Finalmente, o ano começa a ter cara de fim

Tem um momento do fim do ano em que tudo fica turbulento: concorrências surgem do nada, clientes pedem jobs de última hora, prazos magicamente se encurtam. De repente, é como se o racional por trás dos planos de comunicação de empresas desse lugar a uma afobação desmesurado. E todo ano é assim, com ou sem crise.

Para mim, isso significa que ele está chegando ao fim. Essa afobação toda durará, pelos meus cálculos, até a sexta da semana que vem, quando será gradualmente substituída por festas de fim de ano, planos de viagens e árvores de Natal.

Para quem curte trilhas e ruas, isso também significa que um ar mais brando está prestes a chegar, com menos pendências e mais paz. O calor, que está demorando para chegar com a força que costuma ter, já já deve começar a fritar as árvores do Ibirapuera; os convites de amigos para longões em trilhas mais distantes começarão a surgir; a possibilidade de encaixar longuinhos leves em dias úteis se materializará.

Perfeito.

Final de ano é sempre, sempre perfeito.

Parque do Carmo? Cantareira? Pico do Jaraguá? Talvez alguma prova menor em algum lugar montanhoso?

Hora de começar a planejar umas corridas diferentes.

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Checkpoint: Escalando de volta

Nem cansaço, nem gripe, nem más notícias ou viagens de meio de semana. Há horas em que simplesmente precisamos dar um basta em desculpas internas, virar a página e começar um novo capítulo.

Missão cumprida. 70km rodados na semana, com o bônus de incontáveis subidas por escadas no trabalho e na escada. 

Não nego o cansaço, claro – mas ele não é nada perto dessa sensação de uma semana finalmente bem fechada, trazendo esperadíssimos bons prospectos para o restante deste mês de dezembro.

   
 

Deixando a raiva no asfalto

Sabe aquele último post, de quinta, que eu estava doente e desisti de correr?

Pois é: nada como uma boa dose de chateação para bombar a adrenalina. Cheguei em casa com tanto mau humor por conta de um projeto no trabalho que, embora com alguma febre, troquei de roupa e voei para o Ibirapuera. 

Deixei toda a minha raiva lá no parque e trouxe de volta uns 15km. Ontem, sexta, antecipei meu longão e rodei mais uns 20. 

Novamente, cheguei suando mau humor e voltei quase que flutuando. 

Bom remédio, esse. Melhor que qualquer Advil ou coisa do gênero.

Febre, gripe, dor de cabeça e no corpo? Deve ter ficado no parque também!

  

  

   

Baqueado

Como se não bastasse, logo agora que estava voltando ao normal, uma gripe do tamanho do medo me tomou de assalto. 

Correr? Só se fosse louco. Febre, dores no corpo, moleza. Tudo.

Talvez seja tudo parte da mesma reação ao cansaço mental e físico, que soma um possível excesso de provas a um ano realmente caótico. Talvez. 

A única certeza que tenho é que estou bem cansado desse cansaço. 

  

El Cruce: O que é fornecido e o que precisamos levar de equipamentos obrigatórios

O site deixa dúvidas: dependendo do idioma, as informações sobre o que devemos levar e o que será fornecido pela organização são inclusive contraditórias. Mas nada que não seja facilmente resolvido: eles mesmos fazem alguns plantões no Facebook onde se pode perguntar o que quiser e ter a resposta na hora. Aliás, a organização do El Cruce, ao menos até agora, é muito perto da perfeição. 

Bom… vamos então a uma atualização de equipamentos obrigatórios:

  • Camiseta de prova: Fornecida pela organização
  • Número de competidor e chip: Fornecidos pela organização
  • Mochila de hidratação: Deve ser levado
  • Casaco impermeável: Deve ser levado
  • Camiseta manga longa (ou remera): Fornecida pela organização
  • Polar (jaqueta): Fornecida pela organização
  • Gorro: Deve ser levado
  • Mochila resistente à água para os acampamentos: Fornecida pela organização
  • Cobertor de sobrevivência: Fornecido pela organização
  • Bivac ou vivisac: Deve ser levado

Por essa lista, me resta apenas o gorro e um casaco impermeável decente. No mais, agora é fazer um checklist dos itens recomendados.

    

Porque correr no centro de São Paulo é sensacional

Basta olhar esta foto abaixo, que tirei ontem de manhã.

Poucos são os lugares que casam de maneira tão desconcertantemente perfeita a imortalidade dos arranha-céus da primeira metade do século XX à podridão fedorenta que se arrasta pelos chãos.

Poucos são os lugares que conseguem transformar promessas de um futuro glorioso em excrementos de um passado e presente tão decadentes.

Aliás, poucos são os lugares que mesclam tão abstratamente o Tempo, ignorando sua cronologia e misturando tudo em um caldo com doses do indígena, do colonizador, dos barões de café, dos magnatas da indústria, dos ambulantes, dos mendigos, das putas, dos padres, dos podres, do incenso, das fezes e urinas marcando o território mais animalesco dos homens.

Testemunhar isso em uma corrida é como receber as boas vindas de todos os anjos e demônios que perambulam, em alma ou em corpo, por lá.

De uma maneira esquisita, talvez até meio torpe, há que se amar o centro de São Paulo.

Checkpoint: Tentando me livrar da angústia

Quer irritar alguém que tem como principal remédio mental passar horas a fio correndo por ruas e trilhas? Deixe a sua mente motivadassa e as pernas mastigadas de tanto cansaço. 

Pouca coisa resume melhor esse meu fim de novembro. Exausto sem “motivo de curto prazo”, já que acumulei apenas 40 míseros quilômetros na última semana, cheguei a cancelar meu longão de ontem por pura incapacidade física. A dor, embora não lascinante, era de uma constância insuportável. 

Em comparação, era como estar com uma permanente febre de 37: nada que prendesse o corpo à cama mas, ao mesmo tempo, o suficiente para barrar qualquer atitude mais “viva”. 

O que fazer em situações assim? Dar tempo ao tempo e tirar uma espécie de férias pode, afinal, curar o corpo e afundar a mente na areia movediça do sedentarismo conformista, preguiçoso. Para alguém com a minha história, que teve a vida literalmente salva pela corrida, isso assusta demais. Forçar a barra, então? E se o que está ruim piorar? Que alternativa será deixada? 

Em meio a esses conturbados pensamentos, calcei o tênis, desliguei a angústia munchiana e saí.

A meta: um “longuinho” de 20km por um dos meus roteiros preferidos, o centro de SP. 

Por um tempo, devo dizer que foi uma boa decisão: sempre se pode confiar no inspirador contraste entre a imponência neo-clássica do Martinelli e a podridão dos mendigos da Sé. Há tanta beleza decadente, tanta promessa de futuro chafurdada no mais abandonado dos passados, que se consegue praticamente sentir o tempo em cada passada. 

O longuinho ajudou – mas também cansou mais do que deveria, um lembrete do péssimo estado geral em que o corpo está. Não vou dizer que me arrastei até em casa: o descanso de ontem fez algum bem, afinal. 

Mas o roteiro do centro à Liberdade ao Parque da Aclimação e de volta via Paulista, que poderia ter sido bem mais incrível, acabou mais sofrido que o esperado. 

Mas quer saber? Pelo menos encheu o peito com uma dose de endorfina a mais. 

Que essa dose dure e inspire a próxima semana. 

   
 

No running day

Hoje era dia de longão. Dia de rodar uns 30K e fechar os 70 programados para a semana. 

Dia de experimentar a mochila de hidratação nova. 

Dia de passar algumas horas imerso em mim mesmo e cruzando as trilhas que se escondem por São Paulo. 

Não deu. 

Acordei com a perna absolutamente dolorida, como se tivesse sido mastigada por um monstro inesperado durante a noite. Motivo? Em tese, nenhum: desde o final da Indomit, minha semanas tem sido conservadoras: uma de 30K, outra de 50 e, nesta, havia acumulado apenas 40. Pouco para quem está acostumado a uma média de 75-85…

Mas, ao que parece, o corpo ainda não está plenamente recuperado do acúmulo de esforço do ano, incluindo não apenas os 100K da Indomit no começo do mês como também os 75 de Bertioga-Maresias 3 semanas antes, os 50K de Atibaia antes dessa, os 87K da Comrades, os 88K da Ultra Estrada Real, os 50K pela Serra do Mar. 

Ao que parece, o cansaço bateu todo junto. 

Forçar a barra não me pareceu uma boa ideia. Apesar do dia estar lindo, da motivaço estar alta e da sensação de não sair para as ruas em um sábado ser quase assustadora, não havia muito o que fazer: saída cancelada.

Talvez eu precise de algum período a mais de descanso do que o originalmente previsto. 

Descobrir que não somos super-heróis é um saco. 

  

El Cruce: Equipamentos obrigatórios e o Bivac

A lista de equipamentos obrigatórios do Cruce é um pouco diferente do que estou habituado. Faz sentido: será a minha primeira prova em etapas, com dois acampamentos nos três dias. 

O ponto positivo é que a prova não é totalmente autosuficiente como a Marathon de Sables: muita coisa (como comida para os três dias) será providenciada pela organização. 

Ainda assim, a lista de equipamentos inclui: 

Itens obrigatórios:

  • Camiseta de prova (fornecida pela organização)
  • Número de competidor e chip (fornecidos pela organização)
  • Mochila de hidratação
  • Casaco impermeável
  • Camiseta de manga longa
  • Polar ou micro polar (que deduzo que seja um GPS tipo Garmin ou Suunto)
  • Gorro
  • Cobertor de sobrevivência
  • Manta de sobrevivência
  • Bivac ou vivisac

Itens recomendados: 

  • Trekking poles
  • Talheres
  • Headlamp
  • Toalha
  • Saco de dormir
  • Colchão inflável (que não pretendo levar)

Não vou mentir que alguns equipamentos ainda são um mistério para mim – como a diferença de cobertor e manta de emergência. Mas, com o tempo, vou decifrando cada um deles. 

Também estava na dúvida quanto ao bivac ou vivisac ou bivouac: não fazia a mais pálida ideia do que seria esse treco. Descobri: uma espécie de saco de dormir ultra portátil e térmico para ser utilizado em casos de emergência na montanha. 

Minha primeira dúvida: como diabos carregarei isso na mochila de hidratação? A segunda: quanto vou gastar com esse treco? 

Ainda bem que as duas respostas foram positivas. 

Fuçando na Web, encontrei um “Emergency Bivvy” da marca SOL. Se é maravilhoso, não sei: mas é minúsculo, como pode ser visto na imagem abaixo, e barato. Comprei diretamente na Amazon e, incluindo impostos e o frete até o Brasil, ele me custou US$ 44. 

Chegou em menos de uma semana! 

Com isso, o primeiro item misterioso já está devidamente adquirido.