Sky Running, por Emelie Forsberg

Um dos maiores ícones das corridas em montanha é Emelie Forsberg, uma sueca de 27 anos que colecionou títulos que vão do recorde feminino na Ultra Trail de Mont Blanc até o diversos campeonatos de ultra sky racing.

Mas, diferentemente de muitos esportes, esse tem um tipo de conexão diferente entre o meio e o atleta – algo que inclui um tipo de simbiose absolutamente impressionante. Basta ver a Emelie (ou a sua “versão masculina”, Kilian Jornet) falarem sobre o ato de correr em montanhas.

Recentemente, a CNN fez uma matéria curta sobre ela que vale a pena conferir. Veja abaixo:

http://edition.cnn.com/video/api/embed.html#/video/sports/2014/10/08/spc-human-hero-emelie-forsberg.cnn

Rob Krar, Grand Canyon, depressão e corrida

No que pensamos enquanto corremos? O turbilhão é tamanho, principalmente em ultras onde a pressão por tempo é menor do que em treinos ou provas de rua, que responder beira o impossível.

Mas, em geral, as passadas trazem consigo mergulhos que vão se aprofundando gradativamente a cada quilômetro, metro, centímetro. De repente, acabamos nos dando conta de que estamos nos redescobrindo de uma maneira quase filosófica, com uma profundidade que chega a assustar.

Redescobertas e viagens ensimesmadas, no entanto, sempre trazem um saldo mais positivo do que negativo. Basta ver essas pequenas gotas de pensamentos do Rob Krar enquanto ele corria as 30 milhas do Rim2Rim2Rim, no Grand Canyon.

depressions – a few moments from 30 miles in the canyon. from Joel Wolpert on Vimeo.

Calendário das ultras mais iradas do mundo

Há alguns dias publiquei, no Rumo às Trilhas, a minha lista de desejos de provas mundo afora. Não dá para dizer que foi uma surpresa, mas a lista ficou muito, MUITO extensa. Conversei com alguns amigos, fiz algumas edições, pesquisei datas e acabei tirando umas corridas e acrescentando outras. Foi uma pesquisa difícil (embora deliciosa) devido ao grande número de provas e de informações espalhadas – mas acabei conseguindo compilar tudo e organizar em uma espécie de agenda aproximada.

E digo “aproximada” porque, obviamente, levarei provavelmente 10 ou mais anos para matar toda essa lista. Mas tudo bem: o importante é curtir e aproveitar cada passo da jornada.

Observação importante: os meses de realização foram postados com base em calendários de 2014 ou 2013. Pequenos ajustes em datas, claro, devem ocorrer em todas as provas nos próximos anos. 

CALENDÁRIO DE ULTRAS IRADAS PELO MUNDO:

JANEIRO:

FEVEREIRO:

MARÇO:

  • Two Oceans (56km – África do Sul): www.twooceansmarathon.org.za – obs.: em 2015, essa prova, sempre vinculada à Páscoa, ocorrerá em abril!

ABRIL:

MAIO:

JUNHO:

JULHO:

AGOSTO:

  • Ultra Trail de Mont Blanc – UTMB (53km, 101km, 119km, 168km, 300km – França, Suiça e Itália): www.ultratrailmb.com

SETEMBRO:

OUTUBRO:

NOVEMBRO:

DEZEMBRO:

 

Bom… tem ultras iradas todos os meses! Agora é escolher a próxima, vasculhar os bolsos e correr!!

A propósito, alguns vídeos de todas essas provas podem ser vistos compilados nesse post aqui.

Desvio de acessos: pegando a estrada para Comrades

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Depois de quase uma semana, está na hora de voltar as atenções para Comrades. Ainda tenho como objetivo conseguir a Back-to-Back em 2015, fazendo os 87km que separam Durban de Pietermaritzburg.

E, claro, o treinamento muda: o percurso é todo em estrada, mais rápido, mais dolorido e com aquele clima que só a rainha das ultras tem.

Não dá para mentir: corridas de rua certamente perderam muito do seu encanto para mim depois que descobri as trilhas e as paisagens deslumbrantes que se escondem por trás de cada montanha ou local abandonado. Mas, ainda assim, Comrades é diferente. E, embora esteja longe ainda, já está na hora de fazer o qualify.

Assim, pelos próximos dias, darei férias a este blog e retomarei as postagens no www.rumoacomrades.com . Até lá!

Resultados oficiais da Douro Ultra Trail

Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.

Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.

Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.

Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!

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Correndo pela história em Barcelona

Há algo de diferente entre correr em uma cidade como Sampa – por mais que eu a ame – e em um local como este aqui, em Barcelona. 

Aqui, há uma espécie de rio de sangue derramado história afora, desde os tempos em que a cidade era uma aldeia fundada por Hamilcar Barca, pai do lendário general de Cartago Hannibal que, ao perder para os romanos em uma guerra lendária, permitiu que Roma virasse o que virou. 

De Cartago, a cidade passou para os romanos, depois para os visigodos, para os árabes, para Carlos Magnum, para os catalãos, para os espanhóis. Com tantas guerras, as ruas tremem de memória histórica, abrindo caminho para catedrais incríveis, castelos, palacetes e até mesmo as famosas escadarias onde os reis espanhóis receberam Cristóvão Colombo tão logo ele retornou das américas. Isso sem falar, claro, nas maravilhas de Gaudí, cuja alma se espalha por toda a cidade.

Hoje foi o último treino antes da Douro Ultra Trail e fiz algo diferente: contratei um “guia corredor” pelo Running Tours Barcelona – algo que já havia feito no passado em outras cidades e que recomendo fortemente aos que curtirem história.

O conceito é simples: um guia corre junto com você e vai contando sobre a cidade e seus pontos ao longo de uma rota traçada por ele. Simples e fascinante pois, assim, consegue-se ter uma visão mais intensa de um lugar tão diferente quanto este. 

Foram, no total, pouco mais de 12km – e em um ritmo mais forte que eu imaginava uma vez que o guia certamente tinha algum sangue queniano. Mas valeu para soltar as pernas, para forçar o pulmão e para já entrar no ritmo. 

Valeu pela inspiração e pelo treino mental, ingredientes essenciais nessa fase de polimento catalão que acabei fazendo. 

Agora é curtir o restinho de Barcelona, equilibrar turismo com o trabalho que chama daí do Brasil e, amanhã, voltar para Portugal e me preparar. 

Sábado é o dia.

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Polimento catalão

Qual a melhor maneira de fechar a fase de tapering, ou polimento, de um treino para uma ultra de 80K? 

Se perguntar para qualquer treinador, a resposta provavelmente será “alternando treinos intensos e curtos com longos períodos de descanso”. Pois é…

É o oposto do que devo fazer. 

Ontem à noite deixei Portugal e estiquei um pouco a viagem, cruzando a Espanha e aterrissando em Barcelona, minha nova casa pelos próximos três dias. E, depois de um sono de 4 horas, já acordei pronto para devorar – com os pés – a terra de Gaudí.

Estou próximo à Cidade Velha, então rumei para lá e, entre ruelas e obras de arte arquitetônicas, acabei de frente para o mar. 

Acelerei. Fiz uma tempo para curtir a brisa quente do Mediterrâneo reforçada pelo sol que já saía ardendo. Voltei. Circulei pela Rambla, tangenciei o Bairro Gótico, conferi o morro de Montjuic. 

Subi um outro morrinho na praia para ver mais o mar. 

Voltei, circulando sem rumo. E depois tomei o caminho de casa um pouco preocupado com o relógio que já brigava comigo pelo excesso de tempo nas ruas.

Está quente aqui: quando chegamos, já depois da uma da manhã, os termômetros marcavam 28 graus. 

Mas temperatura alguma consegue fazer frente para a inspiração que vem desse museu ao ar livre tão vivo quanto é Barcelona. Museu, diga-se de passagem, que ainda percorrerei em longas caminhadas para cima e para baixo pelos próximos dias, pondo os pés à prova antes mesmo da prova.

Talvez isso – mesmo considerando a total inversão lógica – é que faça valer a fase de polimento.

Nada de preparar o corpo depois de meses de treinamento intenso: esse tipo de estratégia funciona melhor, acredito, para provas mais curtas.

Em ultras, é a mente que precisa estar melhor preparada, focada, oxigenada, inspirada. E inspiração se consegue deixando-a voar mais livre por cenas e momentos novos, bebendo vistas, vozes e ecos de histórias milenares que sempre encantam os ouvidos. Provando novos sabores, sentindo novos ares e testemunhando outros hábitos. 

Dando um tratamento de choque para que ela – a mente – já comece a semana em um estado de êxtase forte o bastante para que consiga encarar bem as trilhas no Douro, um lugar igualmente magnífico (embora absolutamente diferente daqui).

A melhor estratégia de polimento, portanto, é se focar na mente e deixar o máximo possível de vida entrar para oxigená-la. A partir daí se estará pronto para encarar qualquer desafio.

Agora, 9 da manhã daqui – 4 no Brasil – é hora de aproveitar as horas antes das ligações e dos emails de trabalho e curtir a cidade. 

A pé, claro. 

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Nadando pelas ruas de outros tempos

A ideia era fazer um trote leve, de 45 minutos. 

Saí cedo, antes da pequena Ílhavo, ao norte daqui de Portugal, acordar, e segui rumo ao centro velho. Há uma pequena ciclovia que margeia um riacho até as proximidades da Câmara Municipal – caminho perfeito para quem não quer se perder – e que segui. 

Fluindo bem, quase flutuando. 

Até que a garoa que apenas ameaçava aparecer se transformou em uma tempestade de proporções bíblicas! E onde se esconder? Pelas ruelas medievais do centro, a opções são nulas.

Assim, preferi me entregar aos humores de Iansã e praticar um esporte entre a corrida e a natação. 

No começo, um leve medo de pegar alguma gripe logo às vésperas da DUT chegou a passar pela cabeça. Mas, depois de tanta corrida sob chuva – a última tendo durado 6 horas e meia – me liguei que esse medo era no mínimo desnecessário. 

E saí cidade afora, fazendo ainda algumas voltinhas a mais para conferir áreas mais antigas com aquelas casas típicas portuguesas enfileiradas ao lado de igrejas dos séculos XVI e XVII. 

Quando voltei, estava encharcado – mas revigorado.

No final, não é a extensão de uma corrida ou o tempo sob os pés que faz as endorfinas agirem: é a capacidade de se extrair o máximo de cada passada, de cada minuto entre o céu (esteja ele seco ou molhado) e o solo (seja de asfalto ou de terra). 

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