Plano Estrada Real: Percurso escolhido

Depois de pensar e mastigar cada um dos roteiros, acabei não escolhendo exatamente nenhum deles. Pelo menos não da forma com que os planilhei.

Ao invés de partir de Ouro Preto, a ideia será chegar lá. Dica do Marcelo Juliani e que faz total sentido: achar pousadas nas pequenas cidades no meio da Estrada Real certamente será uma tarefa ingrata.

E, dentre os 3 caminhos, minha opção foi pelo segundo justamente pelas belezas que encontrarei lá. Ele será também o mais longo, com 87-88km – mas nada que, creio, não consiga encarar (até porque as altimetrias não são nem de longe tão tensas quanto as do Douro Ultra Trail).

Recapitulando, então, o percurso:

  1. Santa Bárbara > Catas Altas: K22
  2. Catas Altas > Morro da Água Quente: K28 (+6km)
  3. Morro da Água Quente > Santa Rita Durão: K40 (+12km)
  4. Santa Rita Durão > Bento Rodrigues: K51 (+11km)
  5. Bento Rodrigues > Camargos: K58 (+7km)
  6. Camargos > Mariana: K76 (+18km)
  7. Mariana > Ouro Preto: K88 (+12km)

Mapas altimétricos do percurso abaixo:

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Na prática, o trecho mais difícil mesmo será o final – que acumulará o cansaço dos quilômetros nas pernas com 10km de subida. Mas, até aí, há uma solução bem ao alcance: treinar.

Já separei também um kit completo com planilhas, arquivos de GPS e mapas de percurso. Todos estão abaixo para quem quiser baixar e visualizar. Cabe uma observação: os arquivos agrupam os 7 trechos em 5 para dividir melhor as distâncias. De toda forma, tudo está aí embaixo:

Mapas:

  1. Mapa1_SantaBarbara-CatasAltas
  2. Mapa2_CatasAltas-SantaRitaDurao
  3. Mapa3_SantaRitaDurao-Camargos
  4. Mapa4_Camargos-Mariana
  5. Mapa5_Mariana-OuroPreto

Planilhas:

  1. Planilha1_SantaBarbara-CatasAltas
  2. Planilha2_CatasAltas-SantaRitaDurao
  3. Planilha3_SantaRitaDurao-Camargos
  4. Planilha4_Camargos-Mariana
  5. Planilha5_Mariana-OuroPreto

Altimetria (versão para download):

  1. Altimetria1_SantaBarbara-CatasAltas
  2. Altimetria2_CatasAltas-SantaRitaDurao
  3. Altimetria3_SantaRitaDurao-Camargos
  4. Altimetria4_Camargos-Mariana
  5. Altimetria5_Mariana-OuroPreto

Percurso definido. Agora é escolher uma data.

Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

Para considerar seriamente em 2015: Mizuno Uphill Marathon

Por conta de outras metas, acabei essa prova de fora do meu calendário esse ano. No entanto, depois de ouvir alguns relatos de amigos e de ver esse vídeo, bateu uma vontade forte de participar da próxima edição.

Quem sabe?

Calendário das ultras mais iradas do mundo

Há alguns dias publiquei, no Rumo às Trilhas, a minha lista de desejos de provas mundo afora. Não dá para dizer que foi uma surpresa, mas a lista ficou muito, MUITO extensa. Conversei com alguns amigos, fiz algumas edições, pesquisei datas e acabei tirando umas corridas e acrescentando outras. Foi uma pesquisa difícil (embora deliciosa) devido ao grande número de provas e de informações espalhadas – mas acabei conseguindo compilar tudo e organizar em uma espécie de agenda aproximada.

E digo “aproximada” porque, obviamente, levarei provavelmente 10 ou mais anos para matar toda essa lista. Mas tudo bem: o importante é curtir e aproveitar cada passo da jornada.

Observação importante: os meses de realização foram postados com base em calendários de 2014 ou 2013. Pequenos ajustes em datas, claro, devem ocorrer em todas as provas nos próximos anos. 

CALENDÁRIO DE ULTRAS IRADAS PELO MUNDO:

JANEIRO:

FEVEREIRO:

MARÇO:

  • Two Oceans (56km – África do Sul): www.twooceansmarathon.org.za – obs.: em 2015, essa prova, sempre vinculada à Páscoa, ocorrerá em abril!

ABRIL:

MAIO:

JUNHO:

JULHO:

AGOSTO:

  • Ultra Trail de Mont Blanc – UTMB (53km, 101km, 119km, 168km, 300km – França, Suiça e Itália): www.ultratrailmb.com

SETEMBRO:

OUTUBRO:

NOVEMBRO:

DEZEMBRO:

 

Bom… tem ultras iradas todos os meses! Agora é escolher a próxima, vasculhar os bolsos e correr!!

A propósito, alguns vídeos de todas essas provas podem ser vistos compilados nesse post aqui.

Resultados oficiais da Douro Ultra Trail

Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.

Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.

Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.

Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!

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Douro Ultra Trail: missão cumprida!

Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!

Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.

A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.

Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.

Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.

Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.

O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.

Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.

Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.

Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.

Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.

Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.

E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.

Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.

Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.

E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.

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Nadando pelas ruas de outros tempos

A ideia era fazer um trote leve, de 45 minutos. 

Saí cedo, antes da pequena Ílhavo, ao norte daqui de Portugal, acordar, e segui rumo ao centro velho. Há uma pequena ciclovia que margeia um riacho até as proximidades da Câmara Municipal – caminho perfeito para quem não quer se perder – e que segui. 

Fluindo bem, quase flutuando. 

Até que a garoa que apenas ameaçava aparecer se transformou em uma tempestade de proporções bíblicas! E onde se esconder? Pelas ruelas medievais do centro, a opções são nulas.

Assim, preferi me entregar aos humores de Iansã e praticar um esporte entre a corrida e a natação. 

No começo, um leve medo de pegar alguma gripe logo às vésperas da DUT chegou a passar pela cabeça. Mas, depois de tanta corrida sob chuva – a última tendo durado 6 horas e meia – me liguei que esse medo era no mínimo desnecessário. 

E saí cidade afora, fazendo ainda algumas voltinhas a mais para conferir áreas mais antigas com aquelas casas típicas portuguesas enfileiradas ao lado de igrejas dos séculos XVI e XVII. 

Quando voltei, estava encharcado – mas revigorado.

No final, não é a extensão de uma corrida ou o tempo sob os pés que faz as endorfinas agirem: é a capacidade de se extrair o máximo de cada passada, de cada minuto entre o céu (esteja ele seco ou molhado) e o solo (seja de asfalto ou de terra). 

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Checkpoint 12: Parada final

12 semanas. 84 dias. 63 corridas em distâncias que foram de 6 a 46km em uma transição de ruas para montanhas que incluíram um aprendizado incrível, tanto para a vida normal quanto para a de corredor.

Parece besteira, mas a passagem do asfalto para as trilhas ensina a conviver com variáveis incontroláveis; a deixar o cálculo um pouco de lado e a pensar no caminho; a considerar que uma jornada não é só uma linha entre ponto A e ponto B, mas todo um contexto tridimensional em que terreno, altimetria, clima, e foco mental se somam em uma experiência única.  

Há coisas que ficam conosco para sempre: esses três últimos meses incluem isso. Ou melhor: todo esse ano que, somando longões em treinos, já somou algo na casa de 6 maratonas e ultras, foi incrível. E isso porque estamos apenas em setembro. 

Ainda é cedo para comemorar: para fechar essa jornada, há ainda 80km pelas montanhas do Douro, cortando a Serra do Marão e passando por aldeias medievais, bebendo a paisagem das vinículas em plena época de cultivo e varrendo, com olhos e pernas, a região demarcada mais antiga do mundo. 

De toda forma, já com a linha de chegada em vista, este é o último checkpoint.

Fechado com um trote leve de 45 minutos sob uma chuva bíblica pelas ruas estreitas de Ílhavo, pequena cidade próxima ao Porto.

Agora é entrar na semana que vem apenas esquentando os músculos para o próximo sábado. 

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A estranha leveza da alta intensidade

Manhã cedo em Sampa, garoa começando a ceder, sol começando a sair por entre uma mescla de núvens e noites. 

Perfeito para a última sessão de tempo runs em solo brasileiro: amanhã embarco para Portugal, já tendo a Douro Ultra Trail como meta. 

E, saindo da fase de pico de treino, com 100km acumulados nos últimos sete dias, realmente achei que seria mais difícil. Talvez pela falta da mochila de hidratação, já devidamente guardada na mala, ou pelo clima absolutamente favorável lá fora, acabei sentindo uma leveza impressionante na rua. 

A primeira subida de ritmo veio logo depois dos 5 minutos de aquecimento: 30 minutos fixos a um pace encaixado na casa dos 4’30″/km. Fosse a dois dias atrás, seria porrada pura. 

Hoje, foi bem vindo. Não vou dizer que não deu para sentir nada – mas posso afirmar que foi bem mais light do que imaginava mesmo hoje cedo, quando levantei da cama forçado pelo despertador insistente. 

Depois uma pequena pausa para trote e mais 20 minutos de tempo

Desta vez fui por dentro do parque do Ibirapuera e não por fora de sua grade como fiz na primeira volta, buscando uma distância maior para alinhar o plano de 1h30 de treino. 

Também leve. 

Quando os 20 minutos passaram cheguei a manter o ritmo por mais alguns instantes, mas acabei desistindo ao chegar em um cruzamento. 

Aí foi administrar o trote final que, claro, incluiu a já tradicional subida da Ministro. Mesmo ela, devo dizer, foi mais fácil. 

A que devo toda essa relativa tranquilidade em um treino que deveria ser tão intenso? 

Talvez a certeza de que as fases mais duras de todo esse processo já passaram. Talvez o sentimento de que estou, de fato, preparado para a ultra trail – ao menos dentro das possibilidades. 

Talvez a proximidade da viagem, que põe uma espécie de ponto final a uma meta que começou em junho. 

Seja lá o que for, foi bom. E absolutamente reconfortante. 

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A hora perfeita para se correr em Sampa

Há um horário perfeito para sair para longões durante a semana – um horário em que se consegue testemunhar tantas fases do mesmo dia que parece que você ficou fora por praticamente todo ele. 

Ontem tinha um longo mais tenso programado, com duas horas em gás total, e acabei saindo às 6:30. 

Apesar de não ser, exatamente, madrugada, as ruas ainda estavam vazias e começando a acordar. Nem as velhinhas que costumam passear com seus cachorros logo cedo estão à vista a essa hora: apenas alguns motoristas fugindo do rodízio, operários entrando nas obras e, claro, corredores rumando silenciosa e ritmadamente até o parque. 

Assim começa uma terça qualquer em Sampa.

Uma vez no parque, pode-se testemunhar a mudança na população com o passar das horas. Os primeiros corredores, mais sérios e rápidos, começam a sair pelos portões e cruzar com os mais casuais. Nos semblantes, saem preocupações com pace e entram preocupações com saúde. 

Bikes começam a aparecer, ainda tímidas. Um ou outro casal aparece caminhando junto. 

Do lado de fora, o silêncio quase absoluto cede espaço a buzinas e freios de ônibus. O céu azul, que até então reinava sozinho sobre a paisagem, agora vira coadjuvante do barulho típico de qualquer grande urbe. 

É hora da pressa. 

O sol, irritado com o barulho, começa a queimar. Ignora que é inverno e simplesmente brilha, afastando toda e qualquer nuvem. 

Algumas horas depois, os corredores casuais também já seguem seus rumos e deixam o parque para estudantes secundaristas que, aparentemente, tentam ignorar as aulas. Sem tantas passadas e com alguns beijos escondidos, o parque fica mais só. Mais sigiloso. Escondido. Esquecido. 

Os carros abarrotados no tráfego transformam a saída em uma espécie de desafio: há que se esgueirar por ônibus, observar motos que cismam em ignorar faixas de pedestres e tapar os ouvidos para gritos de motoristas enraivados que se acham donos da cidade. 

Sampa está a toda. 

A mente já começa a se desconectar do asfalto: pouco a pouco, as tarefas do dia começam a se desenhar. Decisões a serem tomadas, reuniões a serem enfrentadas, prazos a serem cumpridos. Não há nada de zen no final da corrida: há a mais pura rotina de uma cidade grande. 

Entre um e outro passo, entre um e outro compromisso mental, imagens da família que ficou dormindo e que, agora, já estava dividida entre trabalho e escola. 

Hora de trocar de roupa e virar um daqueles motoristas atrasados. 

Há tanta vida inserida em duas horas de corrida que fica difícil não se apaixonar por cada segundo passado aqui, nesta incrível cidade tão cheia de contrastes. 

Assim como é difícil não torcer para que o dia transcorra e termine de maneira tão intensa quanto ele começou. 

Sampa é incrível.

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