50K perfeito por São Paulo

A maior dificuldade, a meu ver, para treinos focados em ultras, é a inserção dos longões de pico na rotina.

Como nem sempre dá para encaixar provas de montanha na planilha, às vezes é necessário improvisar e gastar o tênis no asfalto da cidade. A questão é: por onde? Ficar dando voltas e mais voltas no mesmo circuito é, na melhor das hipóteses, tão eficiente quanto entediante.

Atravessar os extremos da cidade também é complicado uma vez que a distância entre alguns dos pontos praticamente puxa a preguiça.

O percurso ideal, portanto, tem que ser circular (evitando ao máximo se repetir trechos por muito tempo) e com metas praticamente equidistantes, deixando uma sensação constante de proximidade de linhas de chegada imaginárias.

No último sábado acabei forjando um percurso circular de 50K que considerei perfeito para isso – tanto que, embora tenha chegado obviamente cansado, ainda tinha gás para rodar mais.

O percurso está aí, abaixo, bastando que se clique neste link ou na imagem para acessar mais detalhes.

Screen Shot 2016-07-11 at 11.00.25 AM

Pontos importantes:

  • Saí, claro, de casa. Todo percurso de treino tem que largar de onde moramos, pois isso facilita (e muito) todo o processo.
  • O Google Maps é essencial: basta dizer onde quer ir, colocar o fone e ouvir as suas instruções enquanto se corre. Perfeito para pessoas perdidas como eu.
  • Um percurso desses tem ainda pontos em que se pode ampliar o trajeto, caso necessário. Dá para se somar mais uns 10K, por exemplo, passando a Ponte do Morumbi e esticando até o Parque Burle Marx, fazendo algumas voltas nas trilhas de lá e voltando; da mesma maneira, voltas maiores pelo Ibirapuera podem garantir mais alguns quilômetros e uma outra esticada até o Parque da Água Branca pode somar uns 5K.
  • Para o trajeto, marquei os seguintes pontos: Jardim das Perdizes – Parque Villa Lobos – USP – Parque Burle Marx via Av. Morumbi (sendo que cortei antes, na Ponte do Morumbi) – Parque Ibirapuera – Jardim das Perdizes.

Será provavelmente este o trecho que repetirei ao menos para os próximos dois longões que tenho.

 

Plano Estrada Real: Definindo a data

Hora de voltar ao Plano Estrada Real!

De todas as decisões, a mais difícil já foi tomada: o percurso. Serão 88km entre Santa Bárbara e Ouro Preto, preferencialmente com largada bem cedo e chegado ao cair da noite.

Tenho dois parâmetros para uma distância dessa: Comrades, com 89km, que fiz em pouco menos de 11 horas, e a Douro UltraTrail (DUT), de 80km, que fiz em pouco mais de 16 horas. E há uma diferença fundamental entre essas duas referências: por ser feita em asfalto, Comrades permite uma velocidade maior e, consequentemente, uma chegada ainda sob a luz do dia.

A DUT foi feita quase que inteiramente em montanhas, com um ganho altimétrico de 4,5 mil metros. Saí antes do sol nascer e cheguei bem depois dele se por.

Como não estarei em uma prova organizada, com fitas de marcação de percurso estabelecidas etc., chegar ainda com alguma luz do dia é importante. Estou considerando essa nova ultra com uma dificuldade intermediária entre as minhas duas referências – o que deve representar algo como 13 ou 14 horas de corrida.

Isso significa que, se sair às 5 da manhã, chegarei às 7 da noite. Não dá para dizer que contarei com a claridade absoluta – mas será o suficiente para me guiar em segurança até a “linha de chegada”.

Esse é o primeiro elemento importante na decisão da data de partida: quanto mais próxima do verão, mais tempo poderei contar com a luz do sol. Em tese, isso deixaria os meses de janeiro e fevereiro como ideais.

No entanto, fiz um levantamento climatológico e cheguei às tabelas abaixo:

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Os meses de novembro a março são os mais úmidos na região, com um acumulado que varia de 200mm a 320mm de chuva. E, considerando o nível da seca em que estamos agora aqui no sudeste, tudo indica que a chuva virá com fé.

Há um outro elemento nessa tabela acima que fica mais claro aqui:

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Apesar do calor não ser tão forte na região, ela começa a cair mesmo no mês de abril (variando entre 13,4 e 24 graus). Março é um pouco mais quente – mas a mínima de maio despenca para a casa dos 10 graus. Veja a flutuação aqui:

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Apenas para contextualizar, a situação ideal de uma ultra assim é:

  • Temperaturas mais amenas, suportáveis
  • Período com dias maiores do que noites
  • Clima mais seco, com uma probabilidade menor de chuvas

O período ideal, portanto, fica entre o meio de março e o meio de maio. Simples assim.

Mas falta uma outra coisa na análise: um feriado. Sim, porque abandonar o trabalho para correr no meio de Minas não é exatamente uma coisa simples!

Pelo calendário, no entanto, há um feriado que cai no começo de abril – e que pode ser PERFEITO: a sexta-feira santa, no dia 3 de abril. Não é exatamente o meio do mês, mas com certeza dá para o gasto.

Aliás, é até melhor do que a encomenda: as cidades da região costumam ficar incríveis nessa época por conta das celebrações religiosas mais tradicionais.

Resumo da ópera: data definida.

O Plano Estrada Real será executado no sábado, 4 de abril de 2015.

Dia 3 será destinado à organização local; dia 4, ao retorno para Sampa.

Perfeito.

Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.