Eu no TalkUltra :-)

Já faz tempo que o TalkUltra faz parte da minha vida como corredor: além de turbinar os meus longões (cada episódio do podcast dura de 3 a 4 horas), ele acaba permitindo um mergulho no universo de alguns dos meus principais ídolos no mundo das ultras (como Kilian Jornet, Emelie Forsberg, Karl Meltzer, Anna Frost etc.

Não foi pouca surpresa então baixar o episódio desta quinzena e ver uma entrevista comigo, gravada durante uma sessão de bate-papo com o Ian (meu treinador), sobre correr Comrades com tênis minimalista! E a entrevista em si não foi pouca coisa – ficamos quase uma hora conversando sobre o assunto, o que acabou dando até para mim mesmo uma sensação mais clara de toda a transição que fiz de cenários

Bom… para quem quiser ouvir, estou colocando o link aqui no post: http://www.marathontalk.com/talk_ultra/episode_64_smith_batchen_perkins_almeida_rasmussen.php

Recomendo também, independente disso, assinar o podcast (desde que fale inglês). É absolutamente sensacional.

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Das trilhas para o cinema

Taí um prato cheio para as telas: um festival de cinema inspirado em corrida de trilhas. Afinal, há lugar melhor para buscar fotografias incríveis?

Aliás, se tem uma coisa que tem me deixado boquiaberto é a quantidade de vídeos sensacionais sobre esse esporte que, verdade seja dita, tem muito pouco a ver com corrida de rua.

De vez em quando procurarei postar mais alguns por aqui (como já fiz há alguns dias), pois entendo que a inspiração que vem deles é tamanha que acaba interferindo no próprio processo de treinamento.

Enquanto isso, vale babar um pouco com essas cenas e torcer para que a próxima corrida venha a passos galopantes!

Inspiração pura

Há uma diferença importante entre corridas de trilha e de rua: o volume de conteúdo inspiracional. Não estou falando de blablablas de autoajuda ou coisas do gênero, mas sim de relatos, vídeos, e imagens de cenários tão deslumbrantes que fica impossível não se empolgar.

Afinal, o que brilha mais os olhos: a vista no topo dos Pirineus ou do Minhocão? Mesmo desconsiderando os exageros, a comparação realmente é por aí.

E, de todas as marcas, a Salomon é quem faz o melhor trabalho inspiracional por meio de seu canal de trail no Youtube (acesse aqui).

Separei uma playlist com alguns dos grandes mestres do esporte incluindo depoimentos e cenas que são, para dizer o mínimo, inspiracionais. Veja abaixo:

A porta destrancada pela Comrades

O tornozelo ainda lembrava um pouco que Comrades estava a menos de uma semana de distância – mas estava na hora de virar a página.

Depois de quase uma semana sem correr, calcei o tênis, vesti a roupa e saí para o Ibira.

Era a minha primeira corrida depois da ultra que dominou os meus sonhos por tanto tempo. E o dia estava igual aos tantos outros que, por meses, me viram percorrer o asfalto.

Mas alguma coisa estava diferente.

Enquanto corria em passadas ainda lentas, meio cansadas, dava para ver uma espécie de realidade nova formada por uma maior autoconfiança e certeza de que somos capazes de muito mais do que os nossos próprios corpos imaginam.

A experiência espiritual, para dizer o mínimo, que dominou os últimos quilômetros de Comrades, deixou marcas. Mudou. Abriu um acesso, talvez, para um território mental que eu só conhecia pelos livros.

E fui mergulhando fundo nesse território, explorando-o um pouco mais, a cada passada. Estava conhecendo melhor uma zona mental nova, feita de pura concentração zen e que, até então, estava escondida no cotidiano.

Quilômetros foram se diminuindo. Músculos, se soltando. Dores, sumindo.

Até que a volta se completou e, de repente, estava de volta em casa.

Hora de subir e retomar a rotina que me aguardava – mas ciente de uma espécie de novo poder mágico que, a partir de então, já estava destrancado.

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Como estou pós-Comrades

Hoje é dia 5 de junho – 4 dias depois da Comrades 2014, lá na Africa do Sul.

Apesar de já ter feito uma ultra antes – a Two Oceans, de 56K – essa foi a minha primeira jornada em um percurso acima de 50 milhas. E foi absolutamente espiritual, para dizer o mínimo. Não vou me prolongar muito falando da Comrades – já fiz todo um blog com algumas centenas de posts narrando tanto a jornada quanto a prova em si (veja aqui).

Mas, considerando que este é o que considero o dia 1 da minha transição para as trilhas, é sempre bom começar detalhando o meu estado físico alguns dias depois de ter passado 10h54 na estrada entre Pietermaritzburg e Durban.

Meu tornozelo esquerdo é o único ponto realmente problemático. Aparentemente desenvolvi um cisto sinovial nos últimos quilômetros da prova, vazando líquido de alguma articulação e criando uma bolha na parte de cima do tornozelo que está comprimindo toda a região. O lado bom é que não é nada de grave: o cisto já começou a desaparecer, com o líquido sendo reabsorvido pelo próprio organismo. A região inteira ainda ainda está bastante inchada, mas melhor. Fui ao médico ontem para saber se poderia ser algo grave mas, aparentemente, basta dar um pouco mais de tempo ao tempo e estarei inteiro.

O restante da musculatura está toda recuperada: não há mais nenhum sinal de dor em nenhuma outra parte do corpo.

O moral está excelente – como não poderia deixar de ser. No domingo completei uma prova que definitivamente mudou a minha vida e a minha forma de me entender enquanto pessoa. Comrades faz isso com todos, aparentemente.

Meu relógio quebrou na Comrades. Aparentemente, o sal do suor acumulado embaixo do pulso danificou os sensores do Adidas Smartrun que, agora, não carrega mais. Devo passar na Adidas esse final de semana para ver o que fazer mas, como o relógio foi comprado fora do Brasil, tenho poucas esperanças de solução. Se for o caso, terei que comprar um outro. Infelizmente.

Assim, com um tornozelo ainda se recuperando, sem relógio, com moral elevado e restante da musculatura recuperada, começo uma nova jornada que me levará para mais distante das ruas e mais próximo das montanhas. Ainda é cedo para dizer sequer se gostarei da experiência – embora ache difícil que não.

De toda forma, veremos, a partir de hoje, quais os caminhos que me esperam!

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