As opções para a maratona de amanhã

Não, não é uma maratona oficial. Antes fosse.

Na verdade, meu “problema” agora é encaixar no mapa algum roteiro de longão que comporte os 42K previstos para amanhã.

Algumas opções aparecem, com a primeira colocada sendo uma ida e volta até o Horto. Mas há ainda uma rota que costumo fazer até o Burle Marx, lá no Morumbi, com o incômodo de demandar algumas voltas a mais para encher o balde de quilômetros.

Tem também a USP com Parque Villa-Lobos ou a Barra Funda com o Parque Villa-Lobos, ambos com algumas voltas a mais pela densidade paulistana.

Pico do Jaraguá? Poderia chegar lá de UBER, fazer duas vezes o cume e voltar correndo para casa. O problema aqui é que terei que começar mais tarde que o planejado, pois o parque só abre às 7.

Eis a maior dificuldade em treinar para provas realmente longas: achar percursos para os treinões do sábado.

Bom mesmo seria achar e encaixar alguma prova real no calendário…

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Brigando contra os demônios da manhã

O problema com as longas quilometragens em dias úteis – qualquer coisa a partir de 15km – não são as distâncias: são os horários. 

Não discuto que, quando se está atravessando a trilha do Ibirapuera junto com os primeiros raios de sol que parecem pintar de ouro os troncos e a terra ocre, a endorfina parece explodir pelo corpo. Poucas são as sensações tão gratificantes quanto se ver quase que inteiramente só em meio ao cheiro de orvalho, com tempo e silêncio para mergulhar na própria cabeça e sem se preocupar muito com a pressa. A cidade dorme a essa hora. 

A sensação de ser o único acordado é revigorante. 

Não é aí que mora o problema. Este vem antes – poucos minutos antes, quando o despertador começa a gritar no meio do quinto sono. Aí os demônios aparecem: “durma mais”; “deixe para o final do dia”; “talvez as pernas queiram descanso”.

Os demônios começam a discutir: “no final do dia não dá: tem aquela reunião que deve entrar pela noite”; “a previsão é de tempestade torrencial a partir do meio dia”; “hoje você precisa chegar cedo para liberar a babá”. 

A essa altura o sono em si já se foi. A discussão interna, no entanto, está a pleno vapor, movida à preguiça de se levantar e encarar os dias. Às vezes são poucos minutos até um veredito; às vezes, quase meia hora inteira. Até que, em um determinado momento, alguém vence. 

Normalmente, este alguém é a corrida em si: resignado, me levanto, troco de roupa e parto para abrir o primeiro sorriso apenas depois que o GPS é encontrado pelo relógio e que os primeiros metros são digeridos. Nesses momentos eu chego a me questionar o que me levou a pensar em ficar na cama: “que ideia mais sem pé nem cabeça”! 

Esses dias, com sequências de mini-longões no meio da semana, tem sido inteiramente dominados por essas batalhas. Todas sendo vencidas pelas trilhas, ainda bem – mas seria muito, muito bom que alguém inventasse algum remédio contra esses demônios internos intrusivos.

  

O sábado que fecha um capítulo (e abre outro)

Faz tempo que não descanso em um sábado. Normalmente não curto isso: é um dia inteiro que considero perdido não apenas sob o aspecto do treino, mas (talvez principalmente) pelo bem que ele me faz ao proporcionar horas perdido nos próprios pensamentos e por caminhos diferentes da cidade.

Mas hoje, verdade seja dita, a realidade é outra.

Hoje estou encarando esse descanso mais como uma espécie de marco de diferentes fases de treino. Quando se coloca uma quebra mais brusca, mais radical, na rotina, se informa também ao corpo que algo está prestes a mudar – e essa informação acaba sendo vital para que ele se prepare melhor.

Hoje é como aquele momento de plena calma antes de alguma tempestade, com aqueles instantes mais elétricos em que tudo está prestes a acontecer – mas nada efetivamente acontece.

Hoje é o dia que marca o fim de um capítulo e o início de um outro, mais voltado para ganho de velocidade sem perda de endurance. Há duas ultras pela frente, afinal, e ambas ainda no primeiro semestre.

Hoje é hora de dizer ao corpo e à mente que está na hora dos dois ficarem mais sérios.

Começando por amanhã.

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Checkpoint semanal: Olá, longão!

Estava com saudades de um longão realmente descente.

Nos últimos tempos, tenho feito corridas mais curtas e buscado mais velocidade nelas – pelo menos até a Maratona de Sampa. Depois disso, acabei entrando em uma espécie de vácuo de overtraining, me recuperando mais lentamente do que desejava. Mas o fato é que me recuperei – e, ontem, depois de muitas semanas, fui para a rua sem muita hora para voltar.

Foram, na prática, 3h23 somando pouco mais de 30,6km. Um ritmo lento, admito – mas velocidade não estava exatamente nos planos. A ideia era apenas sair de casa, entrar na USP e aproveitar o máximo de duas voltas por lá, sorvendo cada raio de sol, cada visual e cada gota do clima de corrida que domina todo aquele ambiente.

Não vou mentir que cheguei bem cansado de volta – 30km são 30km em qualquer que seja a fase do treino. Mas cheguei bem e pronto para fechar a semana com uma corrida mais acelerada hoje, onde usei pela primeira vez o Salomon S-Lab Ultra na trilha em volta do Ibirapuera. Mas isso fica para outro dia.

Por hora, vão apenas os meus gráficos acumulados e a satisfação de ter quebrado, novamente, a marca dos 30km em um sábado como outro qualquer.

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A hora perfeita para se correr em Sampa

Há um horário perfeito para sair para longões durante a semana – um horário em que se consegue testemunhar tantas fases do mesmo dia que parece que você ficou fora por praticamente todo ele. 

Ontem tinha um longo mais tenso programado, com duas horas em gás total, e acabei saindo às 6:30. 

Apesar de não ser, exatamente, madrugada, as ruas ainda estavam vazias e começando a acordar. Nem as velhinhas que costumam passear com seus cachorros logo cedo estão à vista a essa hora: apenas alguns motoristas fugindo do rodízio, operários entrando nas obras e, claro, corredores rumando silenciosa e ritmadamente até o parque. 

Assim começa uma terça qualquer em Sampa.

Uma vez no parque, pode-se testemunhar a mudança na população com o passar das horas. Os primeiros corredores, mais sérios e rápidos, começam a sair pelos portões e cruzar com os mais casuais. Nos semblantes, saem preocupações com pace e entram preocupações com saúde. 

Bikes começam a aparecer, ainda tímidas. Um ou outro casal aparece caminhando junto. 

Do lado de fora, o silêncio quase absoluto cede espaço a buzinas e freios de ônibus. O céu azul, que até então reinava sozinho sobre a paisagem, agora vira coadjuvante do barulho típico de qualquer grande urbe. 

É hora da pressa. 

O sol, irritado com o barulho, começa a queimar. Ignora que é inverno e simplesmente brilha, afastando toda e qualquer nuvem. 

Algumas horas depois, os corredores casuais também já seguem seus rumos e deixam o parque para estudantes secundaristas que, aparentemente, tentam ignorar as aulas. Sem tantas passadas e com alguns beijos escondidos, o parque fica mais só. Mais sigiloso. Escondido. Esquecido. 

Os carros abarrotados no tráfego transformam a saída em uma espécie de desafio: há que se esgueirar por ônibus, observar motos que cismam em ignorar faixas de pedestres e tapar os ouvidos para gritos de motoristas enraivados que se acham donos da cidade. 

Sampa está a toda. 

A mente já começa a se desconectar do asfalto: pouco a pouco, as tarefas do dia começam a se desenhar. Decisões a serem tomadas, reuniões a serem enfrentadas, prazos a serem cumpridos. Não há nada de zen no final da corrida: há a mais pura rotina de uma cidade grande. 

Entre um e outro passo, entre um e outro compromisso mental, imagens da família que ficou dormindo e que, agora, já estava dividida entre trabalho e escola. 

Hora de trocar de roupa e virar um daqueles motoristas atrasados. 

Há tanta vida inserida em duas horas de corrida que fica difícil não se apaixonar por cada segundo passado aqui, nesta incrível cidade tão cheia de contrastes. 

Assim como é difícil não torcer para que o dia transcorra e termine de maneira tão intensa quanto ele começou. 

Sampa é incrível.

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Checkpoint 11: Semana de pico cumprida e corpo recuperado

Foi uma semana intensa – tanto no trabalho quanto em casa e nas ruas! Nada mais apropriado, diga-se de passagem, para um treinamento para ultra.

Foram apenas três treinos, verdade – mas todos muito bem aproveitados e, em uma palavra única, intensa.

O lado bom é que estou saindo inteiro, sem praticamente nenhuma dor – nem mesmo muscular, mesmo um dia após o principal longão. Acredito que seja o corpo se acostumando à rotina de ultras, o que significa uma recuperação maior em um tempo menor. Bom: esse aprendizado físico certamente será útil no futuro!

Enquanto isso, é hora de organizar a partida para Portugal, já nesta sexta. A meta está chegando perto.

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