Olha que grata surpresa :-)
montanha
Ultra Estrada Real: Informações importantes para quem for se inscrever
Fui checar hoje a planilha de inscritos na Ultra Estrada Real e tomei um susto: já somos em 15! Um número BEM alto principalmente se considerarmos que estamos ainda em novembro – MESES antes da prova.
Como comecei a receber alguns questionamentos de corredores interessados sobre a infra, tempo limite etc., decidi fazer esse post para garantir que todos estejamos na mesma página. Vamos lá:
A Ultra Estrada Real é uma prova independente e autosuficiente. Isso significa que:
- Tanto largada quanto chegada serão estabelecidos com base em marcos já existentes nas duas cidades (Santa Bárbara e Ouro Preto, respectivamente)
- Não há postos oficiais de controle e apoio. Há cidades ao longo do caminho onde os corredores poderão comprar, à vontade, os suprimentos que julgarem necessários.
- Não há controle oficial de tempo, chip, kit, camiseta, número de peito, medalha ou prêmio.
- Muitos corredores estão oferecendo carros, equipe de staff etc. Toda ajuda é bem vinda e certamente será muito útil no dia. Mais adiante organizaremos melhor as “contribuições”.
O que isso tudo quer dizer? Que essa prova é feita sem nenhum tipo de finalidade comercial e apenas para todos vivenciarmos uma ultra em um percurso incrível, histórico e belíssimo. Estamos lidando aqui com corredores apaixonados pelo esporte, não com consumidores.
Não é por outro motivo que não há taxas envolvidas ou promessas que vão além de uma experiência memorável.
Quem quiser vir será mais do que bem vindo.
Checkpoint: fim de ano à vista
O ano está acabando.
Isso começa a ficar nítido na medida em que semanas são encurtadas e confraternizações começam a aparecer no calendário.
Sim: estamos em novembro ainda. Mas as próprias decorações de Natal alinhadas por qualquer percurso que se escolha deixam claro que 2015 está querendo – e muito – chegar.
Essa semana foi diferente.
Com viagens na segunda, sexta e sábado, consegui apenas espremer 4 corridas. Compensei aumentando a distância – mas os caminhos que escolhi, incluindo uma trilha súbita lá em Joinville e outra urbana, hoje cedo, aqui em Sampa, não privilegiaram pace. Meu treinador provavelmente brigará comigo, mas não me arrependo.
Ironicamente, a semana curta me fez saboreá-la mais e sentir melhor cada passo dado na rua.
Uma trilha súbita
Dizem que, quando começamos a nos interessar por algo, os olhos ganham uma espécie de agudeza quase sobrenatural para localizar o que a mente mais deseja.
Faz sentido: os olhos, afinal, são grudados à imaginação e tem por objetivo nos guiar pelas manifestações físicas do que ela concebe em seu estado quase onírico de liberdade constante.
Correr em trilhas é um exemplo perfeito disso.
Quando sequer se sabe da existência desse esporte, trilhas parecem coisas distantes e exóticas, encontradas apenas em filmes de aventura ou fotos de revistas. A vida, afinal, acontece na cidade.
No entanto, basta despertar o interesse que descobrimos que mesmo os centros mais urbanos tem um pouco de selvageria escondida. É só saber procurar.
Foi o que fiz hoje cedo, quando acordei antes dos primeiros raios do sol aqui em Joinville, Santa Catarina.
Vim a trabalho ontem e acabei dormindo na cidade, o que sempre é uma boa oportunidade para explorar um pouco o desconhecido. Das últimas vezes que estive aqui acabei percorrendo circuitos tradicionais: a Beira Rio, a volta do Batalhão etc. Tudo tediosamente pacato, organizado e tão simples quanto uma esteira.
Hoje teria quase 2 horas para mim – tempo de sobra para sair do lugar comum.
A primeira coisa que fiz foi olhar o Google Maps: lá, no final da XV de Novembro, parecia haver um morro; havia um ponto no meio dele – possivelmente um mirante ou uma torre de TV; e o caminho certamente não era asfaltado, ao menos não no todo. Perfeito.
Ainda antes do sol nascer, em uma manhã sufocada por núvens e uma permanente ameaça de garoa, parti quebrando o silêncio com as passadas.
Levei o tempo necessário para aquecer: estava cedo e não adiantaria muito entrar na montanha com tudo escuro. Fui leve, passeando pela cidade adormecida e cruzando ruas vazias como se o tempo estivesse pausado.
Até me deparar com o morro.
De início, havia uma rua íngreme, com paralelepípedos se perdendo em meio a um matagal fechado e úmido.
Subi alternando trotes com caminhada. Faz algum tempo que caminhar deixou de ser palavrão para mim: normalmente, o ato em si significa que estou em alguma trilha, ladeira ou ambiente que precisa ser degustado sem pressa. Pace perde relevância nesse esporte.
De repente, a rua se fundiu com uma estradinha de terra. Continuei.
A estradinha cedeu lugar a uma trilha pequena, meio sinuosa e em subida constante. Segui.
Não dava para dizer que a vista estava incrível: quanto mais eu subia, mais espessa ficava a neblina. Em um ponto, a visibilidade não passava de 2 ou 3 metros.
Ao redor de mim só sons de pássaros, folhas se batendo contra o vento e cheiros do verde molhado. Estava já claro e a umidade abafada formava um clima absolutamente tropical.
A cidade já começava a despertar a apenas 20 ou 30 minutos de mim – mas parecia que eu estava no meio de uma floresta perdida no mapa.
Era um outro mundo, exatamente o tipo de escape que eu buscava para exercer a solidão.
Em um dado momento cheguei ao cume: um fim de linha sem vista ou beleza excepcional, marcado pelo que de fato era uma torre de TV.
Tudo bem: a missão do dia estava cumprida e o tênis, enlameado e quase irreconhecível, parecia feliz.
Voltei voando morro abaixo, parando apenas para tirar algumas fotos e tomando o rumo do hotel.
Entrei novamente na civilização, que agora já continha alguns carros e pessoas dando movimento ao cenário, e cruzei por ruas e avenidas.
A vida havia retornado à sua normalidade urbana. Estava de volta à realidade, exalando um intenso agradecimento tanto à mente, por ter demandado esse escape, quanto aos olhos, por ter achado o caminho.
Ter conseguido fugir do asfalto e me ver em meio a uma “súbita floresta”, mesmo que por um punhado de minutos, foi como ter um instante surrealista traçado com as pálpebras abertas.
O que mais se pode esperar das trilhas?
Trilhas urbanas
Treinar para correr em trilhas quando se mora em uma cidade como São Paulo não é, exatamente, uma coisa fácil. Claro: sempre dá para escapulir para o Jaraguá de vez em quando – mas estamos falando de um percurso de pouco menos de 4km, apenas.
Passar finais de semana em Campos do Jordão, Joaquim Egydio ou sul de Minas também é possível – mas, sendo realista, é algo longe de ser prático (principalmente quando se tem família).
O que fazemos então? Corremos na rua mesmo.
Asfalto não é terra e ladeiras não são montanhas – mas, às vezes, precisamos nos contentar com o que temos.
Recentemente, descobri que isso até tem nome: “urban trails”. Pela enxurrada de vídeos no Youtube, são provas organizadas que, ao invés de buscarem percursos planos, incluem escadarias e até mesmo trechos no interior de prédios.
O chão continua com a mesma “dureza”, por assim dizer – mas pelo menos há aqueles pequenos obstáculos que enxertam algum grau, por menor que seja, de surpresa pelo caminho.
Nunca cheguei a me atentar a isso mas, vendo esses dois vídeos que coloco abaixo, de Brugge e Lyon, vou começar a caçar mais obstáculos urbanos no meu tradicional caminho pelo Ibira. Ou talvez mudá-lo um pouco mais de vez em quando.
Moodfilm Brugge Urban Trail from Golazo on Vimeo.
Ultra Estrada Real: estamos no Webrun :-)
Recebi, ontem, um email da Webrun informando que a Ultra Estrada Real está já formalmente aparecendo no portal. Mesmo sendo uma ultra independente, que está quase que se auto-organizando com base na pura vontade de corredores, é bom começar a vê-la já em “carne e osso” em posts e sites.
Aliás, o incrível desse “evento” é justamente o fato dele representar o que considero como mais apaixonante de todo esse esporte: uma motivação gerada pelo amor às trilhas e distâncias – e não por kits recheados e multidões aplaudindo.
Que bom :-)
Ultra Estrada Real: Informações organizadas
Como o volume de informações sobre a Ultra Estrada Real estava ficando grande demais, acabei organizando tudo em um mesmo ambiente. Informações sobre a prova, o percurso, mapas, planilhas, fotos, formulário e tudo mais pode ser visto agora no http://www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Simples assim :-)
Na medida em que for juntando mais informações, vou colocando tudo lá, ao alcance. E, claro, quem tiver qualquer dúvida ou precisar saber de alguma coisa específica, é só comentar por aqui que eu providencio!
A conexão entre a Teoria dos Jogos e ultramaratonas
Uma das diferenças básicas entre uma corrida de 10K e uma ultra – além, claro, da distância – é o clima que se forma em torno do evento. Em provas rápidas, a solidão é quase tão grande quanto o número de pessoas participando. A não ser que você vá com algum amigo, tudo gira em torno de engolir quilômetros o mais rapidamente possível, terminar logo, pegar a medalha e voltar.
Em ultras, tudo muda. Na maior parte delas, há muito menos pessoas participando – mas isso acaba gerando uma sensação de comunidade muito maior. Afinal, depois de algumas horas correndo sozinho, você fatalmente cruza com algum outro corredor e passa algum tempo junto, o que força a criação de uma espécie de companheirismo quase instantâneo.
Há algo da teoria dos jogos envolvido nisso – e esse vídeo do TED, que copio abaixo, fala bastante sobre isso. São 8 minutos de pensamentos sobre o assunto que, no mínimo, valem a atenção:
Formulário de inscrição na Ultra Estrada Real
Para facilitar a organização da Ultra Estrada Real, no dia 4 de abril de 2015, criei um formulário no Google Docs. A ideia é simples: com todos os dados de quem quiser participar em mãos, posso já me mexer para organizar alguns pontos críticos dessa “prova independente”.
Afinal, é uma ultra com percurso incrível, mas sem nenhum tipo de chancela oficial que não a vontade de corredores de desbravar o país. Todos estão mais do que convidados a participar – quem sabe assim não acabamos criando uma prova oficial no futuro?
Bom… o formulário segue abaixo. Se preferir, no entanto, pode acessar o link http://bit.ly/1xsanOa
Boas trilhas para nós!!!
Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.
Finalmente de volta ao ritmo!
Ufa! Depois de uma “semi-depressão” doída por conta do overtraining e do estresse de um fim de ano no mínimo tenso, depois de uma corrida de segunda libertadora e de um longão feito hoje, domingo, incluindo um percurso diferente pelo centro de Sampa, estou finalmente me sentindo inteiro de novo!
E a maior prova talvez seja justamente o acúmulo de tempo, quilômetros e altimetria nas ruas. Nada que se assemelhe a um corredor de elite ou mesmo aos meus próprios marcos em tempos de picos de treino, obviamente – mas, na corrida, peculiaridades individuais se somam a momentos e contextos para desenhar o que é, de fato, um desafio.
O dessa semana foi fechar essa fase ruim pela qual estou passando com algo além dos 60km. Deu certo: cheguei aos 65km extremamente bem.
Meta cumprida com cérebro, motivação e inspiração devidamente oxigenados.
Aliás, eu arriscaria dizer que o “adeus” dado ao overtraining veio com um alívio tão grande que, até agora, a endorfina parece caminhar pelas veias soltando picos de bom humor por todo canto do corpo.
Perfeito.
Hora de aproveitar e de seguir adiante. Semana que vem, afinal, tem mais ruas e trilhas a serem corridas. Ainda bem!







