos do mundo, de respirar o ar puro, de sentir a altitude, de ver o planeta todo esparramado aos meus pés. 

Esta terceira e última etapa terá a primeira metade quase toda pela espinha dorsal das montanhas, provavelmente permitindo cenas memoráveis. Somente depois, lá pelo km 18, é que devemos descer e tomar caminhos mais ou menos planos até a chegada em San Martin de Los Andes. 

No total, serão 30km com 2.094m de subida e 2.530m de descida. 

No acumulado dos 3 dias de Cruce, terei rodado 100km, subido 5.091m e descido 5.229m. Para contextualizar, isso dará pouco mais da metade do Everest (8.848m) e mais que Mont Blanc (4.810m). 

E nem imagino as cenas que estarão gravadas em minha mente. 

Bom… a organização do Cruce ficou de disponibilizar algumas fotos do percurso nas próximas cartas aos corredores. Assim que chegar, posto por aqui. 

  

Pela África

Tenho um inexplicável fascínio pela África. Sempre tive, verdade seja dita – mas ele ficou mais forte depois que passei anos sequenciais indo à África do Sul por conta da minha Lua de Mel, de uma Two Oceans e duas Comrades. 

Com isso, acabei tomando um banho no caldeirão das culturas Xhosa, Zulu, Afrikaner e “europeia” de uma maneira geral; sentindo águas tomadas por tubarão e savanas onde leões e elefantes exalam altivez; vivendo experiências e testemunhando cenários que dificilmente poderiam ser replicados em algum outro continente. 

Quando terminei a segunda Comrades, “vestindo” a back-2-back no peito, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Por um lado, claro, foi a realização de um sonho; por outro, no entanto, havia terminado as provas que me levariam até a África. Será? 

O próprio continente selvagem se incumbiu de me dar mais esperanças. A Marathon de Sables, no Saara, já se desenha como um sonho cada vez menos distante; e outras ultras no sul brotaram do nada. 

Uma delas é a Richtersveld, quase na fronteira da África do Sul com a Namíbia. Sensacional…

Por que não criamos ultras mais relevantes no Brasil?

Todas as ultras mais desejadas do mundo tem uma característica essencial: um apelo emocionalmente poderosíssimo para os corredores. E esse apelo pode ir por três lados: relevância histórica, dificuldade colossal ou beleza estonteante. Frequentemente, aliás, esses três elementos estão juntos.

Exemplos?

O percurso da Comrades não é exatamente incrível – mas seus mais de 90 anos de história, a força que exerce sobre toda uma nação e as lendas que giram em torno dela a fazem ímpar.

Spartathlon, na Grécia? Junta a dificuldade homérica de se completar 246km em menos de 36 horas – com pontos de corte no mínimo sádicos – com o peso histórico de se estar refazendo o percurso de Filípides.

El Cruce? Precisa falar alguma coisa da sua beleza estonteante? A experiência de cruzar os Andes e beber uma paisagem daquelas por dias está longe – muito longe – de ser considerada corriqueira.

A Marathon de Sables, com quase uma semana para se cruzar 254km no Saara, não é considerada tão difícil quanto outras do gênero por ter postos de corte mais generosos – mas, da mesma forma que o Cruce, permite se testemunhar cenas absolutamente inesquecíveis.

E por aí se vai. TransVulcania, Barkley, Mont Blanc (UTMB)… todas tem um ou mais destes três ingredientes.

Agora olhemos o Brasil.

Das poucas ultras que temos em nosso solo, a única que realmente se destaca é a Jungle Marathon – e que é mais famosa no exterior do que aqui. Mas há tantos locais incríveis no Brasil que, honestamente, não fazer uma ultra neles é jogar fora oportunidades. Exemplos práticos?

Começo com o que nós mesmos fizemos no começo do ano, por conta própria: a Ultra Estrada Real. Refazer o caminho dos mineiros no auge do ciclo do ouro e terminar aos pés da estátua de Tiradentes em Ouro Preto em plena Páscoa, época que toda a região fica deslumbrante, certamente é uma candidata. Dezenas de corredores participaram dessa iniciativa que começou por aqui e que, aparentemente, terá alguma continuidade.

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E outros locais?

Correr no sertão em pleno verão escaldante certamente seria um belo desafio. Aliás, o amigo André Zumzum organiza o Caminhos de Rosa que é justamente isso – com o bônus de acontecer na trilha das histórias do mestre Guimarães Rosa. Não fosse tão longa – ela tem 263km – eu participaria na mesma hora.

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Há outro sertão perfeito: Canudos. Terra de santos, beatos, guerras e de um dos episódios mais marcantes da nossa história, seria um desafio e tanto.

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E Lençóis Maranhenses? Uma prova por suas dunas seria inesquecível e atrairia gente de todo o mundo.

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Chapada Diamantina? Que me conste, há apenas uma maratona por lá – mas há terreno suficiente para se explorar distâncias maiores com pérolas espalhadas por ela.

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Falando em Chapada, há a dos Veadeiros que tem o pitoresco Vale da Lua.

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O Rio de Janeiro também poderia receber uma ultra. A cidade é inegavelmente uma das mais lindas do Brasil e conta com pontos perfeitos como o Pão de Açúcar, o Cristo, a região da Vista Chinesa. Sua cidade irmã, Cape Town, fez uma ultra pela cidade que rapidamente cresceu (Ultra Trail Cape Town).

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Lá no sul há a região das Missões ou a Serra Gaúcha. Locais PERFEITOS para se correr em trilhas animais e memoráveis.

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Isso sem contar com locais de mais difícil acesso como o Monte Roraima, o Jalapão e tantos outros.

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O fato é que vivemos em um país que, embora não esbanje praias como as do Caribe ou montanhas como as dos Alpes, tem belezas inquestionáveis. Também é fato que, senão todos, a grande maioria dos ultramaratonistas vivem para beber cenas marcantes nas trilhas ou ruas do mundo.

Por que, então, as ultras que acontecem por essas bandas cismam em não aproveitar quase nada das nossas belezas naturais?

Tomara que alguém leia esse post e tome alguma providência organizando algo mais parrudo. Uma coisa eu garanto: a minha participação entusiasmada.