Único brasileiro na Douro Ultra Trail

É… aparentemente, a DUT não é a prova mais famosa aqui por essas bandas! Tudo bem: na prática, ela está apenas em sua segunda edição, sendo que a primeira teve um percurso diferente (e mais curto).

Peguei as infos abaixo do site deles:

  • Minitrail de 15km: 223 inscritos (222 portugueses e 1 espanhol)
  • Trail de 44Km: 196 inscritos (190 portugueses, 4 espanhóis, 1 belga e 1 italiano). Há uma observação importante aqui: originalmente, o percurso do trail era de 40km, tendo sido ampliado por questões logísticas. Alguns inscritos manifestaram nas redes a intenção de abandonar a prova, o que significa que esse número deve cair um pouco.
  • Ultratrail de 80km: 109 inscritos (107 portugueses, 1 belga e 1 brasileiro – eu)

No total, portanto, há 528 inscritos – o que faz da DUT uma prova de tamanho respeitável principalmente dado o seu tempo de vida. Pena só ter eu de brasileiro lá – mas tenho certeza que os irmãos do além-mar me receberão bem :-)

Douro Ultra Trail

Checkpoint 10: Entreposto, descanso e preparação

Não dá para dizer que esta foi uma semana intensa: rodei pouco menos de 6 horas, não cheguei sequer a 60km e nem atingi os mil metros de ganho altimétrico acumulado.

Ainda assim, foi uma espécie de desaceleração importante por ter vindo logo depois da semana da Indomit que, sob chuva e quedas, deixou as suas marcas no corpo.

Depois de um dia de descanso, as dores musculares realmente evaporaram como que por milagre. Creio que esse volume de corridas longas e provas complicadas estejam fazendo o corpo aprender a se recuperar em intervalos menores, algo sempre bem vindo.

Por outro lado, o desaparecimento das dores musculares fez aparecer uma dor que deveria estar meio escondida até então, fruto de uma das quedas mais pesadas da Indomit onde acabei dobrando meu joelho esquerdo com a mesma “determinação” que um ginasta olímpico. Na hora, lembro que doeu e que falei para mim mesmo que me lembraria daquele momento no futuro próximo – ou seja, agora. Mas não há de ser nada demais (espero): afinal, estou conseguindo fazer os treinos normalmentee, aos poucos, ela está seguindo o seu rumo em direção ao esquecimento. Torçamos para que não demore a chegar lá.

Fora, isso, estou inteiro e pronto para a próxima, encarando este momento entre provas, este entreposto, como ele deve ser.

Semana que vem será o pico do treino para a Douro Ultra Trail e contará com 3 treinos intensos: dois longões de 2h30 cada (terça e quinta) e outro de 5 horas no sábado, onde provavelmente irei na USP. 10 horas em três dias, portanto, incluindo aí um ou outro tiro no meio do primeiro longão.

Feito isso, é administrar a aterrissagem até a largada da DUT, na serra portuguesa. Que bom: a ansiedade por atingir essa meta já está começando a se construir de forma determinante!

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O difícil planejamento do período entre provas

Quando se está entre duas provas alfa, há uma sensação de tempo. Desde que terminei Comrades e me inscrevi na Douro Ultra Trail pude organizar treinos, planejar provas de teste e preparar todo o caminho entre ponto A e ponto B. 3 meses pareciam longos o suficiente para qualquer preparo.

O problema não estava aí, entre a Comrades e a DUT.

O problema está entre a última prova teste e a alfa – principalmente quando os cronogramas são apertados.

No meu caso, entre a Indomit, no sábado passado, e a Douro Ultra Trail, em três semanas.

Hoje é quinta – e, claro, estou ainda em processo de recuperação dos danos causados ao corpo por 6 horas e meia de corrida em 42km de trilhas absolutamente encharcadas e técnicas. As pernas doem, os joelhos incomodam, os pés ardem.

Os treinos desta semana até estão mais leves do que o normal – só que, sendo franco, apenas mais dias de descanso absoluto me deixariam em forma de novo. Dias que, pela proximidade dos 80km do DUT, eu não tenho.

Então, esta semana, estou convivendo com a dor. Treinei leve na terça e quarta, com uma pausa hoje (por conta principalmente de uma viagem bate-volta a trabalho, eliminando a chance de dormir um pouco mais). Amanhã, sexta, tenho intervalados; sábado, um longo de 2 horas; e domingo, um regenerativo leve.

Se tudo der certo, a dor e a fadiga serão gerenciados de maneira a irem diminuindo levemente, aos poucos, até ficarem mais suportáveis. Pelo menos esse é o plano.

Segunda é dia de descanso e de esperança de estar “zerado” – ao menos dentro do minimamente plausível.

A semana que vem, por sua vez, será a mais chave de toda a reta final rumo à DUT, com três longões inseridos em 5 dias.

Só que descobri que, quando se está no extremo da exaustão, a mente deve se focar no curto prazo, em vencer um dia de cada vez. Semana que vem é outra história.

Por enquanto, a meta inclui me concentrar no corpo e na presença desta linha tênue entre a manutenção do treinamento e a possibilidade de lesão. Por enquanto, todo o esforço deve ser feito para me manter em um único pedaço, inteiro, saindo da zona de perigo o quanto antes (mas sem pânico ou afobações que possam prejudicar o objetivo final).

Calendários curtos entre provas alfa tem disso: afinal, são 3 meses entre correr os 90km de Comrades, transicionar para as trilhas e partir para 80Km nas montanhas portuguesas. Talvez eu realmente tenha sido agressivo demais, quase descuidado. Talvez precisasse mesmo considerar um tempo maior para este processo todo.

Mas, como chorar o leite derramado não adianta, é hora de respirar fundo, me concentrar no próprio corpo e nos desafios diários.

É hora de seguir em frente.

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Clima animador para a Indomit?

Já fiz algumas provas sob chuva pesada (como a Maratona do Rio de 2012) e sob ventos de mais de 50km/h (Ultra de Two Oceans, 2013). Mas todas elas foram sempre no asfalto, o que ajuda a ter um tipo de controle maior do ritmo e das circunstâncias como um todo.

Em trilha, claro, isso muda. Para começo de conversa, há lama. Muita lama, dependendo da água que vier de cima.

Há trechos escorregadios, poças que podem ficar do tamanho de pequenas piscinas e assim por diante. Na minha cabeça, aliás, passar por uma prova de trilha com condições pouco convidativas é uma experiência que todos deveriam ter.

Mas poxa…. não precisava ser exatamente na minha estreia em corridas de trilha mais longas!

Ontem à noite olhei a previsão para Bombinhas no sábado, data da Indomit: 90% de chance de chuva!

Parece que os 42km serão (literalmente) regados de mais emoção e com mais dificuldades! Não vou dizer que fiquei entusiasmado com isso não… mas, também, não dá para negar que essa falta maior de controle sobre fatores externos faz parte da graça de se correr em trilhas.

Tendo dito isso, que venham o sábado e a Indomit! E que cheguem com toda a ira que uma trilha insana tiver para mostrar!

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Indomit Bombinhas: Mapas, altimetria, vídeos e mais

Já cozinhando ansiedade pelo Indomit Bombinhas, resolvi juntar aqui no blog um compilado de materiais relevantes que achei pela Web. Diferentemente de outras provas de trilha, o que mais surpreende desta é o alto nível do conteúdo disponibilizado pela organização e por outros corredores, algo que certamente ajuda a manter alta a empolgação!

Bom… vamos ao que há:

Mapa do percurso, abaixo (link direto aqui):

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Vídeo oficial do percurso:

Percurso K42 Bombinhas Adventure Marathon from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

Altimetria:

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Raio-X técnico:

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Especial K42 feito pelo Corrida no Ar (partes 1 e 2):

Cobertura da edição de 2013:

Pronto: material mais do que o suficiente para entender a prova. Agora só falta correr :-)

Vídeo com dicas para a Indomit K42 Bombinhas

Empolgado pelo vídeo de ontem, sobre o DUT, acabei acordando para o fato de que minha preocupação maior deveria ser a Indomit K42 que, afinal, acontece neste sábado!

Pelo jeito, será uma corrida com direito a muita chuva, lama e todo tipo de dificuldade que serve como boas vindas para novos corredores de trilha como eu. Como o vídeo da prova tem apenas imagens promocionais, busquei um da MidiaSport mais interessante, com relato gravado ao longo da prova e ilustrando melhor os seus altos e baixos. Para quem se interessar vale conferir abaixo.

(O post feito pelo Enzo Amato também é bem interessante e pode ser acessado clicando aqui.)

Video da Douro Ultra Trail no ar

Toda prova-alvo tem uma coisa em comum: a ansiedade de quem pretende corrê-la. E, quando a organização sabe capitalizar em torno disso, essa ansiedade cresce ainda mais.

Capitalizar, nesse caso, significa gerar imagens, posts em redes sociais e, principalmente, vídeos que deixam o corredor com água na boca, contando os dias para a largada. A organização da Douro Ultra Trail – minha prova alvo em todo esse processo de transição do asfalto para as trilhas – acabou de fazer isso com um vídeo muito, muito bem montado. Vale conferir abaixo:

Douro Ultra Trail: infos, fotos e percurso

Ontem à noite a equipe organizadora do Douro Ultra Trail atualizou o site com algumas informações sobre a prova, mapas novos e um mar de fotos.

Não posso mentir: realmente ainda estou com um pouco de medo de encarar 80km de trilhas pelas montanhas, somando 4,5 mil metros de ganho altimétrico.

Mas, aos poucos, esse temor está se convertendo em ansiedade. Basta ver as imagens do percurso, aliás, e isso fica bem fácil.

Os 80km incluem atravessar a região do Rio Douro, possivelmente a parte mais bela de Portugal, justamente na época de colheita de uvas para o vinho. Inclui cruzar a magnífica Serra do Marão passando por aldeias antigas e atravessando pontes feitas pelos romanos. Inclui ver algumas das paisagens mais marcantes de toda essa região da Europa, mesclando natureza a história em um equilíbrio perfeito.

A essa altura faltam poucas semanas. 2 meses, para ser exato, já que a largada será no dia 13 de setembro.

E o coração já começa a palpitar mais rapidamente à mera lembrança da prova…

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Impressões da primeira prova na montanha

Tudo foi diferente. Primeiro, o próprio ato de acordar e pegar o carro (ao invés de um taxi) e rodar por quilômetros a fio, trocando estradas de asfalto por terra batida. Depois, chegar em um local menor de organização – mas muito mais aconchegante e convidativo – na largada. Para quem está acostumado a largadas em baias e por ondas para conter multidões de 20 a 40 mil pessoas, os pouco mais de 400 (por estimativas minhas) certamente desenhavam uma experiência diferente.

E foi.

Não dá para dizer que essa prova – a etapa Ponte Queimada do circuito Mundo Terra Pé na Estrada – foi feita em trilha. Todo o percurso foi em estrada de terra batida, por vezes com pedrinhas que serviram de dificuldade a mais para quem corre com tênis minimalista (uso um Merrell TrailGloves).

Mas dá para dizer, sem a menor sombra de dúvidas, que foi uma prova de montanha. Já nos primeiros metros havia uma subida BEM intensa, classificada por eles como nível 5 (de uma escala que não tenho ideia até onde vai). Depois, mais subidas. Descobri que corridas fora do asfalto não tem planos: ou se sobe ou se desce. Sempre.

Mas, entre um e outro, durante ambos, há vistas. E essas vistas é que fazem a prova.

Me arrependo de não ter parado para tirar mais fotos: foi apenas uma, de uma montanha sob um céu azul cintilante, logo depois de um rio tão lindo que parecia não se encaixar em um lugar tão próximo da cidade grande.

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Vistas assim se multiplicavam – tanto que o cansaço parecia ceder espaço a uma produção intensificada de endorfina.

Enquanto isso, mais subidas vinham e iam. Andei em algumas – mas recuperei tempo nas descidas. Voei por elas com uma velocidade que nem sabia que tinha. Talvez tenha sido fruto dessas primeiras semanas de treinamento.

No fim, acabei chegando impressionantemente inteiro. Verdade seja dita, não me esfolei tanto nessa prova: realmente peguei leve e encarei como um treino. Mas, por ter sido minha primeira prova fora das ruas, ela teve um peso especial.

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E, se é verdade que a primeira impressão é a que fica, posso me considerar bem feliz. Amei cada metro do percurso.

Agora quero mais.

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