O plano: dos 27 aos 80K em 2 meses

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OK, o plano tem algo de arrojado demais. Ou talvez arrogante. Ou ingênuo, insano ou qualquer outra palavra com conotação mais negativa do que positiva.

Mas, ainda assim, é um plano. E não entro exatamente de mãos vazias: afinal, não dá para esquecer que saí bem de uma Comrades há duas semanas, o que no mínimo me dá algum tipo de experiência com endurance.

Agora, no entanto, o bicho é outro: de zero de experiência em trilhas, munido apenas de um treinador experiente (a distância) e muita, muita força de vontade, pretendo chegar à Douro Ultra Trail em setembro. No caminho, elegi duas provas: a Pé na Estrada, de 27K nos arredores de Campinas, e a Indomit Bombinhas, de 42K, esta última com características (no mínimo) premium dados fatores como percurso, história, região etc.

Agora é ver como as coisas caminham e seguir firme nos treinos, que já começaram bem pesados desde a segunda passada!

Sofrendo com a mochila de hidratação

Sábado, dia de voltar à USP.

Desta vez, no entanto, o estilo seria outro: nada de alternar caminhada com corrida – essa era a estratégia de Comrades – e nada de ir apenas com uma garrafinha de água na mão.

Hoje, em um longão de pouco mais de 22K, precisaria acelerar o pace e encaixar algo na casa dos 5’30 a 5’40 como média, incluindo um tiro forte na Subida do Matão.

E mais: levando comigo uma mochila de hidratação que, nessas próximas semanas, deve se tornar minha melhor amiga.

O começo da amizade, no entanto, não foi dos melhores. Sendo direto: odiei cada segundo correndo com a mochila que, mesmo apertada contra o corpo, cismava em balançar e se esfregar nos meus ombros causando uma dor que só piorava.

Agora, escrevendo pós corrida, estou queimado nas costas como se tivesse passado horas sob o sol do Nordeste.

Concentração? Quase impossível. Consegui correr bem no começo e dar o tal tiro na subida – mas, depois disso, a dor era tamanha que por pouco não joguei a mochila fora e peguei um taxi de volta para casa.

Ok…. isso é péssimo. Como vou resistir a uma ultra de montanha, onde mochilas são itens obrigatórios, se quase tive um treco correndo míseros 22k com uma??

Alternativas que pensei:

a) Usar camisas com golas mais longas, estilo tartaruga, fazendo o contato das alças com a pele impossível

b) Me acostumar, queimando um pouco mais até fortalecer o couro

c) Comprar outra mochila

Para o próximo sábado tentarei a alternativa “a” – afinal, a “b” soa dolorosa demais e a “c” cara demais.

Hora também de mergulhar na Web atrás de dicas de outros corredores, o que sempre me ajudou no passado.

Enquanto isso, é hora de passar uns 3 ou 4 galões de hidratante nas costas e torcer para que a dor passe logo!

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Eis o Ian Corless, meu Sherpa nessa nova jornada

Quem me conhece ou acompanhou o blog anterior, Rumo a Comrades, sabe que nunca me dei tão bem com treinadores. Por algum motivo qualquer, quando passava a seguir as suas planilhas, ignorava todo e qualquer sinal do meu corpo. Sim: tinha plena ciência do tamanho da estupidez que fazia – mas simplesmente não conseguia agir de outra forma.

E, assim, com MUITA pesquisa, leitura e estudo, acabei me guiando sozinho por uma série de maratonas e duas ultras, sempre saindo inteiro delas, com resultados que me orgulho e sem nunca ter me lesionado. OK, tudo ótimo… mas trilha é outro bicho.

A mera noção de fazer, sozinho, um treinamento para uma ultra em montanha – terreno que desconheço completamente e sobre o qual há muito menos referência – seria algo ingênuo, infantil. Assim sendo, mergulhei na Web.

Acompanhado da força da globalização, fui atrás dos meus ídolos: Kilian Jornet, Ian Sharman, Sage Canaday, Emelie Forsberg, Anna Frost, Fernanda Maciel etc. Dificilmente conseguiria que um desses heróis das trilhas sequer prestasse atenção em mim – e então busquei algo ou alguém que todos tinham em comum. A resposta veio na hora: Ian Corless, um dos maiores blogueiros de ultra do mundo e responsável pelo podcast TalkUltra, que ouço nos meus longões já faz tempo.

Sem medo, entrei em contato com ele. E a resposta foi absolutamente positiva.

Ian é corredor, podcaster, blogueiro e fotógrafo de ultras. Sua vida gira em torno das trilhas, o que o permite conhecer a fundo estratégias, táticas e pequenos segredos dos maiores atletas desse esporte. E, claro, também treina corredores mundo afora.

Meu briefing para ele foi direto: transicionar do asfalto para a trilha em 3 meses, a tempo de pegar a Réccua Douro Ultra Trail com a confiança de poder terminar inteiro.

Desafio topado, primeiras planilhas mandadas, primeiras corridas já feitas.

De antemão, o que posso dizer é que ele não pega nada leve: nessa primeira semana já há sessões com tiros de 10 minutos, repetições em morro e tempo runs de 50 (!) minutos!

Do lado de cá, vou procurar seguir tudo – mas sem repetir erros do passado. Sinais esquisitos do corpo gerarão alertas que procurarei documentar logo depois do treinamento (antes da minha mente me forçar a ignorar problemas para seguir planilhas).

Como será esse novo processo, com treinador a distância por uma jornada absolutamente desconhecida? Nem ideia.

Mas em breve descobrirei.

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