A descoberta dos olhos

Ok: isso pode parecer meio idiota, mas descobri que mesmo os lugares mais habituais podem ser explorados até desvendarem algum segredo que insistia em sobreviver.

Segredos, afinal, são inimigos número um das rotinas, que eliminam a capacidade de percepção ao fazer o corpo entrar em piloto automático.

E pilotos automáticos, por sua vez, são inimigos número um de qualquer espécie ou subespécie de corrida de aventura.

Então, ao iniciar minha sessão de 5 tiros de 6 minutos na minha segunda casa – o Ibirapuera – decidi perceber caminhos novos.

Há uma observação importante que cabe aqui: era final de tarde, com dia claro por conta do horário de verão e um tempo livre (milagrosamente) maior do que o previsto para o treino. Aliás, a minha capacidade de acordar cedo neste final de ano tem sido praticamente nula: acordo já tão esgotado que pensar em colocar o tênis já emite sinais de câimbra para as pernas.

Tudo bem: o horário, convenhamos, importa bem menos que o treino em si. E isso sem contar que quebras de rotina sempre fazem bem – o que me traz de volta à eliminação do “efeito piloto automático” do qual estava falando.

Ainda nos primeiros 15 minutos de aquecimento decidi sair dos 3 percursos tradicionais (pista, trilha e volta pelo lado de fora). Peguei uma pequena via que seguia por dentro, em direção ao lago.

Descobri que há um pavilhão japonês escondido no Ibira. E uma vista para o lago incrivelmente inspiradora, escondendo casais siameses que ignoram qualquer presença.

Entre uma via e outra, os cheiros mudam na medida em que novas espécies de plantas vão encontrando o final mais úmido da tarde; a vista para a cidade vai ficando curiosamente mais distante; um novo parque parece brotar de dentro do antigo ao qual eu já estava tão habituado.

Parece idiota falar de um parque onde corro já por tanto tempo como se ele fosse novo, diferente – mas o fato é que ele de fato se transformou. Ou melhor: meu olhar é que percebeu caminhos diferentes em algo que já estava lá faz tempo.

Foi aí que bateu alguma lucidez: todo esse processo de percorrer trilhas urbanas, de sair do lugar comum e desvendar a cidade onde vivo, sem medo e meio que sem destino, tem funcionado como um treinamento perfeito para os olhos.

Intervalados, tempo runs e tiros treinam o corpo; longões, de quase-maratonas a ultras oficiais, treinam a resistência da mente; mas a capacidade de percepção, os olhos, também precisam de estímulos contínuos, de contrastes apontando a existência de caminhos.

Até então eu ignorava a mera necessidade, por mais óbvia que ela agora pareça, de treinar os olhos.

Com o perdão do trocadilho, ainda bem que eles finalmente foram abertos para isso.

E que venham mais novidades, seja em novos percursos ou em velhos caminhos habituais!

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