O barulho das primeiras horas

O plano era acordar quase tão cedo quanto ontem para ter as ruas, novamente, só para mim.

Não deu. Hoje foi daquelas manhãs em que sair da cama é tarefa praticamente impossível. Desde as 5, uma batalha entre o despertador e eu começou a se travar. No começo, foi leve, quase imperceptível; mas quando as pálpebras firmaram posição do lado dele, tudo ficou mais tenso. Desisti às 7, exausto do processo de aguardar que ele soasse para apertar o botão de snooze.

Às 7, no entanto, minha mulher levantou. Era dia dela levar a nossa filha para a escola e, como já havia um certo atraso no ar, tudo precisava ser feito às pressas.

E a pressa, claro, nunca é silenciosa. Passos apressados cruzavam o corredor, interrompidos apenas pelo som de louças se arranjando na mesa. Mais passos e vozes se encontrando no quarto ao lado. Debates breves sobre a roupa e sobre bonecas que minha filha queria levar para a escola. Leite sendo demandado; meias sendo procuradas; frases pedindo mais pressa se esbarrando em uma barreira de preguiça infantil aumentando os sons.

No quarto ao lado, em que eu ainda tentava (ingenuamente) dormir, o ar condicionado decidiu entrar em um modo esquisito de ligar e desligar a cada 5 minutos, adicionando assim barulhos rítmicos que tornavam a retomada do sono ainda mais impossível.

“Devia ter saído para correr”, pensava incessantemente. Pensar, no entanto, nunca foi sinônimo de agir.

De repente, de um minuto para outro, uma série de “tchaus” trouxe consigo o silêncio.

Estava só em casa.

Mas já era 8:30 e o despertador tocou novamente, desta vez me mandando trabalhar.

Levantei, exausto pela intensidade das batalhas e barulhos da manhã, com a cabeça latejando de dor e com muitas saudades do dia de ontem, quando madrugar para correr no parque foi algo tão simples e perfeito.

Quem sabe amanhã? O despertador, afinal, já está programado.

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Instituto Estrada Real entregará certificados de conclusão da Ultra

Todo mundo quer uma lembrança de algum marco importante da vida. E ultras, claro, são marcos – por mais experiente que seja o corredor.

No planejamento da Ultra Estrada Real, ter alguma coisa mais tangível para os concluintes é, sem sombra de dúvidas, “o” principal assunto nos emails que tenho recebido. E, por mais que deixemos claro que se trata de uma ultra independente, de um treino entre amigos, esse desejo permanece.

Procede. Eu também compartilho dele. Essa ultra, afinal, nasceu aqui no blog quase que como acidente e passou a somar dezenas de corredores – incluindo alguns dos meus ídolos nas longas distâncias.

A questão é: como organizar coisas como medalhas que, além de caras, demandam equipe para distribui-las e toda uma mecânica de controle?

Aparentemente, uma luz no fim do túnel apareceu graças à iniciativa de um dos corredores, o João Fialho, que fez a ponte com o Instituto Estrada Real.

Na semana passada eles me contataram com uma oferta perfeita: dar a todos os concluintes um certificado de participação da Ultra com a chancela do Instituto. E, como eles tem um escritório em Ouro Preto, a “entrega” fica muito, MUITO facilitada.

Ainda temos um série de detalhes a combinar – incluindo uma data limite de entrega da planilha de inscritos, que deve ocorrer até o final de março.

Mas, de toda forma, já há uma boa notícia: aparentemente, alguma “lembrança” haverá para guardarmos :-)

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Fechando uma semana decisiva

Semana pós-ultra costuma ser leve, sem muita intensidade para permitir que o corpo descanse e se recupere.

Não essa.

Seguindo a resolução de trabalhar mais a velocidade, até diminui o volume (embora mais por questões de trabalho que mataram o longão de ontem) – mas aumentei o ritmo.

Durante a semana, os paces médios nas tempo runs e intervalados – mesmo incluindo os semáforos que sempre atrapalham a vida – ficaram na casa dos 5’20″/km. Hoje saí para um longão de 21Km com mochila de hidratação cheia, somando quilos extras, e mantendo a meta de ficar abaixo dos 6’/km. Funcionou.

Com isso, essa semana de descanso acabou sendo uma espécie de redescoberta de um estilo de corrida onde velocidade conta tanto quanto volume. Costumo ser reticente quanto a isso dado que gosto – e muito – das horas passadas nas trilhas. Mas horas virão naturalmente: tudo é questão de aliar distância e percurso perfeitos.

O domingo, portanto, está bem fechado.

É tempo de aplicar esses ajustes no treino às próximas semanas – afinal, o calendário do primeiro semestre está mais que repleto de metas!

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O sábado que fecha um capítulo (e abre outro)

Faz tempo que não descanso em um sábado. Normalmente não curto isso: é um dia inteiro que considero perdido não apenas sob o aspecto do treino, mas (talvez principalmente) pelo bem que ele me faz ao proporcionar horas perdido nos próprios pensamentos e por caminhos diferentes da cidade.

Mas hoje, verdade seja dita, a realidade é outra.

Hoje estou encarando esse descanso mais como uma espécie de marco de diferentes fases de treino. Quando se coloca uma quebra mais brusca, mais radical, na rotina, se informa também ao corpo que algo está prestes a mudar – e essa informação acaba sendo vital para que ele se prepare melhor.

Hoje é como aquele momento de plena calma antes de alguma tempestade, com aqueles instantes mais elétricos em que tudo está prestes a acontecer – mas nada efetivamente acontece.

Hoje é o dia que marca o fim de um capítulo e o início de um outro, mais voltado para ganho de velocidade sem perda de endurance. Há duas ultras pela frente, afinal, e ambas ainda no primeiro semestre.

Hoje é hora de dizer ao corpo e à mente que está na hora dos dois ficarem mais sérios.

Começando por amanhã.

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Checkpoint: 50K de aventura adicionados ao currículo

Terminar uma ultra sempre dá uma sensação incrível de realização. Não importa tempo ou mesmo condições: importa apenas que ela foi devidamente vencida, gerando medalhas adicionais para as pernas e a mente.

Essa última, então, foi quase épica para mim: estava com noite virada, dores nas costas e nem imaginava que se tratava de uma corrida de aventura até me deparar com um rio a ser atravessado já nos primeiros quilômetros. A partir daí charques, mais rios, subidas e descidas íngremes e muita, muita lama apenas somaram a uma lista de obstáculos não imaginados.

Hoje, passado o primeiro dia, as dores finalmente começam a ceder (exceto pela unha de um dos dedos que, aparentemente, não quer mais ficar nele). Já estou andando normalmente e até encararia uma corridinha leve no final da tarde para abrir uma nova temporada. Mas evitarei: apesar de ter aguentado bem, principalmente por conta da (sábia) troca de um treino por uma massagem na quarta, preciso dar mais algum descanso à coluna.

Semana que vem ainda pegarei um pouco mais leve e, a partir de então, está na hora de focar os treinos na Ultra Estrada Real e em Comrades. Por essas, preciso começar a acrescentar mais velocidade aos longões, que tenho dedicado principalmente a corridas em ritmo baixo entrecortadas por pausas para fotos. De alguma maneira terei que conciliar as duas coisas, pois não quero abrir mão de nenhuma.

Mas, enfim, a estratégia para isso fica para a semana que vem. Por enquanto é hora de deixar o orgulho de ter finalizado a Serra do Mar dominar o restante do domingo!

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Vivendo no século XVIII

Quando cheguei em casa, subi as escadas até meu andar (por conta da falta de energia) e, antes de dormir, enchi um balde de água para poder tomar banho na volta da corrida do dia seguinte.

Saí cedo, na esperança de que pudesse contar com algumas gotas de água antes que os vizinhos acordassem para tomar os seus banhos.

Foi bom: os primeiros raios de sol estavam escondidos por algumas parcas nuvens e uma brisa súbita parecia querer enganar o verão. Pelo menos pelos primeiros cinco minutos.

Já nas primeiras irregularidades da calçada, causadas por uma árvore que caiu em função das chuvas, o clima esquentou.

As nuvens sumiram e o sol dominou o céu que, de tão azul, parecia artificial. Forte, intenso, inclemente.

Ao chegar no parque voei em direção a um bebedouro: nada. A água saía de maneira tão frágil que beber era impossível. Segui.

Exceto por alguns cruzamentos, mantive um ritmo forte. Ignorei a dor nas costas que, embora melhor, persistia, e uma sensação esquisita na biomecânica como um todo. Me sentia torto, desajustado, desalinhado. Mas bem o suficiente para prosseguir.

Pulei algumas outras árvores caídas, cumprimentei um amigo que voava no sentido oposto e tomei o rumo de casa. A essa altura, sob um sol impiedoso, estava já desidratado. “Pena que não há um riacho próximo”, pensei, crente que havia realmente voltado no tempo até o século XVIII.

Na volta, subi as ladeiras do antigo pântano que hoje abriga o bairro dos Jardins (mas que estava realmente mais parecido com um pântano) e, com alguma esperança de encontrar um chuveiro, entrei endorfinado pela porta de casa. A realidade foi mais frustrante.

O banho foi com levas de balde com água fria, talvez insuficiente para limpar o calor. “Mas pelo menos existiu, graças à precaução da noite anterior”, concluí. Ser precavido é essencial em tempos de escassez de conforto urbano.

Em seguida, me peguei tentando me lembrar onde havia deixado a tinta e a pena de escrever. Afinal, embora São Paulo houvesse decididamente retornado ao século XVIII, estava na hora de fazer um novo post aqui no blog.

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Os 3 Ibirapueras

Por mais que eu goste de explorar lugares novos e sair por aí desbravando trilhas, urbanas ou não, é sempre bom ter um lugar para chamar de casa. E, aqui em Sampa, esse lugar é o Ibirapuera.

É o ponto principal de meus treinos durante a semana, seja nas primeiras horas da manhã, às noites ou, em alguns raros momentos, no intervalo do almoço. É onde me sinto mais à vontade por conhecer cada uma de suas travessas e cada esconderijo e, claro, onde posso variar por diferentes percursos.

O Ibira, na verdade, pode ser dividido em três.

Primeiro, há a tradicional pista no interior do parque, totalizando 3km e que costuma ficar coalhada de corredores nos horários de pico ou finais de semana. Quer treinar velocidade? É perfeito. Desde que se tenha cuidado com ciclistas que, volta e meia, voam cortando caminho.

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A pista não é o meu lugar preferido. A trilha é.

Ela vai mais discreta, logo dentro da grade, e soma cerca de 5km entre zigues e zagues. Não é uma trilha técnica, obviamente: salve uma ou outra ladeirinha, o Ibira é relativamente plano. Mas, ainda assim, é uma trilha: tem pontos com lamas, árvores caídas servindo de obstáculos em alguns pontos, cheiros de floresta, silêncio e muito, muito menos corredores. Dá para sair muito mais livre, sentindo a corrida como ela realmente deve ser.

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Finalmente, há o percurso fora do parque, margeando a grade pela calçada. Tecnicamente, a distância não é muito diferente da trilha – mas há mais asfalto e, dependendo do ponto (principalmente na IV Centenário), ainda mais isolamento. A corrida por fora é uma espécie de mescla dos dois mundos: tem o asfalto do circuito e a distância da trilha, com trechos cheios (nos arredores dos pontos de ônibus) e vazios (nas zonas mais residenciais). E, claro, há iluminação – algo que falta na trilha por um motivo óbvio: é uma trilha.

Dia desses decidi fazer os três percursos no mesmo treino. Variar, afinal, faz bem – mesmo quando se está no percurso mais repetido de todos. Quer saber? Gerou uma sensação de “patrulha em torno da própria casa” quase inédita, como se eu estivesse oficialmente conferindo as “condições” do Ibira. Senso de propriedade é bom, faz bem – principalmente quando se está falando de um lugar tão importante para mim (e para tantos corredores paulistanos).

Fora isso, há ainda as surpresas que o parque prepara por ficar no coração de Sampa, como a iluminação incrível de Natal, os shows com as águas, os concertos que emanam música clássica cortando qualquer headphone aos domingos etc.

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Tem como não amar esse parque?

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Checkpoint semanal: A dor que persiste

Tenho tentado passar pela semana como se nada tivesse acontecido.

Fiz os treinos normais em quase todos os dias, com tiros, intervalados e longões. Acordei no horário de sempre, alternei algumas corridas matutinas com noturnas e fiz a trilha urbana habitual do sábado.

Mas a verdade continua ali, presente, incomodando: a dor na coluna que ganhei depois de um domingo carregando minha filha no ombro por mais tempo que deveria não sumiu.

Ela melhorou, é verdade – mas ainda existe.

Hoje, por exemplo, cortei um pouco o longão, reduzindo em cerca de 30 minutos e chegando ao final da semana com 75km rodados. Tempo bom, principalmente considerando as condições – mas preocupante por conta da necessidade de adaptação às incessantes “vozes do corpo”.

O que me anima é que, pouco a pouco, a dor – que some completamente enquanto estou correndo – está diminuindo no restante do dia. Na segunda, por exemplo, tomei analgésicos 4 vezes no dia; ontem, apenas uma vez; hoje, nenhuma – ao menos até agora.

E o ponto que mais preocupa, no curto prazo, é que no sábado que vem tenho uma corrida de 50K para correr aqui perto.

Os próximos dias serão mais leves por conta do período de tapering, buscando descansar as pernas. Torçamos para que as costas também descansem e fiquem melhores.

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Trilha Urbana: Parque Alfredo Volpi e Morumbi

Dentre os tantos lugares de Sampa que ainda faltava explorar, um já estava chamando mais atenção: o Morumbi.

Não é exatamente perto de onde moro e, em dias de semana, tem lá os seus problemas críticos com trânsito. Segurança também não é o forte: assaltos são frequentes na região da Giovani Groncchi, principalmente quando filas de carros ficam estacionadas esperando algum milagre que faça as entupidas artérias paulistanas voltarem a fluir.

Mas há um outro aspecto para tudo isso, um outro lado de toda a região. O Morumbi tem morros e ladeiras fortes, impondo um treinamento mais intenso do que o normal. É também um bairro altamente arborizado, com parques espalhados pelos quatro cantos colorindo ruas que, por si só, são inegavelmente bonitas, pontilhadas por casarões que mais parecem castelos.

O meu longão começou descendo a Rebouças, nas próximidades da Paulista, até atravessar o Pinheiros. É o mesmo caminho da USP – só que com uma virada à esquerda depois.

Um alerta aqui: por algum motivo, o Garmin simplesmente pifou na marcação do trecho, como pode ser visto abaixo. Para facilitar, desenhei uma linha azul no percurso real e coloquei “x” no fictício, traçado por ele. Essa falha “cortou” também 5km de percurso, para quem quiser entendê-lo melhor a partir do mapa no final do post.

Isto posto, prossigamos.

ao virar à esquerda, toda a paisagem começa a mudar: estamos no alto do Butantã, uma espécie de “pré-Morumbi”, com casas incríveis e cenários realmente lindos. Parece uma cidade inteiramente diferente de Sampa, tamanha a paz e a calma que emanam do bairro.

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Há uma espécie de ziguezague pelo Butantã até se chegar à Oscar Americano, avenida que dá no Parque Alfredo Volpi. Esse é um caso à parte: um enclave no meio de uma das zonas mais comerciais de São Paulo onde se pode encontrar – veja só – trilhas cortando trechos incríveis de mata atlântica. E quando digo trilhas, incluo aqui subidas, descidas, partes com single tracks e tudo mais. Há grupos de atletas profissionais treinando por lá, talvez por ser ainda um local pouco utilizado por corredores na cidade, o que dá uma sensação mais emocionante. Apenas para ilustrar, quase fui atropelado pela olímpica Ana Cláudia Lemos, que voou como um trem bala por mim, enquanto me esguelava para subir um trecho. Me senti uma mula velha cansada.

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Dei uma volta e saí. Meu destino agora era um parque próximo ao Palácio do Governo, no Morumbi.

O caminho era basicamente uma reta, passando pela Av. Morumbi e por um trecho pequeno da Giovani Groncchi. Lá há uma praça que mais parece um parque, a Vinícius de Morais, que permite uma volta relativamente grande por áreas muito, muito verdes e bem cuidadas.

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É um daqueles lugares que dá vontade de passar mais tempo curtindo, bebendo a energia dos outros corredores e sentindo uma espécie de calma incompatível com a região em dias que não sejam finais de semana.

Mas, claro, era hora de voltar.

Prolonguei: fiz um caminho diferente, entrando por outras ruelas que chamaram a atenção e voltando ao Parque Alfredo Volpi para mais uma volta.

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Foi uma espécie de despedida da região, do dia, de uma trilha urbana que me levou a lugares diferentes de todos os outros que havia corrido em Sampa até hoje. Houve de tudo, afinal: casarões, pontes sobre rios poluídos, trilhas na mata atlântica, palácio do governo. Presentes que só se encontra em percursos por cidades gigantes como Sampa.

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Trilha urbana: Sumaré, Jardim das Perdizes, Parque da Água Branca e Minhocão

Há um pequeno novo parque no centro de São Paulo, ainda com árvores novas e pouco sombreado, que dá o tom do bairro que está surgindo em seu entorno: o Jardim das Perdizes.

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O bairro em si ainda é um embrião: prédios residenciais, torres comerciais, shopping e hotel ainda estão sendo erguidos. Apenas o parque está efetivamente aberto e correr nos seus pouco mais de 1km é como testemunhar o nascimento de um novo pedaço da metrópole justamente em uma de suas áreas mais antigas: o bairro da Barra Funda.

Não dá para fazer um longão em um parque tão pequeno, claro – e por isso o Jardim das Perdizes é apenas o começo do percurso. Ou meio.

Afinal, chegar lá inclui subir até a Dr. Arnaldo, descer até a Sumaré e correr pela faixa do canteiro central – perfeita para o esporte – passando ainda pelo novo Estádio do Palmeiras.

Depois de lá dá para esticar ainda até o Parque da Água Branca, nas proximidades. Esse é, talvez, o mais exótico dos parques paulistanos por ser estabelecido em torno de construções muito bem cuidadas que datam de 1929, quando ele foi inaugurado como centro de exposições e estudos zootécnicos.

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Assim, passa-se por um estábulo (que, hoje, abriga algumas feirinhas gastronômicas), por um museu, por espaços de leituras, por um parquinho de diversões e muito mais. Tudo isso com eventuais galinhas cruzando o percurso como se estivessem em alguma fazenda no interior do estado.

Relembrando: estamos no centro de São Paulo.

O Parque da Água Branca não é gigante – mas é maior, claro, que o Jardim das Perdizes. E um percurso incluindo os dois, ligados ainda pela Sumaré e pelo Minhocão.

Pois é: aos domingos, aproveitar o Minhocão fechado para trânsito para voltar para casa é a opção perfeita.

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Resultado? Em um único percurso consegue-se cruzar uma via fantástica – a Sumaré – ver uma parte da cidade nascer, passar por um parque com ares de fazenda interiorana e terminar subindo o icônico Minhocão.

Nada mal para um domingo qualquer.

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