Checkpoint: Um dia depois do outro

Ontem foi dia de blackout repentino. Não apenas troquei o longão pela cama como dormi até as 11 e passei o resto do dia me arrastando com sono.

Talvez tenha sido um pouco de anemia, talvez cansaço acumulado, talvez tudo. 

Mas nada como um dia depois do outro: hoje acordei às 5:15 sem despertador, voei para a rua e fiz todo o trajeto planejado pra ontem: Parque Alfredo Volpi, Butantã, Morumbi, Parque Burle Marx. Considerando que o dia estava lindo, me embrenhar pelas trilhinhas desses parques foi um bônus bem vindo e que trouxe doses desejadíssimas de endorfina da melhor qualidade.

No final das contas, fechei a semana uns 6 ou 7km abaixo do planejado – mas inteiro. Mas foi o melhor que pude fazer. Ultras ensinam isso: às vezes, brigar com o corpo é inútil. O máximo que se pode fazer é se segurar e aguentar um pouco mais esperando que os minutos futuros tragam algum alívio milagroso. E o melhor de tudo é que se aprende também que, com o tempo, milagres sempre acontecem.

De certa forma, foi como se um deles tivesse aparecido hoje, dando um boost súbito um dia depois de eu ter me rendido de maneira tão completa ao sono.

Que bom.

   
 

Os pequenos milagres do corpo

Milagres, na minha opinião, nunca são tão grandiosos quanto costumam ser definidos.

Não acredito que milagres curem doenças graves ou salvem a humanidade de desastres cataclísmicos: dou esse crédito à ciência e à sorte, dois elementos que costumam ser ignorados quando grandes feitos são creditados a um ser maior.

Mas isso não significa que não acredite em milagres. Ao contrário: tenho a mais nítida certeza de que eles existem sim – mas escondidos nas pequenas coisas que costumamos ignorar. Milagre, para mim, é tão somente um nome mais pomposo para eficiência surpreendentemente exagerada em qualquer que seja o processo.

Algo como os efeitos de um dia sem treino para a recuperação muscular.

Ontem amanheci quebrado, sofrendo as dores tardias da Indomit somadas a dois dias de treino que, embora leves, só pioraram o quadro. Tudo – absolutamente tudo – doía. Caminhar, por si só, parecia tortura chinesa.

Não corri ontem. Não por decisão consciente, verdade seja dita, mas porque uma viagem a trabalho me impediu.

Acordei cedo, peguei avião, fiz uma bateria de reuniões, não consegui sequer almoçar e voltei para casa no último vôo. Não dá para dizer que descansei – ao menos não no sentido mais óbvio do termo.

Mas, aparentemente, meu corpo decidiu aproveitar a falta de uma corrida em 24 horas para acelerar a recuperação geral.

Lá dentro, microrupturas devem ter se reparado, tendões descansado, músculos relaxado. Tudo em um punhado de horas. Tudo com a agilidade que nunca conseguirei ter nas trilhas.

E tudo surpreendentemente – e milagrosamente – efetivo.

Hoje, por puro milagre, acordei novo em folha.

Que bom: já é hora de correr.

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