El Cruce: O que é fornecido e o que precisamos levar de equipamentos obrigatórios

O site deixa dúvidas: dependendo do idioma, as informações sobre o que devemos levar e o que será fornecido pela organização são inclusive contraditórias. Mas nada que não seja facilmente resolvido: eles mesmos fazem alguns plantões no Facebook onde se pode perguntar o que quiser e ter a resposta na hora. Aliás, a organização do El Cruce, ao menos até agora, é muito perto da perfeição. 

Bom… vamos então a uma atualização de equipamentos obrigatórios:

  • Camiseta de prova: Fornecida pela organização
  • Número de competidor e chip: Fornecidos pela organização
  • Mochila de hidratação: Deve ser levado
  • Casaco impermeável: Deve ser levado
  • Camiseta manga longa (ou remera): Fornecida pela organização
  • Polar (jaqueta): Fornecida pela organização
  • Gorro: Deve ser levado
  • Mochila resistente à água para os acampamentos: Fornecida pela organização
  • Cobertor de sobrevivência: Fornecido pela organização
  • Bivac ou vivisac: Deve ser levado

Por essa lista, me resta apenas o gorro e um casaco impermeável decente. No mais, agora é fazer um checklist dos itens recomendados.

    

Checkpoint: Tentando me livrar da angústia

Quer irritar alguém que tem como principal remédio mental passar horas a fio correndo por ruas e trilhas? Deixe a sua mente motivadassa e as pernas mastigadas de tanto cansaço. 

Pouca coisa resume melhor esse meu fim de novembro. Exausto sem “motivo de curto prazo”, já que acumulei apenas 40 míseros quilômetros na última semana, cheguei a cancelar meu longão de ontem por pura incapacidade física. A dor, embora não lascinante, era de uma constância insuportável. 

Em comparação, era como estar com uma permanente febre de 37: nada que prendesse o corpo à cama mas, ao mesmo tempo, o suficiente para barrar qualquer atitude mais “viva”. 

O que fazer em situações assim? Dar tempo ao tempo e tirar uma espécie de férias pode, afinal, curar o corpo e afundar a mente na areia movediça do sedentarismo conformista, preguiçoso. Para alguém com a minha história, que teve a vida literalmente salva pela corrida, isso assusta demais. Forçar a barra, então? E se o que está ruim piorar? Que alternativa será deixada? 

Em meio a esses conturbados pensamentos, calcei o tênis, desliguei a angústia munchiana e saí.

A meta: um “longuinho” de 20km por um dos meus roteiros preferidos, o centro de SP. 

Por um tempo, devo dizer que foi uma boa decisão: sempre se pode confiar no inspirador contraste entre a imponência neo-clássica do Martinelli e a podridão dos mendigos da Sé. Há tanta beleza decadente, tanta promessa de futuro chafurdada no mais abandonado dos passados, que se consegue praticamente sentir o tempo em cada passada. 

O longuinho ajudou – mas também cansou mais do que deveria, um lembrete do péssimo estado geral em que o corpo está. Não vou dizer que me arrastei até em casa: o descanso de ontem fez algum bem, afinal. 

Mas o roteiro do centro à Liberdade ao Parque da Aclimação e de volta via Paulista, que poderia ter sido bem mais incrível, acabou mais sofrido que o esperado. 

Mas quer saber? Pelo menos encheu o peito com uma dose de endorfina a mais. 

Que essa dose dure e inspire a próxima semana. 

   
 

No running day

Hoje era dia de longão. Dia de rodar uns 30K e fechar os 70 programados para a semana. 

Dia de experimentar a mochila de hidratação nova. 

Dia de passar algumas horas imerso em mim mesmo e cruzando as trilhas que se escondem por São Paulo. 

Não deu. 

Acordei com a perna absolutamente dolorida, como se tivesse sido mastigada por um monstro inesperado durante a noite. Motivo? Em tese, nenhum: desde o final da Indomit, minha semanas tem sido conservadoras: uma de 30K, outra de 50 e, nesta, havia acumulado apenas 40. Pouco para quem está acostumado a uma média de 75-85…

Mas, ao que parece, o corpo ainda não está plenamente recuperado do acúmulo de esforço do ano, incluindo não apenas os 100K da Indomit no começo do mês como também os 75 de Bertioga-Maresias 3 semanas antes, os 50K de Atibaia antes dessa, os 87K da Comrades, os 88K da Ultra Estrada Real, os 50K pela Serra do Mar. 

Ao que parece, o cansaço bateu todo junto. 

Forçar a barra não me pareceu uma boa ideia. Apesar do dia estar lindo, da motivaço estar alta e da sensação de não sair para as ruas em um sábado ser quase assustadora, não havia muito o que fazer: saída cancelada.

Talvez eu precise de algum período a mais de descanso do que o originalmente previsto. 

Descobrir que não somos super-heróis é um saco. 

  

El Cruce: Equipamentos obrigatórios e o Bivac

A lista de equipamentos obrigatórios do Cruce é um pouco diferente do que estou habituado. Faz sentido: será a minha primeira prova em etapas, com dois acampamentos nos três dias. 

O ponto positivo é que a prova não é totalmente autosuficiente como a Marathon de Sables: muita coisa (como comida para os três dias) será providenciada pela organização. 

Ainda assim, a lista de equipamentos inclui: 

Itens obrigatórios:

  • Camiseta de prova (fornecida pela organização)
  • Número de competidor e chip (fornecidos pela organização)
  • Mochila de hidratação
  • Casaco impermeável
  • Camiseta de manga longa
  • Polar ou micro polar (que deduzo que seja um GPS tipo Garmin ou Suunto)
  • Gorro
  • Cobertor de sobrevivência
  • Manta de sobrevivência
  • Bivac ou vivisac

Itens recomendados: 

  • Trekking poles
  • Talheres
  • Headlamp
  • Toalha
  • Saco de dormir
  • Colchão inflável (que não pretendo levar)

Não vou mentir que alguns equipamentos ainda são um mistério para mim – como a diferença de cobertor e manta de emergência. Mas, com o tempo, vou decifrando cada um deles. 

Também estava na dúvida quanto ao bivac ou vivisac ou bivouac: não fazia a mais pálida ideia do que seria esse treco. Descobri: uma espécie de saco de dormir ultra portátil e térmico para ser utilizado em casos de emergência na montanha. 

Minha primeira dúvida: como diabos carregarei isso na mochila de hidratação? A segunda: quanto vou gastar com esse treco? 

Ainda bem que as duas respostas foram positivas. 

Fuçando na Web, encontrei um “Emergency Bivvy” da marca SOL. Se é maravilhoso, não sei: mas é minúsculo, como pode ser visto na imagem abaixo, e barato. Comprei diretamente na Amazon e, incluindo impostos e o frete até o Brasil, ele me custou US$ 44. 

Chegou em menos de uma semana! 

Com isso, o primeiro item misterioso já está devidamente adquirido. 

  

  

   
 

El Cruce: Altimetria dos 3 dias de prova

Ainda estamos em novembro mas, a esta altura, já estou contando os dias para o Cruce. Para quem curte montanhas, afinal, o prospecto de uma prova longa atravessando os Andes com direito a acampar sob as estrelas na fronteira do Chile com a Argentina é, no mínimo, delicioso. 

Vamos, então, ao percurso. O mapa ainda não está disponibilizado no site, mas a altimetria está. Ótimo: já é uma chance de eu me familiarizar e cozinhar a ansiedade que já corre solta nas veias. 

Os dados estão abaixo. Agora é olhar para eles e imaginar aquela vista incrível de uma das regiões mais maravilhosas do planeta. 

Etapa 1: 

  • DISTANCIA: 38 KM
  • ALTURA MAXIMA: 1123m
  • ALTURA MINIMAL: 647m
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1599m
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 1738m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 3378m  


Etapa 2:

  • DISTANCIA: 30 KM
  • ALTURA MAXIMA: 1104m 
  • ALTURA MINIMA: 644m 
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1145m 
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 756m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 1901m


Etapa 3:

  • DISTANCIA: 26 KM 
  • ALTURA MAXIMA: 1843m 
  • ALTURA MINIMA: 644m 
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1935 
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 2351m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 4286m

   

Oi escadas

Preciso treinar mais subidas. Pegar mais fôlego, desenvolver mais capacidade aeróbica, me preparar melhor para os três dias do Cruce e, claro, para as sempre montanhosas trilhas.

Os percursos que faço no cotidiano não bastam: há pouca altimetria na região do Ibira e um eventual Pico do Jaraguá ou rodagem pelo Pacaembu é pouco demais.

A solução? 

Adeus elevadores, oi escadas. Todos os três lances até minha casa e sete até o trabalho.

Improviso é tudo.

  

A pressa e o pace

Quer treinar em uma intensidade maior? Você não precisa de relógio ou qualquer app de live coaching: basta estar atrasado.

Exemplo prático: encaixe 11km no horário de almoço entre reuniões. Você não conseguirá sair com tempo de sobra: reuniões tem um ritmo próprio que, sadicamente, tende a se arrastar quanto mais cedo você quiser ou precisar sair.

Também não poderá voltar tão cedo para a próxima: 11km, afinal, são 11km. Dá menos que uma hora se for rápido (ao menos sob meus parâmetros), mas ainda assim sob pressão considerando que será necessário ainda tomar um banho para voltar “bem” ao trabalho.

Resultado: o pace será instintivamente acelerado pela pressa. Não será a corrida mais zen do mundo: a pressão do tempo o fará querer engolir – e não saborear – os quilômetros. Mas, ao mesmo tempo, será um belo treino, com toda a intensidade que uma manhã com tempo de sobra não consegue entregar.

A pressa pode não ter aquele sabor deliciosamente endorfinado que buscamos nas trilhas – mas ela certamente é muito amiga do pace.

  

El Cruce: Hora de comprar uma nova mochila de hidratação

Me dei bem, muito bem, com a mochila de hidratação Quechua Raid Trail 10L. Para trilhas mais rápidas, onde não se precisa levar tanta coisa e sem a necessidade de trekking poles, eu arriscaria dizer que ela é perfeita: leve, prática, durável e acessível. 

Curiosamente, ela substituiu uma mochila mega cara da Salomon que comprei em um arroubo de ansiedade e que em nada me serviu: as alças eram tão espessas que, depois de 1 horinha na rua, meus peitos estavam já em carne viva e escorrendo aquele agonizante fio de sangue pela camisa. Nas trilhas, nem sempre o barato sai caro: às vezes o caro é que saí caríssimo. 

Só que havia dois probemas com a Raid Trail (tanto nas versões de 10 quanto de 12L): a falta de compartimentos mais práticos e de suportes melhores para prender os poles. E isso, dependendo do percurso, é bem importante.

Assim, movido por um review do Jósa lá no EndorfineSe, fui na Decathlon comprar a MT10. 

Confesso que, de primeira, fiquei mais seduzido pela MT5: menor, super compacta e mega, mega prática. Só que, lá no Cruce, a quantidade de “coisas” que terei que levar na mochila é tamanha que preferi pecar pela segurança. 

E, assim, por R$ 299,00, trouxe comigo para casa a Quéchua MT10L. 

Ainda não a testei mas, apesar dela parecer meio grande demais e desengonçada, os reviews na Internet foram suficiente para me convencer. Há um mundo de compartimentos, zípers práticos, teias externas para se prender os poles e bolsa de hidratação de 2L, volume que considero ideal para trilhas maiores. 

Agora é testar e torcer para que ela realmente seja o modelo ideal!

  

Checkpoint: Ouvindo o corpo

Foram só 3 corridas: terça, sexta e sábado. 

Mas as três, no entanto, foram relativamente longas: a menor teve 14km, talvez um exagero dado que ainda estou naquela fase lenta de recuperação depois do cumprimento de uma meta importante. 

Isso ficou claro ontem, quando olhei os nomes das minhas corridas no Strava: estava apenas piorando o estado geral da musculatura ao insistir em sair para o parque. E, assim, apesar do deliciosamente convidativo sol que brilhou neste domingo, apesar dos planos que tinha de sair em uma trilha urbana pelo centro, deixei roupas de lado e me prendi na cama. 

As pernas agradeceram. Ainda agradecem, verdade seja dita: dá para sentir a musculatura se refazendo, se recompondo, reconstruindo. Dá para sentir uma espécie de alívio no corpo inversamente proporcional ao que sente a cabeça, inconformada em perder um dia tão perfeito assim. 

Um dos dois – corpo ou mente – teria que perder no dia de hoje. Optei pela mente. 

Se tem uma coisa que ficou clara para mim ontem foi que insistir um pouco mais poderia ser uma receita para fazer lesão.