Sábado

Não deu para acordar no sábado de manhã. Foi simples assim: a cama foi mais forte que o tênis. 

Mas era um sábado diferente: na prática, o ano já estava terminado. Era um sábado que teria cara de sábado mesmo no domingo, na segunda, na terça. Era um sábado de encerramenta de ano, de ciclo, de Tempo. 

Não correr seria algo quase criminoso. 

E, então, saí mais tarde. Bem mais tarde, por volta das 5, sob uma garoa fina que cobriu São Paulo. Não fui para nenhum parque: me embrenhei pela Barra Funda, perto do centro da cidade. 

Aproveitei aquela luz de fim de tarde nublado, com os postes começando a se acender, para quase flutuar pela ciclovia da Sumaré e pelo Parque da Água Branca. O melhor veio depois: fazer o Minhocão. Quando cheguei lá a noite estava quase se apossando do céu: a garoa ainda insistia em riscar o asfalto, as luzes do trânsito mostravam um quê de impaciência generalizada e, no ouvido, um rock leve, liso, embalava os passos. 

Quando saí do Minhocão peguei a Consolação ainda cheia, mas já começando a dar o dia por encerrado. Tangenciei o Cemitério, cruzei a Paulista. As pistas já estavam tomadas por happy hours de sábado, por sons de brindes e risos cortantes. 

O ano já estava terminado para muitos – possivelmente há algum tempo. 

Para mim, no entanto, só naquele sábado é que as peças efetivamente se encaixaram. 

  
 

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