Asfaltite aguda

Nunca fui exatamente radical quanto a corridas em trilha: para mim, o que importa mesmo é poder correr, é passar horas a fio cruzando percursos quaisquer imerso nos próprios pensamentos.

Nesse período, de treino pleno para o Caminhos de Rosa, tenho passado mais tempo no asfalto: é mais prático e abre espaço para rodagens mais “amplas”, por assim dizer.

Só há um porém: as paisagens das montanhas e trilhas estão realmente fazendo falta agora.

Talvez tente compensar um pouco treinando no Pico do Jaraguá amanhã… não sei ainda.

Mas essa asfaltite aguda realmente está pesada.

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Até o horto por novos caminhos

Esses últimos dias foram meio virtualmente ausentes. 

Virtualmente: foi só aqui, no blog, que sumi. E há uma desculpa para isso: com todas essas mudanças recentes no país, foi como se o ano pegasse no tranco e muitos dos projetos que estavam com freio de mão puxados subitamente se acelerassem. 

Com isso, claro, mergulhei feito um louco no trabalho – mas mantendo os planos de treino. Durante a semana, acabei totalmente recuperado e encaixei tudo o que queria. 

Hoje, sábado, escolhi uma rota diferente e fui correndo daqui até o Horto, dando um loop naquele que é um dos parques mais lindos de Sampa, na beira da Serra da Cantareira, e voltando.

Caminhos novos são sempre motivadores: abrem vistas inesperadas, revelam cenas diferentes e expõem uma cidade absolutamente diferente da que estamos acostumados. O caminho até o Horto teve disso, principalmente depois que cruzei o Tietê e me vi percorrendo a Braz Leme por um canteiro central que mais parecia um bosque.

De lá, entre curvas e cotovelos, acabei entrando no parque. Amplo, verdíssimo, com ares de mata virgem e trilhinhas perfeitas. 

Pausa para inevitáveis fotos. 

Pausa para respirar a Serra da Cantareira.

Pausa para repensar a semana.

Pausa para sentir aquela energia de missão cumprida, mesmo antes de voltar para casa, já com o Caminhos de Rosa em mente.

Vídeo: Indomit São Paulo/ São Bento do Sapucaí

Taí o vídeo de uma das corrida mais duras e belas que já fiz. Se alguém estiver pensando em um desafio sensacional pela inigualável Serra da Mantiqueira, recomendo fortemente. 

Até porque, provavelmente, esse é um que eu repetirei em 2017!

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Ainda bem.

Amanhã é dia de longão.

Dia para trocar o cansaço de lugar, da cabeça para as pernas.

Dia de suar uma semana inteira de adrenalina corporativa.

Dia de ficar horas a fio imerso no mais absoluto silêncio, interrompido apenas pelos sons dos passos contra a terra.

Dia de gastar todo o restante de bateria que resta no corpo pelo paradoxal propósito de recarregá-lo.

Dia de trocar prédios, correrias e elevadores pela imagem abaixo.

Ainda bem.