Checkpoint: Reset total

Semana de recomeço: queda brusca no volume, diminuição na gana por velocidade e, ainda assim, articulações duras e cansaço correndo pelo corpo.

Não dá para dizer que foi uma semana fácil, motivadora – mas, assim como em dias de prova, é preciso estar sempre preparado para tudo. E, se é verdade que houve um erro de cálculo no treinamento que me fez atingir o pico cedo demais, é também verdade que há tempo para remediar.

Tenho pouco menos de um mês para a Ultra Estrada Real e quase 3 para a Comrades.

O foco total agora está em crescer o volume aos poucos, manter o pace médio próximo ao que está hoje (para evitar novos exageros) e recuperar a motivação que acabou vazando com os tempos difíceis.

Um passo de cada vez: e essa semana foi apenas o primeiro.

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Recomeçando, parte 2: de volta à USP

É impressionante como o corpo da gente reage depois de alguns meses de estresse e intensidade plenos. Já disse isso antes e não quero ser repetitivo, mas o tempo que estou levando para me recuperar desta temporada está acima das minhas mais pessimistas expectativas.

Corri bem pouco na semana passada justamente para dar tempo ao tempo e pegar de volta aquele impulso fundamental de ir para as ruas – impulso que, diga-se de passagem, parecia ter entrado de férias.

Depois de um tempo, a respiração foi acalmando.

A ansiedade, baixando.

O pulso, voltando ao normal.

E, assim, voltei para as ruas com ares de quem estava matando saudades.

Perfeito.

O corpo, no entanto, discordou um pouco. Ficou gripado, aparentemente em um último ato de revolta.

Desconsiderei.

Hoje, fui à USP pela manhã. Quem mora em Sampa sabe que a Universidade de São Paulo é uma das mecas da corrida em final de semana: o local é arborizado, bonito, bem cuidado e com todo tipo de terreno, de subidas íngremes a trilhas escondidas (como a da foto abaixo).

No total, fiz algo na casa dos 25km – meu maior longão desde a Maratona.

Serei sincero: o rendimento foi BEM abaixo do esperado. Travei em um pace de 6’20″/km e ainda tive que andar em um pequeno trecho na volta para casa. Cansei mais do que o usual e senti o corpo excessivamente pesado, quase que se arrastando.

Mas, depois que cheguei em casa, uma coisa esquisita aconteceu: entre ofegações suadas e pulsações corridas, um sorriso simplesmente brotou no rosto por ter completado o longão. E não foi um sorriso de alívio por ele ter terminado: foi de satisfação por ele ter existido. Uma diferença bem importante.

Na mesma hora, o pensamento sobre o desenho do percurso do dia seguinte veio à mente. Ótimo: olhar para o futuro, mesmo que de curtíssimo prazo, é sempre um bom sinal.

Ainda assim, arquivei o pensamento para depois. Era hora de voltar à rotina de regeneração pós-treino.

Gripe? Ela ainda existe e vai sentir um pouco o esforço de hoje, claro. Mas passará.

Não nego que o corpo estava pedindo algum tempo de descanso a mais. Mas ele não pode ser o único a tomar as decisões, certo?

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Recomeçando

Tempo, dizem, é um santo remédio.

Estou terminando esta temporada com um nível de cansaço tão grande que cheguei a me questionar se estava mesmo a fim de sequer pensar em fazer outra ultra ou mesmo maratona.

Acordar cedo passou a ser difícil, correr virou um suplício, dores musculares vinham com uma facilidade incompreensível. Pelo que sorvi da Web, há um sem número de nomes para esses sintomas. Todos, no entanto, se traduziram em apenas um na minha cabeça: cansaço.

E há apenas um remédio eficaz para o cansaço: descansar.

Passei as últimas duas semanas em ritmo leve, sem olhar para a planilha ou mesmo falar com o meu técnico. Corri com bem menos frequência e apenas nos finais de tarde, iluminados pelo horário de verão.

Ignorei o conceito de uma planilha.

Procurei não treinar nada. Apenas me manter minimamente ativo.

Sem provas no horizonte, a pressão foi inexistente – assim como qualquer tipo de ansiedade por digerir quilômetros e ladeiras.

Em paralelo, me debrucei sobre a Web e comecei a explorar novos roteiros, alimentando a alma com pura motivação. Foi onde surgiu o Plano Estrada Real, que está ficando mais concreto a cada dia que passa.

Nessa toada, o tempo foi ficando para trás assim como a exaustão que, aos poucos, acabou cedendo.

Hoje, sexta, não dá para dizer que estou novo e pronto para encarar as trilhas com sangue nos olhos.

Ainda estou no gerúndio.

O remédio do tempo, no entanto, parece estar funcionando.

No caminho para o aeroporto ontem, às cinco da manhã, vi alguns poucos corredores amanhecendo com o sol e trotando aos passos de seus pensamentos.

Surpreendentemente, deu saudade.

E inveja.

Bom sinal: talvez já seja mesmo hora de pensar no recomeço.

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Checkpoint 11: Semana de pico cumprida e corpo recuperado

Foi uma semana intensa – tanto no trabalho quanto em casa e nas ruas! Nada mais apropriado, diga-se de passagem, para um treinamento para ultra.

Foram apenas três treinos, verdade – mas todos muito bem aproveitados e, em uma palavra única, intensa.

O lado bom é que estou saindo inteiro, sem praticamente nenhuma dor – nem mesmo muscular, mesmo um dia após o principal longão. Acredito que seja o corpo se acostumando à rotina de ultras, o que significa uma recuperação maior em um tempo menor. Bom: esse aprendizado físico certamente será útil no futuro!

Enquanto isso, é hora de organizar a partida para Portugal, já nesta sexta. A meta está chegando perto.

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Hora de virar a página

3 para dentro, 2 para fora; 3 para dentro, 2 para fora; 3 para dentro, 2 para fora.

Como o ritmo de respiração, a corrida do domingo foi fazendo o corpo voltar ao velho estado.

Saí tarde, quase meio dia, para aproveitar o sol que brilhava forte: poucas coisas me empolgam tanto quanto um céu azul e um calor que beire o lúdico.

O objetivo era me medir, testar a recuperação, saber se já estava pronto para a nova fase do treinamento.

E segui, inicialmente a passos tímidos, na casa dos 6’30″/km. Não forcei: esperei as endorfinas fazerem efeito.

Cruzei a Groenlância, atravessei a 9 de Julho, Brigadeiro, entrei no Ibira. Fui pela trilha de fora para desviar da multidão do domingo.

Entre caminhos de terra batida e galhos, a empolgação foi batendo. Check-up mental: nenhum sinal de nenhum tipo de dor.

Olhei para o relógio: 5’07″/km sem esforço, relativamente tranquilo.

Administrei. Rodei o parque pela trilha, sem vontade sequer de parar para beber água. Estava pronto.

Caminho de volta. Subida da 9 de Julho até a Brasil em pace de tempo.

Da Brasil à Estados Unidos, entrando na Bela Cintra e chegando em casa. Perfeito.

Tudo já estava normal.

Primeira providência pós-treino: mandar um mail para o Ian Corless, novo treinador que me guiará por essa transição para as trilhas, com apenas duas palavras: “Estou pronto.”

Que comece a nova semana!

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