Vídeo-documentário da Douro Ultra Trail no ar

Para fechar com chave de ouro o excelente trabalho da organização, eles montaram um vídeo com o histórico da prova. Para quem estiver pensando em viajar ao Douro no ano que vem, certamente não faltarão argumentos ao ver esses poucos mais de 6 minutos…

Resultados oficiais da Douro Ultra Trail

Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.

Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.

Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.

Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!

Screen Shot 2014-09-15 at 7.15.46 PM

Douro Ultra Trail: missão cumprida!

Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!

Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.

A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.

Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.

Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.

Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.

O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.

Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.

Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.

Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.

Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.

Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.

E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.

Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.

Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.

E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.

IMG_5385.JPG

IMG_5386.JPG

IMG_5387.JPG

IMG_5384.JPG

IMG_5391.JPG

IMG_5389.JPG

IMG_5388.JPG

IMG_5390.JPG

IMG_5394.JPG

IMG_5393.JPG

IMG_5392.JPG

IMG_5395.JPG

IMG_5396.JPG

IMG_5397.JPG

IMG_5399.JPG

IMG_5398.JPG

IMG_5400.JPG

IMG_5403.JPG

IMG_5402.JPG

IMG_5401.JPG

IMG_5410.PNG

IMG_5423.JPG

IMG_5424.JPG

Por enquanto, a expectativa é de tempo bom na DUT

Diferentemente de uma corrida de rua, o clima tem uma importância sempre determinante nas trilhas. 

Não que uma corrida com chuva torrencial ou sol senegalês não faça a diferença nas ruas: as duas maratonas do Rio que participei, uma em cada uma dessas condições, foram realmente complicadas. 

Mas nada se compara a enfrentar uma trilha na montanha sob tempestado – o que inclui lama e escorregões. 

E, pelo menos até agora, a expectativa é boa. Que se mantenha assim!!!

Screen Shot 2014-09-04 at 6.07.17 PM

A estranha leveza da alta intensidade

Manhã cedo em Sampa, garoa começando a ceder, sol começando a sair por entre uma mescla de núvens e noites. 

Perfeito para a última sessão de tempo runs em solo brasileiro: amanhã embarco para Portugal, já tendo a Douro Ultra Trail como meta. 

E, saindo da fase de pico de treino, com 100km acumulados nos últimos sete dias, realmente achei que seria mais difícil. Talvez pela falta da mochila de hidratação, já devidamente guardada na mala, ou pelo clima absolutamente favorável lá fora, acabei sentindo uma leveza impressionante na rua. 

A primeira subida de ritmo veio logo depois dos 5 minutos de aquecimento: 30 minutos fixos a um pace encaixado na casa dos 4’30″/km. Fosse a dois dias atrás, seria porrada pura. 

Hoje, foi bem vindo. Não vou dizer que não deu para sentir nada – mas posso afirmar que foi bem mais light do que imaginava mesmo hoje cedo, quando levantei da cama forçado pelo despertador insistente. 

Depois uma pequena pausa para trote e mais 20 minutos de tempo

Desta vez fui por dentro do parque do Ibirapuera e não por fora de sua grade como fiz na primeira volta, buscando uma distância maior para alinhar o plano de 1h30 de treino. 

Também leve. 

Quando os 20 minutos passaram cheguei a manter o ritmo por mais alguns instantes, mas acabei desistindo ao chegar em um cruzamento. 

Aí foi administrar o trote final que, claro, incluiu a já tradicional subida da Ministro. Mesmo ela, devo dizer, foi mais fácil. 

A que devo toda essa relativa tranquilidade em um treino que deveria ser tão intenso? 

Talvez a certeza de que as fases mais duras de todo esse processo já passaram. Talvez o sentimento de que estou, de fato, preparado para a ultra trail – ao menos dentro das possibilidades. 

Talvez a proximidade da viagem, que põe uma espécie de ponto final a uma meta que começou em junho. 

Seja lá o que for, foi bom. E absolutamente reconfortante. 

Captura de Tela 2014-09-04 às 08.46.49

 

 

Semana de pico, longão 3: tanque zerado!

Hoje não madruguei: estava já tão cansado de uma semana absolutamente abarrotada de trabalho e com treinos às 5 que decidi sair apenas às 8. Foi bom: deu para aproveitar um pouco as horas extras de sono e sair um pouco mais inteiro do que estava na noite anterior.

Sol a pino, tempo tão seco quanto no Saara e um prospecto de passar 5 horas na rua: o que mais um corredor pode desejar? :-)

E fui, assim, até a USP, fazendo as 4 voltas planejadas, acrescentando uma na trilha logo antes da subida do Matão e voltando para casa. No caminho deu para sentir o efeito do tempo seco: acabei com toda a água da mochila de hidratação e tive que comprar duas garrafinhas extras, aumentando o consumo para muito além do meu normal. Pelo corpo inteiro, a evaporação quase instantânea do suor deixou uma camada de sal pelas alças da mochila, pela camisa e pelo rosto.

Lá pelo quilômetro 36, uma dor de cabeça mais intensa começou a bater e a forçar algumas pausas para caminhada.

Esse momento, quando o corpo começa a implorar por clemência, é o mais chave em todo treinamento para ultra. É quando deixamos o físico de lado e começamos a exercitar a mente, fazendo-a comandar os passos com uma mescla de pensamentos sobre qualquer coisa, de mantras repetidos incessantemente, de paisagens, de foco.

Há dois segredos envolvidos nessa etapa. O primeiro é nunca, absolutamente nunca, parar. Todo passo dado deve ser em direção ao destino final. O segundo é ter claro que a dor sempre passa rapidamente – mas a frustração de não ter completado o percurso fica por um bom tempo.

Parecem coisas óbvias, mas funcionam bem quando se está somando quilômetros e mais quilômetros sobre pernas que já largaram cansadas dos dias anteriores.

E, com isso, cheguei ao final: foram 5h22 onde completei um total de 46,64km. Não chegou a ser uma relação tempo x distância que me orgulhe, verdade seja dita: mas foi o que o dia pôde me dar dadas todas as circunstâncias.

Agora, em casa, estou moído, sem combustível algum e com dores subindo pelas pernas e costas. Mas, como disse, elas passam.

O importante é que a semana de pico foi devidamente vencida e que, agora, há tempo para que eu me recupere dela e largue inteiro na DUT.

official-fuel-consumption-figures-explained-28468_1

Único brasileiro na Douro Ultra Trail

É… aparentemente, a DUT não é a prova mais famosa aqui por essas bandas! Tudo bem: na prática, ela está apenas em sua segunda edição, sendo que a primeira teve um percurso diferente (e mais curto).

Peguei as infos abaixo do site deles:

  • Minitrail de 15km: 223 inscritos (222 portugueses e 1 espanhol)
  • Trail de 44Km: 196 inscritos (190 portugueses, 4 espanhóis, 1 belga e 1 italiano). Há uma observação importante aqui: originalmente, o percurso do trail era de 40km, tendo sido ampliado por questões logísticas. Alguns inscritos manifestaram nas redes a intenção de abandonar a prova, o que significa que esse número deve cair um pouco.
  • Ultratrail de 80km: 109 inscritos (107 portugueses, 1 belga e 1 brasileiro – eu)

No total, portanto, há 528 inscritos – o que faz da DUT uma prova de tamanho respeitável principalmente dado o seu tempo de vida. Pena só ter eu de brasileiro lá – mas tenho certeza que os irmãos do além-mar me receberão bem :-)

Douro Ultra Trail

Percurso da Douro Ultra Trail visto de cima

Dia desses, navegando pela Fan Page da organização da DUT, acabei me deparando com uma série de imagens do percurso feitas de helicóptero. Esta fase de agora, de finalização de todo o processo de transição que começou na semana seguinte a Comrades, é feita de plena e irrestrita ansiedade pela prova-alvo. Isso inclui beber imagens, vídeos, ouvir histórias, conversar com corredores locais etc.

E, claro, uma oportunidade assim de ver essas imagens certamente não ficaria de fora. Veja algumas das imagens abaixo – e, se quiser acessar o álbum completo, clique aqui.

Screen Shot 2014-08-24 at 7.18.46 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.18.55 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.04 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.11 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.19 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.27 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.35 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.45 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.19.53 PM Screen Shot 2014-08-24 at 7.20.01 PM

(e nada impede também de rever o vídeo promo da prova, abaixo):