Primeira baixa do Caminho

Primeira e, tomara, última!

Depois da reunião com o apoio na quarta, o Paulo Penna acabou se complicando no trabalho e, portanto, se impossibilitando de participar da prova.

Além da companhia perdida, o ponto ruim é que acabei ficando com uma pacer apenas -a Luana. O lado bom: o número mínimo de 2 apoios foi mantido – UFA!

Tenho agora apenas que reprogramar a lista de compras- mas nada de traumático.

Em paralelo, tentarei também achar um outro apoio de última hora. Quem sabe não aparece algum outro louco querendo passar 24 horas no sertão? :-)

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Refazendo a motivação com o descanso

Amanhã, uma meia maratona me espera. 

Nada de 5 ou 6 horas correndo, rodando a cidade e cavando quilômetros. 

Sim: eu sei que eu mesmo busquei esses longões gigantes como parte do treino para a prova que eu escolhi. E sim: em condições normais, eu costumo ficar ansioso por passar horas a fio. 

Mas o cansaço acumulado está tanto que quase me emociono cada vez que vejo esses números pequenos na planilha. 

Isso me levou a uma conclusão importante: essa reta final treino, onde se expurga o cansaço do corpo, inclui também pegar de volta a motivação – boa parte da qual acabou sendo deixada pelo caminho. 

Como fazer essa mágica? 

Descansando e ficando mais inteiro, correndo apenas o suficiente para sentir o gostinho da endorfina nas veias. 

E talvez valha também escolher um percurso mais gostoso, tipo alguma trilha qualquer aqui por perto. 

 

A primeira metade da medalha

Corridas longas, descobri, começam bem antes de suas largadas. 

Se puder generalizar, diria que todas podem ser divididas em duas grandes fases: o treinamento e o percurso em si. 

Qual é mais difícil? Depende. 

É difícil bater a dificuldade se se esguelar, por exemplo, ao fim de uma maratona, quando se busca um recorde pessoal qualquer. Sim: meses de treinos pesados são necessários – mas o relógio dos 42K é sempre mais sádico do que o tempo que o antecedeu. Sempre.

Em uma ultra cujo objetivo é terminar, tudo muda. Não se tem um tempo (exceto pelo corte) a bater: tudo se resume a chegar. E chegar, em casos assim, vem precedido de meses de treinamento interminável, com longões insanos e uma espécie de autoflagelação digna de qualquer pecador medieval arrependido. 

Estou exausto – mas a primeira fase do Caminhos de Rosa foi vencida. 

Não posso dizer que ela foi mais dura que a prova em si pois ainda não corri os seus 140K – mas posso dizer que será difícil bater o tanto de suor que derramei nesses últimos seis meses. 

Seja como for, estou me dando a liberdade de comemorar essa vitória desde ontem: não me recordo de ter passado por um período de treino tão pesado quanto este antes. 

A primeira metade da medalha já está no peito. 

Agora é só pegar a segunda.

O plano para a São Paulo City (Ultra)Marathon

Domingo tem maratona de São Paulo – e uma com direito a correr pelo meu amado centro velho em um percurso que, embora ainda conte com os cotovelos tediosos da USP, me deixou empolgado desde o momento que o vi. 

Provas são perfeitas para treinos: garantem postos de hidratação, amigos e torcida para empurrar qualquer um rumo aso seus objetivos. Os meus, nessa última semana intensa pre Caminhos de Rosa, vão um pouco além dos 42K: preciso fechar algo na casa de 50. 

Originalmente, pensei em sair de casa correndo. Desisti por dois motivos: a largada é às 6 da manhã, horário perfeito para a prova mas cedo demais para começar antes dela; e a distância pequena demais entre o local e a minha casa (pouco menos de 5K). Por sorte, a chegada é lá no Jockey, que fica a exatos 9K da porta do meu prédio. 

O plano, portanto, é chegar na largada como sempre faço e começar a partir de lá. O percurso é este, abaixo, desenhando uma espécie de sorriso na cidade: 


Depois dos 42K, já com medalha na mão e 80% do treino feito, pego uma reta que atravessa o rio, corta a Vila Madalena, contorna o Allianz Parque e chega em casa. Trecho com algum masoquismo, acrescento, pois tem ladeira até não poder mais! Ainda assim, é o que se apresenta – e é também muito, muito melhor do que sair solo pela cidade. 


Pena que não dá para usar essa prova como qualify para a Comrades… Mas, como dizem os sábios, cada desafio a seu tempo!

Checkpoint: Acostumado

Com 113km rodados, essa foi uma das semanas mais pesadas que já tive em treinos. A essa altura, no entanto, o preparo construído ao longo dos últimos meses já amorteceu o corpo para a quantidade de horas nas ruas como rotina. 

Não que tudo esteja leve, claro. Mas confesso que, embora cansado, senti muito menos dores rastejando pelo corpo nesta última semana do que na anterior, quando diminuí o volume para quase metade com o objetivo de descansar. 

Acho que chega um determinado ponto em que o volume acaba sendo tanto que o corpo estranha mesmo é a folga que acaba recebendo de surpresa. Acho que, no final das contas, tudo é acostumável, como poderia ter dito Guimarães Rosa. 

A semana que começa hoje tem um bônus: a São Paulo City Marathon, no domingo. O plano será óbvio: ir correndo até a largada, rodar os 42K e voltar correndo para casa. Não sei ainda sequer onde é largada – mas certamente isso deve totalizar algo próximo aos 50K previstos para o longão do final de semana. 

A partir daí é tudo ajuste fino e preparo mental. 

Os Caminhos de Rosa estão chegando. 

Vídeo: Sobre uma prova que nunca farei

Nunca gosto de dizer nunca. Há uns 10 anos, do alto do meu sedentarismo, jamais poderia imaginar que estaria aqui, hoje, escrevendo um blog sobre um esporte que nunca sequer tinha ouvido falar.

Ainda assim, arrisco-me desta vez a pregar o “nunca” em relação à Hurt 100, uma prova de 100 milhas extremamente técnicas e perigosas sobre uma das ilhas do Havaí. A dificuldade é tamanha que, ao menos na minha concepção, a diversão acaba ficando de lado. E qual a graça da vida se ela não puder nos divertir?

Ainda assim, dificuldades e agruras assim são sempre divertidas em filmes. São os extremos vividos pelos outros que nos fazem curtir ainda mais as amenidades às quais nos lançamos com algum tempero de aventura.

Eis Hurt 100:

 

 

Pelas paisagens urbanas

Confesso que amo, insanamente, correr pela paisagem urbana de São Paulo.

Faz pouco sentido, sei, para quem curte tanto a paisagem de trilhas, montanhas e natureza de forma geral.

Mas o que é uma grande cidade senão um pedaço exoticamente legítimo da natureza, adaptado pelas mãos de seus protagonistas na cadeia alimentar? E o que é uma paisagem urbana senão o testemunho simultâneo à grandiosidade e à decadência de tantos ideais das mais diversas correntes de pensamento?

No meu cotidiano eu tomo retas por ciclovias, subo escadarias esquisitas, atravesso trilhas de trens e perambulo por zonas tomadas por aquele clima de devastação típico de centros latinoamericanos. Tudo com o contraste de um audiolivro cantando Wilde, Achebe ou Tólstoi ouvidos adentro, transformando toda a experiência de correr em algo ainda mais singular.

No meu cotidiano, vejo coisas assim enquanto corro:


É algo tão fenomenal quanto cruzar cadeias montanhosas nos alpes europeus? Provavelmente não. Mas não moro nos alpes.

E, se tem uma coisa que aprendi, é que sempre faz bem aproveitarmos o que nos é posto à frente pela própria vida.

Sábado tem um outro ultra-longão: mal posso esperar o que essa sempre mutante cidade de São Paulo reservará pelo caminho.